segunda-feira, 31 de março de 2008

Os 60 anos de Mel Galley

Reproduzo abaixo texto enviado ao Rock Tales, do amigo e ex-colega de Grande Prêmio Bruno Vicaria. De lá (fevereiro, quando escrevi o texto) para cá, pouca coisa mudou. Apenas que, aparentemente, ele conseguiu o que era mais importante nesse momento da sua vida. Chegou aos 60 anos.

Abaixo segue o texto sobre quem é Mel Galley e o que ele tem passado nos últimos meses.

O triste adeus de Mel Galley

Mel Galley é um guitarrista britânico, nascido em Canock, na Inglaterra, em 8 de março de 1948. Ou seja, está próximo de completar 60 anos. Ficou famoso por tocar algum tempo com o Whitesnake, mas se destacou mesmo em sua banda anterior, o power trio Trapeze, ao lado de Glenn Hughes (baixista, que foi do Trapeze para o Deep Purple) e Dave Holland (baterista, que foi do Trapeze para o Judas Priest).

Infelizmente, esse aniversário do guitarrista pode não acontecer. No começo deste mês, Galley revelou que está com câncer terminal e tem poucos meses de vida. Além disto, escreveu uma carta de despedida aos seus fãs. Reproduzo a nota abaixo, traduzida pela Rock Brigade.

"Os médicos já diagnosticaram minha condição como 'terminal', porém, em vez de ficar sentado me lamentando, quero usar da melhor maneira possível o tempo que me resta com minha família e meus amigos. Fui abençoado com uma esposa fantástica e dois filhos de quem me orgulho muito, por isso, no momento, meu grande objetivo é conseguir celebrar meu aniversário de 60 anos em março. Eu tive uma vida muito boa, viajei o mundo inteiro, tive experiências maravilhosas, encontrei todo tipo de gente e toquei com os melhores músicos. Quando comecei, nos anos 60, jamais imaginei que poderia chegar tão longe. Não esquecerei experiências como tocar para 100 mil pessoas em Dallas (Texas) no mesmo festival com Rolling Stones, The Eagles e Montrose, em 1975. Também foi inesquecível o Monsters Of Rock (Inglaterra) de 1983, quando eu estava no Whitesnake. São tantos tesouros em minha vida que seria impossível lembrar de todos."

"Depois que minha doença foi divulgada, recebi mensagens do mundo inteiro, inclusive de amigos com quem eu não falava há muitos anos. Eu honestamente não imaginava que tantas pessoas ainda se lembravam de meu trabalho e apenas sinto não poder tocar todos os shows que eu havia planejado para este ano", diz ele, para finalizar: "Agradeço a todos pelo apoio ao longo de tantos anos. Vocês são a música, eu apenas estava numa banda".

Essa frase final de Galley é uma referência a uma das músicas mais famosas do Trapeze, de nome "You Are the Music, We`re Just the Band", também o título do terceiro álbum do grupo.
Na verdade, o Trapeze começou com cinco integrantes. A viagem do primeiro disco (de 1970), ainda um pouco na veia pop/psicodélica dos anos 1960, pode não ter sido a melhor das estréias. Mas, quando a banda se estabeleceu apenas com Galley, Hughes (também vocalista, além de baixista) e Holland, as coisas começaram a funcionar.


Muito influenciado pelo funk, o trio gravou dois clássicos: Medusa (1970) e o já mencionado You Are the Music, We`re Just the Band. Basicamente, são dois discos pesadões de funk rock, com ótimas baladas e uma pegada soul no vocal de Hughes, o que ele também carregaria consigo para o Deep Purple (para desespero de Ritchie Blackmore).

Como registro, deixo as músicas "Your Love is Alright", "Touch my Life", "Seafull", "Black Cloud", "Way Back to the Bone", "Coast to Coast" e a própria "You Are the Music" para se conhecer um pouco mais sobre essa banda. Vale a pena ouvir. Para mim, o Trapeze lembra um pouco aqueles bons times de futebol do interior onde vários jogadores aparecem em um determinado campeonato e aí vem os times grandes e compram os caras. E cada um segue um caminho diferente.

Foi isso que aconteceu com a banda. Primeiro, Hughes zarpou para o Purple, no lugar de Roger Glover, que saiu junto com Ian Gillan. Gravou três discos com os caras, trouxe as influências funk para a banda, mas quando o Purple encerrou as atividades em 1976, por causa das fracas perfomances ao vivo na turnê do ótimo Come Taste the Band (1975), aliadas aos sérios problemas de Hughes e do guitarrista Tommy Bolin com as drogas. Bolin morreu de overdose de heroína em dezembro de 76, oito meses após o fim do Deep Purple, que só voltaria (com a formação clássica e sem Coverdale e Hughes) em 1984.

Nesse meio tempo, o Trapeze continuou batalhando, lançando mais alguns discos com uma nova formação. Depois de se reunir rapidamente com Hughes após o fim do Purple, a banda seguiu sem seu baixista original, gravou mais um álbum (Hold On, 1978) e encerrou as atividades no final da década de 1970, quando Holland seguiu para o Judas. Depois, Galley se juntou ao Whitesnake.

Enquanto Hughes batalhou contra as drogas e cantou com todo mundo, Holland se deu bem no Judas, apesar de sofrer algumas críticas devido ao jeito "durão" de tocar. Depois de sair do Priest para dar lugar ao "metal" Scott Travis, Holland se reuniu por algum tempo com Hughes e Galley, em 1991, e depois acabou ficando famoso por ter sido preso há uns três anos, acusado de abusar sexualmente de um aluno de bateria de 17 anos.

Quanto a Galley, que motivou esse post, ele entrou no Whitesnake por volta de 1982, no lugar do guitarrista Bernie Marsden, fazendo dupla com o outro guitarrisa, Mick Moody. Essa ainda era a fase mais blues do grupo de David Coverdale, mas que já caminhava em direção ao hard rock "poser". Galley gravou um pedaço de Saints and Sinners (1982) e outro pedaço de Slide It In (1984). Digo "pedaço" porque ambos os álbuns foram produzidos em um momento de mudança de formação do Whitesnake, não ficando muito claro o que foi gravado por quem. De qualquer maneira, Galley escreveu diversas músicas de Slide It In em parceria com Coverdale, como a clássica "Love Ain`t No Stranger".


A saída de Galley da banda foi, no mínimo, estranha. De acordo com a biografia do Whitesnake escrita por Vitão Bonesso, na seção "Background" da edição número 22 da revista Roadie Crew (julho/agosto 2000), Galley brincava com carrinhos de supermercado com John Sykes (que tinha entrado no Whitesnake na vaga de Mick Moody) em um dia de folga da banda, depois de tomarem umas e outras, no início de 1984. Sykes acabou passando com um carrinho por cima da mão esquerda de Galley, que teve todos os seus tendões rompidos. Ele acabou não retornando mais à banda, até porque já havia brigado com Coverdale por causa da versão norte-americana de Slide It In, onde muitos de seus trechos de guitarra desapareceram devido a problemas com produtores e remixagens. Acabou perdendo a histórica apresentação da banda no Rock in Rio, em janeiro de 1985.

De qualquer maneira, Galley tocou no festival Monsters of Rock de 1983, onde o Whitesnake foi o headliner. Foi o show mais famoso que o guitarrista fez enquanto esteve na banda, até citado pelo mesmo em sua carta de despedida. Carta essa que é emocionante, encorajadora e, ao mesmo tempo, triste. Mas como ele mesmo disse, o cara fez de tudo na vida. Depois de tanto Rock 'n' Roll, que Mel Galley descanse em muita paz.

Mosley, sadomasoquismo e a orgia nazista

Nunca pensei que escreveria um título tão inusitado quanto esse. Ainda mais se fizesse total sentido com o maior acontecimento deste início de semana da F-1.

Não tem nada a ver com as bobagens do Massa, do favoritismo de Raikkonen no Bahrein, de uma possível reação da McLaren em Sakhir. O que se fala, agora, é no tal vídeo de Max Mosley, presidente da FIA, que simplesmente manda e desmanda na F-1.

Esse filme, estrelado pelo chefão da categoria, foi publicado pelo gloriosíssimo tablóide britânico “News of the World”. Que pode até ser um ótimo nome para um bom disco do Queen (em 1977), mas é um lixo de jornal. Nem jornal é, na verdade. É um periódico de bobagens feito para se ganhar muito dinheiro com a curiosidade das pessoas. O fato é que o tablóide publicou ontem o tal vídeo, onde Mosley aparece em uma orgia com cinco prostitutas (“hookers”, como chamou o NOTW).

Até aí, nada demais. Não sou falso moralista para ficar comentando esse tipo de caso.

