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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Libertadores + desmanche = pressão

Há um mês e um dia, o Corinthians levantava a taça de campeão da Copa do Brasil em Porto Alegre. Neste domingo, um Corinthians completamente diferente empatou com o Avaí por 0 a 0 pela 16a. rodada do Brasileiro, no Pacaembu.

Não vou aqui repetir o que muitos cronistas, comentaristas e pessoas em geral alertam sobre o que o Corinthians pode se tornar após ter perdido três titulares (Cristian, André Santos e Douglas) e três reservas (Saci, Lulinha e Otacílio Neto). Irei me concentrar no que representa a disputa da Libertadores no ano do centenário corintiano.

Só uma coisa é pior do que o desempenho do Corinthians nesse torneio, que já foi vencido por São Paulo (três vezes), Santos, Grêmio e Cruzeiro (duas), e Flamengo, Vasco e Internacional (uma). O fato de clube, torcida e time não suportarem as quedas na competição.

A falta de conquistas na Libertadores é um trauma para qualquer corintiano, principalmente pelo estranho e inusitado fato que a equipe já foi campeã mundial sem nunca ter nem chegado a uma decisão em seu próprio continente -coisas da Fifa.

A torcida já se revoltou diversas vezes contra o time por conta de derrotas na Libertadores -os casos mais lembrados são recentes, em 2000 e 2006, anos em que a equipe quase foi agredida por torcedores depois de ser eliminada. Nessas ocasiões, e também em 2003, o time desabou no torneio seguinte, o Brasileiro.

Dessa maneira, esse desmanche pode ser sim um tiro no pé. Cristian, André Santos e Douglas, apesar dos altos e baixos desse último, eram essenciais no grupo e precisam de substitutos fortes. Edu, ídolo porém veterano, não é suficiente.

Antes das saídas confirmadas, especulava-se que Ronaldo só ficaria no Corinthians em 2010 se o time mantivesse a base, o que já não aconteceu. E se ele sair? Em quem a torcida depositará confiança e, por conseguinte, pressão? Nos bons coadjuvantes Alessandro, Elias e Jorge Henrique? Nos jovens Dentinho, Jucilei e Marcelinho? No Chicão, que é só zagueiro e não resolve na frente? No goleiro Felipe, cuja permanência ainda nem é 100%certa?

Um pouco em todo mundo, muito provavelmente. E é isso que assusta. Um possível fracasso na Libertadores no ano do centenário pode recolocar o Corinthians em uma gigantesca crise, com debandadas, discussões e problemas internos, como aconteceu nas eliminações mais recentes.

Por isso, é bom que Andrés Sanchez e diretoria tomem cuidado e percebam que esse jato imediato de dinheiro pode gerar um imenso problema daqui a um ano. E todo o bom trabalho iniciado em dezembro de 2007, diretamente do fundo do poço, com a contratação de Mano Menezes, pode ir por água abaixo no ano que vem.

Que não se iludam. O centenário é muito mais do que uma grande festa. É sim um ano de imensa responsabilidade. Precisa fazer mais do que o máximo para satisfazer a torcida.

Torcida essa que, por sua vez, precisa aprender a perder a Libertadores e também compreender que o torneio é superdifícil de conquistar. O Palmeiras, por exemplo, perdeu três finais e ganhou só uma. O São Paulo ganhou três e perdeu duas. O Grêmio venceu duas e perdeu outras duas. Não é fácil, realmente.

No sábado, o pior dirigente atualmente no Corinthians, o falastrão e cheio de pose diretor de futebol Mário Gobbi, foi agredido por torcedores. Isso já é resultado da pressão da Libertadores-2010. É melhor tomar cuidado e rezar para que haja um planejamento e uma boa possibilidade para a equipe de buscar o mais inédito dos títulos.

Se isso não acontecer, o centenário, teoricamente um ano de festa, pode se tornar um ano dos mais tristes na história corintiana, como têm sido as temporadas de derrota na Libertadores.

domingo, 19 de julho de 2009

Tudo muito engraçado

No começo do ano, mais precisamente no dia 9 de março, Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, ficou bravo.

