Mostrando postagens com marcador f-1. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador f-1. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O acordo


Apenas para registro, porque não pude postar ontem. Primeiro, acertei parte de minha previsão:

Creio que, no fim das contas, a FIA vai dizer que Ferrari, Red Bull e Toro Rosso não podem sair, que eles têm contratos a cumprir e blablabla. Bernie Ecclestone dará sua dose de contribuição nas intimidações, ameaçando processos, e a coisa toda continuará indefinida.

Logo depois disso, a FIA afirmou que processaria as equipes. No entanto, tudo acabou resolvido em seis dias, para surpresa de todos. Mosley concordou em sair. A Fórmula 1 não terá teto em 2010. E todo mundo ficou feliz.

Aparentemente, as equipes venceram, e Mosley não pareceu ter ligado em perder. Acho que ele se encheu de tudo isso e resolveu confirmar sua saída. Afinal, não está passando pelo melhor dos momentos em sua vida pessoal -um de seus filhos morreu recentemente de overdose.

Apesar disso, tem gente que aposta que ele vai continuar mesmo assim. Para mim parece improvável, mas não duvido de nada envolvendo esses caras.

No fim das contas, Ecclestone deve ter ficado bem rico, e a F-1 vai continuar do jeito que está, só que com mais controle das equipes. E a novela que se arrastou por tanto tempo foi resolvida rapidinho após as equipes anunciarem a F-Fota.

E vamos embora porque temos coisas bem mais importantes para tratar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Brawn GP (2)

Apenas um adendo ao post de quase um mês atrás: não acho mais as corridas de 2009 legais de assistir e nem acredito mais no Vettel campeão.

Não tem como acreditar que o Button vai perder o título, tamanha sua superioridade. E os GPs da Espanha e de Mônaco serviram para trazer a monotonia de volta à F-1.

Fora o saco que são as brigas políticas, tetos orçamentários, indefinições, punições estranhas...

Pior que a FIA só a Fifa, que não consegue explicar com clareza o que ela quer como regra no futebol, e nem faz o mínimo esforço para isso.

E pior que as duas, só mesmo o STJD e suas "filiais" nos estados.

quinta-feira, 12 de março de 2009

The Shining

Manchete de agora do Grande Prêmio:

Barrichello diz: "Eu sou iluminado. Sempre fui"

Então o que seria Michael Schumacher? Ayrton Senna? Nelson Piquet? Juan Manuel Fangio?

Muita calma, caro Barrica. Que bom que o carro da Brawn é um "bem-nascido", mas ainda tem muito chão pela frente.

E esse negócio de ser "iluminado" é um pouco demais.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Barrichello + F-1: 17 temporadas juntos

Me tornei um apaixonado por F-1 em 1991. Dois anos depois, Rubens Barrichello estreava como a mais nova promessa do Brasil na categoria. Eu tinha só oito anos.

E aqui estou, já há dois anos e meio trabalhando com isso, vendo ele ser confirmado, no alto de seus 36 anos, por mais uma temporada na categoria - a de número 17. Tudo aquilo que os outros blogs e a mídia previam aconteceu: a nova Honda vai se chamar Brawn GP e terá Jenson Button e Rubens Barrichello.

A grande ironia é que possivelmente um dos protagonistas do pior momento de Barrichello na F-1 - quando ele teve que entregar a vitória no GP da Áustria-2002 a Michael Schumacher - foi justamente quem bancou o "quase-ex" Rubinho (hoje praticamente só chamam ele de Barrichello) na F-1 e evitou sua aposentadoria.

Notável a atitude de Ross Brawn, e compreensível, como disse Bruno Senna, talvez o maior prejudicado com a permanência de Barrichello.

Gostava muito de Rubinho em suas primeiras temporadas, mas ele tomou atitudes ruins ao longo da carreira e não soube lidar com os problemas que apareceram na sua frente. Foi, por vezes, arrogante, reclamão e, principalmente, chorão. Mas também foi rápido e construiu uma carreira histórica, já consagrada comoa mais longa da história da F-1.

Vai ser interessante assistir a Barrichello ajudando Brawn a reconstruir a ex-Honda. Quem sabe ele não se aposenta daqui a um tempo e assuma um cargo na equipe? Mas por enquanto, só quer correr e disse o tempo inteiro que a única coisa que desejava era sentar em um F-1 e pisar fundo.

Que bom que ele vai conseguir. A F-1 cresceu junto com ele desde 1993 e, em um ano marcado por tantas mudanças no regulamento, terá o velho capacete vermelho, branco e azul garantido presença no grid - mesmo que seja nas últimas filas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Movimentado

Hoje, 24 de novembro de 2008, é o aniversário de um amigo meu, o mais antigo de todos, que completa 25 anos e a quem cumprimento pelo blog.

Também é o dia que eu quebro o silêncio que perdurou durante todo o mês onze, talvez o mais movimentado da minha vida no aspecto profissional.

Isso porque, desde outubro, estive dedicado a algum projeto para a FOL: primeiro, o especial sobre os 20 anos do primeiro título de Ayrton Senna na F-1; depois, a cobertura incessante da semana final da temporada 2008 da F-1, com coletivas de Felipe Massa e matérias pós-campeonato que emenderam com o especial do Senna; por último, o que considero minha melhor reportagem até hoje: a entrevista com Rob Halford - além da cobertura do primeiro show do Judas em SP.

Foi um mês corrido, sempre com algo importante na cabeça e prejudicado por uma certa inconstância do meu estado de saúde, com problemas que agora poderão ser curados.

Foi importante e reconfortante o contato mais próximo com a F-1, além da atiçante responsabilidade de tocar um especial sobre o maior ídolo esportivo do Brasil e meu principal ídolo de infância - e por quem tenho minhas ressalvas hoje, ajudado pela visão crítica que evolui com a idade.

Mas o desafio de comandar uma entrevista exclusiva, por telefone, com um dos mais importantes símbolos do metal, a quem ouço há dez anos e que co-escreveu a maioria das músicas de minha segunda banda favorita (Rush na frente), foi algo indescrítivel.

Sabia que valia a pena tentar porque era alguém que tinha o que falar. E que possui, acima de tudo, relevância jornalística. Fui atrás ainda no início de setembro, e valeu a pena.

Ainda colocarei aqui, na íntegra, a entrevista feita com o Halford, apenas para que fique o registro, e que isso não se perca na edição obrigatória para um veículo online.

Por enquanto, fica o registro do meu sumiço, mas com a certeza de que estou de volta postando, sempre que o tempo e/ou a inspiração aparecem.

