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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Memórias de uma Mente sem Lembranças *

* Colaboração minha (espero que a primeira de muitas) para o ótimo portal da Galeria do Rock - sim, a própria, do Largo Paissandu

A ótima piada que abre a autobiografia de Ozzy Osbourne (leia o livro para saber de qual se trata!) ilustra perfeitamente a personalidade dúbia e o conflito interno vivido por um homem que já chegou a todos os limites físicos e mentais que um ser humano pode atingir. Ultrapassou esses limites, na verdade - mas está vivo até hoje para contar como sobreviveu.

Lançado no ano passado, "Eu Sou Ozzy" (versão brasileira publicada pela Editora Benvirá) é a história do Madman contada por ele mesmo - na verdade, o que ele se lembra. O livro de 400 e tantas páginas é realmente fácil de ler, graças à linguagem dinâmica e às tiradas irônicas e engraçadas de Ozzy, que contou com uma óbvia ajuda para escrever a obra - no caso, o jornalista americano Chris Ayres. Por isso, e também por todo o apelo da figura do vocalista, o livro logo se tornou um dos mais vendidos nos Estados Unidos.

Apesar de ser um dos fundadores e o principal vocalista da história do Black Sabbath, Ozzy ganhou espaço na “mídia comum” por conta das bizarrices que promoveu ao longo dos lisérgicos (para ele) anos 80, principalmente após uma "inocente" mordida na cabeça de uma pomba em uma reunião organizada pela sua gravadora, em 1981. Depois, quem sofreu com os dentes do cantor foi um pobre morcego, em pleno palco. E ele logo virou o inimigo número 1 dos Estados Unidos (onde passou a morar), depois de vários episódios controversos.

No entanto, entre o fim dos anos 70 e durante toda a década de 1980, Ozzy parecia se condenar à morte com os abusos ininterruptos de álcool e drogas pesadas. Ao mesmo tempo, erguia sua carreira solo com uma nova banda (que incluía, claro, o guitarrista-prodígio Randy Rhoads, de triste destino) e deixava para trás o fantasma do Black Sabbath. Para isso, contava com o suporte da empresária e nova esposa, Sharon, de personalidade igualmente explosiva e que, tempos depois, seria vítima de uma tentativa de assassinato - ou algo perto isso - por parte do insano marido.

Essa autodestruição que muitas vezes quase terminou em tragédia é o aspecto mais interessante do livro. Mesmo disparando sua ironia ao relatar os episódios de loucura, não há como ficar impassível com tantas crises, ainda mais quando elas envolviam sua família. Além disso, ele ainda teve de lidar com a morte de Rhoads em um bizarro acidente aéreo, em 1982, que gerou uma crise em sua banda.

De sua maneira, e com algumas recaídas posteriores (também apontadas no livro), Ozzy conseguiu reerguer sua vida e sua carreira quando ninguém mais esperava. E, de repente, virou uma "referência positiva" na história do rock, observado quase sempre com simpatia e humor. No fim, a biografia ajuda a desmitificar a imagem de “velho gagá” perpetuada pelo reality show de gosto duvidoso “The Osbournes”, para o qual Ozzy olha hoje com certo desdém e arrependimento. Ele conta que seu crítico vício em remédios, à época, deturparam completamente sua imagem no programa da MTV, que também aparentemente mexeu com a cabeça de seu filho Jack - transformado em celebridade instantânea e que também acabaria lutando contra o alcoolismo.

“Eu Sou Ozzy” é um retrato pessoal, aparentemente sincero e autocrítico que o Madman faz da própria vida. E é uma experiência antropológica sobre aquele que testou os limites do ser humano e hoje agradece, em meio a piadas e risadas, por ainda poder contar a história de sua vida.

** Colaborou Adriele Marchesini

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tuvuca e sua vitrola chegam a 2010

É difícil iniciar 2010 com um texto positivo, depois de tantas desgraças naturais, impulsionadas por políticos desgraçados, atingindo nosso país. Mas, inspirado pela sempre bem-vinda nostalgia, tentarei.

Para isso, falarei da minha maior paixão. Como diz a minha biografia no Twitter, sou jornalista, mas o que importa mesmo é o Rock 'n' Roll. Cito a frase dita pelos automobilistas "life is racing, the rest is just waiting" e troco o "racing" por "rock 'n' roll". Afinal, tudo gira em torno de quanto dinheiro ganhar para ver quantos discos é possível comprar.

Sim, discos, e não cds. Sem querer menosprezar o cada vez mais esquecido compact disc, a minha vitrola, que eu ganhei de Natal da pessoa mais especial, a única que pensaria nesse presente perfeito, fez com que 2010 começasse de um jeito bem diferente. Não mais perderei tantas horas em lojas como a Fnac. Sebos do centro, aqui vou eu!

Já comprei algumas coisas novas, juntei as velhas aquisições familiares com as minhas e já ouvi um monte de bolacha, virando para o lado B sempre que o A acaba. É gostoso demais. Você consegue ver a música girando, fazendo o trajeto vinil-agulha-vitrola-caixa de som. É muito diferente. É muito melhor. E muito mais real.

Eu não tinha uma vitrola decente há uns dez anos, quando a de casa pifou de vez. Meu pai tentou arranjar outra, mas que nunca funcionou de verdade. A nova, no entanto, é especial.

É da Philips, e vira uma maleta para levar para qualquer lugar. A tampa se transforma nas caixas de som. Imagino que tenha sido o primeiro walkman de verdade - afinal, dá pra ligar até com pilha.

