domingo, 13 de julho de 2008
Parabéns
Este blog, a quase um mês sem postar nada, deseja um feliz aniversário ao Rock 'n' Roll.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Há 30 anos: Uma explosão Heavy Rock (2)
Isso aconteceu com o Judas Priest, a quem considero o primeiro grupo que buscou o heavy metal. O heavy metal que digo é aquele que conhecemos hoje, caracterizado pelo som pesado, rápido (às vezes nem tanto), "cavalgado" e geralmente acompanhado de um visual agressivo dos membros da banda - assunto que teve forte colaboração do Judas, que imortalizou o couro e o transformou em um item quase obrigatório no guarda-roupa metaleiro.
Na verdade, penso que o Black Sabbath é o maior pioneiro heavy metal, mas o próprio Ozzy discorda desse termo. Para ele, o Sabbath é uma banda de heavy rock. Mesmo criando a base sonora (e também visual) do estilo, o Sabbath mostrou sempre deixou claro suas origens e influências, que vinham até do blues. O Judas Priest, apesar de seu primeiro álbum, já "nasceu" heavy metal. O Sabbath mostrou o caminho que deveria ser seguido, e o Judas foi lá e seguiu.
Agora vamos para o álbum que, para mim, mudou a história da banda. E, para mim, é o melhor dentre os que eu classifiquei na "explosão heavy rock".
Judas Priest - Stained Class - 10/2/78
1. "Exciter" – 5:342. "White Heat, Red Hot" (Tipton) – 4:20
3. "Better By You, Better Than Me" (Gary Wright) – 3:24
4. "Stained Class" – 5:19
5. "Invader" (Halford, Tipton, Ian Hill) – 4:12
6. "Saints in Hell" (Halford, K.K. Downing, Tipton) – 5:30
7. "Savage" (Halford, Downing) – 3:27
8. "Beyond the Realms of Death" (Halford, Les Binks) – 6:53
9. "Heroes End" (Tipton) – 5:01
Produzido por Dennis Mackay
"Stained Class" foi o primeiro tiro certo do Judas no heavy metal. Após um primeiro disco confuso, sem direção e mal produzido ("Rocka Rolla", de 1974), os caras começaram a achar o caminho com "Sad Wings of Destiny" (1976), também porcamente produzido mas coeso e com os clássicos "Victim of Changes", "The Ripper", "Genocide" e "Tyrant". "Sin After Sin" (1977), com produção de Roger Glover (baixista do Deep Purple), trouxe mais peso em praticamente todas as faixas.
Mas a abertura de "Stained Class" já demonstra como o grupo acertou a mão neste álbum. "Exciter", com dois bumbos, velocidade, agudos de Rob Halford, letras agressivas, duelos e solos de guitarra e ótimas viradas de bateria, graças a Les Binks, que estreou no banquinho naquele disco e deu saudades quando saiu, em 1980, para dar lugar ao famigerado Dave Holland.
"White Heat, Red Hot" e o cover "Better By You, Better Than Me" são ótimas canções, com bons refrões, e que mantém a evolução do álbum. Já a faixa-título é outro grande destaque pela base "cavalgada", os vocais sobe-e-desce de Halford e novamente pelo trabalho das guitarras.
"Invader" e "Savage" são os tradicionais "fillers", para segurar a barra no disco. A faixa final "Heroes End" traz o Judas de volta ao início da carreira, mais hard rock e com um estilo levemente exótico, até na performance única de Halford.
O destaque final é "Beyond the Realms of Death", penúltima canção, que não é uma das minhas favoritas mas inegavelmente impera como um dos maiores clássicos do grupo. É o mais próximo que "Stained Class" chega de uma balada, algo até raro na carreira inteira do Judas, que sempre se meteu a compor canções lentas, cuja qualidade varia. É sem dúvida uma letra interessante, um pouco sabbathiana, cujo tema é suicídio.
O desempenho de Halford novamente chama a atenção pela emoção com a qual o vocalista carrega a música, interpretando o enredo da canção. A ponte entre o trecho lento e o rápido também convence, e quem dá show mesmo é Glenn Tipton. Na minha opinião, Tipton sempre teve mais apelo melódico (e talento) nos solos do que o parceiro KK Downing, mas isso fica escancarado no melhor momento de "Beyond the Realms of Death", que é justamente o solo emocionante de Tipton, um de seus preferidos. Muita gente diz que "Beyond the Realms of Death" é a "Stairway to Heaven" do Judas. Como as duas são clássicos de suas respectivas bandas, variam entre guitarras pesadas e acústicas e com excelentes solos, acho que essas pessoas têm razão. Aliás, "Stairway to Heaven" nunca foi uma de minhas favoritas do Led Zeppelin...