Ronaldo, em entrevista ao Faustão, ainda bem acima do peso e logo após estrear pelo Corinthians, brincou ao lembrar o início da carreira: "No Cruzeiro eu passava fome, era magro porque não tinha o que comer."

Perrella tomou as dores. Em nota oficial, disse tudo isso:

"A estúpida declaração do jogador Ronaldo Nazário no programa Domingão do Faustão, ao afirmar que era magro porque passava fome quando jogou pelo Cruzeiro nos causou enorme estranheza. Primeiramente, o Cruzeiro Esporte Clube quer esclarecer que magro, desnutrido e sem base educacional era o garoto que chegou para treinar no clube no início da década de 90.

Na Toca da Raposa Ronaldo recebeu acompanhamento de nutricionistas, preparadores físicos e também de professores para dar-lhe educação formal. Tal transformação foi tão extraordinária que o atleta, com apenas 17 anos, foi convocado para a Copa do Mundo de 1994.

Infelizmente, com o passar do tempo um dos maiores jogadores do planeta passou a ocupar mais espaço nas manchetes por causa de suas atitudes fora das quatro linhas do que dentro dos gramados. Com uma vida conturbada e polêmica, recheada de escândalos e controvérsias, Ronaldo parece ter perdido o equilíbrio que se espera dos grandes ídolos."

Ou seja, sobrou até para a vida pessoal do atacante, em um caso no qual o tom de brincadeira era explícito.

Mas tudo passa. Perrella, que nunca se desculpou por essas palavras dirigidas ao ex-ídolo cruzeirense, entregou hoje uma placa a Ronaldo por seus feitos pelo clube mineiro. Posou lá, todo bonitão, com o jogador mais badalado do Brasil.


É claro que a homenagem do Cruzeiro é bonita e justa, diferentemente da postura e atitude de seu presidente.

E tem mais: se você tentar seguir o link da nota oficial publicada pelo presidente do Cruzeiro em março, no site oficial do clube, endereço este registrado na matéria feita na época pela Folha Online (que acho até que foi escrita por mim), você simplesmente não consegue abrir a nota -é direcionado para a home do site oficial.

Afinal, é mais fácil (tentar) apagar o passado do que (tentar) corrigi-lo.

Crédito da foto: VipComm/Divulgação

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Lá e cá

Gostaria de falar sobre muitos assuntos. Entre eles: show do Kiss, show do Maiden (sim, ainda!), Brawn e F-1, a absolvição (sem destaque) de Robinho, denúncia vazia e irresponsável no Campeonato Paulista, violência no futebol em geral.

Também devo um comentário sobre a maior novidade esportiva de 2009: o "aposentamento temporário" de um honesto, cansado e injustiçado Adriano.

Mas, como sempre, falta tempo e disposição para colocar as ideias em ordem. Então, prefiro um post mais curto, sobre um assunto que me assombrou um pouco ontem e hoje.

Lá na Europa, os brasileiros Felipe Melo (Fiorentina), Matuzalém (Lazio) e Carlos Eduardo (Hoffenheim) se envolveram em confusões/brigas no último fim de semana em seus respectivos campeonatos nacionais. Foram julgados na terça-feira, e suspensos por cinco (Felipe Melo e Carlos Eduardo) e três partidas (Matuzalém).

No mesmo fim de semana, Cristian fez um gol marcante que selou a mais bela vitória corintiana desde os tempos de Carlitos Tevez, creio. Talvez desde aquele 7 a 1 no Santos, em 2005. Foi bonito ver o time jogar bem e ganhar do atual tricampeão brasileiro e de quem foi freguês nos anos recentes, apesar de estar agora há dois anos sem perder desse "algoz".

Por fim, Cristian resolveu mostrar os dois dedos médios para (aparentemente) a torcida do São Paulo. Um gesto ofensivo e irresponsável, sem dúvida. Para mim, merece uma punição. Se o juiz tivesse visto, imagino que ele teria sido expulso, o que o deixaria de fora do jogo de volta da semifinal. Portanto, e pela gravidade do que aconteceu, acho que um jogo de gancho estaria de bom tamanho.



Também levo em conta que ele ofendeu o São Paulo, e seria muito justo que ele ficasse de fora justamente desse jogo.