Mas o que pegou foi um “tempero” que Max Mosley colocou no vídeo, fazendo referências nazistas com as tais “primas”, que também não pareciam ser das mais "requintadas". Para topar essa bizarrice, não devem ser mesmo. Parece que existe uma certa fantasia perversa na cabeça do inglês, sendo tratado na película ora como um prisioneiro “torturado” ora como um “comandante nazista”.

Mas o pior de tudo é a história pessoal de Mosley. Seu pai, Oswald Mosley, foi um dos chefões do partido fascista britânico. Era brother de Hitler e Goebbels, pelo que consta. Teria até mesmo realizado seu casamento na casa do segundo, em cerimônia “secreta”, durante a década de 1930. Mosley sempre evitou os comentários sobre o posicionamento de seu pai. Mas agora, não há o que fazer. Tem que se desculpar até o chão, até porque associações de judeus na Inglaterra já protestaram contra o dirigente.

Mesmo assim, não deve escapar de uma renúncia. Como disse o Capelli em seu blog, ele só continua no cargo se provar que o vídeo é falso. Até porque já está há bastante tempo lá e tem um monte de gente querendo seu lugar.

Contraditorialmente, me parece que, por mais que muitos almejem a presidência da FIA, a falta de um substituto imediato impede a saída de Mosley no momento. Apesar disso, para mim ele não dura mais do que um mês, no máximo, no comando da categoria. Desgastou demais e queimou muito o filme. Se fosse no Brasil, quem sabe ele não ficasse? Tem tanto cara-de-pau por aqui.

Mas é claro que isso tudo é apenas suposição. Até mesmo palpite, diria. Ele pode estar, agora, escrevendo sua carta de renúncia, em plena madrugada britânica, para anunciar sua saída do cargo em primeiro de abril. O que seria uma piada pronta para os brasileiros, que parecem estar se divertindo bastante com o caso.

domingo, 30 de março de 2008

Um jogo estragado

Aqui estamos de novo para falar de um personagem chamado Sálvio Spinola. O juiz que está chamando mais atenção no Campeonato Paulista de 2008. Pelo lado ruim, claro.

Spinola conseguiu estragar a melhor apresentação que Corinthians e Santos faziam neste ano. Era um jogo de encher os olhos, guardando as devidas proporções, considerando o fraco elenco e a conservadora formação tática de ambas as equipes.

Que lutavam como nunca para vencer um jogo decisivo para os dois times no Estadual. Perdigão destoou de tudo isso em um lance bizarro, caindo sozinho com a bola e deixando nos pés santistas, que abriram o placar. Cada vez mais, Perdigão comprova minha tese de que deveria jogar no Rock e Gol, e não no futebol profissional.

Mas, de qualquer maneira, o Corinthians conseguiu reagir. Então veio o primeiro lance polêmico, o tal do gol corintiano anulado. Na hora, achei falta. Depois, fiquei na dúvida. Foi um lance difícil, mas interpretativo. Bola pra frente.

O problema veio a partir do segundo gol do Santos. O Corinthians vinha melhor, empatou o jogo e tinha tudo para virar. Então, Kléber Pereira simplesmente derrubou o Carlão, ficou com a bola e marcou o gol mais fácil da sua vida. Ele, que perde tantos gols fáceis.

Me lembrou as peladas que eu jogava, de zueira, nos tempos de faculdade. Depois que meu time estava perdendo, eu fazia uma falta ridícula em algum zagueiro (sem machucar), tirava ele da jogada e marcava meu gol. Que não valia, claro, era só graça. Minhas comemorações eram tão efusivas quanto a de Kléber Pereira, que parecia um moleque comemorando a molecagem que acabou de aprontar.

Isso desestabilizou o time do Corinthians, claro, desnorteado com o que aconteceu. E depois veio o segundo lance bizarro. Herrera fez falta em Betão, colocou os joelhos nas costas dele, que reagiu, virou para tirar satisfação. O argentino caiu como se tivesse levado um soco na cara. Ele, que agrediu de verdade, ficou impune. Betão, um símbolo do Corinthians e que hoje defende o Santos, foi expulso. Expulso por se indignar com tamanha covardia. Fiquei com pena do Betão. Por mais que tenha suas limitações, é um dos poucos jogadores de futebol de boa índole.

Isso deixou o jogo um lixo. Com um atleta a menos, é claro que o Leão teve de fechar o Santos para garantir o 2 a 1, colocando o time inteiro atrás. E o jogo virou isso: um Corinthians desesperado para empatar e um Santos desesperado segurando a vitória. Ambos injustiçados pela arbitragem. Um desequilibrado emocionalmente e o outro desequilibrado numericamente. Sem contar as faltas invertidas e lances duvidosos no final do jogo.



O Santos venceu a batalha, com a ajuda do Sálvio. Do mesmo jeito que o Corinthians já ganhou jogos, e até mesmo títulos, com uma mão da arbitragem. Ficou difícil para o time do Parque São Jorge no campeonato. Mas, se não se classificar, não poderá lembrar desse jogo. Afinal, um empate com o Juventus em casa é muito mais lamentável do que essa derrota para o Santos na Vila. Santos esse que também foi muito prejudicado pelos fraquíssimos árbitros do Estadual. Como todos os outros times.

Sálvio Spinola não pode ser culpado por uma eventual desclassificação do Corinthians. Mas de uma coisa ele deve ser culpado: de ser um dos árbitros que mais "compensa" seus erros.

Justiceiro às avessas

Quando vi a escalação desse juiz para o jogo, pensei "esse cara vai complicar a vida do Corinthians". Era óbvio. Ajudou o Corinthians contra o São Paulo, então, na dúvida, apitaria contra o Corinthians na Vila Belmiro.

Naquele clássico do Morumbi, ficaram marcados o pênalti não-assinalado no Dagoberto e o gol anulado do Adriano. Mas, antes disso, ele deixou de expulsar dois jogadores do São Paulo, prejudicando o Corinthians. No final das contas, compensou e garantiu o 0 a 0. Para ele, era melhor que no dia seguinte dissessem "pelo menos ele errou para os dois lados" do que "ele só errou contra o Corinthians/São Paulo".

O São Paulo fez um chororô danado, como só o Marco Aurélio Cunha sabe fazer, e ele foi proibido de apitar jogos do time. Ele deveria, na verdade, deixar a arbitragem. Porque não dá para suportar essas "compensações".

No clássico de quarta, ele fez de novo. "Melhor errar para os dois lados do que para um só." O melhor, na verdade, seria errar o menos possível. Se não expulsou os jogadores do São Paulo no jogo contra o Corinthians, paciência. Marcasse o pênalti no Dagoberto. Quanto ao gol do Adriano, foi um pouco polêmico, assim como o gol anulado do Corinthians. Então esquece.

Errou no gol do Kléber Pereira, fazer o quê? Expulsar o Betão não era a opção mais correta.

Não acredito em más intenções do Sálvio. Só acho ele um juiz fraco tecnicamente e emocionalmente. Não sabe controlar as situações de um jogo e comete erros crassos. Depois, compensa errando contra o time outrora beneficiado. É um justiceiro às avessas.

Não sabe apitar, enfim.


Fotos: Santos - Futebol Total; Sálvio - Globoesporte.com, de um jogo antigo do Flamengo.

Voltando!

Foram dois meses de posts escassos. Destes dois meses, 25 dias foram de trabalho ininterrupto, sete dias por semana. Sem tempo para postar, acabei deixando o blog meio de lado.

Agora ele volta. Com pelo menos três posts legais por semana, prometo.

terça-feira, 11 de março de 2008

Quebrando paradigmas

Achei o máximo o jogo que acabou de terminar.

Real Potosí e San Lorenzo jogavam pelo Grupo 1 da Libertadores (o mesmo do Cruzeiro) em Potosí, na Bolívia.

Era de se esperar que o time argentino tivesse problemas por causa dos 4 mil metros de altitude de que todos reclamam. E teve mesmo, já que saiu perdendo por 2 a 0 no primeiro tempo.

No começo do segundo tempo, um cara do Potosí, de nome Galindo, deu um pontapé em um jogador do San Lorenzo e foi expulso. Com o time ganhando por 2 a 0, ele conseguiu ser expulso em um lance na lateral do campo, porque deu uma bicuda no adversário.

Com 26 minutos da etapa final, e um jogador a mais, o San Lorenzo diminuiu. Sete minutos depois, empatou. Faltando dois, virou, de pênalti.

Daí, o juiz deu cinco minutos de acréscimo, mas terminou o jogo com 48. Uma bizarrice.

E a altitude nessa história, depois de uma reação dessas?

Que se pesem, claro, o talento nulo do Potosí e a cagada homérica de seu jogador expulso, que deve estar pensando no quanto ele prejudicou seu clube por causa do golpe de karatê.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Tudo parado

E vai continuar assim por pelo menos mais uma semana.