Dois dias antes de ganhar a vitrola, fui na galeria fazer compras de Natal para mim mesmo. E vi o vinil do "Permanent Waves', do Rush, por R$ 15. Levei e pensei "vou comprar um disco do Rush por mês até completar a coleção" (que já está completa em cd, diga-se). Parecia uma premonição.

Falarei mais do Permanent Waves em um futuro post, que resgatará a esquecida seção "Efemérides do Rock" - essa deverá ter novos capítulos em 2010. Por enquanto, continuo encantado com a vitrola.

Ela fechou um ano brilhante para mim no que diz respeito a Rock 'n' Roll. Foram os melhores shows que eu assisti do Iron Maiden (no Rio e em SP, que me inspiraram um dos melhores textos que já escrevi, na minha opinião) e do Kiss (o outro foi o de 1999). Também foi a primeira vez que eu presenciei Heaven and Hell (sensacional), Faith no More (também) e, principalmente, o AC/DC, que merece um futuro capítulo à parte.

Aliás, depois do AC/DC, eu fechei a série de bandas que eu realmente precisava ver ao vivo. E será difícil ver algo melhor do que Brian Johnson, Angus Young e os outros três. Mas continuarei indo atrás dos dinassouros em estádios e casas de show.

E, quando voltar para casa, ouvirei os discos na vitrola lembrando de 2009, um ano marcado pelas boas recordações de Rock 'n' Roll.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um lapso de inspiração...

...me faz querer escrever um texto de novo, depois de três meses e meio.

Desde agosto, como já comentei no post anterior, passei por mudanças que me tiraram o tempo necessário para escrever. Sem contar que nunca fui um blogueiro assíduo, longe disso, e só gosto de escrever sobre assuntos que me inspirem de verdade ou que estejam fora da atenção da mídia.

Mas o fim da temporada da F-1 e a chatice do Campeonato Brasileiro me trouxeram motivação. Primeiro, falarei do segundo tema. Daqui a alguns dias, comentarei o primeiro.

Segue.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dois meses e três dias...

...sem postar. Esse tempo foi extremamente corrido, marcado por grandes mudanças e que não motivaram esse blogueiro a escrever.

Continuarei com ele assim por algum tempo. Os poucos que o acessam, portanto, que curtem os posts antigos. Peço desculpas.

Agora, pelo menos, o blog está com um layout novo para facilitar a leitura. O irônico é que não há nada de novo para ler...

No Twitter, ainda estou sempre atualizando pelo @tuvuca. Siga por lá.

domingo, 19 de julho de 2009

Tuvutwitter

Sempre disse para mim mesmo que só escreveria no blog quando tivesse algo diferente e interessante para dizer. Essa condição, aliada a falta de tempo, me fez com que eu o atualizasse muito pouco nesse um ano e meio escrevendo nesse endereço.

Bom, "encontrei" uma solução para essa intermitência. Vou usar o Twitter para as atualizações curtas, como zilhões de pessoas já fazem, e este blog fica apenas para os textos mais profundos -como já acontecia.

Como sou genial!

terça-feira, 9 de junho de 2009

O homem não sabe voar

Acidentes aéreos costumam chocar muito as pessoas. Talvez porque todas se apavorem ao pensar na possibilidade de passar por uma situação dessas, sem nenhum controle ou saída.

Ainda mais em casos como o do AF 447 da Air France, que caiu na semana passada próximo a Fernando de Noronha, ou do voo 1907 da Gol, que se acidentou na mata da região centro-oeste do Brasil em 2006. Ambos ocorreram com o avião em plena altitude de cruzeiro, simplesmente despencando dez, nove quilômetros, rumo ao inevitável encontro com o desconhecido.

É verdade que a falta de referências visuais, que estão aparecendo só gora, ajudou a amenizar o choque por conta da queda do Airbus da Air France. Neste aspecto, muito pior foi o acidente com o voo 3054 da TAM, em 2007, que atingiu o brasileiro, particularmente o paulistano, no coração.


Aquele incêndio no prédio da TAM Express, com o Air Bus da mesma TAM inteiramente destruído em plena av. 23 de Maio (que na verdade se chama Washington Luís naquele trecho, mas é tudo 23 no fim das contas), confirmou um pesadelo para aqueles que passam de carro por ali e sempre temeram um acontecimento desses.

E meu texto, na verdade, é apenas para me colocar como uma dessas pessoas. Aquelas que se assustam de verdade com um acidente desse porte, e sonham frequentemente com isso. Quando o avião da TAM apareceu na tela da TV, meu pesadelo virou realidade, apesar de, na hora, a cobertura incessante dos Jogos do Pan-Americano do Rio me distrair.

Antes daquele início de noite de 17 de julho de 2007, sonhei diversas vezes com a imagem de um avião caindo na 23 de Maio ou na av. Bandeirantes. Não quero posar de Nostradamus nem nada, e digo que esse pesadelo era totalmente justificável e, acredito, não tinha nenhum teor premonitório. Até onde eu sei, pelo menos.


Cresci respirando aviação - na foto, sou eu, com uns quatro anos, segurando um pôster que tinha pendurado no meu quarto. Minha mãe trabalhou a vida inteira na Vasp e meu pai seguiu caminho parecido na área de logística. Quando criança, tinha o sonho de ser piloto e trabalhar no que é, para mim, a máquina mais sensacional já criada pelo homem. O foguete, que leva o homem para o espaço, é privilégio de quase ninguém, então perde.

Com o tempo, percebi que não tinha muito jeito para entrar no ITA, virar engenheiro, piloto, sei lá mais o quê. É coisa demais para aprender, preferi seguir na Comunicação, área menos técnica e "intelectual", digamos.