"Stained Class" mostrou ao mundo que o Judas Priest falava sério, apesar da postura exótica e agressiva do grupo. Soube incorporar um pouco do visual punk no heavy metal, fundamental para estabelecer o estilo "maltrapilho". Além das excelentes músicas, o disco mostrou uma consistência inédita para a banda, importantíssima para que o Judas Priest definisse sua identidade e, seguindo os passos do Black Sabbath, criasse os alicerces do heavy metal.
"Stained Class" também ficou à frente de discos semelhantes da época por conta de seu foco direcionado à elaboração das canções pesadas, e influenciou praticamente todas as bandas de heavy metal que apareceram nos anos seguintes. O fato de ter conseguido relativo sucesso também mostrou o estilo como viável e deu confiança à banda para continuar com sua identidade e investindo nas composições diferentes.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Amargo regresso

Por fim, os corintianos que foram a Recife sem ingresso não podem reclamar de muita coisa. Mesmo que o Sport garantisse os tais 10% da cota para o Corinthians, quem iria garantir que todo mundo conseguiria sua entrada?
É, são muitas coisas que precisam ser estudadas por aqueles que se dizem especialistas no assunto, mas que não tomam as atitudes devidas quando a bomba estoura.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Tuvucanadá: Montréal
Fiquei por seis dias em Montréal, que é um belíssimo lugar. Cosmopolita, mas que guarda o charme da velha cidade fundada pelos franceses no século XVI. Duzentos anos depois, foi tomada pelos britânicos, mantendo as raízes gaulesas, assim como Québec City. A veia separatista, no entanto, não me pareceu tão forte em Montréal como acontece na capital da província de Québec.
O post não será longo como os outros textos canadenses, apenas quero descrever minhas impressões sobre o circuito, que fica na Ile de Notre Dame, uma ilha artificial criada com pedras retiradas das escavações para a construção do metrô (o charmoso "Metró" de Montréal). Ela foi elaborada para a Expo 67, feira mundial de exposições realizada na cidade em 1967, um evento marcado pela consolidação da identidade dos "Quebécois" e que contou com a presença de diversos personagens importantes, como o presidente dos EUA na época, Lyndon Johnson, a rainha Elizabeth II, e Charles de Gaulle, presidente francês (autor da famosa frase "Vive le Québec libre" durante um discurso no evento, o que causou um incidente diplomático com o Canadá e incendiou os separatistas franco-canadenses).
O que tenho a dizer é que a pista, que se esfarelou e causou inúmeros problemas aos pilotos neste final de semana da F-1, é maravilhosa. E, como fica em um parque, é aberta a qualquer um que queira visitá-la. Não tive problemas para entrar e tirar as fotos, inclusive do famoso Muro dos Campeões, junto à reta dos boxes, no qual todo piloto de verdade (Michael Schumacher, Jacques Villeneuve, Damon Hill, Mika Hakkinen, Jenson Button, Juan Pablo Montoya, entre muitos outros) já bateu pelo menos uma vez na carreira. A marca do muro está lá, eterna.
Fico triste com a possibilidade de cancelamento do GP de Montréal, considerando todos os problemas do circuito. Além da pista esfarelada, as áreas de escape sempre foram pequenas (e sem muita possibilidade de expansão), mas acho que a organização do autódromo deve se preocupar mais com sua preservação, pois é um local histórico e maravilhoso. Merece a F-1, por tudo que representa.
No domingo, Robert Kubica levantou a taça de vencedor na F-1 pela primeira vez. Também foi a primeira vitória da história da Polônia, assim como Montréal inaugurou os triunfos do Canadá na categoria com a vitória de Gilles em 1978. A pista ainda celebrou as primeiras vitórias na F-1 de Lewis Hamilton, no ano passado, e de Thierry Boutsen, em 1989. Em 1995, Montréal foi palco do único triunfo de Jean Alesi na F-1, em uma corrida na qual Rubens Barrichello chegou, pela primeira vez na carreira, em segundo lugar. Em 1991, o circuito viu Nelson Piquet levar sua última das 23 vitórias na categoria em seu ano de despedida, pela Benetton, após Nigel Mansell (de Williams) perder a liderança na volta derradeira por causa de um(a) problema elétrico no carro/cagada sua (nunca foi totalmente esclarecido).