Mas o nosso futebol tem dessas coisas. O TJD-SP descartou desde o início a punição de Cristian ainda nesta semana. Imagino que eles tenham muito a fazer, e esse tipo de assunto não é prioridade. Cristian, aparentemente, será chamado para depor sobre o gesto na sexta-feira. Daí então o TJD resolve se ele será julgado. Quando? Sabe Deus. A única certeza é de que não será nesta semana.

Aqui, tudo é mais difícil mesmo. Não só no esporte (o julgamento de Castro Neves nos EUA que o diga).

Só para finalizar, é um absurdo um delegado querer abrir um inquérito sobre o caso. Não consigo imaginar um motivo para isso - creio que seja incitação à violência. Talvez ele, de nome Antonio Carlos Barbosa, locado no 23º DP da Capital, não tenha o que fazer. Talvez ele devesse ir trabalhar no TJD-SP.

Ou talvez devesse olhar para o que disseram (e fizeram) certos dirigentes como Andrés Sanchez (principalmente ele), Mario Gobbi, Marco Aurélio Cunha, Marcelo Teixeira, Leco, Juvenal Juvêncio, entre outros. Nosso ilustre delegado poderia analisar se algumas declarações desses sujeitos nos últimos meses não serviram para impulsionar a violência nos estádios em SP. Acho que é uma ótima pauta para ele.

Se não for, há outras opções, como investigações sobre a venda/repasse de ingressos a cambistas e a relação clube/torcida organizada. São assuntos muito mais interessantes e relevantes para quem ama e acompanha futebol.

Pena que esse pobre cara chamado torcedor não tenha o seu interesse defendido.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Antecipando

Brother Ricardo Zanirato, parceiro dos tempos de Terra (e de ótimos "happy hour"), postou na quarta-feira em seu novo blog, o Olocobitcho's (devidamente linkado à direita), que o Corinthians fechou patrocínio com o Bradesco para 2009, e que o Palmeiras vai estampar a marca da Samsung.

Bom, tá aqui a notícia. Esperemos para ver se vai se confirmar. Se rolar, ele cantou a bola na quarta-feira, e me mandou na hora em que postou. Registrado.

E boa sorte com o blog, que já tá bombando! Diferentemente de alguns de seus amigos, que só postam de vez em nunca e sem periodicidade alguma, o Ricardo tá mandando bem no blog.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Amargo regresso


Tudo bem que o Corinthians voltou para a Série B e as coisas logo voltaram ao normal. Uma goleada por 4 a 1 sobre o Brasiliense depois da chorada perda do título da Copa do Brasil. Mas não perdi o trocadilho com o famoso filme de 1978, estrelado por Jon Voight e dirigido por Hal Ashby.

O Corinthians fez tudo certo no torneio nacional. Jogou com garra, coesão e até mesmo técnica. Tudo até os 90 minutos finais. Veio o brancão, uma seqüência de erros e um vice-campeonato mais do que justo.

Não há desculpa para a derrota acachapante. Simplesmente não houve futebol para o Corinthians. A equipe entrou confiando na marcação, que não tomaria um gol do Sport. Quando sofreu o primeiro, e logo depois o segundo, todo mundo tremeu. E a Ilha do Retiro falou alto. Os jogadores do Corinthians, "acostumados" a lidar com a segunda maior torcida do Brasil, sucumbiu à pressão dos torcedores do Sport. Do time do Sport. De tudo.

O Sport, aliás, apenas jogou futebol. O resto é desculpa. Os caras foram lá e provaram o que diziam, e o maior símbolo do time foi Carlinhos Bala. Ele sempre acreditou no título, mais até do que os jogadores do Corinthians, que havia vencido o primeiro jogo por convincentes 3 a 1.

Há de se lamentar também a falha do Felipe no segundo gol. Mais lamentável ainda foi a atitude dos que resolveram culpar o goleiro pelo time não ter jogado nada. Esqueceram que, na semifinal, quando o time também não rendeu o esperado no segundo jogo com o Botafogo, Felipe defendeu o último pênalti dos cariocas e deu ao Corinthians a vaga na decisão. O mais fácil, no entanto, é achar um único culpado para as coisas.