E também fui crescendo com esses acidentes cada vez mais sérios no Brasil, primeiro em 1996 e depois agora - desde o acidente da Gol até esse da Air France -, que expõem uma sequência de fatos lastimáveis, incluindo falhas, erros e tristes coincidências, que atingem o setor áereo do Brasil.

Em menos de quatro anos, batemos todo tipo de recorde negativo no que diz respeito a acidentes aéreos no país. É realmente triste ver que essa máquina tão sensacional da qual falei às vezes firma nossos pés no chão e mostram que nunca saberemos voar. O controle sempre será dos computadores e instrumentos da aeronave, sujeitos a falhas contra as quais não se pode fazer nada.

Hoje, sonhei de novo com um acidente de avião. Eles andam tão recorrentes na minha memória que eu nem me deixo mais enganar por eles. Na maioria das vezes, apenas acompanho o que está acontecendo, sempre compreendendo, de alguma forma, que aquilo não corresponde à realidade. Bem diferente daquela imagem de TV com o TAM em chamas ao lado de um aeroporto que significou tanto para mim durante a infância.

Talvez o leitor deste texto pense que estou indo contra a tese de que o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo. Deixo claro que não quero negar as estatísticas e nem deixarei de curtir uma viagem de avião. Este é apenas um relato sobre esse medo de acidentes aéreos que, tragicamente, andam frequentes no Brasil.

E deixo aqui minhas palavras de sentimento para as famílias e amigos que perderam um ente querido em uma dessas tragédias.


Fotos:

Destroço do Airbus voo AF 447 - 07/06/09-AP

Airbus do voo 3054 em chamas - 17/07/07-Apu Gomes/Folha Imagem

Jovem Tuvuca com o pôster do avião da Vasp - minha mãe, ou pai, entre 1988 e 1989

Avião da FAB pousa em Fernando de Noronha após trabalhos de busca - 06/06/09-Bruno Domingos/Reuters

terça-feira, 24 de março de 2009

Tuvuca e a Maratona da Besta

No final de semana passado, tive o privilégio de assistir a dois shows do Iron Maiden em dois dias: no sábado, na Praça da Apoteose (Rio), e no domingo, em Interlagos.

Tudo começou quando tentei entrevistar a banda, mas não obtive sucesso. Minha chance de emplacar uma matéria pré-show? Falar com Sam Dunn, diretor de "Flight 666", o documentário sobre a banda cuja pré-estreia mundial ocorreu no Rio, também no sábado.

Sabia que Dunn não hesitaria em me retribuir a entrevista. Afinal, aqueles que conhecem este blog ou este personagem, com certeza recordarão que o cineasta canadense me entrevistou para um filme sobre o Rush, ainda em produção, em Toronto, em outubro de 2007. A história está neste post aqui e neste outro.

Se vou aparecer no filme do Rush eu não sei, mas valeu pelo contato, como percebi na facilidade com que agendei um bate-papo com Dunn e seu parceiro Scot McFadyen (não, não é Scott McFayden).

Voltemos à história: primeiro, entrevistei os dois para essa matéria aqui da FOL. Depois, fiquei morrendo de vontade de ir para o Rio -ainda mais depois de ser instigado pelo próprio Dunn-, e falei com o Eric Claros, camarada meu dos tempos de colégio, ex-batera do Mad Dragzter e atual batera do Children of the Beast (banda cover do Maiden).

Eric me disse que ia ao Rio com mais três amigos e me convidou. Com a possibilidade de ver o documentário em primeira mão, além do show, é claro, eu resolvi topar a maratona. Saímos de SP às 7h de sábado, chegamos no Rio e fomos direto ao Cine Odeon, onde seria a pré-estreia. Saí de lá, comi um Bobs nojento, fui a uma lanhouse e bati essa matéria aqui. Depois, corri para o show.

Após a apresentação, mais um Bobs nojento e estrada direto a SP, onde chegamos quase 24h depois de sair. Dormi, acordei, e rumei a Interlagos. Abismado com a imensa fila e desorganização, saí de lá com essa impressão relatada aqui.

Quanto aos shows, o que dizer? Até o ano passado, eu havia visto o Iron Maiden duas vezes, como contei aqui: um show morno com um set fraco em 2004, com o Bruce, e um show empolgante apenas para um moleque de 14 anos, como era eu, em 1998, com o Blaze.

Em 2008 e 2009, vi o Maiden três vezes com set lists magistrais -que incluíam "Rime of the Ancient Mariner", minha favorita da banda-, produção de palco que remeteu a 1984 (e que funcionou melhor no Rio) e seis caras que deram o sangue para provar aos brasileiros que toda a devoção ao grupo em terras nacionais é justa.

Agradeço aos quatro brothers de viagem -Eric, Diogo, Rodox e Pedrão-, que me ajudaram na hora de tirar fotos da banda na première do documentário (entre outras coisas), aos que me acompanharam no caos de Interlagos e à minha Pequena, que agora sabe de verdade o que é um show de Rock -com direito a lama, como acontecia nos velhos tempos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

2009

Bom dia, 2009!

Um ano que começa com nova ortografia, crise econômica, Israel x Palestina, Ronaldo no Corinthians, São Paulo hexa, automobilismo sofrendo, Lewis Hamilton campeão, Metallica e AC/DC de volta em turnês matadoras, Iron Maiden e Sabbath com Dio (ainda não confirmado) retornando ao Brasil, Obama quase presidente (só assume dia 20), Eduardo Paes iniciando sua gestão como prefeito do Rio, para tristeza de todos que sonhavam com uma mudança (e com Gabeira assumindo o Executivo carioca).

