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terça-feira, 24 de março de 2009

Tuvuca e a Maratona da Besta

No final de semana passado, tive o privilégio de assistir a dois shows do Iron Maiden em dois dias: no sábado, na Praça da Apoteose (Rio), e no domingo, em Interlagos.

Tudo começou quando tentei entrevistar a banda, mas não obtive sucesso. Minha chance de emplacar uma matéria pré-show? Falar com Sam Dunn, diretor de "Flight 666", o documentário sobre a banda cuja pré-estreia mundial ocorreu no Rio, também no sábado.

Sabia que Dunn não hesitaria em me retribuir a entrevista. Afinal, aqueles que conhecem este blog ou este personagem, com certeza recordarão que o cineasta canadense me entrevistou para um filme sobre o Rush, ainda em produção, em Toronto, em outubro de 2007. A história está neste post aqui e neste outro.

Se vou aparecer no filme do Rush eu não sei, mas valeu pelo contato, como percebi na facilidade com que agendei um bate-papo com Dunn e seu parceiro Scot McFadyen (não, não é Scott McFayden).

Voltemos à história: primeiro, entrevistei os dois para essa matéria aqui da FOL. Depois, fiquei morrendo de vontade de ir para o Rio -ainda mais depois de ser instigado pelo próprio Dunn-, e falei com o Eric Claros, camarada meu dos tempos de colégio, ex-batera do Mad Dragzter e atual batera do Children of the Beast (banda cover do Maiden).

Eric me disse que ia ao Rio com mais três amigos e me convidou. Com a possibilidade de ver o documentário em primeira mão, além do show, é claro, eu resolvi topar a maratona. Saímos de SP às 7h de sábado, chegamos no Rio e fomos direto ao Cine Odeon, onde seria a pré-estreia. Saí de lá, comi um Bobs nojento, fui a uma lanhouse e bati essa matéria aqui. Depois, corri para o show.

Após a apresentação, mais um Bobs nojento e estrada direto a SP, onde chegamos quase 24h depois de sair. Dormi, acordei, e rumei a Interlagos. Abismado com a imensa fila e desorganização, saí de lá com essa impressão relatada aqui.

Quanto aos shows, o que dizer? Até o ano passado, eu havia visto o Iron Maiden duas vezes, como contei aqui: um show morno com um set fraco em 2004, com o Bruce, e um show empolgante apenas para um moleque de 14 anos, como era eu, em 1998, com o Blaze.

Em 2008 e 2009, vi o Maiden três vezes com set lists magistrais -que incluíam "Rime of the Ancient Mariner", minha favorita da banda-, produção de palco que remeteu a 1984 (e que funcionou melhor no Rio) e seis caras que deram o sangue para provar aos brasileiros que toda a devoção ao grupo em terras nacionais é justa.

Agradeço aos quatro brothers de viagem -Eric, Diogo, Rodox e Pedrão-, que me ajudaram na hora de tirar fotos da banda na première do documentário (entre outras coisas), aos que me acompanharam no caos de Interlagos e à minha Pequena, que agora sabe de verdade o que é um show de Rock -com direito a lama, como acontecia nos velhos tempos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Thanks God for the concerts

Cortesia (copy-paste) do Whiplash:

06/03 Deep Purple São Paulo - SP
07/03 Deep Purple São Paulo - SP
12/03 Iron Maiden Manaus - AM
14/03 Iron Maiden Rio de Janeiro - RJ
15/03 Iron Maiden São Paulo - SP
18/03 Iron Maiden Belo Horizonte - MG
20/03 Iron Maiden Brasília - DF
31/03 Iron Maiden Recife - PE
07/04 Kiss São Paulo - SP
08/04 Kiss Rio de Janeiro - RJ
12/04 Motorhead Goiânia - GO
15/04 Motorhead Belo Horizonte - MG
17/04 Motorhead Recife - PE
18/04 Motorhead São Paulo - SP
10/05 Heaven & Hell Belo Horizonte - MG
13/05 Heaven & Hell Brasilia - DF
15/05 Heaven & Hell São Paulo - SP
16/05 Heaven & Hell São Paulo - SP
17/05 Heaven & Hell Rio de Janeiro - RJ

Isso sem contar bandas de menor porte, como Overkill, Morbid Angel, Riders on the Storm (o resto do The Doors), Arch Enemy, Opeth, Edguy e John Lawton (ex-vocal do Uriah Heep).