Outro suposto culpado foi o árbitro Alício Pena Júnior. Desse, não tenho muito o que falar, simplesmente porque, na minha visão, ele não influenciou no resultado. O tal pênalti no Acosta foi apenas duvidoso, e quando é duvidoso não dá para discutir com o cara que tem que decidir um lance desses em uma fração de segundo (clichezão esse...). A expulsão do Saci só dá para culpar o próprio pela cagada. E também Carlinhos Bala, pela catimba ter dado certo...

Por fim, a culpa é de todo mundo que jogou e tremeu quando precisava apenas fazer um gol. Aquele time que enchia os olhos não teve frieza o suficiente para se levantar. E, por último, Mano Menezes, que colocou a equipe para apenas se defender confiante de que a defesa daria conta do recado. Talvez se entrasse pressionando o Sport, como ele disse, antes do jogo, que iria fazer...

E que as desculpas fiquem para trás e que o elenco, que é bom, se reerga para a disputa da segunda divisão.

Guerra, guerra, guerra

Ouvi tanto falar em "guerra" para essa partida. No fim, não deu em nada. Mas ficou a lição de que essa rixa entre estados foi patética.

Parece que Pernambuco, em um aspecto geral, tomou a vitória do Sport como sua. Como um triunfo de Pernambuco sobre São Paulo. Não foi nada disso. O título é apenas do Sport. Não que os pernambucanos não devam comemorar o êxito da equipe de seu estado, apenas que não transformem isso em uma vitória sobre os paulistas. Paulistas esses que, em sua maioria, riram da cara de sofrimento dos corintianos e da apatia do time do Parque São Jorge.

Não é guerra de estados, nem do Nordeste contra o Sudeste. É apenas um jogo de futebol.

Infelizmente, sei que baianos, pernambucanos e paraibanos que moram por aqui sofrem muitas vezes com um preconceito cego e histórico sobre suas origens. Infelizmente também, não vai ser uma vitória do Sport que mudará isso, muito menos quando se refere a mentes ignorantes, responsáveis por esse preconceito.

Ingressos

A palhaçada dos ingressos vendidos no Recife, até por um dirigente do Sport, que fazia cambismo, precisa ser investigada pela CBF. Aquilo foi o cúmulo do desrespeito com os torcedores.

Primeiro, essa história de que o time visitante tem direito a 10% da cota total de ingressos de uma partida, que está no famigerado Estatuto do Torcedor, precisa ser esclarecida. Se a polícia vetar, por causa de problemas com a lotação dos setores dos estádios, o que fazer? A CBF e o STJD, do promotor-celebridade Paulo Schmitt, poderiam muito bem explicar direito como o time mandante deve agir, quais procedimentos tomar, etc...

O que aconteceu na Ilha do Retiro foi escancarado, mas não um caso isolado. Por estas bandas, o Corinthians também passou por um episódio mal-explicado com o Botafogo, na semifinal. Por isso que quem manda no futebol do Brasil precisa se meter nessa história e impedir esse tipo de atitude, seja em Pernambuco, São Paulo ou onde for. Quando as coisas são padronizadas, tudo fica mais fácil.

Por fim, os corintianos que foram a Recife sem ingresso não podem reclamar de muita coisa. Mesmo que o Sport garantisse os tais 10% da cota para o Corinthians, quem iria garantir que todo mundo conseguiria sua entrada?

É, são muitas coisas que precisam ser estudadas por aqueles que se dizem especialistas no assunto, mas que não tomam as atitudes devidas quando a bomba estoura.

domingo, 30 de março de 2008

Um jogo estragado

Aqui estamos de novo para falar de um personagem chamado Sálvio Spinola. O juiz que está chamando mais atenção no Campeonato Paulista de 2008. Pelo lado ruim, claro.

Spinola conseguiu estragar a melhor apresentação que Corinthians e Santos faziam neste ano. Era um jogo de encher os olhos, guardando as devidas proporções, considerando o fraco elenco e a conservadora formação tática de ambas as equipes.