E teremos tempo para debater tudo o que aconteceu. Já que não consigo postar no "heat of the moment", fiquemos com uma análise mais fria e pensada dos acontecimentos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Piquet, Tuvuca e o Youtube

Começo este post lembrando de como foi iniciada minha paixão pela F-1. Gostava muito de carros quando tinha uns cinco anos (hoje não ligo muito), e tenho em minha memória alguns flashes da temporada de 1990, de Ayrton Senna com um maço andante da Marlboro competindo contra um carro vermelho, o qual identificaria anos mais tarde como a Ferrari, pilotada pelo então tricampeão Alain Prost.

1991 foi um ano muito mais claro para mim, já conhecia as equipes, os pilotos, as pistas, o sistema de pontuação, o frisson causado por Senna no Brasil. Frisson que também migrou para a criança de sete anos, que só queria saber de corridas e velocidade. A vitória de Senna em Interlagos e o tricampeonato (relatado pela minha mãe na manhã seguinte, já que era o GP do Japão, de madrugada) são memórias ainda frescas em minha mente.

Esse ano, também, foi o último de Nelson Piquet na F-1. Me lembro dele na Benetton, com o Moreno e depois com o Schumacher, e admirava muito esse carioca debochado, que era totalmente o oposto do meu ídolo Senna. Apesar de saber de todas as brigas entre os dois, eu achava que o Piquet estava certo, afinal todos falavam que ele era mau-caráter e que só falava mal de todo mundo. Como eu era criança, e do contra (característica que, admito, ainda carrego um pouco), imaginava que o Piquet deveria estar certo, o que não diminuía minha torcida pelo Ayrton.

1992 foi um ano decepcionante, sem Piquet, e com Senna fazendo pouca coisa durante a temporada. Neste ano, porém, ganhei de meu falecido avô paterno um relançamento de duas revistas "Motor 3" do início de 1987, uma com um completíssimo resumo da temporada de 1986 e a outra com a apresentação de 1987. Guardo ambas até hoje, destruídas após 16 anos de folheagem incessante. São elas as minhas primeiras fontes automobilísticas.

Lá, descobri um pouco melhor quem foi Nelson Piquet na F-1, em uma fase em que lutava pelo título. Também descobri como foi a fase de Senna na Lotus, Prost na McLaren, Mansell na primeira passagem na Williams, além de descobrir os ex-campeões Keke Rosberg e Alan Jones. Enfim, onde comecei a saber mais sobre o passado da categoria que eu tanto devorava.

Os vídeos

Alguns anos depois, já superada a alegria pelo desempenho do ídolo em certas corridas em 1993 e o grande trauma de sua morte no ano seguinte, consegui descolar em locadoras as fitas de vídeo com o resumo das temporadas do tricampeonato do Ayrton (88, 90 e 91), além de, ironicamente, o VHS da própria temporada de 86. Vi imagens em movimento que só conhecia de ter "lido as figuras", lembrando uma celébre frase da obra-prima "Cidade de Deus".

Conhecendo um pouco essas temporadas, finalmente tive a chance de ver grandes ultrapassagens e corridas de Nelson Piquet, o "tricampeão desconhecido", sempre com a ótima narração de Reginaldo Leme. Foi quando busquei "vôos maiores": por que não encontrar os resumos das temporadas (os famosos "FIA Review") em que Piquet conquistou o título?

Infelizmente, nunca concretizei esse sonho. Tempos atrás, foram lançados os DVDs dos títulos do Ayrton, os quais já sei de cor. Como consolo, pude desfrutar também do bicampeonato do Emerson, felizmente resgatado pela Abril e a Quatro Rodas e também lançados em DVD (desta vez narrados pelo "Grandes Momentos do Esporte" Luis Alberto Volpe, hoje na ESPN Brasil).

Senna e Emerson tiveram o reconhecimento merecido pelos seus títulos. Por que o Nelson, primeiro tricampeão do Brasil na F-1 e "ovelha negra" dos brasileiros por conta das suas brigas com o Ayrton, não merece o mesmo destaque? Por que ninguém lança essas temporadas no Brasil? São perguntas que nunca foram respondidas.

Só acho que, com isso, o reconhecimento por Piquet diminui, sustentando apenas por aqueles que recordam de suas grandes corridas ou pelos que admiram muito sua personalidade e sinceridade, mesmo sem conhecer, em vídeo, os feitos do tricampeão.

Mas como aprender a história se ninguém resgata o registro histórico de um dos principais esportistas brasileiros de todos os tempos?

O Youtube

O Youtube, no entanto, pôs fim ao meu anseio. Queria fazer isso há algum tempo, mas só pude concretizar esse sonho no último mês, quando percebi que todas as corridas de 1981 já estavam em nosso glorioso e quase anárquico canal de televisão mundial.

Analisei, então, o desempenho do jovem Nelson na conquista de seu primeiro título, e agora já estou começando a ver as corridas de 1983, cuja temporada, infelizmente, não encontrei por inteira. O Youtube colocou na rede, por meio de seus usuários e de forma rústica, o legado de Nelson Piquet na F-1.

Não sei se o hoje "pai do Nelsinho" sabe disso, mas acho que agradeceria. Eu agradeço ao Youtube, mas continuo esperando por um DVD com os melhores momentos do nosso primeiro tricampeão na F-1.

Nada mais justo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Fórmula Punição


O mais triste em um campeonato esportivo dá as caras quando o talento e a habilidade são deixados de lado em prol do rigor na "aplicação das regras". Assim, pessoas que não estão participando da competição têm quase que o mesmo poder daqueles que vencem ou perdem partidas -ou corridas.

Já falei da chatice que são as tais "recomendações" da Fifa no futebol, repletas de interpretações dúbias, ambígüas, mal-explicadas e -o que é ainda pior- respeitadas apenas em certos países ou continentes. A discussão sobre o que vale ou não no futebol tomam mesas-redondas de qualidade duvidosa, mais preocupadas em "jogar para a torcida" de clubes grandes, além da parcela mais séria da imprensa esportiva, jogadores, árbitros e dirigentes. É um lenga-lenga sem fim e sem efeito prático.

A F-1, infelizmente, começou (ou voltou) a ser dominada por decisões estranhas de comissários, sempre "preocupados" com a "direção segura" dos pilotos, deixando velocidade e competitividade em segundo plano.

Nesses tempos, o piloto só pode tentar uma ultrapassagem se tiver 100% de certeza que vai concretizá-la. Se tiver o mínimo de dúvida, é melhor não arriscar, porque os comissários estarão olhando prontos para dar-lhe uma punição na pista.

Hoje, ou ontem no Japão, três pilotos foram punidos por seus erros. Na corrida aos pés do Monte Fuji, vencida de forma esplêndida por Fernando Alonso (o melhor piloto da categoria -vamos ver até quando, com a ascensão do Vettel), Felipe Massa, Lewis Hamilton e Sébastien Bourdais, foram prejudicados -sim, prejudicados- por comissários que se julgam donos do espetáculo -como os árbitros no futebol.