Em dois meses, teremos possivelmente as duas bandas que mais possuem fanáticos (não simples fãs, e sim aqueles que fazem do grupo a sua vida) no Brasil: Kiss e Iron Maiden.

Além disso, rola o Black Sabbath + Dio (que veio para cá uma única vez, em 92), o trio popular de Lemmy Kilminster e o Purple, que toca mais aqui no Brasil do que banda nacional.

Crisis who?

Acho que o fã de Rock 'n' Roll deve agradecer aos céus, ou aos promotores dos shows (antes de xingá-los por causa dos preços dos ingressos).

Nunca vi algo tão abundante no que diz respeito a show de bandas grandes no Brasil, noves fora o Rock in Rio.

E o que é mais marcante: o Nordeste e o Norte do país receberão o Iron Maiden pela primeira vez. A turnê do Motorhead também passará por Recife, assim como Goiânia.

É muita coisa para ver, só nos resta guardar o dinheiro e torcer para que não ocorra nenhum imprevisto.

Eu vou tentar ir em todos. Certeza absoluta, mesmo, fica para Iron Maiden (já comprado), Kiss e Heaven and Hell. Esses não dá para perder.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Judas no Brasil

Eles voltam, para delírio de todos. O site oficial do Judas Priest confirmou na sexta-feira a informação que já havia sido revelada pela Ticketmaster. Os shows até agora anunciados estão marcados para Porto Alegre (Teatro Bourbon, 12/11) e São Paulo (Credicard Hall, 15 e 16/11). Espero que Curitiba, Rio e BH também ganhem sua boquinha.

Assim, a constatação é de que 2008 precisa ser lembrado, no futuro, como o ano em que vimos Judas Priest e Iron Maiden, as duas maiores bandas da história do Heavy Metal, fazerem shows clássicos no Brasil.

O Judas é a minha segunda banda do coração, só perdendo para os canadenses nerds do Rush. Vi um grande show com o Ripper Owens neste mesmo Credicard Hall, em 2001, e presenciei uma apresentação histórica no Anhembi, em 2005, já com Rob Halford.

Ansioso estou desde já, e vou tentar de tudo para ir nos dois dias em SP. Sei que vale a pena. Para quem curte a energia, o deboche e a agressividade de Halford e cia, únicos no Heavy Metal, é obrigatório.

ET: Ouvi o "Nostradamus" pela primeira vez no último final de semana, e a impressão não foi das melhores. Achei muito repetitivo e sem uma grande canção pra se destacar (como é o caso da "Judas Rising", um clássico que valia pelo "Angel of Retribution", de 2003, inteiro). Mas vou comprar o disco e farei uma análise mais precisa.

PS: Foto por Amanda Ayre, do judaspriest.com. Show do Judas em Vancouver - 24/07/2008.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Whitesnake em SP

Hoje os posts estão bombando, então vamos embalar. Agora, publico o review sobre o show do Whitesnake, no Credicard Hall, no dia 10 de maio.

Uma sexta-feira típica, de muito trânsito na capital paulista. Parece que bateu o recorde de trânsito de todos os tempos em São Paulo. Mas esses recordes caem toda hora. Aliás, essa marca a megalópole vem batendo com louvor, dia após dia.

Voltando ao show, seria o meu segundo do Whitesnake. O primeiro foi em 2005, quando a banda abriu para o Judas Priest. Com um set curto, acabou sendo apenas um aperitivo para a apresentação completa deste ano.

Lembro que eu tinha 13 anos quando eles vieram em 1997, queria ir no show, mas era moleque demais e acabei perdendo. Conhecia pouca coisa da banda, os hits básicos, mas tinha vontade de saber mais.

Para mim, o David Coverdale é a segunda melhor voz entre os cantores de hard rock clássico. Só perde para o Dio. E o cara mostrou a que veio no Credicard Hall, como escrevi no review para a FOL, que segue abaixo.

PS: De novo, quem me ajudou no show foi o Marcos Borges, tirador de fotos.

David Coverdale traz Whitesnake e anos 80 de volta no Credicard Hall

MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online

A história de David Coverdale, 56, no rock 'n' roll começou no Deep Purple, na década de 1970. O inglês entrou na famosa banda de hard rock britânico para substituir Ian Gillan, em 1973, gravou três discos de estúdio, mas o grupo encerrou as atividades em 1976 --voltando oito anos depois, sem Coverdale. Levado ao sucesso com a banda, já consagrada, Coverdale gravou dois discos solos antes de montar o Whitesnake, em 1978.