Falarei do histórico show do Maiden quando encontrar tempo hábil para escrever um texto bem legal.




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tuvucanadá: Van Halen

Um grande valeu ao amigaço Eric Hodama, que conheci no Canadá e me forneceu as fotos (ele ficou em um lugar bem melhor do que o meu no show).

Irreverência, guitarras e Rock 'n' Roll

Por Marcelo Tuvuca Freire


Meu primeiro post no Rock Tales, grande idéia do amigo Bruno Vicaria, é sobre uma das minhas maiores e melhores experiências com o Rock 'n' Roll.

Em agosto do ano passado, o Van Halen anunciou que se reuniria com David Lee Roth, seu vocalista original. Seu último show com a banda havia sido na turnê do disco "1984", o clássico que continha Jump, Panama, Hot For Teacher, I'll Wait e outras grandes músicas.

Eu já planejava ir para Toronto em setembro, e quando descobri sobre o show tentei comprar o ingresso pela internet. Tinha conseguido isso com o Rush, que eu também presenciei em terras canadenses, mas não foi possível com o VH. No meu segundo dia em Toronto, fui à bilheteria do Air Canada Centre e consegui comprar. Era um péssimo lugar, ruim de assistir, mas pra ver Eddie e Diamond Dave juntos valia muito a pena.

Fui ao ACC para assistir ao show, bem diferente de como seria aqui. Lá, o público se empaturra de pipocas, hot-dogs e refrigerantes. Não existe confusão em relação a ingressos: você senta onde está marcado. Mas, diferentemente do que aconteceu no show do Rush que eu assisti (no mesmo Air Canada Centre), no VH a galera agitou bastante e cantou as músicas.

Nada comparado com o que aconteceria aqui, obviamente. Aliás, eles deveriam voltar para os brasileiros conferirem a nova formação (Eddie, Alex, David e Wolfgang Van Halen, filho de Eddie). Para quem não se lembra, o Van Halen tocou aqui em 1983, no ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do disco "Diver Down".

Abaixo, está o review que eu escrevi para a revista Rock Brigade, publicado no mês de dezembro. Nele, estão todos os detalhes do show, inclusive set-list. Essa pequena apresentação foi apenas para ambientar o que foi vivenciado no ACC. O que o show me provou foi a necessidade de David Lee Roth voltar à banda.

Para mim, não interessa que o cara é um grande mala, nem que ele e Eddie não se suportam. Também não sei quanto tempo essa reunião vai durar. O que importa é que David claramente inspira Eddie a tirar o melhor de sua performance - e esse é um dos mais criativos guitarristas da história do Rock.

Outro ponto alto foi o set, baseado apenas nas músicas de David com a banda (1978-84). Eu adoro Sammy Hagar (que ficou no VH entre 1985 e 1996, voltando para uma turnê em 2004), mas acho que o fato de o "Red Rocker" não cantar muitas músicas da época de Roth fez com que Eddie sentisse muita falta de tocar esse material. Afinal, foram essas canções que fizeram a banda estourar no mundo inteiro. Dava pra ver o tesão na cara do guitarrista, empolgadaço, dedilhando a maravilhosa Ì'm the One, do primeiro disco.

O show foi realmente inesquecível, um dos melhores que eu já assisti. A banda esteve (quase) perfeita, e o set foi inacreditável. Mas isso eu deixo para vocês lerem no review.

Um abraço a todos.

Van Halen – Air Canada Centre, Toronto 7/10/2007

Review por Marcelo Freire

Quando os irmãos Van Halen anunciaram uma reunião com David Lee Roth, em agosto deste ano, a primeira pergunta que todos fizeram foi: será que desta vez rola mesmo?

Desde que Sammy Hagar saiu da banda, em 1996, uma possível turnê com seu vocalista original sempre é cogitada. Nesse meio tempo, Gary Cherone, ex-Extreme, entrou e foi demitido do grupo, que depois saiu em turnê com o próprio Hagar durante alguns meses, em 2004, até as brigas entre os integrantes cancelarem os planos da banda. Dessa maneira, a volta (até o momento provisória) de David Lee ao Van Halen não é exatamente uma surpresa.

A surpresa maior ficou por conta do desprezo dos irmãos por Michael Anthony, baixista da banda desde 1974. Em seu lugar, o guitarrista e o baterista trouxeram ninguém menos que o filho de Eddie, Wolfgang Van Halen, de apenas 16 anos. É nesse contexto que o Van Halen sobe ao palco do lotado Air Canada Centre, em Toronto, para dar início ao quarto show desta turnê.


Eddie entra sorridente, pulando e desferindo o riff de You Really Got Me, para delírio do público canadense. David aparece agitando uma bandeira vermelha, no fundo do palco. A performance da banda é empolgante, assim como o abraço entre David Lee e Eddie ao final da canção.

O set-list, logicamente, inclui apenas músicas da fase inicial do grupo norte-americano, até 1984. O show prossegue com I'm the One e Runnin' With the Devil, e Roth prova que ainda está em ótima forma. Mas o destaque mesmo é Eddie Van Halen. Ele pode ser controverso, mas quando está no palco se transforma em um deus da guitarra. Mais importante, parece tocar como se fosse seu último show, no alto de seus 52 anos. O guitarrista transmite para a platéia toda essa energia, distribuindo sorrisos, como se estivesse fora dos palcos há duas décadas.
A banda continua despejando seus hits com Romeo Delight (música de abertura da única turnê da banda por terras brasileiras, em 1983), a energética Somebody Get me a Doctor (um dos melhores riffs já compostos por Eddie), Beautiful Girls e a 'alegre' Dance the Night Away, muito bem-recebida pela platéia.


Nesse momento, já era possível notar que a química entre Eddie e David está sempre acesa, mesmo que os dois estejam bem longe de ser grandes amigos. Roth completa como ninguém a performance agitada e cheia de energia de Eddie. Apesar disso, o vocalista demonstra uma certa comodidade no palco, se poupando em algumas músicas. Sua performance, na verdade, se assemelha muito àquela do festival Live' n' Louder de 2006, em São Paulo. Mesmo assim, David Lee Roth sabe hipnotizar a platéia e deixá-la em suas mãos durante todo o tempo.

Após a banda tocar Atomic Punk, pérola do primeiro disco, o vocalista mostra suas habilidades sonoras ao imitar o som de uma moto com a sua boca, 'duelando' com Eddie Van Halen em Everybody Wants Some. O grupo segue o set-list –muito bem escolhido e estruturado, por sinal– com So This is Love?, Mean Streets e (Oh) Pretty Woman, levantando o público com um cover que todos conhecem. Ao final da música, é a vez de Alex Van Halen demonstrar suas habilidades, executando um solo de bateria simples e não muito longo, mas de ótimo gosto.


Unchained é a próxima, e David, como de costume, mais grita do que canta tal música, deixando grande parte das letras para pai e filho Van Halen, que fazem os backing vocals. E eles não decepcionam, demonstrando afinação e fidelidade às versões de estúdio. Se compararmos a performance do Van Halen do início da década de 1980 com a desta turnê, nota-se que os backing vocals melhoraram consideravelmente.

A balada I'll Wait tranquiliza um pouco o ambiente antes de And the Cradle Will Rock, talvez a música mais bem executada do show, pesada e muito fiel à versão original. É a vez de Hot for Teacher levantar o público, seguida por Little Dreamer, Little Guitars, Jamie's Crying e Ice Cream Man.

Com o show chegando à sua parte final, é preciso analisar a performance do 'moleque' Wolfgang Van Halen. Primeiro, é claro que Michael Anthony faz muita falta para o grupo. O baixista, sempre em segundo plano, ajudou a criar a imagem e o estilo do Van Halen durante os 30 anos de existência da banda. Com apenas 16 anos, esse é um fardo que Wolfgang precisa superar. Ele ainda é inseguro e tímido no palco, sem saber direito onde ficar. Mas não cometeu erros e sempre olhava o pai como exemplo, literalmente, indo atrás de Eddie durante a apresentação.

O guitarrista busca dar moral para o filho, 'duelando' e fazendo brincadeiras com Wolfgang. De qualquer maneira, é muito estranho ver um show do Van Halen sem Michael Anthony no palco. Depois de Ice Cream Man, a banda inicia um de seus maiores clássicos, Panama, que deixa todos em pé antes do solo de Eddie. O guitarrista se joga no chão (sem a agilidade de outros tempos, obviamente), executa trechos de músicas instrumentais (sendo Eruption a mais fácil de se reconhecer) e lança um sonoro "we're a fuckin' band now!" antes de Ain't Talkin' 'Bout Love, outro clássico que faz todos no Air Canada Centre cantarem.