Bom, é verdade que tudo isso começou ainda em 2008. O que mais me doeu em terras nacionais foi, sem dúvida, a derrota de Gabeira, a única luz no túnel da decepção que é a nossa política. Ele poderia ter sido um péssimo prefeito. Poderia ter me decepcionado, como fez o atual presidente e seu partido.

Mas pelo menos é uma tentativa, e uma prova da ousadia dos cariocas, que demonstraram aos paulistas como agitar uma estrutura política. Pior foi aqui, onde vimos um embate Kassab x Marta x Alckmin, com Maluf nos divertindo com sua figura de "fanfarrão coadjuvante". Gente que já teve sua chance, e, pelo menos a mim, decepcionou. O pefelista triunfou contando com o pragmatismo bandeirante. Deixa do jeito que tá.

Os cariocas pós-trauma eleitoral, no entanto, ganharam ainda mais minha simpatia com a viagem que fiz ao Rio no final do ano passado. Pude conhecer outras facetas da cidade, andar de ônibus (175 - Central - aquele mesmo do Gabriel, o Pensador, se não me falhe a memória) do Recreio até a Central do Brasil, conferir o grande templo do futebol chamado Maracanã e, é claro, pegar um sol, sempre abundante.

Cada vez mais tenho certeza de que os paulistas que desprezam os cariocas são aqueles que não conhecem nem o Rio nem a relacão do carioca com sua cidade natal - ou são os paulistas babacas mesmo. Afinal, aqui tem um monte.

Outra esperança é o tal do Hussein, também conhecido como Barack Obama. Não sou tão otimista quanto algumas pessoas, que veem nele o salvador do mundo. Mas é uma esperança, assim como chegou a ser o Gabeira. Daremos um crédito.

E voltando a 2008, foi um ano de perdas e conquistas, vidas partindo e nascendo. Para mim, mais uma temporada de aprendizado. Com Rob Halford, Pelé, Bruno Senna, Whitesnake, Ozzy, Zito, Zagallo, Pepe...

É, não deu pra reclamar. Vamos ver o que nos aguarda este ano. Com dez dias de atraso, proponho um brinde para os nossos risos e choros, euforia e decepções, conquistas e perdas: tudo o que nos espera em 2009.

Afinal, o bom de estar vivo é viver e sentir as emoções.

ET: aprovo o Acordo Ortográfico. Mas como que acabaram com o "pára"?. Hoje, na FOL, "Palmeiras apresenta Marquinhos, que já para por 20 dias". Parece erro. Do outro jeito era bem mais claro, e mais didático, por assim dizer. Que cagada que fizeram!

E tchau, trema! Agora, a cidade onde minha mãe nasceu, tão idolatrada por Paulo Bonfá e Marcos Bianchi, se chama "Birigui" e não mais "Birigüi". Facilitou pra escrever no laptop, pelo menos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Movimentado

Hoje, 24 de novembro de 2008, é o aniversário de um amigo meu, o mais antigo de todos, que completa 25 anos e a quem cumprimento pelo blog.

Também é o dia que eu quebro o silêncio que perdurou durante todo o mês onze, talvez o mais movimentado da minha vida no aspecto profissional.

Isso porque, desde outubro, estive dedicado a algum projeto para a FOL: primeiro, o especial sobre os 20 anos do primeiro título de Ayrton Senna na F-1; depois, a cobertura incessante da semana final da temporada 2008 da F-1, com coletivas de Felipe Massa e matérias pós-campeonato que emenderam com o especial do Senna; por último, o que considero minha melhor reportagem até hoje: a entrevista com Rob Halford - além da cobertura do primeiro show do Judas em SP.

Foi um mês corrido, sempre com algo importante na cabeça e prejudicado por uma certa inconstância do meu estado de saúde, com problemas que agora poderão ser curados.

Foi importante e reconfortante o contato mais próximo com a F-1, além da atiçante responsabilidade de tocar um especial sobre o maior ídolo esportivo do Brasil e meu principal ídolo de infância - e por quem tenho minhas ressalvas hoje, ajudado pela visão crítica que evolui com a idade.

Mas o desafio de comandar uma entrevista exclusiva, por telefone, com um dos mais importantes símbolos do metal, a quem ouço há dez anos e que co-escreveu a maioria das músicas de minha segunda banda favorita (Rush na frente), foi algo indescrítivel.

Sabia que valia a pena tentar porque era alguém que tinha o que falar. E que possui, acima de tudo, relevância jornalística. Fui atrás ainda no início de setembro, e valeu a pena.

Ainda colocarei aqui, na íntegra, a entrevista feita com o Halford, apenas para que fique o registro, e que isso não se perca na edição obrigatória para um veículo online.

Por enquanto, fica o registro do meu sumiço, mas com a certeza de que estou de volta postando, sempre que o tempo e/ou a inspiração aparecem.

E teremos tempo para debater tudo o que aconteceu. Já que não consigo postar no "heat of the moment", fiquemos com uma análise mais fria e pensada dos acontecimentos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre "ironias do destino"

Fiz um texto gigante, agora, colocando toda a retrospectiva dos eventos envolvendo Felipe Massa e Lewis Hamilton desde 1 de setembro, dia do GP da Bélgica de F-1.

A idéia era relembrar, passo a passo, todas as reviravoltas no campeonato nesses últimos dias, desde a vitória do inglês em Spa, a cassação da mesma, o GP da Itália, a FIA considerando inválida a apelação da McLaren sobre a punição ao inglês na corrida belga, culminando na lambança ferrarista em Cingapura. Sempre contextualizando e apontando as diferenças na classificação de acordo com cada cenário.