Com a sua própria banda, Coverdale pôde criar um som característico e centrado em sua voz. Após os primeiros álbuns, mais voltados ao blues rock, Coverdale abraçou o hard rock norte-americano e o Whitesnake estourou para o sucesso, principalmente com os discos "Slide it In" (1984) e "Whitesnake" (1987). Em 1985, a banda se apresentou no primeiro Rock in Rio, aumentando sua popularidade no Brasil.

Após dois grandes hiatos, entre 1990 e 1997 e depois entre 1998 e 2003, Coverdale resolveu remontar o seu grupo de hard rock com a dupla de guitarristas Reb Beach (ex-Dokken e Winger) e Doug Aldrich (ex-Dio) para buscar o som consagrado nos anos 80. O primeiro disco de estúdio com a nova formação foi "Good to be Bad", lançado neste ano.

Neste contexto, a banda voltou ao Brasil para algumas apresentações pelo país, e o show em São Paulo era um dos mais esperados. Em sua última turnê por aqui, em 2005, o grupo teve de tocar por pouco mais de uma hora no Anhembi, já que se apresentaria ao lado do grupo de heavy metal Judas Priest, liderado por Rob Halford. Em 2008, a chance era de trazer um set list mais longo e um show com músicas inéditas.

Às 22h30, Coverdale aparece com uma camisa branca e sua vasta cabeleira loira, fazendo sua típica pergunta "vocês estão prontos?", deixando os fãs na expectativa para a música de abertura, "Best Years", do último disco. A nova canção agita o público, mas talvez uma música antiga levantasse os fãs de forma mais contundente no começo da apresentação.

Coverdale, o "Mr. Love", manda beijos, se agarra à caixa de som, roda o pedestal do microfone e bate no peito, mostrando que seu carisma não foi embora com o passar dos anos. "Fool for your Loving", música de 1980 e regravada pela própria banda em 1989, chama mais a atenção do que a primeira, até por ser um dos clássicos da banda.

E a nova formação do Whitesnake mostra coesão, com a dupla de guitarristas conectada a Timothy Drury (teclados), Uriah Duffy (baixo) e Chris Frazier (bateria). Já o veterano vocalista encara bem a pesada "Bad Boys", rasgando um pouco mais a voz do que em tempos anteriores.

Entre as novas "Can You Hear the Wind Blow" e "Lay Down Your Love", o sexteto manda uma de suas faixas mais conhecidas: "Love Ain't No Stranger", de 1984, cantada por todos. Antes dela, Coverdale realiza um belo gesto ao homenageá-la a "um grande amigo", Mel Galley, ex-guitarrista da banda e que sofre de um câncer terminal, revelado recentemente pelo próprio Galley. Em seguida, a balada e conhecidíssima "Is this Love" faz sucesso e é muito aplaudida, principalmente pelo público feminino.

O público variado, de diversas faixas etárias, foi uma das características do show da banda, que atinge vários tipos de fãs de rock. Que, na pista, são prejudicados por um som embolado na frente do palco, que melhora quando se procura o fundo da platéia.
Os fãs também surpreendem e demonstram conhecer o set list inteiro do concerto, incluindo as canções do novo disco e outras não tão famosas. As músicas novas, inclusive, soam melhores e mais pesadas ao vivo do que em estúdio, o que ajuda na aceitação daqueles que não as conhecem. Os refrões, pegajosos como sempre, também contribuem.

A pausa para Coverdale começa com o duelo dos guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, começando na "fritação", com solos rápidos e cheios de notas, e chegando ao blues cadenciado. "Crying in the Rain" é executada depois e inclui um solo de bateria, não muito longo, de Chris Frazier.

Enquanto o vocalista rasga mais a sua voz e agüenta bem os agudos das músicas mais antigas, os outros membros da banda colaboram com backing vocals afinados e potentes, fazendo a parte de Coverdale quando este resolve se poupar. É de praxe, também, o cantor deixar o público entonar os refrões mais conhecidos.

Uma das primeiras surpresas é a versão acústica da pop "The Deeper the Love", que se torna mais serena e menos grudenta do que a original, com Coverdale na voz e Aldrich no violão. Enquanto o show se encaminha ao final, o Whitesnake emenda os sucessos "Give me All your Love Tonight" e "Here I Go Again", antes de trazer de volta "Ain't no Love in the Heart of the City", blues regravado pelo Whitesnake ainda no início da banda.