Que lutavam como nunca para vencer um jogo decisivo para os dois times no Estadual. Perdigão destoou de tudo isso em um lance bizarro, caindo sozinho com a bola e deixando nos pés santistas, que abriram o placar. Cada vez mais, Perdigão comprova minha tese de que deveria jogar no Rock e Gol, e não no futebol profissional.

Mas, de qualquer maneira, o Corinthians conseguiu reagir. Então veio o primeiro lance polêmico, o tal do gol corintiano anulado. Na hora, achei falta. Depois, fiquei na dúvida. Foi um lance difícil, mas interpretativo. Bola pra frente.

O problema veio a partir do segundo gol do Santos. O Corinthians vinha melhor, empatou o jogo e tinha tudo para virar. Então, Kléber Pereira simplesmente derrubou o Carlão, ficou com a bola e marcou o gol mais fácil da sua vida. Ele, que perde tantos gols fáceis.

Me lembrou as peladas que eu jogava, de zueira, nos tempos de faculdade. Depois que meu time estava perdendo, eu fazia uma falta ridícula em algum zagueiro (sem machucar), tirava ele da jogada e marcava meu gol. Que não valia, claro, era só graça. Minhas comemorações eram tão efusivas quanto a de Kléber Pereira, que parecia um moleque comemorando a molecagem que acabou de aprontar.

Isso desestabilizou o time do Corinthians, claro, desnorteado com o que aconteceu. E depois veio o segundo lance bizarro. Herrera fez falta em Betão, colocou os joelhos nas costas dele, que reagiu, virou para tirar satisfação. O argentino caiu como se tivesse levado um soco na cara. Ele, que agrediu de verdade, ficou impune. Betão, um símbolo do Corinthians e que hoje defende o Santos, foi expulso. Expulso por se indignar com tamanha covardia. Fiquei com pena do Betão. Por mais que tenha suas limitações, é um dos poucos jogadores de futebol de boa índole.

Isso deixou o jogo um lixo. Com um atleta a menos, é claro que o Leão teve de fechar o Santos para garantir o 2 a 1, colocando o time inteiro atrás. E o jogo virou isso: um Corinthians desesperado para empatar e um Santos desesperado segurando a vitória. Ambos injustiçados pela arbitragem. Um desequilibrado emocionalmente e o outro desequilibrado numericamente. Sem contar as faltas invertidas e lances duvidosos no final do jogo.



O Santos venceu a batalha, com a ajuda do Sálvio. Do mesmo jeito que o Corinthians já ganhou jogos, e até mesmo títulos, com uma mão da arbitragem. Ficou difícil para o time do Parque São Jorge no campeonato. Mas, se não se classificar, não poderá lembrar desse jogo. Afinal, um empate com o Juventus em casa é muito mais lamentável do que essa derrota para o Santos na Vila. Santos esse que também foi muito prejudicado pelos fraquíssimos árbitros do Estadual. Como todos os outros times.

Sálvio Spinola não pode ser culpado por uma eventual desclassificação do Corinthians. Mas de uma coisa ele deve ser culpado: de ser um dos árbitros que mais "compensa" seus erros.

Justiceiro às avessas

Quando vi a escalação desse juiz para o jogo, pensei "esse cara vai complicar a vida do Corinthians". Era óbvio. Ajudou o Corinthians contra o São Paulo, então, na dúvida, apitaria contra o Corinthians na Vila Belmiro.

Naquele clássico do Morumbi, ficaram marcados o pênalti não-assinalado no Dagoberto e o gol anulado do Adriano. Mas, antes disso, ele deixou de expulsar dois jogadores do São Paulo, prejudicando o Corinthians. No final das contas, compensou e garantiu o 0 a 0. Para ele, era melhor que no dia seguinte dissessem "pelo menos ele errou para os dois lados" do que "ele só errou contra o Corinthians/São Paulo".

O São Paulo fez um chororô danado, como só o Marco Aurélio Cunha sabe fazer, e ele foi proibido de apitar jogos do time. Ele deveria, na verdade, deixar a arbitragem. Porque não dá para suportar essas "compensações".