A F-1 não pode perder Montréal, e a recíproca é verdadeira. Depois de conhecer o autódromo, meu sonho agora é assistir ao GP do Canadá das arquibancadas do circuito Gilles Villeneuve.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Há 30 anos: uma explosão Heavy Rock (1)
Alguns conseguiram sobreviver por um certo tempo, como o Pink Floyd. Outros resolveram dar um tempo, como Deep Purple e Yes. Mas uma leva de bandas novas, dos dois lados do Atlântico mesclaram diferentes influências do som pesado e revolucionaram o heavy rock.
Esse termo, na verdade, é apenas uma convenção para definir os anos que antecederam à explosão heavy metal, essa sim mais característica.
Scorpions - Taken By Force - 4/12/77
2. "We'll Burn the Sky" (Schenker/Dannemann) – 6:26
3. "I've Got to Be Free" (Roth) – 4:00
4. "The Riot of Your Time" (Schenker/Meine) – 4:09
5. "The Sails of Charon" (Roth) – 5:16
6. "Your Light" (Roth) – 4:31
7. "He's a Woman – She's a Man" (Schenker/Meine/Rarebell) – 3:15
8. "Born to Touch Your Feelings" (Schenker/Meine) – 7:40
Dessa maneira, "Taken By Force" é a chance derradeira de ouvir os solos hendrixianos de Roth e sua pegada metal-cavalgante. O trabalho também é um sucessor natural dos clássicos "In Trance" (1975) e "Virgin Killer" (1976). Esses dois discos, respectivamente terceiro e quarto na história da banda, consolidaram o som característico do grupo nessa época. "Taken By Force", por sua vez, solidifica tais particularidades.
Chamo atenção para a capa, mais uma das polêmicas na carreira da banda. Foi censurada em alguns países por conter crianças apontando armas, "brincando" em um cemitério, sendo substituída por uma imagem da banda, sem graça por sinal. Outras capas censuradas da banda foram do "In Trance" (1975), "Virgin Killer" (1976 - essa é de extremo mal gosto, um dia posto sobre a história dela) e "Lovedrive".
Uma das faixas que se destaca como diferente é "Your Light" (também de Roth), muito agradável, que alterna momentos mais sutis, com guitarras "limpas", e trechos pesados, cheios de distorção. Meine também alterna seu estilo de cantar, variando a pegada vocal ao longo dos quatro minutos e meio de música.
Deixo por último "We'll Burn the Sky", segunda faixa do álbum. Para mim, esse é um ponto de virada na banda. Pela primeira vez em sua carreira, o Scorpions acerta a mão de verdade em uma música na qual caminha em diversos estilos. Ela começa balada, vira uma espécie de reggae acelerado, bem pontuado pela guitarra de Uli Jon Roth (e a bateria de Herman Rarebell), retorna aos arpeggios do início, chega aos solos e termina de forma explosiva. Principalmente na última estrofe da letra, romântica e psicodélica ao mesmo tempo.
I know we've never been apart
Os pontos altos de "Taken by Force" consolidaram o peso na carreira do Scorpions, apesar de o grupo resolver mudar o direcionamento a partir do álbum seguinte. A coesão dos integrantes dessa formação, pela última vez, ajudou a reforçar a identidade da primeira banda alemã que chegou ao status de sucesso na história do rock.
No próximo "Há 30 anos", mais uma pérola do heavy rock, ainda não escolhida.
As efemérides do rock
Bom, usarei de efemérides para criar uma seção que há muito tempo venho pensando. Para criar um padrão de análise de discos históricos do rock 'n roll, escolhi aqueles que estejam fazendo aniversário. Dessa maneira, aproveitarei-me de álbuns que celebrem 5, 10, 15, 30 anos, e por aí vai, para saciar essa vontade de escrever.
Deixo claro, desde o início, que a intenção não é de fazer resenhas sobre discos clássicos do rock. Abordarei cada álbum com critérios diferentes. A idéia é destacar a importância da obra para o estilo, ou para a banda, ou até mesmo colocar em evidência alguma peça não tão reconhecida.