Depois, a maior surpresa: Coverdale começa a cantar os primeiros versos de "Guilty of Love", grande sucesso da banda no Brasil (dos tempos de Rock in Rio) e que não estava programada no set list. Depois da introdução do vocalista, a banda resolve tocá-la praticamente inteira.

O cantor volta a se destacar em outra música pesada, "Still of the Night", não se esquivando dos agudos apesar de a sua voz ter mudado muito nos últimos 20 anos. Depois, Coverdale canta um trecho de "Soldier of Fortune", que abre espaço para "Burn", maior sucesso do Deep Purple com o atual vocalista do Whitesnake, que ainda emenda um trecho de "Stormbringer", fechando a apresentação da banda no Credicard Hall com uma "tríade" Deep Purple.

O final da apresentação mostra que o Whitesnake cumpriu o seu papel em um Credicard Hall lotado: trouxe de volta os anos 80, resvalando na nostalgia do Rock in Rio, mostrou seu trabalho novo e encarou os sucessos antigos com competência.

Ozzy Osbourne em SP


Presenciei a passagem de Ozzy por terras paulistanas no último dia 5 de abril, no Parque Antarctica. Para mim, minha primeira experiência cobrindo shows no Brasil, já que fui lá pela Folha Online, onde publiquei um review sobre o show, reproduzido abaixo.

Sempre gostei muito da carreira solo do Ozzy, onde ele seguiu um caminho diferente do Black Sabbath e de muita personalidade. Para mim, "Blizzard of Ozz", o primeiro disco (1980), é um dos álbuns mais consistentes do rock 'n' roll e ajudou a reerguer a carreira do "Madman" após sua saída traumática do Sabbath. Contou com uma banda extremamente talentosa, que incluía Randy Rhoads (guitarra), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Don Airey (teclado, hoje no lugar de Jon Lord no Deep Purple).

Entre os outros discos dos anos 80 e início dos 90, nenhum deles é tão regular quanto o primeiro, apesar de "Diary of a Madman" (1981), "Bark at the Moon" (1983) e "No More Tears" (1992) serem ótimos, com vários clássicos do vocalista. Depois disso, já não me interesso muito pelo resto. Quanto mais recente, pior.

Mas o que estava em jogo mesmo era a disposição, a saúde e a energia de um maltratado Ozzy. Maltratado por uma vida das mais malucas que o rock 'n' roll conheceu, chegando a passar perto da morte algumas vezes. Mas que não evitou a demonstração do vocalista de que ele é acima de tudo isso e que sabe como poucos controlar uma platéia. Talvez o músico mais carismático que eu vi subir ao palco.

Foquei minha crítica nisso, no quanto sua idade não influencia em seu show, mesmo com limitações vocais que Ozzy sempre teve - e que, na verdade, nunca o atrapalharam em sua carreira de sucesso. Ainda mais para o público heavy metal, que respeita muito os atos e a postura de seus ídolos, em detrimento da técnica musical absurda ou exibicionista. Para o fã, em termos gerais, não é isso que conta.

Tudo o que conta foi demonstrado por Ozzy Osbourne no sábado retrasado. E é isso que eu relato em meu review, publicado na Folha Online, e que segue abaixo. Na FOL, tem também os (pequenos) reviews do Korn e do Black Label Society, que abriram as apresentações.

Sem mais delongas, segue o texto.

PS: As fotos são do Marcos Borges, da FOL, que me deu uma grande força no show.

Pioneiro do metal, Ozzy Osbourne demonstra energia em show de SP

MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online

Após uma ausência de 13 anos, o cantor Ozzy Osbourne, ex-Black Sabbath, voltou a tocar em São Paulo neste sábado (5), no estádio Parque Antarctica. Uma história que envolve mordidas em um morcego e uma pomba, muitos problemas com drogas, um reality show e bastante rock 'n' roll subiu ao palco no campo do Palmeiras.

Apesar de todas as limitações do vocalista, no alto de seus 59 anos, cerca de 38 mil pessoas foram reverenciar o "príncipe das trevas", que ajudou a criar imagens e símbolos da música pesada. Além de ser um dos pioneiros a executá-la, claro, ainda com o Black Sabbath.