No final, que ainda não estava escrito, eu iria dissertar sobre a ironia que foi Hamilton ampliar em seis pontos sua vantagem para Massa na corrida de Cingapura depois da bobagem da Ferrari no primeiro pit stop do brasileiro. Afinal, Hamilton perdeu justamente seis pontos na briga pelo campeonato por causa de uma canetada dos comissários, que para mim foi injusta. Lembrando que, mantido o resultado original em Spa, Hamilton teria quatro pontos a mais, e Massa contaria com dois a menos.

Essa era a questão: seis pontos ganhos do céu (também conhecido como FIA) na Bélgica, seis pontos amargos e perdidos na prova noturna, por culpa exclusivamente sua - Ferrari, no caso. Uma ironia e tanto.

Assim, chegaria a algumas conclusões: primeiro, a Ferrari tem errado demais, demais nas corridas.

Segundo, as canetadas deveriam ser aplicadas quando o regulamento fosse bem claro em relação a chicanes cortadas e punições, o que não é o caso; parece aquela chatice da "regra interpretativa" imortalizada pela Fifa no futebol.

Terceiro, Hamilton e Massa fazem um belíssimo campeonato, dentro de suas capacidades; a F-1 não precisa de um piloto como Schumacher para ser espetacular (apesar que o Vettel vem aí), basta bons pilotos.

Por último, esse campeonato é o mais legal que eu vejo desde 2003, provavelmente, com a diferença de que não temos um Schumacher com um monte de novas regras contra si. Foram resultados diferentes, com vitórias de Robert Kubica, Fernando Alonso e principalmente Sebastian Vettel. BMW Sauber e Toro Rosso ganham suas primeiras corridas na F-1, enquanto que a Renault volta a triunfar pela primeira vez desde 2006.

Isso tudo estaria muito detalhado se não fosse um maldito comando de nome "Auto-Select" no Windows Vista. Explico: eu iria finalizar o trecho sobre a lambança da Ferrari ontem e precisava colocar que o Massa ficou em décimo-terceiro. Não achava, no laptop, o ordinário o. (como você nota, essa batalha ainda não foi vencida), para não ter de indicar o número por extenso.

Fui buscar com o botão direito, achei um "Encoding" e pensei: "é aqui mesmo!". Ledo engano. Por um motivo ainda não (e provavelmente nunca) compreendido, o texto sumiu, como em uma fábula. Para melhorar minha situação, o Blogger resolveu salvar meu texto naquele exato momento. Saí dele para tentar buscar sua versão "com texto", mas lá estava o post, todo branco, apenas com o título.

Que ganhou um novo significado após toda essa chatice inexplicável que ocorreu e me deixou extremamente irritado, sem o mínimo saco de escrever tudo de novo.

Bom, saiu isso aqui, acho que tá mais do que bom, tendo visto a circunstância. E prometo que salvarei os textos enquanto estiver escrevendo.

Já comecei, inclusive.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Tuvuca olímpico

Nunca fui um blogueiro assíduo, é fato. Mas creio que a cobertura dos Jogos de Pequim vão me deixar ainda mais ausente neste endereço virtual. Essa coisa de trocar de fuso sem trocar de país é realmente bem confusa.

Mas não vejo a hora de o negócio começar de verdade.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Parabéns ao GP

PLAGIANDO GOMES (merecido) - Há mais ou menos dois meses, no dia 20 de maio, o Grande Prêmio foi agraciado com seu primeiro prêmio iBest. O site de Flavio Gomes, meu segundo emprego e primeira experiência trabalhando com Esporte, venceu na categoria "melhor site de esportes do Brasil", votação popular, desbancando "gigantes" como Globoesporte.com e ESPN Brasil.

Na época, eu estava em "recesso" no blog e acabei passando direto pela conquista. Conquista essa que me deixou muito orgulhoso por ter sido a vitória de um veículo "nanico" contra a grande imprensa. Sei do trabalho que dá para manter o site atualizado com uma equipe menor do que os grandes portais, e sem contar com todo o staff técnico que eles tem à disposição. Sem contar as credenciais, difíceis de arranjar, mas que sempre se arrumava um jeito para isso.

Fiquei orgulhoso também porque passei por lá entre setembro de 2006 e março de 2007 e fiz coisas muito legais no GP Acompanhei a marcante coletiva do Schumacher no GP Brasil de 2006 - aquela da tartaruga "Rubens", entregue ao alemão pela dupla Vesgo/Silvio, do Pânico. Até outro dia, foi o recorde de audiência na história do GP, parece que foi superado pelo domingo da corrida de Silverstone da F-1, na semana passada. Também tive a honra de entrevistar o "dinossauro" Paulo Gomes e cobrir a final da Stock em SP, além de acompanhar uma etapa da Stock no Rio. Foi minha primeira viagem "a serviço", essa. São apenas alguns exemplos.

O prêmio mostra todo o reconhecimento de quem realmente importa, que são os leitores. Fizeram campanha pelo GP na votação do iBest e emplacaram o "título". Foi realmente impressionante a devoção das pessoas para dar a vitória ao site.

Por lá, trabalhei com o chefe Gomes, o subchefe Victor, o subsubchefe Vicaria, meu veterano de faculdade, além dos brothers Mindu e Arantes. Com todos aprendi e de todos guardo ótimas recordações, mantendo contato sempre que possível.

Também fiquei feliz pela citação nos blogs do Gomes e do Victor, que fizeram questão de homenagear os atuais membros do GP e todos os ex-membros também, citando todo mundo que trabalhou no site. Foi um gesto de muita simpatia e que demonstra o reconhecimento pelo trabalho feito no GP ao longo dos anos. Lá, entendi o que significava, de verdade, jornalismo isento e sem rabo preso.