Também apontarei discos onde o brilho é ausente, aqueles que decepcionaram ou mudaram o curso de bandas. Ou mesmo agrupar uma série de obras semelhantes, que ajudaram a moldar um estilo ou apontaram a decadência do mesmo.
Ou seja, a idéia é de não ter regras, apenas seguir os aniversários. Tentarei ser fiel aos meses em que os discos foram lançados, mas sem rigidez quanto a isso.
Assim, a maioria das obras será de 1968, 1873, 1978, 1983 e 1988, com exceções para antes e depois. A seção também não terá um nome fixo nem original, será do tipo "Há xx anos: Sgt. Peppers".
O abuso e a herança maldita

Começo o texto dessa forma para atestar o que aconteceu, no final das contas. Como a confusão começou? A partir do momento em que André Luiz foi abordado pela polícia de forma truculenta e, pior, inexplicável.
Como explicar que um jogador expulso, por mais descontrolado que tenha ficado, por pior que seja, por mais que quebre pernas de adversários, saia de um jogo preso? Porque mostrou o dedo para a torcida? O que a polícia tem a ver com isso? Ele será punido na esfera esportiva, de qualquer jeito. E merece tomar um gancho sim por todo seu destempero.
Mas, a partir do momento em que os xerifes agiram, aí não se pode ter sangue de barata. A tenente-celebridade falou um monte sobre o jogador do Botafogo, mas esqueceu de explicar o porquê de ela ter ido abordá-lo. André Luiz já se encaminhava aos vestiários, não precisava da polícia para isso.
E as cenas que se seguiram nos fizeram remeter a um momento bem particular da nossa história, do qual não convivi, mas ouvi e li relatos de parentes, famosos e anônimos. Sim, lembrei da ditadura, onde a definição "abuso de autoridade" não existia. Até porque o governo militar era a encarnação do maior dos abusos de autoridade.
Os policiais alegaram desacato. Que pena que André Luiz não pode simplesmente alegar desrespeito. Mas o show para a torcida, extremamente inflamada, já que o cara que os ofendeu estava ali sendo humilhado na frente de todos, valeu. A saída dele pelo acesso dos torcedores foi quase que um convite ao linchamento. Foi para assustar o jogador. Foi de assustar a todos que assistiam, temendo pelo atleta, pelos torcedores, pelo Bebeto de Freitas e até mesmo pelos policiais que faziam a "escolta".
Muito se falou sobre os culpados. Para mim, o André Luiz é um deles. O Náutico, apenas se for comprovado que o clube teve culpa na história do vestiário trancado. A Federação Pernambucana, pelo mesmo motivo. Aliás, o Náutico se julga inocente de tudo que aconteceu. Creio que seja mesmo, com relação a isso. O problema é quando seu presidente, Maurício Cardoso, saia dando entrevistas dizendo que a polícia fez o certo. Cardoso deu o aval. Mesmo que o Náutico não tenha nenhum poder na segurança pública de PE, esse atestado é temerário. Encoraja os xerifes a fazerem tudo de novo, com o aval do clube de seu estado.
E não há nada que justifique a atitude destes "homens da lei", que trataram um jogador mal-educado e estourado como um bandido perigoso, que acabou de cometer um crime hediondo. Não tem como explicar o fato de o vestiário ficar trancado. Ah, tinham 200 caras do Botafogo na porta? Que saíssem todos, então. Duvido que a intenção dos dirigentes da equipe do Rio seria de que o André Luiz não entrasse e ficasse exposto àquele risco e à violência.
Agora, teremos Sport e Corinthians fazendo o segundo jogo das finais da Copa do Brasil no Recife. Espero que a polícia pernambucana reflita e entenda sua real posição no jogo, que é apenas de oferecer segurança, e não criar tumultos ou showzinhos onde eles não existem. Sem pão e circo da próxima vez, por favor. Aqueles tempos já passaram e que fiquem bem para trás.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Tuvucanadá: Mont-Tremblant
Agora, relatarei um pouco sobre outras "descobertas" na terra franco-britânica, ou franco-inglesa, ou anglo-francesa, como preferir. Basicamente é uma província francesa chamada Québec, com uma forte veia separatista em relação às províncias britânicas. Os "québécois", naturais da província de Québec, já puderam decidir pela independência por duas vezes, em referendos realizados em 1980 e 1995. Mas, por uma apertada margem de votos, os quebequoenses decidiram contra a separação. Todas as outras nove províncias (e três territórios) canadenses, ressalte, são de origem britânica.