Para mim, das três punições, a única aceitável foi a de Massa, que realmente forçou a barra com Hamilton na chicane. Mas, mesmo assim, acho que foi apenas uma disputa de corrida, onde os dois erraram, forçaram demais. Massa acabou espremido pelo inglês, ficou fora do traçado, manteve o pé embaixo e o acertou depois -como acontecia em praticamente todo GP na década de 1980, e quase nunca alguém era punido.

Quanto a Hamilton, me pareceu brincadeira -ou perseguição- a punição ao inglês por fazer um monte de cagada na largada. O que ele fez para prejudicar os outros? Não ficou claro. Ele apenas errou, saiu da pista e prejudicou sua prova. Novamente, um incidente de corrida. Precisava estragar a corrida de Hamilton por causa disso? Não bastava ele mesmo jogar sua prova no lixo?

Já a punição ao Bourdais me cheirou um efeito bola-de-neve. "Bom, se já punimos o Hamilton pelas besteiras na largada e o Massa por bater no Hamilton, precisamos punir o Bourdais por atrapalhar o Massa." É isso -em busca de "coerência", é preciso punir todo mundo que cometa qualquer tipo de erro.

Hoje, Tostão escreveu em sua coluna na Folha que a "coerência é muitas vezes burra, e tem que ser ética e de princípios". Ele estava comentando sobre as escolhas de Dunga para a seleção brasileira, defendendo o poder das pessoas em mudarem de opinião. Para mim, seu raciocínio é perfeito para a F-1 de hoje.

Todos os pilotos cometem erros, e eles ficam mais visíveis quando envolvem aqueles que disputam as primeiras posições e o título. Isso é mais comum agora, quando não temos um Schumacher da vida dominando as corridas, e sim bons pilotos como Hamilton e Massa, que também são instáveis e por vezes barbeiros. Isso deveria ser encarado de forma mais natural e menos rigorosa por FIA e comissários, para que o resultado final não seja alterado toda hora em função de um incidente da corrida.

Enquanto o automobilismo envolver disputas de posição, ultrapassagens e arrojo, acidentes acontecerão, e é preciso aceitar isso.

Vale lembrar que Ayrton Senna foi campeão em 1990 tirando o Alain Prost da corrida, de propósito, em um acidente que poderia ter conseqüências piores para os dois. Um ano antes, o mesmo Senna foi desclassificado de forma estranha após um acidente com o mesmo Prost, no mesmo GP do Japão, em um episódio no qual a Fisa -braço-esportivo da FIA e que cuidava da F-1 na época- e seus comissários foram extremamente criticados por interferir demais nas decisões em Suzuka.

Em 1994, Schumacher foi campeão na Austrália depois de tirar Damon Hill da corrida, em um acidente muito polêmico -e sujo. No mesmo ano, o alemão e a Benetton travaram uma guerra com a FIA, que aplicou punições à equipe e ao piloto por conta de supostas irregularidades no carro de Schumacher e por sua conduta nas pistas. Na corrida final, no entanto, sua antidesportividade passou ilesa.

Três anos depois, o mesmo Schumacher, já na Ferrari, tentou fazer o mesmo com Jacques Villeneuve em Jerez, só que se deu mal e teve que abandonar a corrida. Foi o único prejudicado por sua bobagem e sujeira. Então, a FIA resolveu "dar o exemplo" e puniu o alemão com a perda de todos os seus pontos no campeonato. Assim, Schumacher perdeu o vice. Será que aconteceria o mesmo se ele tivesse conseguido tirar o canadense da corrida e conquistasse o título? Difícil saber.

Difícil saber porque esses comissários de prova são muito imprevisíveis. Quanto menos poder para eles, melhor.

Os campeonatos de 1989, 1990, 1994 e 1997 tiveram desfechos polêmicos porque estavam inseridos em um contexto no qual a FIA tomava atitudes baseadas em um regulamento que parecia valer uma coisa diferente a cada corrida.

Espero que a belíssima e equilibrada temporada de 2008, já manchada por conta de punições estranhas ao longo do ano (a maior delas na Bélgica, contra Hamilton), não se encerre com algum episódio semelhante envolvendo ao desses anos.

O tapetão precisa ser evitado a todo custo no esporte.

Foto: Kazuhiro Nogi, AFP

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre "ironias do destino"

Fiz um texto gigante, agora, colocando toda a retrospectiva dos eventos envolvendo Felipe Massa e Lewis Hamilton desde 1 de setembro, dia do GP da Bélgica de F-1.

A idéia era relembrar, passo a passo, todas as reviravoltas no campeonato nesses últimos dias, desde a vitória do inglês em Spa, a cassação da mesma, o GP da Itália, a FIA considerando inválida a apelação da McLaren sobre a punição ao inglês na corrida belga, culminando na lambança ferrarista em Cingapura. Sempre contextualizando e apontando as diferenças na classificação de acordo com cada cenário.

No final, que ainda não estava escrito, eu iria dissertar sobre a ironia que foi Hamilton ampliar em seis pontos sua vantagem para Massa na corrida de Cingapura depois da bobagem da Ferrari no primeiro pit stop do brasileiro. Afinal, Hamilton perdeu justamente seis pontos na briga pelo campeonato por causa de uma canetada dos comissários, que para mim foi injusta. Lembrando que, mantido o resultado original em Spa, Hamilton teria quatro pontos a mais, e Massa contaria com dois a menos.

Essa era a questão: seis pontos ganhos do céu (também conhecido como FIA) na Bélgica, seis pontos amargos e perdidos na prova noturna, por culpa exclusivamente sua - Ferrari, no caso. Uma ironia e tanto.

Assim, chegaria a algumas conclusões: primeiro, a Ferrari tem errado demais, demais nas corridas.

Segundo, as canetadas deveriam ser aplicadas quando o regulamento fosse bem claro em relação a chicanes cortadas e punições, o que não é o caso; parece aquela chatice da "regra interpretativa" imortalizada pela Fifa no futebol.

Terceiro, Hamilton e Massa fazem um belíssimo campeonato, dentro de suas capacidades; a F-1 não precisa de um piloto como Schumacher para ser espetacular (apesar que o Vettel vem aí), basta bons pilotos.

Por último, esse campeonato é o mais legal que eu vejo desde 2003, provavelmente, com a diferença de que não temos um Schumacher com um monte de novas regras contra si. Foram resultados diferentes, com vitórias de Robert Kubica, Fernando Alonso e principalmente Sebastian Vettel. BMW Sauber e Toro Rosso ganham suas primeiras corridas na F-1, enquanto que a Renault volta a triunfar pela primeira vez desde 2006.

Isso tudo estaria muito detalhado se não fosse um maldito comando de nome "Auto-Select" no Windows Vista. Explico: eu iria finalizar o trecho sobre a lambança da Ferrari ontem e precisava colocar que o Massa ficou em décimo-terceiro. Não achava, no laptop, o ordinário o. (como você nota, essa batalha ainda não foi vencida), para não ter de indicar o número por extenso.

