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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Emerson, 20 anos da primeira em Indianápolis


Existem coisas que você consegue em sua profissão que te dão realmente orgulho e estímulo para acreditar que ela é a melhor de todas.

Jornalistas, por exemplo, têm o privilégio de cobrir eventos, normalmente de graça, que outras pessoas se matam (e desembolsam muita grana) para conhecer. Como um show do Iron Maiden, ou a pré-estreia de um documentário sobre a banda no Rio. Ou viajar ao mesmo Rio para cobrir uma corrida da Stock Car. São coisas pequenas para quem está na profissão há bastante tempo, mas grandes para mim, com apenas dois anos de formado.

Às vezes, nós jornalistas também entramos em lugares restrito a um determinado órgão - como no meu primeiro dia de trabalho na Secretaria da Segurança Pública, quando conheci o IML-Centro (aquele do lado do HC, na Teodoro Sampaio) por dentro. Uma experiência de vida, e de morte, que levarei para sempre comigo.

Depois, trabalhando diretamente com a Polícia Científica, tive acesso aos laboratórios de Balística e Toxicologia do IC - o segundo é o lugar onde analisam se a droga apreendida é droga mesmo. Lugares que, provavelmente, não voltarei a visitar e que são conhecidos por poucos.

Essa longa introdução serve para exemplificar um pouco o que senti ao conseguir, depois de muito correr atrás, uma entrevista com Emerson Fittipaldi sobre sua primeira vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, que completou 20 anos na última quinta-feira.

Emerson foi um dos personagens que me fez querer conhecer o passado do automobilismo e tudo sobre a história do esporte. O bicampeão também atraiu os olhos de uma criança que vibrava com as vitórias de Senna na F-1 para uma categoria totalmente diferente, onde era só um "passarinho cagar na pista" (supostamente uma definição do Piquet) para que a bandeira amarela estragasse qualquer vantagem do líder da corrida.

Acompanhei muito a Indy naquela época, com pilotos como Emerson, Nigel Mansell, Mario e Michael Andretti, Bobby Rahal, Rick Mears, Al Unser pai e Al Unser Jr. Além de outros menos fantásticos, mas folclóricos, como Paul Tracy. E, de certa forma, tudo se resumia a Emerson, o mais bem-sucedido entre todos (único bicampeão da F-1), que era um vovô-ídolo para um moleque fã de automobilismo acostumado com a sobriedade da F-1. Sem contar que ele também foi um ídolo dos meus pais e de toda a geração deles na década de 1970.

Em uma longa entrevista, de forma simpática e atenciosa, Emerson me contou todos os detalhes sobre a vitória confirmada a duas voltas do final, quando um acidente com Al Unser Jr. tirou este da corrida e deu a vitória ao brasileiro. Que, por causa do nervosismo de seu chefe de equipe, Pat Patrick, sofreu com o peso e a queda de rendimento do seu carro após o último pit, o que quase custou sua corrida.


A efeméride não vale apenas por conta das marcas de Emerson - o primeiro brasileiro campeão da F-1 também foi o primeiro sul-americano a vencer as 500 Milhas. Aquela prova, particularmente o seu final, foi sensacional e emocionante. É só ver o vídeo.

Além de falar sobre a vitória, Emerson conta um pouco sobre os problemas com a imprensa na época da Copersucar, compara as 500 Milhas com o GP Brasil de F-1, fala que vai trazer a A1 GP para cá no ano que vem e comenta sobre o sonho de infância que tinha de ganhar em Indianápolis - que era mais representativo do que a F-1 para ele quando criança, segundo o próprio.

E até falei com um não menos simpático Al Unser Jr., que isenta ambos de culpa no acidente e se diz amigo de Emerson até hoje - elogia o "gentleman" brasileiro até não poder mais.

Só senti algo semelhante quando entrevistei o Rob Halford, no ano passado. Então, acho que vale a pena ler tudo!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Piquet, Tuvuca e o Youtube

Começo este post lembrando de como foi iniciada minha paixão pela F-1. Gostava muito de carros quando tinha uns cinco anos (hoje não ligo muito), e tenho em minha memória alguns flashes da temporada de 1990, de Ayrton Senna com um maço andante da Marlboro competindo contra um carro vermelho, o qual identificaria anos mais tarde como a Ferrari, pilotada pelo então tricampeão Alain Prost.