Após o vigésimo abraço entre David e Eddie, a banda se despede antes de voltar para o bis. Logo depois, ouve-se a introdução 1984, que esquenta o ambiente para Jump, maior hit da banda em sua história. Confetes caem sob o público e David Lee Roth 'chama' a platéia para cantar com um gigante microfone inflável. O vocalista ainda demonstra suas habilidades no kung-fu, fazendo malabarismos com um bastão durante o solo de teclado de Jump.

Ao final da apresentação, enquanto todos saíam do Air Canada Centre com um sorriso 'colado' no rosto, vêm as perguntas. Até quando essa reunião vai durar? Será que os irmãos Van Halen, famosos pelo temperamento complicado, aguentarão o imprevísivel e inconseqüente David Lee Roth por muito tempo? Existem planos para um novo disco de estúdio? Teria Michael Anthony espaço nessa nova encarnação da banda?

Nada disso pode ser respondido ainda. Mas uma coisa é certa: a equação Eddie Van Halen + David Lee Roth é igual a Van Halen. Roth tem o espírito boêmio, irreverente e festeiro do grupo, e Eddie reconhece isso. Resta saber por quanto tempo a lua-de-mel vai durar.

Não aguento mais

Não é nada muito sério. Apenas que eu não aguento mais a propaganda da Claro que tem a música "A Kind of Magic", do Queen.

Eu gosto da música, não é uma das melhores da banda, na minha opinião, mas é agradável. Só que não aguento mais. Passa esse comercial o dia inteiro, em todos os canais. Será que a propaganda é sempre positiva? Será que esse tipo de superexposição não prejudica?

Me lembro de que aquele comercial do Mercado Livre, que tinha aquela musiquinha com o violãozinho, teve efeito parecido em minha pessoa. Me dava náuseas, de tão irritante. E a música não era tão ruim assim, o que matava era a repetição.

Lembro também do incessante reclame do Fiat Idea. "Un belo dia, un belo dia, un belo dia, un belo dia... aaahh ah". Ugh.

Em tempos multímidia, algumas empresas deveriam analisar um pouco melhor o que o marketing excessivo pode gerar.

Ainda mais quando a propaganda é tão bem-feita, como no caso da Claro. Lembro quando cheguei do Canadá e logo a assisti na TV. Fazia uma alusão a filmes do passado, que tentavam adivinhar quais seriam as inovações tecnológicas do futuro. E terminava com uma frase que dizia algo do tipo: "uma homenagem àqueles que sonharam, e a Claro ajuda a tornar esse sonho realidade". Algo assim. Ao fundo, a bela "A Kind of Magic", casando perfeitamente com o vídeo publicitário.

Falei para um amigo meu: "nossa, que propaganda genial!". Ele disse: "é, mas já encheu o saco!".

Isso foi em novembro. Já estamos quase em março, e com essa repetição incessante, só posso concordar com a afirmação.

E coitada da canção do Queen, vítima nessa história toda.

O doping é a palavra da vez

Logicamente que eu estou muito atrasado sobre o assunto, mas não foi possível postar nestes últimos dias, que foram uma correria danada. E o que eu vou dizer também não é novo, todas as feras por aí já disseram.

Mais chocante do que a denúncia de Renato Russo à repórter Erika Akai, de que alguns pilotos se drogam antes de algumas corridas da Stock, em brilhante matéria do Estadão (a pauta foi perfeita), foi a postura de Paulo Scaglione, presidente da CBA, de que não lê a revista Playboy.

Explico: Cacá Bueno deu uma entrevista à Playboy no ano passado falando (de acordo com reprodução do Grande Prêmio) "se houvesse exame antidoping na Stock Car, muito piloto deixaria de correr". É uma acusação tão séria quanto a de Russo. O Cacá até dá uma amenizada depois, dizendo que nunca viu nada e nem tem como provar. Mas deixa claro sua desconfiança.

Perguntado sobre o assunto pelo Lance!, Scaglione respondeu que não lê a Playboy. Caro mandatário, ninguém está interessado em seus interesses literários, e sim na coerência de suas decisões. Russo foi levado ao STJD por suas declarações, Bueno não. Gosto, às vezes, da sinceridade do Cacá. Mas porque ele pode falar e o Renato não? Só para lembrar que o Russo tem 40 anos e corre há uma eternidade no automobilismo nacional.

Tem que levar ambos a sério e investigar. É assim que se resolve as coisas. Não mandando calar a boca. Aliás, nesse país, ultimamente, estão mandando todo mundo calar a boca sobre tudo. Tudo é tendencioso. Ou você é petista ou anti-Lula. "Crente" ou anti-evangélico.

Parece que não existe mais isenção em nada. É um complexo de inferioridade do brasileiro, de que nada presta no país.

Algumas coisas prestam. E outras precisam ser analisadas. Igual ao médico da CBF que foi demitido por levantar a hipótese de que o Ronaldo poderia ter sido tratado com anabolizantes por médicos holandeses. Afinal, opinião de cano é ralo. Mesmo de um profissional supostamente muito bem conceituado, já que foi contratado pela CBF. Quando ele falou o que achava, seu conceito caiu "repentinamente".

Voltando ao assunto, o lance do doping precisava ser investigado, mas provavelmente não será. Espero que pelo menos o exame antidoping na Stock saia do papel. Em nome da segurança. Segurança essa que, por inúmeros fatores, não conseguiu evitar esse acidente.


Para que as mortes possam ser evitadas em um esporte tão perigoso como automobilismo, é melhor que tentemos evoluir em todas as questões relacionadas à segurança, não apenas aquelas que nos interessam.

Tempos de escassez...

...de posts. As coisas andam sobrecarregadas demais, ainda bem.

Mas estarei sempre por aqui, comentando as coisas. Só a freqüência será um pouco menor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Os 25 anos de Thriller

Segue notícia da Folha Online, com Associated Press, sobre o lançamento da nova versão do clássico "Thriller", que hoje festeja 25 anos.


"Thriller" completa 25 anos com lançamento de nova versão

da Folha Online


da Associated Press, em Nova York



O álbum "Thriller", do cantor Michael Jackson, 49, completa 25 anos de lançamento nos Estados Unidos nesta terça-feira. Como "presente", uma nova versão, chamada "Thriller 25", está disponível a partir de hoje no mercado americano.

Duplo, o trabalho é composto por um CD com as músicas originais remasterizadas e novas colaborações, como de Akon, Will.i.am, Fergie e Kanye West, além da balada "For All Time", que foi suprimida do primeiro ""Thriller".

O segundo disco é um DVD com versões digitais de clipes como "Beat It", "Billie Jean" e "Thriller", além da performance de Jackson na Motown 25.

Ontem, Jackson lançou um vídeo agradecendo aos fãs o sucesso do álbum "aniversariante". "É difícil acreditar que há 25 anos Quincy Jones e eu embarcamos em um álbum chamado 'Thriller'", afirma no material divulgado pela Sony-BMG.

"Ser capaz de dizer que 'Thriller' ainda mantém o recorde de o álbum mais vendido de todos os tempos é maravilhoso. Eu tenho de agradecer a vocês, meus fãs, pelo mundo por esta conquista", afirmou Jackson, que vendeu mais de 750 milhões de cópias pelo mundo todo.

Não foi divulgado quando Jackson gravou o vídeo ou onde ocorreu a filmagem.


Se não for muito caro, comprarei. Já quase comprei o "Thriller" diversas vezes, mas sempre deixei de lado por algum motivo.

Acho que esse disco revolucionou a música pop. Aliás, ele é dos tempos em que a música pop produzia artistas de qualidade como Michael Jackson e Madonna, entre outros. Hoje em dia, é de se lamentar o que se escuta nas rádios.

Jackson foi o maior cantor pop de todos os tempos, na minha opinião (apesar de eu questionar essa informação de "750 milhões de cópias vendidas" --esse tipo de cifra é sempre inchada). O cara cantava bem, fazia música boas (com a providencial ajuda de Quincy Jones), dançava bem e era um grande performer. Montava um show como ninguém. Pena que eu era muito moleque para ir no show dele em São Paulo, em 1993. Nunca mais verei.

Para mim, ele enlouqueceu com a fama. Virou megalomaníaco. Tentou fazer "músicas de mudar o mundo" como We Are the World e Heal the World, mas acabou tendo a reputação manchada com as várias acusações que sofreu relacionadas a pedofilia, que colocaram uma interrogação sobre a verdadeira face de Michael Jackson.

Nada disso importa quando analisamos "Thriller". Foi seu auge como artista, em uma época na qual ainda era negro. Beat It, Billie Jean, a faixa-título e outras pérolas estão lá.

Jackson também praticamente criou a indústria do videoclipe e impulsionou a MTV com o lançamento do clipe de Thriller. Para mim, aquela dança com os monstros foi imortalizada como um dos mais legais espetáculos audiovisuais que a música produziu. Esqueça boys bands, Britney Spears e tudo que foi copiado de Jackson. Aquilo foi original de verdade. O resto é resto.