Parabéns de verdade.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Whitesnake em SP

Hoje os posts estão bombando, então vamos embalar. Agora, publico o review sobre o show do Whitesnake, no Credicard Hall, no dia 10 de maio.

Uma sexta-feira típica, de muito trânsito na capital paulista. Parece que bateu o recorde de trânsito de todos os tempos em São Paulo. Mas esses recordes caem toda hora. Aliás, essa marca a megalópole vem batendo com louvor, dia após dia.

Voltando ao show, seria o meu segundo do Whitesnake. O primeiro foi em 2005, quando a banda abriu para o Judas Priest. Com um set curto, acabou sendo apenas um aperitivo para a apresentação completa deste ano.

Lembro que eu tinha 13 anos quando eles vieram em 1997, queria ir no show, mas era moleque demais e acabei perdendo. Conhecia pouca coisa da banda, os hits básicos, mas tinha vontade de saber mais.

Para mim, o David Coverdale é a segunda melhor voz entre os cantores de hard rock clássico. Só perde para o Dio. E o cara mostrou a que veio no Credicard Hall, como escrevi no review para a FOL, que segue abaixo.

PS: De novo, quem me ajudou no show foi o Marcos Borges, tirador de fotos.

David Coverdale traz Whitesnake e anos 80 de volta no Credicard Hall

MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online

A história de David Coverdale, 56, no rock 'n' roll começou no Deep Purple, na década de 1970. O inglês entrou na famosa banda de hard rock britânico para substituir Ian Gillan, em 1973, gravou três discos de estúdio, mas o grupo encerrou as atividades em 1976 --voltando oito anos depois, sem Coverdale. Levado ao sucesso com a banda, já consagrada, Coverdale gravou dois discos solos antes de montar o Whitesnake, em 1978.

Com a sua própria banda, Coverdale pôde criar um som característico e centrado em sua voz. Após os primeiros álbuns, mais voltados ao blues rock, Coverdale abraçou o hard rock norte-americano e o Whitesnake estourou para o sucesso, principalmente com os discos "Slide it In" (1984) e "Whitesnake" (1987). Em 1985, a banda se apresentou no primeiro Rock in Rio, aumentando sua popularidade no Brasil.

Após dois grandes hiatos, entre 1990 e 1997 e depois entre 1998 e 2003, Coverdale resolveu remontar o seu grupo de hard rock com a dupla de guitarristas Reb Beach (ex-Dokken e Winger) e Doug Aldrich (ex-Dio) para buscar o som consagrado nos anos 80. O primeiro disco de estúdio com a nova formação foi "Good to be Bad", lançado neste ano.

Neste contexto, a banda voltou ao Brasil para algumas apresentações pelo país, e o show em São Paulo era um dos mais esperados. Em sua última turnê por aqui, em 2005, o grupo teve de tocar por pouco mais de uma hora no Anhembi, já que se apresentaria ao lado do grupo de heavy metal Judas Priest, liderado por Rob Halford. Em 2008, a chance era de trazer um set list mais longo e um show com músicas inéditas.

Às 22h30, Coverdale aparece com uma camisa branca e sua vasta cabeleira loira, fazendo sua típica pergunta "vocês estão prontos?", deixando os fãs na expectativa para a música de abertura, "Best Years", do último disco. A nova canção agita o público, mas talvez uma música antiga levantasse os fãs de forma mais contundente no começo da apresentação.

Coverdale, o "Mr. Love", manda beijos, se agarra à caixa de som, roda o pedestal do microfone e bate no peito, mostrando que seu carisma não foi embora com o passar dos anos. "Fool for your Loving", música de 1980 e regravada pela própria banda em 1989, chama mais a atenção do que a primeira, até por ser um dos clássicos da banda.

E a nova formação do Whitesnake mostra coesão, com a dupla de guitarristas conectada a Timothy Drury (teclados), Uriah Duffy (baixo) e Chris Frazier (bateria). Já o veterano vocalista encara bem a pesada "Bad Boys", rasgando um pouco mais a voz do que em tempos anteriores.

Entre as novas "Can You Hear the Wind Blow" e "Lay Down Your Love", o sexteto manda uma de suas faixas mais conhecidas: "Love Ain't No Stranger", de 1984, cantada por todos. Antes dela, Coverdale realiza um belo gesto ao homenageá-la a "um grande amigo", Mel Galley, ex-guitarrista da banda e que sofre de um câncer terminal, revelado recentemente pelo próprio Galley. Em seguida, a balada e conhecidíssima "Is this Love" faz sucesso e é muito aplaudida, principalmente pelo público feminino.

O público variado, de diversas faixas etárias, foi uma das características do show da banda, que atinge vários tipos de fãs de rock. Que, na pista, são prejudicados por um som embolado na frente do palco, que melhora quando se procura o fundo da platéia.
Os fãs também surpreendem e demonstram conhecer o set list inteiro do concerto, incluindo as canções do novo disco e outras não tão famosas. As músicas novas, inclusive, soam melhores e mais pesadas ao vivo do que em estúdio, o que ajuda na aceitação daqueles que não as conhecem. Os refrões, pegajosos como sempre, também contribuem.

A pausa para Coverdale começa com o duelo dos guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, começando na "fritação", com solos rápidos e cheios de notas, e chegando ao blues cadenciado. "Crying in the Rain" é executada depois e inclui um solo de bateria, não muito longo, de Chris Frazier.

Enquanto o vocalista rasga mais a sua voz e agüenta bem os agudos das músicas mais antigas, os outros membros da banda colaboram com backing vocals afinados e potentes, fazendo a parte de Coverdale quando este resolve se poupar. É de praxe, também, o cantor deixar o público entonar os refrões mais conhecidos.