Pela forte influência da colonização francesa, Québec é o lugar mais inusitado e diferente que eu vi enquanto estive lá, nada a ver com a multicultural Toronto, que tem gente do mundo inteiro. Québec City, ou Ville du Québec, ex-capital canadense e atual capital da província, é a cidade mais charmosa que conheci. Apesar de toda essa contextualização, não falarei de Québec Cirty nesse post - deixemos para mais tarde.
Mont-Tremblant
Enquanto Montréal, principal pólo econômico da província de Québec, é uma mistura maluca entre inglês e francês, "québécois" e "canadians", Mont-Tremblant, a 130 km da cidade-sede da Olimpíada de 1976, é um município que sobrevive do inverno e das estações de esqui como atrações turísticas.
Conheci o vilarejo no final do outono, mas cheguei a pegar um dia de neve. Mais ou menos sete graus negativos. A cidade era uma graça, uma Campos do Jordão muito menor, com cerca de 8 mil habitantes. Final de outubro, Mont-Tremblant não tinha turistas e era de um marasmo previsível.
Mas o que eu queria ver mesmo (e fui para lá exclusivamente para isso) era o tal do Circuit Mont-Tremblant. Uma pista de corrida no meio da montanha? Como isso? Sediou corridas de F-1 (1968 e 1970)? Servia uma prova da finada Champ Car no ano passado?
Fui atrás. Saí de Montréal com um pessoal do albergue, pegamos o metrô até uma cidade vizinha chamada St. Jêrome (parada final de uma das linhas do metrô de Montréal) e de lá a solução era um ônibus até Mont-Tremblant. Tudo isso por CAD$ 10, em vez dos CAD$ 25 que custariam a passagem do ônibus de viagem, direto de Montréal. Demorou uma hora a mais, mas valeu a pena, até pela experiência.
Chegando lá, a primeira coisa (e praticamente a única) que eu queria fazer era conhecer aquele misterioso autódromo. Era pertinho do albergue, andei até lá e fui sacando a entrada do lugar, que mais parecia uma daquelas estradinhas de sítio no interior de São Paulo. Não dava para acreditar que, atrás de um grande lago (que congela no inverno, consta), existia uma pista de corridas.
E a primeira impressão fica mesmo pela entrada, de cascalho e terra. Se não fosse o típico cenário de inverno, parece que estamos rumo a um rodeio. Imagino um circuito como Interlagos ou Montréal com um acesso daqueles. Está certo que o nosso autódromo José Carlos Pace tem entradas problemáticas, mas são várias, pelo menos. Em Mont-Tremblant, só a tal estrada de terra.
Com a entrada fechada, é lógico que eu pulei para ingressar no circuito, já que eu tinha vindo de muito longe, sabia que qualquer um entenderia. Só estava com medo de huskies siberianos ou cachorros são-bernardo me atacarem pela invasão. Para minha sorte, não havia rigorosamente ninguém cuidando do circuito. Nenhuma alma penada.
Daí, fiz a festa, enquanto um amigo belga do albergue (não é trocadilho) me esperava lá fora. Pela primeira vez, tive contato com um cenário diferente do automobilismo. Feito em uma cidade minúscula e no meio da montanha, longe de tudo (a coisa mais perto é Montréal), você nota que a preocupação com o mundo "profissional" da F-1 e do automobilismo em geral é nula.
Um circuito pequeno, uma pista ajeitadinha. Apertada, porém. Ficava imaginando Jackie Stewart, Jochen Rindt, Graham Hill, Denny Hulme e John Surtees, entre outros, acelerando seus bólidos em uma época diferente da F-1. Uma época em que se corria onde era possível. Não pretendo ser saudosista a respeito desses tempos. Mas fica pela constatação do que se tornou um palco de corridas de Grande Prêmio há 40 anos.A torre de controle, o tal do hospitality center, é tudo no mesmo lugar, aparentemente. Pequeno, mas acho que conseguem fazer tudo caber lá. Afinal, quase nunca o autódromo, reformado rece
ntemente, sedia corridas. A ambulância também estava lá parada, sem ninguém para cuidar.
No meio do traçado, uma construção com os dizeres "Jim Russel Internacional Racing Drivers School". Fiquei pensando que, em uma cidade com 8 mil habitantes, localizada em uma região de população pequena, quantos gostariam de ter aulas com o ilustre Jim Russel. Creio que poucos. Não é à toa que a construção já estava completamente desgastada. Se fosse no Brasil, diriam que está criando dengue. Também me chamou a atenção o nome em inglês, raro em terras franco-canadenses.