Espero que MJ volte à sanidade um dia e produza grandes discos, mesmo com sua cara bizarra de hoje em dia. Infelizmente, não acho que isso irá acontecer. É realmente uma pena.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Leslie, 82


Hoje é aniversário de Leslie Nielsen. Sim, o senhor de cabelos brancos com cara de sério e que fez um punhado de filmes besteirol.

Nascido em 11 de fevereiro de 1926 em Regina, no estado de Saskatchewan, esse canadense participou em diversos filmes "sérios" até deslanchar como humorista no clássico "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!" (Airplane!, 1980), onde eternizou o Dr. Rumack, que buscava resolver os problemas da aeronave com aparência serena, mas das formas mais malucas possíveis.

Recentemente, ganhei o DVD original deste filme, em inglês, e já assisti a ele duas vezes. Foi dirigido pelo trio Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker. A atuação de Nielsen, aliada ao desempenho genial de outros atores veteranos, como Lloyd Bridges, Peter Graves e Robet Stack, se tornou uma das películas mais cultuadas da década de 1980.


Até o jogador de basquete Kareem-Abdul Jabbar aparece como co-piloto do avião (ele ainda jogava nos L.A. Lakers na época, uma das piadas com seu personagem no filme, Roger Murdock). "Airplane!" foi um pioneiro do estilo besteirol e contém diversas piadas politicamente incorretas, digna de orgulhar Borat, em uma época na qual os EUA eram comandados pelo democrata Jimmy Carter.



Depois disso, Leslie tentou o sucesso com a série "Police Squad", que acabou durando pouco, em parceria com os criadores Jim Abrahams e os irmãos Zucker. No entanto, o longa-metragem baseado em "Police Squad" consagrou o ator canadense como um dos maiores comediantes do cinema nos anos 1980. O nome do filme? "Corra que a Polícia Vem Aí" (The Naked Gun, 1988), lançado seis anos depois do fim da série.

A comédia tinha ainda um ótimo elenco de coadjuvantes (como OJ Simpson, antes de seus problemas conjugais e judiciais, e Priscilla Presley, viúva do Elvis) e uma atuação inspiradíssima de Leslie como o tenente Frank Drebin. Duas seqüencias, também engraçadas, foram lançadas em 1991 e 1994. Apenas a última, 33 e 1/3, foi dirigida por Peter Segal e não David Zucker. De qualquer maneira, o trio Abrahms/Zucker/Zucker participou escrevendo o roteiro da trilogia.

Depois, Leslie filmou "Drácula, Morto mas Feliz" com Mel Brooks, "Repossuída", "Duro de Espiar" e "Mr. Magoo", entre muitos outros. Ainda voltaria à parceria com David Zucker nos capítulos 3 e 4 da série "Todo Mundo em Pânico".

O sucesso deu uma minguada, mas esse respeitável senhor de 82 anos continua a fazer comédias. Sempre quer fazer os outros sorrirem. Mesmo em roteiros pobres, ele consegue isso, com sua cara de sonso e sempre desconfiando das pessoas. Até o dublador dele aqui no Brasil é engraçadíssimo.

Parabéns, Mr. Nielsen.

Um pouquinho de F-1

Para iniciar mais uma semana de atividade deste Blog do Tuvuca, comentarei um pouco sobre F-1, que deveria estar mais presente neste espaço, mas não havia muito o que falar até então.

Para começar, testes de início do ano.

A Ferrari e a Toyota treinaram na última semana em Bahrein. Os japoneses figuraram, enquanto Massa só superou Raikkonen hoje. O finlandês foi o mais rápido nos outros cinco dias. Na quarta passada, Kimi teve seu melhor desempenho: 1min30s455, tempo que ninguém superou no circuito de Sakhir.

Apesar dos testes não dizerem muita coisa, apontam que Massa foi constantemente mais lento do que Kimi em Sakhir. O título mundial no ano passado, mais do que surpreendente (e contra um carro melhor), parece ter motivado muito o finlandês. Felipe não será carta fora do baralho, mas seu início de temporada vai ser importantíssimo para ele demonstrar que pode andar no ritmo de seu companheiro. Não conseguiu na segunda metade da temporada 2007, quando Kimi se adaptou e deslanchou no campeonato.

Mas a briga entre os dois promete ser boa. São mais experientes do que a dupla Hamilton e Kovalainen, da McLaren, e isso pode ser fundamental. Lewis é rápido, como já provou. Agora precisa mostrar que consegue liderar a equipe sem Fernando Alonso, e terá que lidar com a pressão de obter grandes resultados, coisa que não acontecia no ano passado. Kovalainen precisará de um tempo para se adaptar, e continua uma incógnita, mesmo tendo demonstrado ser bom piloto após um início desastroso em 2007. Heikki pode vir a ser um campeão ou um eterno segundo piloto (como foi David Coulthard, por exemplo). O tempo irá dizer.

E Alonso... Fernandito, a criança preciosa... Tem que juntar os cacos na Renault para ver onde pode chegar. Imagino ele mais ou menos como Schumacher na Ferrari em 1996. Naquele ano, o alemão estreou em uma equipe italiana que buscava se reerguer após tantos insucessos (as 16 temporadas anteriores, para ser exato). No começo do ano, o carro não tinha nem o bico "tubarão", criado pelo John Barnard na Benetton e copiado por todo mundo nos anos subseqüentes. O primeiro carro "tubarão" da Ferrari veio ainda em 1996, mas parecia mais um caixote. Mesmo assim, Schumacher brilhava quando conseguia (como no GP da Espanha, onde chouveu horrores). Acho que Alonso vai brilhar quando o carro ou as condições metereológicas permitirem.

Por último, deixo Nelsinho. Espero que a imprensa brasileira tenha calma com ele. Não deve conseguir grandes corridas neste começo do ano. Nem superar Fernando Alonso. Ele não é Lewis Hamilton, e a Renault também não é a McLaren. Briatore vai fazer de tudo para dar o melhor ao espanhol. Piquet tem que lidar bem com isso, aprender com o bicampeão e comer pelas beiradas. Acredito que ele tenha essa consciência. Falta a nossa mídia esquecer o "estigma Rubens Barrichello" (onde um segundo piloto não tem mérito nenhum) e atuar com isenção com Nelsinho.

E o resto é resto. Torço pela Williams, que melhorou muito no ano passado após a desastrosa temporada de 2006 e fez grandes testes na pré-temporada (diferentemente do futebol, a F-1 realmente tem uma pré-temporada). Nico Rosberg, filho do Keke, vem se destacando cada vez mais, agora falta saber o que o novato Kazuki Nakajima, filho do Satoru, conseguirá. Espero que muito.

Já a BMW precisa dar uma alavancada em 2008, lutar por vitórias e chegar mais perto de Ferrari e McLaren. Mas acho que os caras vão acabar ficando atrás do Alonso e a dupla Nick Heidfeld (o imprevisível)/Robert Kubica (a promessa) deve brigar mesmo com os moleques da Williams.

Aliás, o troféu de "ultrapassados" do ano vai para a Red Bull, que manteve os enferrujados Mark Webber e David Coulthard enquanto que sua "filial" Toro Rosso trouxe Sebastian Vettel (que já tinha substituído o horrendo Scott Speed no ano passado) e o francês Sébastien Bourdais (tetracampeão da Champ Car em cinco temporadas que disputou). Esses caras vão fazer a velharada Coulthar/Webber comer poeira.

E o troféu de "ninguém sentirá sua falta" vai para Ralf Schumacher, o irmão que não deu certo.

Legal será no fim do ano, quando provavelmente 90% dessas previsões se mostrarão erradas. Afinal, este é o papel do jornalista esportivo: fazer previsões utilizando a lógica. Ao esporte, cabe mostrar que lógica só serve para vender jornais (ou blogs).

Racismo

A F-1 também teve de enfrentar seu primeiro caso de racismo, quando alguns torcedores espanhóis se pintaram de preto, colocaram umas perucas rídiculas e uma camiseta escrito "Hamilton's Family", no circuito de Montmeló, durante os treinos da F-1 em Barcelona.

Não se pode deixar esse tipo de gente adentrar autódromos. Deixaram, que não deixem mais.

E, se acontecer de novo na Espanha (onde é mais propício acontecer, não porque o país é mais racista do que os outros --coisa que a imprensa inglesa chegou a divulgar--, mas porque é lá que estão os fãs de Fernando Alonso, que odeiam Hamilton), que cancelem os GPs de Barcelona e Valência.

Aliás, os fãs espanhóis odeiam Hamilton ("carinho" retribuído pela torcida inglesa com relação a Fernando) também porque as mídias espanhola e britânica esqueceram, em 2007, de que eles devem noticiar a F-1, e não defender seus compatriotas para ver quem está mais errado.