Fui buscar com o botão direito, achei um "Encoding" e pensei: "é aqui mesmo!". Ledo engano. Por um motivo ainda não (e provavelmente nunca) compreendido, o texto sumiu, como em uma fábula. Para melhorar minha situação, o Blogger resolveu salvar meu texto naquele exato momento. Saí dele para tentar buscar sua versão "com texto", mas lá estava o post, todo branco, apenas com o título.

Que ganhou um novo significado após toda essa chatice inexplicável que ocorreu e me deixou extremamente irritado, sem o mínimo saco de escrever tudo de novo.

Bom, saiu isso aqui, acho que tá mais do que bom, tendo visto a circunstância. E prometo que salvarei os textos enquanto estiver escrevendo.

Já comecei, inclusive.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Felipe Massa, o número 1


Nos últimos dias, tem-se falado muito sobre a necessidade (ou não) de a Ferrari "promover" Felipe Massa como piloto número um da equipe para o restante da temporada 2008. Para isso, os brasileiros (e italianos) usam como argumento a boa fase de Felipe no campeonato (a melhor de sua carreira) e sua vice-liderança na classificação, com 64 pontos, a seis do líder Lewis Hamilton e sete à frente de Kimi Raikkonen.

Não sou a favor, e acho que a postura da Ferrari deve ser respeitada, mesmo com a fase de Felipe. Acho que descartar o finlandês, atual campeão mundial, restando seis corridas para o final da temporada, é um risco que os italianos não podem correr.

Kimi está a 13 pontos do inglês, e até me parece que ficará fora da briga pelo campeonato se Massa não tiver mais tanto azar.

O problema é que na F-1 atual o azar tem sido muito presente. Vide, por exemplo, o infortúnio de Felipe na Hungria, com a quebra de motor a três voltas do final, na atuação mais extraordinária de sua carreira. Ou aquela corrida no Canadá, com a lambança do Hamilton atingindo o Raikkonen nos boxes e tirando ambos da prova. Hoje, a Ferrari precisa do finlandês na briga, porque a F-1 voltou a um estágio, talvez temporariamente, onde os carros estão quebrando demais, diferentemente do ano passado.

Por isso, acredito que Massa será o piloto número um da Ferrari, mas precisa provar que merece. Até agora, tem feito isso com maestria, destruindo Kimi nas classificações e se firmando como o desafiante do rookie Hamilton, que também está louco por seu primeiro título, perdido em 2007 de forma dramática. Raikkonen, por sua vez, vai se apagando prova a prova. Não ganha uma corrida desde abril, quando faturou o GP da Espanha.

Para mim, em duas corridas, no máximo, Felipe atinge essa condição. É só confirmar sua boa forma nos GPs da Bélgica (cujos três últimos foram vencidos por Raikkonen) e Itália, para então desfrutar das regalias de um primeiro piloto.

Daí, quando a briga virar Hamilton/McLaren x Massa/Ferrari, as coisas ficarão bem mais simples para o ferrarista, primeiro brasileiro a lutar, de fato, pelo título da F-1, após 17 anos do tricampeonato de Ayrton Senna.

O melhor

Apenas um comentário final aos pachecos e corneteiros de plantão, sobre quem é o melhor piloto entre Raikkonen, Hamilton e Massa. Para mim, todos eles se mostraram rápidos e bons, mas inconstantes. Por isso, fica até difícil apostar em um deles para o título, já que o trio é basicamente do mesmo nível técnico.

Talvez se a disputa contasse com Fernando Alonso (em uma equipe que lhe desse todas as regalias que o espanhol exige, além de um carro bom) e a revelação Sebastian Vettel (que só precisa de um carro bom para mostrar do que é capaz) as coisas seriam mais difíceis para os três pilotos, porque esses dois parecem acima da média. Principalmente Vettel, que ainda é moleque de tudo.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Parabéns ao GP

PLAGIANDO GOMES (merecido) - Há mais ou menos dois meses, no dia 20 de maio, o Grande Prêmio foi agraciado com seu primeiro prêmio iBest. O site de Flavio Gomes, meu segundo emprego e primeira experiência trabalhando com Esporte, venceu na categoria "melhor site de esportes do Brasil", votação popular, desbancando "gigantes" como Globoesporte.com e ESPN Brasil.

Na época, eu estava em "recesso" no blog e acabei passando direto pela conquista. Conquista essa que me deixou muito orgulhoso por ter sido a vitória de um veículo "nanico" contra a grande imprensa. Sei do trabalho que dá para manter o site atualizado com uma equipe menor do que os grandes portais, e sem contar com todo o staff técnico que eles tem à disposição. Sem contar as credenciais, difíceis de arranjar, mas que sempre se arrumava um jeito para isso.

Fiquei orgulhoso também porque passei por lá entre setembro de 2006 e março de 2007 e fiz coisas muito legais no GP Acompanhei a marcante coletiva do Schumacher no GP Brasil de 2006 - aquela da tartaruga "Rubens", entregue ao alemão pela dupla Vesgo/Silvio, do Pânico. Até outro dia, foi o recorde de audiência na história do GP, parece que foi superado pelo domingo da corrida de Silverstone da F-1, na semana passada. Também tive a honra de entrevistar o "dinossauro" Paulo Gomes e cobrir a final da Stock em SP, além de acompanhar uma etapa da Stock no Rio. Foi minha primeira viagem "a serviço", essa. São apenas alguns exemplos.

O prêmio mostra todo o reconhecimento de quem realmente importa, que são os leitores. Fizeram campanha pelo GP na votação do iBest e emplacaram o "título". Foi realmente impressionante a devoção das pessoas para dar a vitória ao site.

Por lá, trabalhei com o chefe Gomes, o subchefe Victor, o subsubchefe Vicaria, meu veterano de faculdade, além dos brothers Mindu e Arantes. Com todos aprendi e de todos guardo ótimas recordações, mantendo contato sempre que possível.

Também fiquei feliz pela citação nos blogs do Gomes e do Victor, que fizeram questão de homenagear os atuais membros do GP e todos os ex-membros também, citando todo mundo que trabalhou no site. Foi um gesto de muita simpatia e que demonstra o reconhecimento pelo trabalho feito no GP ao longo dos anos. Lá, entendi o que significava, de verdade, jornalismo isento e sem rabo preso.

Parabéns de verdade.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Tuvucanadá: Montréal

Neste último final de semana, tivemos o GP do Canadá de F-1, disputado no circuito Gilles Villeneuve, em Montréal. Cidade que eu fiz questão de visitar, obviamente, em minha jornada franco-canadense.