Ozzy já havia passado pelo Brasil em 1985 (no Rock in Rio) e dez anos depois, na segunda edição do finado festival Monsters of Rock, em São Paulo. Dessa maneira, uma geração de jovens fãs brasileiros teve a oportunidade de conferir ao vivo, pela primeira vez, um dos pioneiros do heavy metal.


A abertura ficou com as bandas Black Label Society (liderada pelo guitarrista de sua banda, Zakk Wylde) e Korn. Mesmo com as diferenças de estilo, ambas se saíram bem no papel de "esquentar" o público, que queria mesmo ver a atração principal.


Ozzy Osbourne

O ex-vocalista do Black Sabbath sabe que sua imagem está acima de tudo em sua biografia. Com todas as loucuras envolvendo sua vida pessoal, o cantor criou um mito em torno de si que supera até mesmo seus sucessos musicais. Consciente disso, Ozzy utiliza do carisma para ganhar o público mesmo antes de entrar no palco, com um vídeo no qual o cantor faz paródias de diversos filmes e seriados famosos, como "Borat", "Família Soprano" e "Lost".


A introdução "Carmina Burana" prepara o público para a abertura do set list, com "I Don't Wanna Stop", do disco mais recente de Ozzy Osbourne, "Black Rain" (2007). O hit "Bark at the Moon" vem em seguida, e o cantor demonstra logo suas limitações vocais em músicas que exigem mais de sua voz, como é o caso dessa, a qual Ozzy se esforça muito para executar.

Zakk Wylde, na banda há bastante tempo, também se destaca no show, assim como a "cozinha" formada pelo baterista Mike Bordin (ex-Faith No More), Rob "Blasko" Nicholson (baixo) e o tecladista Adam Wakeman, filho de Rick Wakeman (conhecido por seu trabalho nos teclados do Yes e com uma bem-sucedida carreira solo).


O vocalista se encarrega de puxar o coro "olê, olê, olê", respondido pela platéia com "Ozzy, Ozzy", abrindo caminho para "Suicide Solution", de seu primeiro disco solo, "Blizzard of Ozz" (1980). Jogando baldes de água e gritando o tempo todo para o público, o cantor inicia um de seus maiores sucessos, "Mr. Crowley", cantado em uníssono pelos presentes.


Considerando sua imagem no reality show "The Osbournes", que protagonizava ao lado de sua família, Ozzy até surpreende, saltando o tempo todo no palco. De qualquer forma, sua forma física "relaxada" fica aparente pela grande barriga do vocalista.


"Not Going Away", do último disco, acalma os ânimos, que voltam a se levantar quando Ozzy pergunta se o público gostaria de ouvir uma música do Black Sabbath. "War Pigs", de 1970, traz nostalgia e sorrisos na platéia, que canta a canção junto com o vocalista.

A primeira balada do show é "Road to Nowhere", na qual Ozzy procura agradar o público se enrolando em uma bandeira brasileira. No grande sucesso "Crazy Train", o cantor deixa os fãs cantarem o refrão, talvez em busca de poupar um pouco a sua voz.

Com um sangramento nos dedos após sofrer um corte, Wylde deu início ao seu solo, que durou sete minutos, agradando alguns e cansando outros. "Iron Man", outro clássico da ex-banda, e "I Don't Know", que abre seu disco de estréia, "Blizzard of Ozz", voltaram a levantar os presentes no Parque Antarctica.

As últimas canções foram "No More Tears", "Here for You" (do último disco), "I Don't Want to Change the World", "Mama, I'm Coming Home" e "Paranoid" (do Black Sabbath), considerada por alguns como uma das primeiras canções heavy metal da história.

Concentrando o set list nos consistentes discos "Blizzard of Ozz" (1980) e "No More Tears" (1991), além das três canções do Sabbath e outras três do último disco, Ozzy soube segurar o público do início do show ao seu final, sempre incitando a platéia a gritar e cantar as músicas.

A passagem de Ozzy Osbourne por São Paulo se encerrou com uma promessa de retorno, não tão longo quanto os 13 anos entre o Monsters of Rock de 1995 e esta miniturnê, iniciada com um show no Rio de Janeiro e encerrada com a apresentação na capital paulista.