No Canadá, conheci um espanhol, o Sergio, que tinha certeza que Fernando Alonso teria sido campeão se a McLaren tivesse permitido. O inglês John, que conheci em Montréal, disse que Lewis só havia perdido o título porque a Ferrari havia ganhado com "combustível ilegal". Esqueceram de falar que uma cagada semelhante da Elf em 1995 quase tirou a vitória de Schumacher (de Benetton) e o segundo lugar de Hill (na Williams) no GP do Brasil, mas o caso foi analisado e prevaleceu a razão (de que nenhuma das equipes tinha culpa da besteira da Elf).

É muita cara-de-pau. Não de Sergio e John, mas da imprensa de seus países, que colocou esse monte de minhoca distorcida na cabeça dos outros.

E cara-de-pau maior é a imprensa britânica (mais precisamente o The Independent) dizer que o país está décadas à frente da Espanha nas questões raciais. O Daily Telegraph seguiu linha semelhante, insinuando que as autoridades espanholas não educam seus torcedores porque consideram esse tipo de manifestação racista "aceitável".

Se for assim, o que foi o caso Jean Charles de Menezes? Um lapso? Os brasileiros que vivem lá, por exemplo, não são olhados, muitas vezes, como inferiores? É o que eu escuto, às vezes, de quem vive por lá.

Acontece em todo mundo, tablóides britânicos. Vocês não são melhores (e nem piores) do que a Espanha neste aspecto.

Que voltem a noticiar neste ano. Assim espero.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Saudoso Peverett, Grande Foghat

Fui apresentado ao Foghat em 1998, mais ou menos, por um amigo mais velho que conhecia várias bandas americanas de hard rock dos anos 1970 e me mostrou essa. Primeira música que eu ouvi? O hit "Slow Ride", claro.

Dedico esse post, na verdade, ao vocalista e guitarrista do Foghat, "Lonesome" Dave Peverett, que morreu há exatamente oito anos, vítima de câncer, com 57 anos. Algum tempo antes, ele tinha remontado a banda com sua formação clássica e, mesmo doente, continuou a tocar pelos palcos da América do Norte até quando a doença permitiu. Aparentemente, seu último show com a banda foi em 16 de outubro de 1999, em Las Vegas, quatro meses antes de morrer. Já estava bem magro e com aparência de doente, mas não abandonou o rock 'n' roll.

Apesar do som norte-americano, o Foghat é, na verdade, britânico. Surgiu das raízes de uma banda inglesa chamada Savoy Brown, que mesclava blues e rock 'n' roll, da qual saíram Peverett, o baixista Tony Stevens e o baterista Roger Earl, fundadores do Foghat. Chamaram mais um guitarrista (que mandava muito bem na slide guitar), Rod Price, e se mandaram para os EUA.

O cover de "I Just Want to Make Love to You" foi o primeiro hit dos caras, fazendo parte do disco de estréia, auto-intitulado, de 1972. Os próximos discos, Foghat (Rock and Roll) (1973), Energized (1974) e Rock and Roll Outlaws (1974) pavimentaram o sucesso para vôos maiores em 1975, com o classicaço Fool for the City.

Desse disco, veio o maior hit do Foghat, "Slow Ride", e mais outras grandes músicas, como a faixa-título e o cover de "My Babe". Nessa época, Tony Stevens já havia deixado o grupo e o produtor Nick Jameson tocou baixo em Fool for the City; no disco seguinte, Night Shift (1976), a vaga já estava preenchida por Craig McGregor, que ficaria por um tempão na banda.

O segundo disco clássico da banda foi Foghat Live (1977), um daqueles ao vivo cheios de energia, pesados e inspirados que a década de 1970 produziu (Kiss Alive!, de 1975, é um destes exemplos). Com apenas seis músicas, o disco reforçou o Foghat como uma das maiores bandas norte-americanas na época (mesmo sendo britânica). Ao que parece, também ficaram conhecidos no Brasil; hoje em dia, no entanto, são poucas pessoas que conhecem os caras. Com a dedicação da Kiss FM em São Paulo, já ouvi Foghat mais de uma vez na rádio. E Slow Ride vem recebendo o reconhecimento que merece. Nos EUA, por exemplo, ela já tocou até em um episódio de Seinfeld! E está na trilha sonora de diversos filmes, como o grande Jovens, Loucos e Rebeldes, feito no início dos anos 1990 sobre os jovens da década de 1970. Um dia posto sobre esse filme, um dos meus favoritos.

Mas enfim, depois disso o grupo ainda lançou alguns discos bons (como Stone Blue, de 1978), passou pelas fatídicas mudanças de formação e caiu na mesmice dos anos 1980, quando todas essas grandes bandas de hard rock se perderam. Ficou meio oito ou oitenta: ou você seguia o caminho pesado do heavy metal (iniciado por Judas Priest, UFO e Scorpions) ou seguia o caminho "seguro" dos anos 1980, eletronizando e colocando teclados em tudo (o UFO, já citado como um dos pioneiros do heavy metal, foi nessa direção e acabou quebrando a cara).

O Foghat resolveu seguir como uma banda de blues rock, menos pesada e um pouco mais pop. Com o tempo, desapareceu, voltando na década de 1990 com sua formação original. E o homenageado "Lonesome" era uma das melhores coisas da banda com seu vocal alto e afinadíssimo, cujo timbre assemelhava-se ao de Mark Farner, do Grand Funk Railroad (aquele que canta "Feelin' Alright" e "The Loco-Motion", e não "We`re an American Band", vocalizada pelo baterista Don Brewer).

Eles também mostraram nos EUA que a música pesada era um ótimo caminho para as bandas iniciantes. Ao lado do Aerosmith, que também estava em seu início, pavimentaram o caminho para o Van Halen, por exemplo.

Aliás, esse hard blues rock pesadão nunca mais foi o mesmo quando chegou o ano de 1980. Alguns caras, como o Lenny Kravitz, tentaram resgatar isso, até com qualidade e sucesso. Mas a originalidade, criatividade e talento da turma de "Lonesome" Dave Peverett ainda merece destaque e reconhecimento maiores.

Eu já era um grande fã da banda quando Peverett morreu, em 2000. Já tinha até cd dos caras. Fiquei realmente triste, foi um dos primeiros caras do rock 'n' roll que morreram e me deixaram chateado. Naquela época, ouvia muito as bandas setentistas, até mais do que agora.

Mas o engraçado é que, por algum motivo, estou voltando a ouvir.

Como nos velhos tempos

Assistir ao jogo Juventus versus Portuguesa na Rua Javari é realmente um negócio diferente. Sempre quis ir lá na Mooca ver um jogo, mas enrolava e acabava não indo. Desta vez, não poderia ter escolhido melhor ocasião para visitar a arena juventina.

Lógico que "arena" é uma maneira carinhosa de chamar o acanhado estádio da zona leste de São Paulo. Aliás, hoje tudo quanto é estádio é considerado "arena". Até Barueri tem uma.

Mas enfim, decidi em cima da hora, chamei um amigo e fui pra lá, às 16h de uma quarta-feira, dia 30 de janeiro. Queria entrar na torcida da Lusa, mas estava lotada; acabei ficando no lado do Juventus mesmo. Entramos com mais de 30 minutos do primeiro tempo, com o placar de 2 a 0 para o time da casa.

"Perdemos o melhor", pensamos. Que nada. A Lusa fez um gol com o Christian (aquele mesmo, ex-Inter, Corinthians, Grêmio, Palmeiras...) e a etapa inicial acabou 2 X 1. No segundo tempo, Allan Delon fez mais um para Juventus e Christian descontou de novo para a Lusa. Final: 3 X2.


O jogo não foi lá essas coisas, mas a experiência acabou sendo muito legal. Vale realmente a pena ir para a Rua Javari ver uma partida de futebol. Parece que estamos nos anos 1950: estádios pequenos, mas lotados (com 3 mil pessoas), torcidas pacíficas assistindo ao jogo, cada uma na sua, e uma proximidade do campo inimaginável nos dias de hoje.

Legal que dava pra ver até a gota de suor na cara do incansável Vampeta, hoje no Juventus. Do lado da Lusa, Zé Maria e Christian traziam ares de nostalgia.

Aliás, fiquei impressionado com o estádio lotado, sem brincadeira. Do lado da Portuguesa, a Leões da Fabulosa até invadia o espaço juventino. A torcida do Juventus é a mais engraçada, formada por mooquenses orgulhosos (e sobretudo jovens). A maioria torce para outro time da capital, mas vai lá gritar pelo time do bairro.