Fiquei por seis dias em Montréal, que é um belíssimo lugar. Cosmopolita, mas que guarda o charme da velha cidade fundada pelos franceses no século XVI. Duzentos anos depois, foi tomada pelos britânicos, mantendo as raízes gaulesas, assim como Québec City. A veia separatista, no entanto, não me pareceu tão forte em Montréal como acontece na capital da província de Québec.

O post não será longo como os outros textos canadenses, apenas quero descrever minhas impressões sobre o circuito, que fica na Ile de Notre Dame, uma ilha artificial criada com pedras retiradas das escavações para a construção do metrô (o charmoso "Metró" de Montréal). Ela foi elaborada para a Expo 67, feira mundial de exposições realizada na cidade em 1967, um evento marcado pela consolidação da identidade dos "Quebécois" e que contou com a presença de diversos personagens importantes, como o presidente dos EUA na época, Lyndon Johnson, a rainha Elizabeth II, e Charles de Gaulle, presidente francês (autor da famosa frase "Vive le Québec libre" durante um discurso no evento, o que causou um incidente diplomático com o Canadá e incendiou os separatistas franco-canadenses).



O que tenho a dizer é que a pista, que se esfarelou e causou inúmeros problemas aos pilotos neste final de semana da F-1, é maravilhosa. E, como fica em um parque, é aberta a qualquer um que queira visitá-la. Não tive problemas para entrar e tirar as fotos, inclusive do famoso Muro dos Campeões, junto à reta dos boxes, no qual todo piloto de verdade (Michael Schumacher, Jacques Villeneuve, Damon Hill, Mika Hakkinen, Jenson Button, Juan Pablo Montoya, entre muitos outros) já bateu pelo menos uma vez na carreira. A marca do muro está lá, eterna.

Andei quilômetros pela pista, vazia. Não há muito o que dizer, estava tudo desmontado. Deu para admirar toda a "natureza artificial", maravilhosa, e que traz uma ótima sensação de tranqüilidade, quebrada pela corrida da F-1 uma vez por ano. Tem também o belo Cassino du Montréal, onde os bem-bonados gastam toda sua grana.


Fico triste com a possibilidade de cancelamento do GP de Montréal, considerando todos os problemas do circuito. Além da pista esfarelada, as áreas de escape sempre foram pequenas (e sem muita possibilidade de expansão), mas acho que a organização do autódromo deve se preocupar mais com sua preservação, pois é um local histórico e maravilhoso. Merece a F-1, por tudo que representa.

É uma pista rápida, com um belo cenário e histórico para a categoria. Marcou a primeira vitória do nativo Gilles Villeneuve na F-1, em 1978, no debút das etapas em Montréal. Para mim, Villeneuve é o maior piloto da F-1 que nunca ganhou um título (até porque morreu em 1982, com apenas 32 anos, antes de concretizar seu sonho). Foi um showman da categoria, sempre pilotando com a faca nos dentes, e recebeu uma bela homenagem no circuito.

No domingo, Robert Kubica levantou a taça de vencedor na F-1 pela primeira vez. Também foi a primeira vitória da história da Polônia, assim como Montréal inaugurou os triunfos do Canadá na categoria com a vitória de Gilles em 1978. A pista ainda celebrou as primeiras vitórias na F-1 de Lewis Hamilton, no ano passado, e de Thierry Boutsen, em 1989. Em 1995, Montréal foi palco do único triunfo de Jean Alesi na F-1, em uma corrida na qual Rubens Barrichello chegou, pela primeira vez na carreira, em segundo lugar. Em 1991, o circuito viu Nelson Piquet levar sua última das 23 vitórias na categoria em seu ano de despedida, pela Benetton, após Nigel Mansell (de Williams) perder a liderança na volta derradeira por causa de um(a) problema elétrico no carro/cagada sua (nunca foi totalmente esclarecido).

A F-1 não pode perder Montréal, e a recíproca é verdadeira. Depois de conhecer o autódromo, meu sonho agora é assistir ao GP do Canadá das arquibancadas do circuito Gilles Villeneuve.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Tuvucanadá: Mont-Tremblant

Já contei aqui sobre as minhas experiências rock 'n' roll do Canadá. Basicamente, os shows do Rush e do Van Halen.

Agora, relatarei um pouco sobre outras "descobertas" na terra franco-britânica, ou franco-inglesa, ou anglo-francesa, como preferir. Basicamente é uma província francesa chamada Québec, com uma forte veia separatista em relação às províncias britânicas. Os "québécois", naturais da província de Québec, já puderam decidir pela independência por duas vezes, em referendos realizados em 1980 e 1995. Mas, por uma apertada margem de votos, os quebequoenses decidiram contra a separação. Todas as outras nove províncias (e três territórios) canadenses, ressalte, são de origem britânica.

Pela forte influência da colonização francesa, Québec é o lugar mais inusitado e diferente que eu vi enquanto estive lá, nada a ver com a multicultural Toronto, que tem gente do mundo inteiro. Québec City, ou Ville du Québec, ex-capital canadense e atual capital da província, é a cidade mais charmosa que conheci. Apesar de toda essa contextualização, não falarei de Québec Cirty nesse post - deixemos para mais tarde.

Mont-Tremblant

Enquanto Montréal, principal pólo econômico da província de Québec, é uma mistura maluca entre inglês e francês, "québécois" e "canadians", Mont-Tremblant, a 130 km da cidade-sede da Olimpíada de 1976, é um município que sobrevive do inverno e das estações de esqui como atrações turísticas.

Conheci o vilarejo no final do outono, mas cheguei a pegar um dia de neve. Mais ou menos sete graus negativos. A cidade era uma graça, uma Campos do Jordão muito menor, com cerca de 8 mil habitantes. Final de outubro, Mont-Tremblant não tinha turistas e era de um marasmo previsível.



Mas o que eu queria ver mesmo (e fui para lá exclusivamente para isso) era o tal do Circuit Mont-Tremblant. Uma pista de corrida no meio da montanha? Como isso? Sediou corridas de F-1 (1968 e 1970)? Servia uma prova da finada Champ Car no ano passado?


Fui atrás. Saí de Montréal com um pessoal do albergue, pegamos o metrô até uma cidade vizinha chamada St. Jêrome (parada final de uma das linhas do metrô de Montréal) e de lá a solução era um ônibus até Mont-Tremblant. Tudo isso por CAD$ 10, em vez dos CAD$ 25 que custariam a passagem do ônibus de viagem, direto de Montréal. Demorou uma hora a mais, mas valeu a pena, até pela experiência.

Chegando lá, a primeira coisa (e praticamente a única) que eu queria fazer era conhecer aquele misterioso autódromo. Era pertinho do albergue, andei até lá e fui sacando a entrada do lugar, que mais parecia uma daquelas estradinhas de sítio no interior de São Paulo. Não dava para acreditar que, atrás de um grande lago (que congela no inverno, consta), existia uma pista de corridas.