O que deixo para o final, no entanto, é o maravilhoso cenário. Um circuito com uma montanha ao fundo, coberta pelo gelo. A pista com nada menos do que rochas em áreas de escape. Um traçado com freqüentes subidas e descidas em meio à montanha.
Me senti em um museu no Circuit Mont-Tremblant. Para alguns, podia ser triste e melancólico. Mas, para falar a verdade, fiquei honrado em conhecer um local que tem história no automobilismo, por mais distante que seja da realidade atual do esporte.
Afinal, por menor que seja a história de Mont-Tremblant na F-1 (e contando todas as suas limitações atuais), o circuito está lá de pé. Jacarepaguá, em uma cidade com 6 milhões de habitantes e com muito mais história na principal categoria do automobilismo, está destruído.
Isso sim é melancólico e triste.

PS: Estive no Rio de Janeiro em novembro de 2006, para cobrir uma etapa da Stock Car em Jacarepaguá pelo Grande Prêmio. O mato cobrindo boa parte do autódromo e o descuido para com o mesmo demonstrava o real "interesse" de a prefeitura preservar o templo. Que, naquela época, já estava destruído para a construção de sedes dos Jogos Pan-Americanos. Parece um fazendão, como mostram as fotos que eu tirei.

PS 2: Escalei uma montanha em Mont-Tremblant nesse mesmo dia (não aquela) e fiquei maravilhado com a beleza do local. Com certeza, esse visual ficará na minha memória em toda a minha vida. A minha foto de boina, que ilustra esse blog, é desse dia.
PS 3: Esse é o quão perto eu cheguei do gigante Mont-Tremblant, após a cansativa escalada.
Whitesnake em SP

MARCELO FREIRE
A história de David Coverdale, 56, no rock 'n' roll começou no Deep Purple, na década de 1970. O inglês entrou na famosa banda de hard rock britânico para substituir Ian Gillan, em 1
973, gravou três discos de estúdio, mas o grupo encerrou as atividades em 1976 --voltando oito anos depois, sem Coverdale. Levado ao sucesso com a banda, já consagrada, Coverdale gravou dois discos solos antes de montar o Whitesnake, em 1978. Com a sua própria banda, Coverdale pôde criar um som característico e centrado em sua voz. Após os primeiros álbuns, mais voltados ao blues rock, Coverdale abraçou o hard rock norte-americano e o Whitesnake estourou para o sucesso, principalmente com os discos "Slide it In" (1984) e "Whitesnake" (1987). Em 1985, a banda se apresentou no primeiro Rock in Rio, aumentando sua popularidade no Brasil.
Após dois grandes hiatos, entre 1990 e 1997 e depois entre 1998 e 2003, Coverdale resolveu remontar o seu grupo de hard rock com a dupla de guitarristas Reb Beach (ex-Dokken e Winger) e Doug Aldrich (ex-Dio) para buscar o som consagrado nos anos 80. O primeiro disco de estúdio com a nova formação foi "Good to be Bad", lançado neste ano.
N
este contexto, a banda voltou ao Brasil para algumas apresentações pelo país, e o show em São Paulo era um dos mais esperados. Em sua última turnê por aqui, em 2005, o grupo teve de tocar por pouco mais de uma hora no Anhembi, já que se apresentaria ao lado do grupo de heavy metal Judas Priest, liderado por Rob Halford. Em 2008, a chance era de trazer um set list mais longo e um show com músicas inéditas. Às 22h30, Coverdale aparece com uma camisa branca e sua vasta cabeleira loira, fazendo sua típica pergunta "vocês estão prontos?", deixando os fãs na expectativa para a música de abertura, "Best Years", do último disco. A nova canção agita o público, mas talvez uma música antiga levantasse os fãs de forma mais contundente no começo da apresentação.