E é isso que o Juventus é: um time do bairro. São poucos esses clubes hoje em dia. O clube Juventus é muito tradicional na Mooca, que também é um dos bairros mais tradicionais de SP. O grito "Mooca é Mooca, o resto é bosta", na verdade, demonstra um apego do paulistano mooquense com sua comunidade local, que tem corinthianos, palmeirenses, são-paulinos e santistas gritando pelo seu bairro.

É diferente. E no Brasil de hoje, onde ninguém se identifica com nada, onde as pessoas vivem cada vez mais isoladas, é um oásis de fraternidade e calor humano.

Parabéns pela molecada que fez a festa para o time grená, e parabéns à torcida da Lusa por apoiar sua equipe de forma tão contundente durante toda a partida.

Ah, e à noite assisti pela TV o jogo do meu time, o Corinthians, contra o Sertãozim, em Ribeirão Preto. Quando o juiz apitou o fim daquele 0 a 0 sofrível, tive a certeza de que fiz a escolha certa ao me aventurar na Mooca em uma quarta-feira à tarde.

Crédito das fotos: dos jogadores do Juventus, é do Futebol Interior. Do ingresso, é minha mesmo. Depois vou pegar umas fotos do celular do meu amigo, tiradas por ele, e posto aqui.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O novo set-list do Iron Maiden

Bom, ainda estamos na Quarta-feira de Cinzas, o Corinthians acabou de empatar em 1 a 1 com o Barueri, o Palmeiras tomou uma piaba do Guaratinguetá (3 a 0), e eu volto a escrever após alguns dias.

Prometi que falaria sobre o jogo Lusa X Juventus e cumprirei a promessa, mas ainda não nesse post.

Primeiro, vou falar sobre o set-list do Iron Maiden no primeiro show da turnê 'Somewhere Back in Time World Tour', que aportará no Brasil em março. A apresentação rolou em Mumbai, na Índia.

Segue ele:

Intro - Churchill's Speech
1. Aces High
2. 2 Minutes to Midnight
3. Revelations
4. The Trooper
5. Wasted Years
6. The Number of the Beast
7. Run to the Hills
8. Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Heaven Can Wait
11. Can I Play with Madness
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden
Bis
14. Moonchild
15. The Clairvoyant *
16. Hallowed be thy Name

*- Vi uma foto do set-list e estava escrito "Clairvoyant (or Evil...)". Suponho que eles alternarão Clairvoyant e The Evil that Men Do durante as apresentações, o que eu acho ótimo.

Vamos à análise dos fatos.

A turnê 'Somewhere Back in Time World Tour' seria uma espécie de homenagem aos discos Powerslave (1984), Somewhere in Time (1986) e Seventh Son of a Seventh Son (1988). Desses discos, serão tocadas:

Powerslave - Aces High, 2 Minutes to Midnight, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner.

Somewhere in Time - Wasted Years e Heaven Can Wait.

Seventh Son - Moonchild, The Clairvoyant (ou The Evil that Men Do) e Can I Play With Madness.

Fora dessa época, temos Iron Maiden (do Iron Maiden - 1980); The Number of the Beast, Run to the Hills e Hallowed be thy Name (do The Number of the Beast - 1982); The Trooper e Revelations (do Piece of Mind - 1983) e Fear of the Dark (do disco homônimo, de 1992).

São 9 da época "prometida" (1984-88), com a adição de sete clássicos (acho que Revelations é a única não tão clássica; apesar da música ser maravilhosa, acho que poderia ser preterida em lugar de mais uma do Somewhere in Time, que só vai ter duas músicas no set).

Na minha opinião, o set é muito coerente com a proposta da banda. Na verdade, o show será, aparentemente, fulminante. A única música que eu acrescentaria seria Caught Somewhere in Time, mas porque eu adoro essa faixa, que não é tocada em shows desde 1986.

Como já contei no blog, perdi o show do Rock in Rio em 2001, mas vi o Maiden no Pacaembu em 2004, cujo set me decepcionou. Agora, não posso reclamar: é praticamente um set-list dos sonhos.

Surpresas: a primeira é a maravilhosa Moonchild, que abre o Seventh Son. Depois, e principalmente, The Rime of the Ancient Mariner. Ousada, a banda, em tocar uma faixa de 13 minutos que para mim sempre foi uma das melhores da carreira dos caras em virtude de sua variação rítmica e dos diferentes "climas" que ela apresenta. É uma das melhores composições da história de Steve Harris e é também, para mim, muito superior às outras músicas longas do Iron.

Um último comentário: legal a idéia de variar Clairvoyant e The Evil durante os shows, como já comentei acima. Eu torço por The Evil, que ficou de fora em 2004 (mas rolou no Rock in Rio, o que me deixou frustrado). Mas Clairvoyant é bem legal também. Talvez pudessem tomar essa atitude de várias músicas com outras faixas, coisa que o Maiden não costuma fazer.

Mas talvez seria demais. Já estou mais do que contente com o que vai vir.

ET: A Kiss FM está divulgando na rádio uma promoção para cantar com o Iron Maiden no palco em São Paulo. Assim, volta a tradição da banda em permitir que os fãs subam e cantem o ÔOOO de Heaven Can Wait com Dickinson, Gers, Harris, Murray, Smith e McBrain. Isso também rolou no show de 1998, quando a finada 89 FM fez a promoção, e um cara que eu conhecia ganhou e cantou lá no palco com os caras.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ainda sobre o clássico e arbitragem...

O São Paulo, aparentemente, está acima do bem e do mal e dos erros da arbitragem. Os caras conseguiram barrar o Sálvio Spinola dos futuros jogos do time, notícia velha, da segunda-feira. Mas só hoje achei tempo para postar.

Se é certo ou errado, sinceramente não sei. Só sei que abre um precedente perigosíssimo. A partir de agora, ao menos no Campeonato Paulista, qualquer time que se sentir prejudicado por um juiz pode conseguir que o cara não apite mais seus jogos durante um certo tempo. Vai faltar juiz.

Mas é lógico que só deram essa canja porque era o São Paulo. Creio que também dariam se fosse o Corinthians, Palmeiras, Santos. Eu queria ver mesmo se fosse o Rio Claro, ou o Rio Preto, ou o Rio Grande da Serra.

Arbitragem, aliás, anda bastante na mídia. Ontem, o juiz Otávio Correa da Silva mandou voltar um pênalti no jogo Santos x Barueri em uma situação, no mínimo, polêmica.

O jogo estava 1 a 0 para o Barueri quando Rodrigo Tabata sofreu pênalti. Quando ele corria para chutar, quase chegando na bola, o árbitro anulou o lance. Lógico que o jogador acabou chutando pro gol, já estava no movimento. E o goleiro pulou, mas não conseguiu pegar. Foi gol, mas não valeu.

Não valeu porque o árbitro notou (aparentemente com a ajuda do bandeira) que o goleiro do Barueri, Renê, estava atrás da linha do gol no momento da batida, o que a regra não permite, pois ele está fora do campo. Mas a mesma regra diz que o infrator, nesse caso o goleiro, nunca pode ser beneficiado. Teoricamente, o gol deveria ser validado, de acordo com essa interpretação. O árbitro não poderia ter apitado antes do lance ser concluído, neste caso com o gol.

Mas o goleiro acabou sendo beneficiado, já que Tabata teve que bater de novo e errou. Fez certo o juiz? Sei lá, essa regra me parece cada dia mais maluca. Qual deve prevalecer? Aquela que diz que o infrator não pode ser beneficiado ou aquela que diz que o pênalti não deve ser batido com o goleiro fora do campo? Nada é claro, como já disse no post do clássico de domingo.

O futebol é bem legal, mas certas regras acabam irritando, tirando a graça em certos momentos e fazendo a gente perder nosso tempo, falando sobre elas.

Ah, e o Santos perdeu de novo. O time está lamentável mesmo. Desse jeito, não passa nem da primeira fase da Libertadores. Espero que o Leão acerte a mão com o pouco que tem.

Adriano

Parabéns pelo gol de cabeça contra o Rio Claro. Ainda bem que esse deixaram valer.

Clássico paulistano

Legal mesmo foi conferir Juventus 3 x 2 Portuguesa na Rua Javari, nesta quarta. Quando tiver mais tempo, contarei a história deste clássico genuinamente paulistano, de lotar estádio (mesmo que seja com 3.200 pessoas apenas).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Soltem suas feras


Foi muito bom trabalhar no clássico ontem, porque tive que fazer matéria do jogo e prestar atenção a cada detalhe de São Paulo 0 X 0 Corinthians.

Achei um jogo muito interessante e legal de assistir. Muita gente não poupou críticas à qualidade técnica dos times, erros de passe... mas eu, particularmente, vi uma partida muito disputada, com um Corinthians forte na marcação e jogando com autoridade. Fiquei muito feliz em ver esse time jogar assim. Pena que Finazzi e o Lulinha (que precisa voltar a treinar entre a molecada, porque tá muito verde ainda) não sabem fazer gol. E o Acosta também não fez nada. Mas tô gostando muito da zaga, do sistema de marcação e do Dentinho, além de um técnico que realmente se preocupa em montar um time.