Mais importante do que a performance do vocalista foi a demonstração de energia aliada à sua imagem de mito do heavy metal, irreverente e carismático, que nunca se leva a sério.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O novo set-list do Iron Maiden

Bom, ainda estamos na Quarta-feira de Cinzas, o Corinthians acabou de empatar em 1 a 1 com o Barueri, o Palmeiras tomou uma piaba do Guaratinguetá (3 a 0), e eu volto a escrever após alguns dias.

Prometi que falaria sobre o jogo Lusa X Juventus e cumprirei a promessa, mas ainda não nesse post.

Primeiro, vou falar sobre o set-list do Iron Maiden no primeiro show da turnê 'Somewhere Back in Time World Tour', que aportará no Brasil em março. A apresentação rolou em Mumbai, na Índia.

Segue ele:

Intro - Churchill's Speech
1. Aces High
2. 2 Minutes to Midnight
3. Revelations
4. The Trooper
5. Wasted Years
6. The Number of the Beast
7. Run to the Hills
8. Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Heaven Can Wait
11. Can I Play with Madness
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden
Bis
14. Moonchild
15. The Clairvoyant *
16. Hallowed be thy Name

*- Vi uma foto do set-list e estava escrito "Clairvoyant (or Evil...)". Suponho que eles alternarão Clairvoyant e The Evil that Men Do durante as apresentações, o que eu acho ótimo.

Vamos à análise dos fatos.

A turnê 'Somewhere Back in Time World Tour' seria uma espécie de homenagem aos discos Powerslave (1984), Somewhere in Time (1986) e Seventh Son of a Seventh Son (1988). Desses discos, serão tocadas:

Powerslave - Aces High, 2 Minutes to Midnight, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner.

Somewhere in Time - Wasted Years e Heaven Can Wait.

Seventh Son - Moonchild, The Clairvoyant (ou The Evil that Men Do) e Can I Play With Madness.

Fora dessa época, temos Iron Maiden (do Iron Maiden - 1980); The Number of the Beast, Run to the Hills e Hallowed be thy Name (do The Number of the Beast - 1982); The Trooper e Revelations (do Piece of Mind - 1983) e Fear of the Dark (do disco homônimo, de 1992).

São 9 da época "prometida" (1984-88), com a adição de sete clássicos (acho que Revelations é a única não tão clássica; apesar da música ser maravilhosa, acho que poderia ser preterida em lugar de mais uma do Somewhere in Time, que só vai ter duas músicas no set).

Na minha opinião, o set é muito coerente com a proposta da banda. Na verdade, o show será, aparentemente, fulminante. A única música que eu acrescentaria seria Caught Somewhere in Time, mas porque eu adoro essa faixa, que não é tocada em shows desde 1986.

Como já contei no blog, perdi o show do Rock in Rio em 2001, mas vi o Maiden no Pacaembu em 2004, cujo set me decepcionou. Agora, não posso reclamar: é praticamente um set-list dos sonhos.

Surpresas: a primeira é a maravilhosa Moonchild, que abre o Seventh Son. Depois, e principalmente, The Rime of the Ancient Mariner. Ousada, a banda, em tocar uma faixa de 13 minutos que para mim sempre foi uma das melhores da carreira dos caras em virtude de sua variação rítmica e dos diferentes "climas" que ela apresenta. É uma das melhores composições da história de Steve Harris e é também, para mim, muito superior às outras músicas longas do Iron.

Um último comentário: legal a idéia de variar Clairvoyant e The Evil durante os shows, como já comentei acima. Eu torço por The Evil, que ficou de fora em 2004 (mas rolou no Rock in Rio, o que me deixou frustrado). Mas Clairvoyant é bem legal também. Talvez pudessem tomar essa atitude de várias músicas com outras faixas, coisa que o Maiden não costuma fazer.

Mas talvez seria demais. Já estou mais do que contente com o que vai vir.

ET: A Kiss FM está divulgando na rádio uma promoção para cantar com o Iron Maiden no palco em São Paulo. Assim, volta a tradição da banda em permitir que os fãs subam e cantem o ÔOOO de Heaven Can Wait com Dickinson, Gers, Harris, Murray, Smith e McBrain. Isso também rolou no show de 1998, quando a finada 89 FM fez a promoção, e um cara que eu conhecia ganhou e cantou lá no palco com os caras.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Só passando para dar os parabéns...

...para a minha cidade, que completa 454 anos. Apesar dos problemas, ela é fascinante demais. Uma das maiores do mundo. A cidade dos contrastes.