Uma das primeiras surpresas é a versão acústica da pop "The Deeper the Love", que se torna mais serena e menos grudenta do que a original, com Coverdale na voz e Aldrich no violão. Enquanto o show se encaminha ao final, o Whitesnake emenda os sucessos "Give me All your Love Tonight" e "Here I Go Again", antes de trazer de volta "Ain't no Love in the Heart of the City", blues regravado pelo Whitesnake ainda no início da banda.

Depois, a maior surpresa: Coverdale começa a cantar os primeiros versos de "Guilty of Love", grande sucesso da banda no Brasil (dos tempos de Rock in Rio) e que não estava programada no set list. Depois da introdução do vocalista, a banda resolve tocá-la praticamente inteira.

O cantor volta a se destacar em outra música pesada, "Still of the Night", não se esquivando dos agudos apesar de a sua voz ter mudado muito nos últimos 20 anos. Depois, Coverdale canta um trecho de "Soldier of Fortune", que abre espaço para "Burn", maior sucesso do Deep Purple com o atual vocalista do Whitesnake, que ainda emenda um trecho de "Stormbringer", fechando a apresentação da banda no Credicard Hall com uma "tríade" Deep Purple.

O final da apresentação mostra que o Whitesnake cumpriu o seu papel em um Credicard Hall lotado: trouxe de volta os anos 80, resvalando na nostalgia do Rock in Rio, mostrou seu trabalho novo e encarou os sucessos antigos com competência.

Ozzy Osbourne em SP


Presenciei a passagem de Ozzy por terras paulistanas no último dia 5 de abril, no Parque Antarctica. Para mim, minha primeira experiência cobrindo shows no Brasil, já que fui lá pela Folha Online, onde publiquei um review sobre o show, reproduzido abaixo.

Sempre gostei muito da carreira solo do Ozzy, onde ele seguiu um caminho diferente do Black Sabbath e de muita personalidade. Para mim, "Blizzard of Ozz", o primeiro disco (1980), é um dos álbuns mais consistentes do rock 'n' roll e ajudou a reerguer a carreira do "Madman" após sua saída traumática do Sabbath. Contou com uma banda extremamente talentosa, que incluía Randy Rhoads (guitarra), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Don Airey (teclado, hoje no lugar de Jon Lord no Deep Purple).

Entre os outros discos dos anos 80 e início dos 90, nenhum deles é tão regular quanto o primeiro, apesar de "Diary of a Madman" (1981), "Bark at the Moon" (1983) e "No More Tears" (1992) serem ótimos, com vários clássicos do vocalista. Depois disso, já não me interesso muito pelo resto. Quanto mais recente, pior.

Mas o que estava em jogo mesmo era a disposição, a saúde e a energia de um maltratado Ozzy. Maltratado por uma vida das mais malucas que o rock 'n' roll conheceu, chegando a passar perto da morte algumas vezes. Mas que não evitou a demonstração do vocalista de que ele é acima de tudo isso e que sabe como poucos controlar uma platéia. Talvez o músico mais carismático que eu vi subir ao palco.

Foquei minha crítica nisso, no quanto sua idade não influencia em seu show, mesmo com limitações vocais que Ozzy sempre teve - e que, na verdade, nunca o atrapalharam em sua carreira de sucesso. Ainda mais para o público heavy metal, que respeita muito os atos e a postura de seus ídolos, em detrimento da técnica musical absurda ou exibicionista. Para o fã, em termos gerais, não é isso que conta.

Tudo o que conta foi demonstrado por Ozzy Osbourne no sábado retrasado. E é isso que eu relato em meu review, publicado na Folha Online, e que segue abaixo. Na FOL, tem também os (pequenos) reviews do Korn e do Black Label Society, que abriram as apresentações.

Sem mais delongas, segue o texto.

PS: As fotos são do Marcos Borges, da FOL, que me deu uma grande força no show.

Pioneiro do metal, Ozzy Osbourne demonstra energia em show de SP

MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online

Após uma ausência de 13 anos, o cantor Ozzy Osbourne, ex-Black Sabbath, voltou a tocar em São Paulo neste sábado (5), no estádio Parque Antarctica. Uma história que envolve mordidas em um morcego e uma pomba, muitos problemas com drogas, um reality show e bastante rock 'n' roll subiu ao palco no campo do Palmeiras.

Apesar de todas as limitações do vocalista, no alto de seus 59 anos, cerca de 38 mil pessoas foram reverenciar o "príncipe das trevas", que ajudou a criar imagens e símbolos da música pesada. Além de ser um dos pioneiros a executá-la, claro, ainda com o Black Sabbath.


Ozzy já havia passado pelo Brasil em 1985 (no Rock in Rio) e dez anos depois, na segunda edição do finado festival Monsters of Rock, em São Paulo. Dessa maneira, uma geração de jovens fãs brasileiros teve a oportunidade de conferir ao vivo, pela primeira vez, um dos pioneiros do heavy metal.


A abertura ficou com as bandas Black Label Society (liderada pelo guitarrista de sua banda, Zakk Wylde) e Korn. Mesmo com as diferenças de estilo, ambas se saíram bem no papel de "esquentar" o público, que queria mesmo ver a atração principal.


Ozzy Osbourne

O ex-vocalista do Black Sabbath sabe que sua imagem está acima de tudo em sua biografia. Com todas as loucuras envolvendo sua vida pessoal, o cantor criou um mito em torno de si que supera até mesmo seus sucessos musicais. Consciente disso, Ozzy utiliza do carisma para ganhar o público mesmo antes de entrar no palco, com um vídeo no qual o cantor faz paródias de diversos filmes e seriados famosos, como "Borat", "Família Soprano" e "Lost".