Já o São Paulo vem jogando muito mal (em relação ao time do ano passado, não em relação ao Corinthians), mas acho que dando tempo ao tempo o time vai se acertar. O Muricy é muito bom nisso, e daqui a pouco encontrará a melhor formação. Quatro jogos ruins pelo Paulistão é pouca coisa. Falta saber se o time vai ter fôlego para chegar à final da Libertadores. Aliás, é engraçado: desde 2004, a expectativa é essa. Em 2004 e 2007 ficou no mata-mata; ganhou a final em 2005 e perdeu em 2006. O time não sabe o que é Copa do Brasil há um tempão. Isso, para os padrões brasileiros, é realmente impressionante.

Sobre os erros do juiz: quanta choradeira! Mas eu também vi pênalti no Dagoberto e o gol do Adriano. Do pênalti, acho que o Dagoberto cavou, colocando a perna na frente, mas o Chicão é estabanado e caiu na dele, chutando a perna. Foi um pênalti sem querer, que também é pênalti. E também acho que foi mais absurdo ainda dar falta do Dagoberto no Chicão. Va lá achar que não foi pênalti (o Arnaldo Ribeiro, por exemplo, também achou que não foi), mas ver falta do Dagoberto já beira o bizarro.

E o gol... ah, o gol! Como eu lembro triste daquele gol que o juiz anulou do Tevez com o Palmeiras em 2006, depois da bandeirinha dizer pra ele que o outro bandeira, que tava uns 200 metros longe do lance, viu falta do argentino no ilustre zagueiro quem do Palmeiras. Foi um golaço anulado de forma patética e indesculpável com os corinthianos, justamente em um Dérbi que terminou empatado.

O gol do Adriano pode não ter sido tão bonito quanto aquele, mas para mim foi um golaço também. Ele subiu uns 3 metros pra cabecear a bola, foi impressionante! Mesmo que o William subisse nas costas do Chicão ele não chegaria onde o Adriano chegou. O cara tem uma impulsão incrível.

O Sálvio Spinola viu falta, assim como vários outros personagens ligados ao futebol. Eu não vi falta nenhuma, mas até entendo que ele tenha achado que aquele braço que subiu encostado no ombro do William tenha feito carga no zagueiro, mas não acho que fez. Na verdade, só entendo a posição do árbitro porque não foi ele quem fez essa regra bizarra que só aplicam no Brasil. Tem contato no futebol, e a tal da International Board deveria esclarecer o que pode e o que não pode fazer. Do jeito que está agora, aqui no Brasil, tudo vira falta (menos o pênalti no Dagoberto, né juizão?).

Outra regra imbecil que deveria ser abolida é aquela que o goleiro se adianta no pênalti e o juiz manda voltar. É ridícula também e ela só deve ter sido traduzida para o português do Brasil, já que ninguém aplica esse negócio no resto do mundo.

O Sálvio influenciou sim no resultado e prejudicou o São Paulo nestes dois lances capitais. Mas o pior mesmo foi a festa de cartões não-distribuídos para gente entrando com trava de chuteira e outras coisas. Foi vergonhosa a arbitragem.

Como disse, achei o jogo bom. Bom para o Corinthians, principalmente, e bom de assistir. Péssima arbitragem.

E péssimo também foi a choradeira em demasia do Tricolor. O Muricy e os jogadores reclamarem do jeito que reclamaram, eu entendo, acontece mesmo. Os caras viram que foram prejudicados e saíram putos com isso. Só acho que o Ricky (ou Richarlyson, se preferir) deveria parar de chamar os outros de cara-de-pau e jogar um pouco de bola, o que ele não fez ontem, e parar de bater também. O cara é bom, foi massacrado no ano passado por causa de sua vida pessoal, passou por um entrevero lamentável com um juiz (de Direito, esse) digno do judiciário brasileiro (isso não é um elogio) e deu a volta por cima. Agora etá na seleção, que pense mais e bata menos.

E o Marco Aurélio Cunha me irrita profundamente com aquela empáfia e o jeito pomposo de falar as coisas. É ridícula a postura dele, me lembra o Citadini dos velhos tempos. A diferença é que o Citadini era falastrão com um jeito meio povão, sotaque e tal, e o Marco Aurélio é um falastrão pomposo. Estão no mesmo nível. Só querem ficar chamando a atenção. E ele assumiu uma postura de "somos o São Paulo estruturado, não somos amadores, os juízes têm que estar à nossa altura", etc... Nem comparo a estrutura do São Paulo com a dos outros times brasileiros que é covardia. Mas o clube do Morumbi não está acima do bem e do mal. Nem dos erros de arbitragem, que é horrenda aqui e no resto do mundo.

Crédito da foto: José Patrício (AgEstado)

sábado, 26 de janeiro de 2008

Vale a pena assistir


Amanhã, às 6h30 do nosso horário (de Brasília), a zebra Novak Djokovic (esq) vai enfrentar a mais zebra ainda Jo-Wilfried Tsonga (dir) na final do Aberto de Austrália de tênis.

Nunca fui muito fã do esporte, mas cheguei a jogar quando era moleque, por algum tempo, e de uns tempos para cá venho assistido mais freqüentemente. Por motivos diferentes, assisti às duas semifinais do Aberto da Austrália, e ambas foram históricas. Como eu quase nunca vejo jogos de tênis, acho que dei sorte.

O francês Tsonga tem 22 anos, é o 38o. colocado no ranking da ATP e simplesmente trucidou Rafael Nadal na semifinal. O espanhol, segundo colocado na ATP, parecia não ter armas para bater o Muhammad Ali do tênis. Não tinha mesmo, e fez questão de reconhecer isso no final do jogo, que acabou 3 sets a 0, parciais de 6/3, 6/3 e 6/2. Eu gosto muito do estilo do espanhol, sangue latino e tal, mas fiquei extasiado com o Tsonga. O cara tava um monstro na quadra, e não era nem cabeça -de-chave no torneio. Aliás, se for campeão daqui a pouco, será o primeiro campeão sem ser cabeça-de-chave desde Gustavo Kuerten no Roland Garros de 1997.

Já o sérvio Djokovic, de 20 anos, não é tão zebra assim, convenhamos. Ele só está atrás de Rafael Nadal e Roger Federer no ranking da ATP. Mas foi justamente sua vitória sobre o suíço Federer, número um do mundo, que foi uma zebra. Assim como Tsonga, bateu seu adversário por 3 sets a 0 (parciais de 7/5, 6/3 e 7/6 --fazendo 7/5 no tie-break do set) e assustou todo mundo pelo controle que teve do jogo. Não ganhou tão fácil quanto Tsonga, mas era Federer, que não era eliminado de um Grand Slam na semifinal desde que perdeu para Nadal no Roland Garros de... 2005! Ou seja, quase três anos jogando todas as finais dos quatro torneios mais importantes do tênis (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open), uma delas (a última, US Open de 2007) vencida contra o próprio Djokovic. Por essas e outras, o suíço não encarou tão bem sua derrota quanto Nadal, disse que foi prejudicado por uma virose e que não está "nem aí" para quem será campeão.

Isso sem contar que esta será a primeira final de um Grand Slam desde a edição de 2005 do próprio Aberto da Austrália que não terá nem Federer e nem Nadal na decisão. Na ocasião, o russo Marat Safin derrotou o 'anfitrião' Lleyton Hewitt na final.

Por isso, vale a pena assistir ao jogo que começa dentro de seis horas. O tênis não é conhecido por conter muitas surpresas, mas o Aberto da Austrália está repleto delas. E também de recordes quebrados. Djokovic e Tsonga são boas surpresas, que podem vir a ser grandes campeões de outros torneios.

Boa sorte aos dois.

Crédito das fotos (incluindo montagem): Agência France Presse

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Só passando para dar os parabéns...

...para a minha cidade, que completa 454 anos. Apesar dos problemas, ela é fascinante demais. Uma das maiores do mundo. A cidade dos contrastes.

Por mais que ela tenha seus mil problemas, respirando por aparelhos, meu amor por ela não diminui nunca. Como diria o Tom Zé em São São Paulo Meu Amor, "mesmo com todos os defeitos, te carrego no meu peito".



Valeu, São Paulo, por toda a cultura, experiência e alegria que você me deu durante esses 23 anos e meio.

Agora, vou ver se eu vou no show do Jorge Ben lá no Museu do Ipiranga. No ano passado, vi o Mutantes lá e virei fanzaço da banda.

PS: Foto batida por alguém desconhecido no topo de um prédio da Paulista, em meu aniversário de 21 anos.