1991 foi um ano muito mais claro para mim, já conhecia as equipes, os pilotos, as pistas, o sistema de pontuação, o frisson causado por Senna no Brasil. Frisson que também migrou para a criança de sete anos, que só queria saber de corridas e velocidade. A vitória de Senna em Interlagos e o tricampeonato (relatado pela minha mãe na manhã seguinte, já que era o GP do Japão, de madrugada) são memórias ainda frescas em minha mente.

Esse ano, também, foi o último de Nelson Piquet na F-1. Me lembro dele na Benetton, com o Moreno e depois com o Schumacher, e admirava muito esse carioca debochado, que era totalmente o oposto do meu ídolo Senna. Apesar de saber de todas as brigas entre os dois, eu achava que o Piquet estava certo, afinal todos falavam que ele era mau-caráter e que só falava mal de todo mundo. Como eu era criança, e do contra (característica que, admito, ainda carrego um pouco), imaginava que o Piquet deveria estar certo, o que não diminuía minha torcida pelo Ayrton.

1992 foi um ano decepcionante, sem Piquet, e com Senna fazendo pouca coisa durante a temporada. Neste ano, porém, ganhei de meu falecido avô paterno um relançamento de duas revistas "Motor 3" do início de 1987, uma com um completíssimo resumo da temporada de 1986 e a outra com a apresentação de 1987. Guardo ambas até hoje, destruídas após 16 anos de folheagem incessante. São elas as minhas primeiras fontes automobilísticas.

Lá, descobri um pouco melhor quem foi Nelson Piquet na F-1, em uma fase em que lutava pelo título. Também descobri como foi a fase de Senna na Lotus, Prost na McLaren, Mansell na primeira passagem na Williams, além de descobrir os ex-campeões Keke Rosberg e Alan Jones. Enfim, onde comecei a saber mais sobre o passado da categoria que eu tanto devorava.

Os vídeos

Alguns anos depois, já superada a alegria pelo desempenho do ídolo em certas corridas em 1993 e o grande trauma de sua morte no ano seguinte, consegui descolar em locadoras as fitas de vídeo com o resumo das temporadas do tricampeonato do Ayrton (88, 90 e 91), além de, ironicamente, o VHS da própria temporada de 86. Vi imagens em movimento que só conhecia de ter "lido as figuras", lembrando uma celébre frase da obra-prima "Cidade de Deus".

Conhecendo um pouco essas temporadas, finalmente tive a chance de ver grandes ultrapassagens e corridas de Nelson Piquet, o "tricampeão desconhecido", sempre com a ótima narração de Reginaldo Leme. Foi quando busquei "vôos maiores": por que não encontrar os resumos das temporadas (os famosos "FIA Review") em que Piquet conquistou o título?

Infelizmente, nunca concretizei esse sonho. Tempos atrás, foram lançados os DVDs dos títulos do Ayrton, os quais já sei de cor. Como consolo, pude desfrutar também do bicampeonato do Emerson, felizmente resgatado pela Abril e a Quatro Rodas e também lançados em DVD (desta vez narrados pelo "Grandes Momentos do Esporte" Luis Alberto Volpe, hoje na ESPN Brasil).

Senna e Emerson tiveram o reconhecimento merecido pelos seus títulos. Por que o Nelson, primeiro tricampeão do Brasil na F-1 e "ovelha negra" dos brasileiros por conta das suas brigas com o Ayrton, não merece o mesmo destaque? Por que ninguém lança essas temporadas no Brasil? São perguntas que nunca foram respondidas.

Só acho que, com isso, o reconhecimento por Piquet diminui, sustentando apenas por aqueles que recordam de suas grandes corridas ou pelos que admiram muito sua personalidade e sinceridade, mesmo sem conhecer, em vídeo, os feitos do tricampeão.

Mas como aprender a história se ninguém resgata o registro histórico de um dos principais esportistas brasileiros de todos os tempos?

O Youtube

O Youtube, no entanto, pôs fim ao meu anseio. Queria fazer isso há algum tempo, mas só pude concretizar esse sonho no último mês, quando percebi que todas as corridas de 1981 já estavam em nosso glorioso e quase anárquico canal de televisão mundial.

Analisei, então, o desempenho do jovem Nelson na conquista de seu primeiro título, e agora já estou começando a ver as corridas de 1983, cuja temporada, infelizmente, não encontrei por inteira. O Youtube colocou na rede, por meio de seus usuários e de forma rústica, o legado de Nelson Piquet na F-1.

Não sei se o hoje "pai do Nelsinho" sabe disso, mas acho que agradeceria. Eu agradeço ao Youtube, mas continuo esperando por um DVD com os melhores momentos do nosso primeiro tricampeão na F-1.

Nada mais justo.