No clássico de quarta, ele fez de novo. "Melhor errar para os dois lados do que para um só." O melhor, na verdade, seria errar o menos possível. Se não expulsou os jogadores do São Paulo no jogo contra o Corinthians, paciência. Marcasse o pênalti no Dagoberto. Quanto ao gol do Adriano, foi um pouco polêmico, assim como o gol anulado do Corinthians. Então esquece.

Errou no gol do Kléber Pereira, fazer o quê? Expulsar o Betão não era a opção mais correta.

Não acredito em más intenções do Sálvio. Só acho ele um juiz fraco tecnicamente e emocionalmente. Não sabe controlar as situações de um jogo e comete erros crassos. Depois, compensa errando contra o time outrora beneficiado. É um justiceiro às avessas.

Não sabe apitar, enfim.


Fotos: Santos - Futebol Total; Sálvio - Globoesporte.com, de um jogo antigo do Flamengo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Soltem suas feras


Foi muito bom trabalhar no clássico ontem, porque tive que fazer matéria do jogo e prestar atenção a cada detalhe de São Paulo 0 X 0 Corinthians.

Achei um jogo muito interessante e legal de assistir. Muita gente não poupou críticas à qualidade técnica dos times, erros de passe... mas eu, particularmente, vi uma partida muito disputada, com um Corinthians forte na marcação e jogando com autoridade. Fiquei muito feliz em ver esse time jogar assim. Pena que Finazzi e o Lulinha (que precisa voltar a treinar entre a molecada, porque tá muito verde ainda) não sabem fazer gol. E o Acosta também não fez nada. Mas tô gostando muito da zaga, do sistema de marcação e do Dentinho, além de um técnico que realmente se preocupa em montar um time.

Já o São Paulo vem jogando muito mal (em relação ao time do ano passado, não em relação ao Corinthians), mas acho que dando tempo ao tempo o time vai se acertar. O Muricy é muito bom nisso, e daqui a pouco encontrará a melhor formação. Quatro jogos ruins pelo Paulistão é pouca coisa. Falta saber se o time vai ter fôlego para chegar à final da Libertadores. Aliás, é engraçado: desde 2004, a expectativa é essa. Em 2004 e 2007 ficou no mata-mata; ganhou a final em 2005 e perdeu em 2006. O time não sabe o que é Copa do Brasil há um tempão. Isso, para os padrões brasileiros, é realmente impressionante.

Sobre os erros do juiz: quanta choradeira! Mas eu também vi pênalti no Dagoberto e o gol do Adriano. Do pênalti, acho que o Dagoberto cavou, colocando a perna na frente, mas o Chicão é estabanado e caiu na dele, chutando a perna. Foi um pênalti sem querer, que também é pênalti. E também acho que foi mais absurdo ainda dar falta do Dagoberto no Chicão. Va lá achar que não foi pênalti (o Arnaldo Ribeiro, por exemplo, também achou que não foi), mas ver falta do Dagoberto já beira o bizarro.

E o gol... ah, o gol! Como eu lembro triste daquele gol que o juiz anulou do Tevez com o Palmeiras em 2006, depois da bandeirinha dizer pra ele que o outro bandeira, que tava uns 200 metros longe do lance, viu falta do argentino no ilustre zagueiro quem do Palmeiras. Foi um golaço anulado de forma patética e indesculpável com os corinthianos, justamente em um Dérbi que terminou empatado.

O gol do Adriano pode não ter sido tão bonito quanto aquele, mas para mim foi um golaço também. Ele subiu uns 3 metros pra cabecear a bola, foi impressionante! Mesmo que o William subisse nas costas do Chicão ele não chegaria onde o Adriano chegou. O cara tem uma impulsão incrível.

O Sálvio Spinola viu falta, assim como vários outros personagens ligados ao futebol. Eu não vi falta nenhuma, mas até entendo que ele tenha achado que aquele braço que subiu encostado no ombro do William tenha feito carga no zagueiro, mas não acho que fez. Na verdade, só entendo a posição do árbitro porque não foi ele quem fez essa regra bizarra que só aplicam no Brasil. Tem contato no futebol, e a tal da International Board deveria esclarecer o que pode e o que não pode fazer. Do jeito que está agora, aqui no Brasil, tudo vira falta (menos o pênalti no Dagoberto, né juizão?).