Por mais que ela tenha seus mil problemas, respirando por aparelhos, meu amor por ela não diminui nunca. Como diria o Tom Zé em São São Paulo Meu Amor, "mesmo com todos os defeitos, te carrego no meu peito".



Valeu, São Paulo, por toda a cultura, experiência e alegria que você me deu durante esses 23 anos e meio.

Agora, vou ver se eu vou no show do Jorge Ben lá no Museu do Ipiranga. No ano passado, vi o Mutantes lá e virei fanzaço da banda.

PS: Foto batida por alguém desconhecido no topo de um prédio da Paulista, em meu aniversário de 21 anos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Rush no Brasil?

Ainda é uma interrogação. Notícias circularam na net, muito em virtude do bem-informado blog Rush is a Band, que cravou que a banda viria à América Latina na nova perna da Snakes and Arrows Tour. Eu ouvi esse papo ainda na Rushcon, em Toronto, e todo mundo vem comentando sobre isso aqui no Brasil. Falou-se até de um show no estádio Castelão, em Fortaleza.

Sexta passada eles divulgaram as datas da turnê, incluindo apenas EUA e Canadá, com exceção da primeira noite, que será em Porto Rico. Como se pode olhar abaixo (copiado do excelente Test for Echo, melhor site brasileiro sobre o Rush), é difícil encaixar uma passagem pela América Latina. Se acontecer, deverá ser no segundo semestre mesmo. A maior folga entre um show e outro é entre 15 e 25 de junho, intervalo de apresentações em Boston e Indianápolis.

ABRIL 2008

11: San Juan, PR - Coliseo de Puerto Rico
13: Ft Lauderdale, FL - Bank Atlantic Center
15: Orlando, FL - Amway Center
17: Jacksonville, FL - Jacksonville Veterans Memorial Arena
19: New Orleans, LA - Arena
20: Houston, TX - Woodlands Pavilion
23: Austin, TX - Frank Erwin Center
25: Dallas, TX - The Music Center at Fair Park
26: Oklahoma City, OK - Ford Center
29: Albuquerque, NM - Journal Pavilion

MAIO 2008

1: Phoenix, AZ - Cricket Pavilion
3: Reno, NV - Reno Events Center
4: Concord, CA - Sleep Train Pavilion
6: Los Angeles, CA - Nokia Theatre
10: Las Vegas, NV - Mandalay Bay Events Center
11: Irvine, CA - Verizon Wireless Amphitheatre
20: Moline, IL - iWireless Center
22: St Paul, MN - MTS Center
24: Winnipeg, MB - Brandt Center
25: Regina, SK - Rexall Place
27: Edmonton AB - Cricket Pavilion
29: Vancouver, BC - GM Place
31: Seattle, WA - The Gorge Amphitheatre

JUNHO 2008

1: Portland, OR - Clark County Amphitheatre
3: Boise, ID - Idaho Center
5: Denver, CO - Red Rocks
7: Kansas City, MO - Starlight Theatre
9: Chicago, IL - United Center
10: Detroit, MI - Joe Louis Arena
12: Montreal, QC - Bell Center
14: Philadelphia, PA - Wachovia Center
15: Boston, MA - Tweeter Center
25: Indianapolis, IN - Verizon Amphitheatre
27: Milwaukee, WI - Summerfest
28: St Louis, MO - Verizon Wireless Amphitheatre
30: Cincinnati, OH - Riverbend Music Center

JULHO 2008

2: Pittsburgh, PA - Post Gazette Amphitheatre
4: Atlantic City, NJ - Marc Etess Arena
5: Saratoga, NY - SPAC
7: Uncasville, CT - Mohegan Sun
9: Toronto, ON - The Molson Amphitheatre
11: Manchester, MA - Verizon Arena
12: Holmdel, NJ - PNC Bank Arts Center
14: Wantagh, NY - Jones Beach
17: Hershey, PA - Hershey Stadium
19: Washington, DC - Nissan Pavilion
20: Charlotte, NC - Amphitheatre
22: Atlanta, GA - Verizon Wireless Amphitheatre at Encore Park


Eu me surpreenderei se a banda realmente vier no segundo semestre. Mas acho que pode rolar. A impressão que nós deixamos foi a melhor possível, com a coisa do Rush in Rio, maior público da história da banda em São Paulo... eles nos devem esse retorno. E eu vou estar lá, dessa vez na primeira fileira.