A introdução "Carmina Burana" prepara o público para a abertura do set list, com "I Don't Wanna Stop", do disco mais recente de Ozzy Osbourne, "Black Rain" (2007). O hit "Bark at the Moon" vem em seguida, e o cantor demonstra logo suas limitações vocais em músicas que exigem mais de sua voz, como é o caso dessa, a qual Ozzy se esforça muito para executar.

Zakk Wylde, na banda há bastante tempo, também se destaca no show, assim como a "cozinha" formada pelo baterista Mike Bordin (ex-Faith No More), Rob "Blasko" Nicholson (baixo) e o tecladista Adam Wakeman, filho de Rick Wakeman (conhecido por seu trabalho nos teclados do Yes e com uma bem-sucedida carreira solo).


O vocalista se encarrega de puxar o coro "olê, olê, olê", respondido pela platéia com "Ozzy, Ozzy", abrindo caminho para "Suicide Solution", de seu primeiro disco solo, "Blizzard of Ozz" (1980). Jogando baldes de água e gritando o tempo todo para o público, o cantor inicia um de seus maiores sucessos, "Mr. Crowley", cantado em uníssono pelos presentes.


Considerando sua imagem no reality show "The Osbournes", que protagonizava ao lado de sua família, Ozzy até surpreende, saltando o tempo todo no palco. De qualquer forma, sua forma física "relaxada" fica aparente pela grande barriga do vocalista.


"Not Going Away", do último disco, acalma os ânimos, que voltam a se levantar quando Ozzy pergunta se o público gostaria de ouvir uma música do Black Sabbath. "War Pigs", de 1970, traz nostalgia e sorrisos na platéia, que canta a canção junto com o vocalista.

A primeira balada do show é "Road to Nowhere", na qual Ozzy procura agradar o público se enrolando em uma bandeira brasileira. No grande sucesso "Crazy Train", o cantor deixa os fãs cantarem o refrão, talvez em busca de poupar um pouco a sua voz.

Com um sangramento nos dedos após sofrer um corte, Wylde deu início ao seu solo, que durou sete minutos, agradando alguns e cansando outros. "Iron Man", outro clássico da ex-banda, e "I Don't Know", que abre seu disco de estréia, "Blizzard of Ozz", voltaram a levantar os presentes no Parque Antarctica.

As últimas canções foram "No More Tears", "Here for You" (do último disco), "I Don't Want to Change the World", "Mama, I'm Coming Home" e "Paranoid" (do Black Sabbath), considerada por alguns como uma das primeiras canções heavy metal da história.

Concentrando o set list nos consistentes discos "Blizzard of Ozz" (1980) e "No More Tears" (1991), além das três canções do Sabbath e outras três do último disco, Ozzy soube segurar o público do início do show ao seu final, sempre incitando a platéia a gritar e cantar as músicas.

A passagem de Ozzy Osbourne por São Paulo se encerrou com uma promessa de retorno, não tão longo quanto os 13 anos entre o Monsters of Rock de 1995 e esta miniturnê, iniciada com um show no Rio de Janeiro e encerrada com a apresentação na capital paulista.

Mais importante do que a performance do vocalista foi a demonstração de energia aliada à sua imagem de mito do heavy metal, irreverente e carismático, que nunca se leva a sério.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sobre a Isabella

Nada.

Não está na hora de prestarmos atenção nas coisas realmente importantes, mas que não pareçam tão chocantes? Parar de achar que a investigação é um grande Big Brother, onde todo mundo precisa de saber de qualquer detalhe, por mais irrelevante que ele seja? O trabalho da polícia, que é a única que pode elucidar o caso de verdade (não, a imprensa não tem condições disso) não foi --e está sendo-- prejudicado com a divulgacão de depoimentos e laudos da investigação?

As evidências estão aí, que deixem a polícia e a Justiça cuidarem do resto. Não há nada que ninguém possa fazer. Ninguém é perito para falar com propriedade sobre provas, locais de crime, exames. Falando nisso, o que eu tenho ouvido de bobagem sobre essas coisas, de gente que não faz nem idéia do que está falando... Gente que acredita ser perito por ter assistido a alguns capítulos de "C.S.I". Às vezes, nem isso.

E os vagabundos que acham que fazem alguma coisa na frente de delegacias e prédios da família Nardoni deveriam ajudar quem realmente necessita. Condenar dois suspeitos ainda não julgados não é do direito de nenhum deles.

Mas o que importa mesmo é aparecer na TV, no JN, no Brasil Urgente. Sendo promotor, policial, vagabundo, "especialista" ou jornalista. Tem espaço para todos no circo do caso Isabella. Até para os suspeitos.

E, no fim, não era nada. Era isso.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

É sempre bom saber...

...que você não é o único baixinho no mundo e que passa por situações como essa.


Ainda bem que o Raikkonen nem é tão alto assim.

Posts semanais...

...parecem ser a solução para a falta de tempo.

domingo, 30 de março de 2008

Voltando!

Foram dois meses de posts escassos. Destes dois meses, 25 dias foram de trabalho ininterrupto, sete dias por semana. Sem tempo para postar, acabei deixando o blog meio de lado.

Agora ele volta. Com pelo menos três posts legais por semana, prometo.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Tudo parado

E vai continuar assim por pelo menos mais uma semana.

Falarei do histórico show do Maiden quando encontrar tempo hábil para escrever um texto bem legal.




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tempos de escassez...

...de posts. As coisas andam sobrecarregadas demais, ainda bem.

Mas estarei sempre por aqui, comentando as coisas. Só a freqüência será um pouco menor.