Outra regra imbecil que deveria ser abolida é aquela que o goleiro se adianta no pênalti e o juiz manda voltar. É ridícula também e ela só deve ter sido traduzida para o português do Brasil, já que ninguém aplica esse negócio no resto do mundo.

O Sálvio influenciou sim no resultado e prejudicou o São Paulo nestes dois lances capitais. Mas o pior mesmo foi a festa de cartões não-distribuídos para gente entrando com trava de chuteira e outras coisas. Foi vergonhosa a arbitragem.

Como disse, achei o jogo bom. Bom para o Corinthians, principalmente, e bom de assistir. Péssima arbitragem.

E péssimo também foi a choradeira em demasia do Tricolor. O Muricy e os jogadores reclamarem do jeito que reclamaram, eu entendo, acontece mesmo. Os caras viram que foram prejudicados e saíram putos com isso. Só acho que o Ricky (ou Richarlyson, se preferir) deveria parar de chamar os outros de cara-de-pau e jogar um pouco de bola, o que ele não fez ontem, e parar de bater também. O cara é bom, foi massacrado no ano passado por causa de sua vida pessoal, passou por um entrevero lamentável com um juiz (de Direito, esse) digno do judiciário brasileiro (isso não é um elogio) e deu a volta por cima. Agora etá na seleção, que pense mais e bata menos.

E o Marco Aurélio Cunha me irrita profundamente com aquela empáfia e o jeito pomposo de falar as coisas. É ridícula a postura dele, me lembra o Citadini dos velhos tempos. A diferença é que o Citadini era falastrão com um jeito meio povão, sotaque e tal, e o Marco Aurélio é um falastrão pomposo. Estão no mesmo nível. Só querem ficar chamando a atenção. E ele assumiu uma postura de "somos o São Paulo estruturado, não somos amadores, os juízes têm que estar à nossa altura", etc... Nem comparo a estrutura do São Paulo com a dos outros times brasileiros que é covardia. Mas o clube do Morumbi não está acima do bem e do mal. Nem dos erros de arbitragem, que é horrenda aqui e no resto do mundo.

Crédito da foto: José Patrício (AgEstado)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Com justiça e mérito, bom dia Série B!

O outro fato que eu citei no post abaixo, e que também me deixou abalado (bem menos do que a morte de Rafael Sperafico), alegrou cerca de 60% do Estado de SP: a queda do Corinthians para a Série B do Brasileiro. Sim, sou corinthiano, ainda. E acredito que o rebaixamento foi merecido, previsível e, de certa forma, redentor. Parece que esse é o único jeito de salvar essa instituição: caindo até o fundo do poço para tentar renascer das cinzas.

Falta saber onde é o fundo do poço para o clube com o estranho Andrés Sanchez agora na presidência: se for a Série B mesmo, que volte para a divisão principal quando o time fazer por merecer. Com Mano Menezes, as chances aumentam; com o time que estão querendo montar, elas diminuem. Torcida não vai faltar. 2008 tem tudo para ser o ano do Corinthians, pelo menos para nós, torcedores. Quem sabe uma diretoria digna não limpe logo a sujeira feita pelos diretores antigos (muitos que ainda permanecem por lá, como o próprio Sanchez).

Aliás, espero que também que os conselheiros percebam que segurar o clube Sport Club Corinthians Paulista por meio do time de futebol é inviável. O dinheiro ganho entra para as piscinas, que não dão retorno financeiro. Se querem salvar o time, que reformulem o modo de ganhar dinheiro com o clube. As coisas mudaram muito de 15 anos para cá: falta a velharada corinthiana perceber isso.

O desafio agora é diferente. Se a atitude também mudar, esse gigante pode renascer para fazer festa em seu centenário, que acontece em 2010. Será o primeiro dos quatro paulistas que já foram campeões brasileiros (e até mundiais, dependendo da interpretação e do coração) a fazer 100 aninhos. Para o bem dos outros 3o e tanto por cento, que seja na Série A, e de preferência com boas campanhas.

Mas vamos fazer festa no purgatório. É o que nos resta no momento. Bom dia Série B!