E a primeira impressão fica mesmo pela entrada, de cascalho e terra. Se não fosse o típico cenário de inverno, parece que estamos rumo a um rodeio. Imagino um circuito como Interlagos ou Montréal com um acesso daqueles. Está certo que o nosso autódromo José Carlos Pace tem entradas problemáticas, mas são várias, pelo menos. Em Mont-Tremblant, só a tal estrada de terra.

Com a entrada fechada, é lógico que eu pulei para ingressar no circuito, já que eu tinha vindo de muito longe, sabia que qualquer um entenderia. Só estava com medo de huskies siberianos ou cachorros são-bernardo me atacarem pela invasão. Para minha sorte, não havia rigorosamente ninguém cuidando do circuito. Nenhuma alma penada.

Daí, fiz a festa, enquanto um amigo belga do albergue (não é trocadilho) me esperava lá fora. Pela primeira vez, tive contato com um cenário diferente do automobilismo. Feito em uma cidade minúscula e no meio da montanha, longe de tudo (a coisa mais perto é Montréal), você nota que a preocupação com o mundo "profissional" da F-1 e do automobilismo em geral é nula.


Um circuito pequeno, uma pista ajeitadinha. Apertada, porém. Ficava imaginando Jackie Stewart, Jochen Rindt, Graham Hill, Denny Hulme e John Surtees, entre outros, acelerando seus bólidos em uma época diferente da F-1. Uma época em que se corria onde era possível. Não pretendo ser saudosista a respeito desses tempos. Mas fica pela constatação do que se tornou um palco de corridas de Grande Prêmio há 40 anos.
A torre de controle, o tal do hospitality center, é tudo no mesmo lugar, aparentemente. Pequeno, mas acho que conseguem fazer tudo caber lá. Afinal, quase nunca o autódromo, reformado recentemente, sedia corridas. A ambulância também estava lá parada, sem ninguém para cuidar.

No meio do traçado, uma construção com os dizeres "Jim Russel Internacional Racing Drivers School". Fiquei pensando que, em uma cidade com 8 mil habitantes, localizada em uma região de população pequena, quantos gostariam de ter aulas com o ilustre Jim Russel. Creio que poucos. Não é à toa que a construção já estava completamente desgastada. Se fosse no Brasil, diriam que está criando dengue. Também me chamou a atenção o nome em inglês, raro em terras franco-canadenses.

O que deixo para o final, no entanto, é o maravilhoso cenário. Um circuito com uma montanha ao fundo, coberta pelo gelo. A pista com nada menos do que rochas em áreas de escape. Um traçado com freqüentes subidas e descidas em meio à montanha.



Me senti em um museu no Circuit Mont-Tremblant. Para alguns, podia ser triste e melancólico. Mas, para falar a verdade, fiquei honrado em conhecer um local que tem história no automobilismo, por mais distante que seja da realidade atual do esporte.

Afinal, por menor que seja a história de Mont-Tremblant na F-1 (e contando todas as suas limitações atuais), o circuito está lá de pé. Jacarepaguá, em uma cidade com 6 milhões de habitantes e com muito mais história na principal categoria do automobilismo, está destruído.

Isso sim é melancólico e triste.


PS: Estive no Rio de Janeiro em novembro de 2006, para cobrir uma etapa da Stock Car em Jacarepaguá pelo Grande Prêmio. O mato cobrindo boa parte do autódromo e o descuido para com o mesmo demonstrava o real "interesse" de a prefeitura preservar o templo. Que, naquela época, já estava destruído para a construção de sedes dos Jogos Pan-Americanos. Parece um fazendão, como mostram as fotos que eu tirei.



PS 2: Escalei uma montanha em Mont-Tremblant nesse mesmo dia (não aquela) e fiquei maravilhado com a beleza do local. Com certeza, esse visual ficará na minha memória em toda a minha vida. A minha foto de boina, que ilustra esse blog, é desse dia.



PS 3: Esse é o quão perto eu cheguei do gigante Mont-Tremblant, após a cansativa escalada.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

News of the World

Até algum tempo atrás, o título "News of the World" me lembrava desse disco do Queen, lançado em 1977:


Um bom disco, que contém o quase-medley clássico "We Will Rock You/We Are the Champions". Tem boas músicas, mas para mim não chega nem perto dos antecessores "A Night At the Opera"(1975) e "A Day at the Races" (1976) ou dos sucessores "Jazz" (1978) e "The Game" (1980).

Na minha opinião, esses são os quatro melhores discos da banda, disparado, por serem extremamente consistentes. Daqueles de ouvir da primeira música à última, sem intervalos.

Não é o caso do "News of the World", mais irregular e cujas canções não têm o mesmo brilho das faixas presentes nesses quatro discos.

Hoje, infelizmente, "News of the World" significa isso:



E parece que esse tablóide, talvez o mais deplorável entre todos os semelhantes britânicos, possa ser o responsável por derrubar o presidente da FIA, Max Mosley, por sua orgia nazista e coisa e tal.

Em 3 de junho, os membros da FIA votarão pela permanência ou não de Mosley. Não se sabe o que vai acontecer, mas muitos entendem que, pelo fato de a votação ser secreta, o dirigente vai ter a cara livrada.

Eu não sei se isso vai acontecer. Acho que o sigilo da votação também pode ajudar a alguns membros votarem contra Mosley, por ele não saber a identidade desses votantes. Mas faz sentido que, com a votação secreta, o caso pode ser enterrado sem ninguém levar a culpa por ter absolvido o "comandante".

Respeito, no entanto, ele já não tem. E a pressão sob o dirigente cresce a cada dia. Hoje, a Justiça britânica liberou o "News of the World" a publicar o trecho do vídeo da orgia nazista de volta em seu site. Se você ainda não viu, entre lá e se divirta. Tem até coisa nova, aparentemente.

Acho que, com o tempo, e até para se preservar, nem Mosley agüentará essa pressão.

Ainda mais quando quatro montadoras envolvidas na F-1 (Honda, Toyota, BMW e Mercedes), que injetam uma grana absurda na categoria, também condenam sua brincadeira sadomasoquista.

É sempre bom saber...

...que você não é o único baixinho no mundo e que passa por situações como essa.


Ainda bem que o Raikkonen nem é tão alto assim.

Massa é o Brasil na F-1?

A vitória de Felipe Massa no GP do Bahrein gerou, acima de tudo, a reação do brasileiro na temporada 2008 da F-1. Uma postura madura após a corrida, de alguém que entendeu que precisava demonstrar força depois de um início tão ruim, foi tão benéfica quanto a vitória em si.

Massa não comemorou levantando os punhos, vibrando, pulando, apontando os dedos. Vibrou de forma contida. Sabe que está a nove pontos do líder, ninguém menos que seu parceiro Kimi Raikkonen. Um cara que, mesmo quando faz corridas apagadas como aconteceu neste domingo, consegue arrancar pontos importantes. Além disso, existem quatro pilotos classificados entre Massa e Raikkonen: a dupla da McLaren e a da BMW.

Tudo isso também demonstrou que Massa não é o piloto desastroso que se mostrou na Austrália e na Malásia. É rápido, principalmente nos treinos, mas ainda muito irregular nas corridas. É raro ele se comportar como aconteceu no domingo, quando, mesmo saindo em segundo, conseguiu largar bem e resistir à pressão de seu companheiro finlandês. Pode lutar pelo título, mas precisa usar a mesma arma de Raikkonen: regularidade. Precisa pontuar em mais corridas, e não ganhar uma e abandonar a outra. Para mim, o finlandês ainda é favorito, até por sua experiência.

Com toda a análise Massa-Bahrein encerrada, vamos ao mérito da questão (apontada no título). Felipe Massa é o Brasil na F-1? Extendo a mesma pergunta aos outros dois brasileiros na categoria, Rubens Barrichello em final de carreira e Nelsinho Piquet em começo.

A resposta é: o Brasil não está na F-1. Ela tem três pilotos brasileiros, e é isso, ponto final. Chega a ser irritante ouvir coisas do Galvão do tipo "agora quero ver aqueles que criticaram o MASSA!!!!". Ouvir o quê? Ouvir que ele cagou nas duas primeiras corridas e tá em sexto no campeonato por causa disso? Nada mudou com relação aos GPs da Austrália e Malásia. Os erros de Massa não foram apagados.

No final da corrida, com tudo o que foi dito anteriormente, Felipe mostrou ter consciência do mau momento que atravessou no início da temporada. E que precisa ser constante para entrar de verdade na briga pelo campeonato.

Não importa o que diga a televisão ou mesmo a rádio. Massa não está na F-1 para dar um título ao Brasil. Ele não deve isso ao país, que, aliás, não tem nenhuma categoria-base que preste para os seus pilotos. A F-Renault, por exemplo, foi extinta pela própria montadora francesa, e nada que chegue ao seu nível foi construído em substituição. Não existe interesse da CBA, infelizmente.

Teve um cara que assumiu sim o país na categoria, com sucesso. Ayrton Senna colocava o Brasil na F-1. Puxava a bandeira a cada vitória, dedicava todas as suas conquistas aos brasileiros, criava rixas contra a França do (agora) finado Balestre e de Prost. Alguns consideram isso a maior de todas as demagogias (além de oportunismo), outros consideram patriotismo. Se é certo ou errado, não importa. Senna se garantia no volante e também no jogo de cintura, conseguindo colocar grande parte dos brasileiros, em uma época totalmente diferente da atual, ao seu lado.

Não se pode cobrar isso de Massa ou Nelsinho. Nem de Barrichello, apesar de ele mesmo ter feito isso depois da morte de Senna. São todos bons pilotos. Massa pode até ser campeão nesse ano. Mas ainda está longe do nível de Raikkonen e mais ainda do de Fernando Alonso, que sofre nesta temporada na Renault. Sem contar a molecada que ataca a F-1, como Vettel, Kubica, Rosberg...

E ainda que fosse melhor que Schumacher, Senna, Clark, Prost e Piquet juntos, Felipe não teria a mínima obrigação de exaltar o próprio país a cada conquista.

Massa, mesmo que leve o título, não será Senna e nem o Brasil na F-1. Ainda bem, diga-se. Ele tem sua própria personalidade, com defeitos e qualidades.

Cabe aos brasileiros e aos locutores-torcedores (no plural mesmo) aceitarem ambos.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Mosley, sadomasoquismo e a orgia nazista

Nunca pensei que escreveria um título tão inusitado quanto esse. Ainda mais se fizesse total sentido com o maior acontecimento deste início de semana da F-1.

Não tem nada a ver com as bobagens do Massa, do favoritismo de Raikkonen no Bahrein, de uma possível reação da McLaren em Sakhir. O que se fala, agora, é no tal vídeo de Max Mosley, presidente da FIA, que simplesmente manda e desmanda na F-1.

Esse filme, estrelado pelo chefão da categoria, foi publicado pelo gloriosíssimo tablóide britânico “News of the World”. Que pode até ser um ótimo nome para um bom disco do Queen (em 1977), mas é um lixo de jornal. Nem jornal é, na verdade. É um periódico de bobagens feito para se ganhar muito dinheiro com a curiosidade das pessoas. O fato é que o tablóide publicou ontem o tal vídeo, onde Mosley aparece em uma orgia com cinco prostitutas (“hookers”, como chamou o NOTW).

Até aí, nada demais. Não sou falso moralista para ficar comentando esse tipo de caso.

Mas o que pegou foi um “tempero” que Max Mosley colocou no vídeo, fazendo referências nazistas com as tais “primas”, que também não pareciam ser das mais "requintadas". Para topar essa bizarrice, não devem ser mesmo. Parece que existe uma certa fantasia perversa na cabeça do inglês, sendo tratado na película ora como um prisioneiro “torturado” ora como um “comandante nazista”.

Mas o pior de tudo é a história pessoal de Mosley. Seu pai, Oswald Mosley, foi um dos chefões do partido fascista britânico. Era brother de Hitler e Goebbels, pelo que consta. Teria até mesmo realizado seu casamento na casa do segundo, em cerimônia “secreta”, durante a década de 1930. Mosley sempre evitou os comentários sobre o posicionamento de seu pai. Mas agora, não há o que fazer. Tem que se desculpar até o chão, até porque associações de judeus na Inglaterra já protestaram contra o dirigente.

Mesmo assim, não deve escapar de uma renúncia. Como disse o Capelli em seu blog, ele só continua no cargo se provar que o vídeo é falso. Até porque já está há bastante tempo lá e tem um monte de gente querendo seu lugar.

Contraditorialmente, me parece que, por mais que muitos almejem a presidência da FIA, a falta de um substituto imediato impede a saída de Mosley no momento. Apesar disso, para mim ele não dura mais do que um mês, no máximo, no comando da categoria. Desgastou demais e queimou muito o filme. Se fosse no Brasil, quem sabe ele não ficasse? Tem tanto cara-de-pau por aqui.

Mas é claro que isso tudo é apenas suposição. Até mesmo palpite, diria. Ele pode estar, agora, escrevendo sua carta de renúncia, em plena madrugada britânica, para anunciar sua saída do cargo em primeiro de abril. O que seria uma piada pronta para os brasileiros, que parecem estar se divertindo bastante com o caso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Um pouquinho de F-1

Para iniciar mais uma semana de atividade deste Blog do Tuvuca, comentarei um pouco sobre F-1, que deveria estar mais presente neste espaço, mas não havia muito o que falar até então.

Para começar, testes de início do ano.

A Ferrari e a Toyota treinaram na última semana em Bahrein. Os japoneses figuraram, enquanto Massa só superou Raikkonen hoje. O finlandês foi o mais rápido nos outros cinco dias. Na quarta passada, Kimi teve seu melhor desempenho: 1min30s455, tempo que ninguém superou no circuito de Sakhir.

Apesar dos testes não dizerem muita coisa, apontam que Massa foi constantemente mais lento do que Kimi em Sakhir. O título mundial no ano passado, mais do que surpreendente (e contra um carro melhor), parece ter motivado muito o finlandês. Felipe não será carta fora do baralho, mas seu início de temporada vai ser importantíssimo para ele demonstrar que pode andar no ritmo de seu companheiro. Não conseguiu na segunda metade da temporada 2007, quando Kimi se adaptou e deslanchou no campeonato.

Mas a briga entre os dois promete ser boa. São mais experientes do que a dupla Hamilton e Kovalainen, da McLaren, e isso pode ser fundamental. Lewis é rápido, como já provou. Agora precisa mostrar que consegue liderar a equipe sem Fernando Alonso, e terá que lidar com a pressão de obter grandes resultados, coisa que não acontecia no ano passado. Kovalainen precisará de um tempo para se adaptar, e continua uma incógnita, mesmo tendo demonstrado ser bom piloto após um início desastroso em 2007. Heikki pode vir a ser um campeão ou um eterno segundo piloto (como foi David Coulthard, por exemplo). O tempo irá dizer.

E Alonso... Fernandito, a criança preciosa... Tem que juntar os cacos na Renault para ver onde pode chegar. Imagino ele mais ou menos como Schumacher na Ferrari em 1996. Naquele ano, o alemão estreou em uma equipe italiana que buscava se reerguer após tantos insucessos (as 16 temporadas anteriores, para ser exato). No começo do ano, o carro não tinha nem o bico "tubarão", criado pelo John Barnard na Benetton e copiado por todo mundo nos anos subseqüentes. O primeiro carro "tubarão" da Ferrari veio ainda em 1996, mas parecia mais um caixote. Mesmo assim, Schumacher brilhava quando conseguia (como no GP da Espanha, onde chouveu horrores). Acho que Alonso vai brilhar quando o carro ou as condições metereológicas permitirem.

Por último, deixo Nelsinho. Espero que a imprensa brasileira tenha calma com ele. Não deve conseguir grandes corridas neste começo do ano. Nem superar Fernando Alonso. Ele não é Lewis Hamilton, e a Renault também não é a McLaren. Briatore vai fazer de tudo para dar o melhor ao espanhol. Piquet tem que lidar bem com isso, aprender com o bicampeão e comer pelas beiradas. Acredito que ele tenha essa consciência. Falta a nossa mídia esquecer o "estigma Rubens Barrichello" (onde um segundo piloto não tem mérito nenhum) e atuar com isenção com Nelsinho.

E o resto é resto. Torço pela Williams, que melhorou muito no ano passado após a desastrosa temporada de 2006 e fez grandes testes na pré-temporada (diferentemente do futebol, a F-1 realmente tem uma pré-temporada). Nico Rosberg, filho do Keke, vem se destacando cada vez mais, agora falta saber o que o novato Kazuki Nakajima, filho do Satoru, conseguirá. Espero que muito.

Já a BMW precisa dar uma alavancada em 2008, lutar por vitórias e chegar mais perto de Ferrari e McLaren. Mas acho que os caras vão acabar ficando atrás do Alonso e a dupla Nick Heidfeld (o imprevisível)/Robert Kubica (a promessa) deve brigar mesmo com os moleques da Williams.

Aliás, o troféu de "ultrapassados" do ano vai para a Red Bull, que manteve os enferrujados Mark Webber e David Coulthard enquanto que sua "filial" Toro Rosso trouxe Sebastian Vettel (que já tinha substituído o horrendo Scott Speed no ano passado) e o francês Sébastien Bourdais (tetracampeão da Champ Car em cinco temporadas que disputou). Esses caras vão fazer a velharada Coulthar/Webber comer poeira.

E o troféu de "ninguém sentirá sua falta" vai para Ralf Schumacher, o irmão que não deu certo.

Legal será no fim do ano, quando provavelmente 90% dessas previsões se mostrarão erradas. Afinal, este é o papel do jornalista esportivo: fazer previsões utilizando a lógica. Ao esporte, cabe mostrar que lógica só serve para vender jornais (ou blogs).

Racismo

A F-1 também teve de enfrentar seu primeiro caso de racismo, quando alguns torcedores espanhóis se pintaram de preto, colocaram umas perucas rídiculas e uma camiseta escrito "Hamilton's Family", no circuito de Montmeló, durante os treinos da F-1 em Barcelona.

Não se pode deixar esse tipo de gente adentrar autódromos. Deixaram, que não deixem mais.

E, se acontecer de novo na Espanha (onde é mais propício acontecer, não porque o país é mais racista do que os outros --coisa que a imprensa inglesa chegou a divulgar--, mas porque é lá que estão os fãs de Fernando Alonso, que odeiam Hamilton), que cancelem os GPs de Barcelona e Valência.

Aliás, os fãs espanhóis odeiam Hamilton ("carinho" retribuído pela torcida inglesa com relação a Fernando) também porque as mídias espanhola e britânica esqueceram, em 2007, de que eles devem noticiar a F-1, e não defender seus compatriotas para ver quem está mais errado.

No Canadá, conheci um espanhol, o Sergio, que tinha certeza que Fernando Alonso teria sido campeão se a McLaren tivesse permitido. O inglês John, que conheci em Montréal, disse que Lewis só havia perdido o título porque a Ferrari havia ganhado com "combustível ilegal". Esqueceram de falar que uma cagada semelhante da Elf em 1995 quase tirou a vitória de Schumacher (de Benetton) e o segundo lugar de Hill (na Williams) no GP do Brasil, mas o caso foi analisado e prevaleceu a razão (de que nenhuma das equipes tinha culpa da besteira da Elf).

É muita cara-de-pau. Não de Sergio e John, mas da imprensa de seus países, que colocou esse monte de minhoca distorcida na cabeça dos outros.

E cara-de-pau maior é a imprensa britânica (mais precisamente o The Independent) dizer que o país está décadas à frente da Espanha nas questões raciais. O Daily Telegraph seguiu linha semelhante, insinuando que as autoridades espanholas não educam seus torcedores porque consideram esse tipo de manifestação racista "aceitável".

Se for assim, o que foi o caso Jean Charles de Menezes? Um lapso? Os brasileiros que vivem lá, por exemplo, não são olhados, muitas vezes, como inferiores? É o que eu escuto, às vezes, de quem vive por lá.

Acontece em todo mundo, tablóides britânicos. Vocês não são melhores (e nem piores) do que a Espanha neste aspecto.

Que voltem a noticiar neste ano. Assim espero.