Coverdale, o "Mr. Love", manda beijos, se agarra à caixa de som, roda o pedestal do microfone e bate no peito, mostrando que seu carisma não foi embora com o passar dos anos. "Fool for your Loving", música de 1980 e regravada pela própria banda em 1989, ch
ama mais a atenção do que a primeira, até por ser um dos clássicos da banda. Entre as novas "Can You Hear the Wind Blow" e "Lay Down Your Love", o sexteto manda uma de suas faixas mais conhecidas: "Love Ain't No Stranger", de 1984, cantada por todos. Antes dela, Coverdale realiza um belo gesto ao homenageá-la a "um grande amigo", Mel Galley, ex-guitarrista da banda e que sofre de um câncer terminal, revelado recentemente pelo próprio Galley. Em seguida, a balada e conhecidíssima "Is this Love" faz sucesso e é muito aplaudida, principalmente pelo público feminino.
te do palco, que melhora quando se procura o fundo da platéia.A pausa para Coverdale começa com o duelo dos guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, começando na "fritação", com solos rápidos e cheios de notas, e chegando ao blues cadenciado. "Crying in the Rain" é executada depois e inclui um solo de bateria, não muito longo, de Chris Frazier.
Enquanto o vocalista rasga mais a sua voz e agüenta bem os agudos das músicas mais antigas, os outros membros da banda colaboram com backing vocals afinados e potentes, fazendo a parte de Coverdale quando este resolve se poupar. É de praxe, também, o cantor deixar o público entonar os refrões mais conhecidos.
Uma das primeiras surpresas é a versão acústica da pop "The Deeper the Love", que se torna mais serena e menos grudenta do que a original, com Coverdale na voz e Aldrich no violão. Enquanto o show se encaminha ao final, o Whitesnake emenda os sucessos "Give me All your Love Tonight" e "Here I Go Again", antes de trazer de volta "Ain't no Love in the Heart
of the City", blues regravado pelo Whitesnake ainda no início da banda. Depois, a maior surpresa: Coverdale começa a cantar os primeiros versos de "Guilty of Love", grande sucesso da banda no Brasil (dos tempos de Rock in Rio) e que não estava programada no set list. Depois da introdução do vocalista, a banda resolve tocá-la praticamente inteira.
O cantor volta a se destacar em outra música pesada, "Still of the Night", não se esquivando dos agudos apesar de a sua voz ter mudado muito nos últimos 20 anos. Depois, Coverdale canta um trecho de "Soldier of Fortune", que abre espaço para "Burn", maior sucesso do Deep Purple com o atual vocalista do Whitesnake, que ainda emenda um trecho de "Stormbringer", fechando a apresentação da banda no Credicard Hall com uma "tríade" Deep Purple.
O final da apresentação mostra que o Whitesnake cumpriu o seu papel em um Credicard Hall lotado: trouxe de volta os anos 80, resvalando na nostalgia do Rock in Rio, mostrou seu trabalho novo e encarou os sucessos antigos com competência.
Ozzy Osbourne em SP
Sempre gostei muito da carreira solo do Ozzy, onde ele seguiu um caminho diferente do Black Sabbath e de muita personalidade. Para mim, "Blizzard of Ozz", o primeiro disco (1980), é um dos álbuns mais consistentes do rock 'n' roll e ajudou a reerguer a carreira do "Madman" após sua saída traumática do Sabbath. Contou com uma banda extremamente talentosa, que incluía Randy Rhoads (guitarra), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Don Airey (teclado, hoje no lugar de Jon Lord no Deep Purple).
Apesar de todas as limitações do vocalista, no alto de seus 59 anos, cerca de 38 mil pessoas foram reverenciar o "príncipe das trevas", que ajudou a criar imagens e símbolos da música pesada. Além de ser um dos pioneiros a executá-la, claro, ainda com o Black Sabbath.O ex-vocalista do Black Sabbath sabe que sua imagem está acima de tudo em sua biografia. Com todas as loucuras envolvendo sua vida pessoal, o cantor criou um mito em torno de si que supera até mesmo seus sucessos musicais. Consciente disso, Ozzy utiliza do carisma para ganhar o público mesmo antes de entrar no palco, com um vídeo no qual o cantor faz paródias de diversos filmes e seriados famosos, como "Borat", "Família Soprano" e "Lost".
Zakk Wylde, na banda há bastante tempo, também se destaca no show, assim como a "cozinha" formada pelo baterista Mike Bordin (ex-Faith No More), Rob "Blasko" Nicholson (baixo) e o tecladista Adam Wakeman, filho de Rick Wakeman (conhecido por seu trabalho nos teclados do Yes e com uma bem-sucedida carreira solo). 
A primeira balada do show é "Road to Nowhere", na qual Ozzy procura agradar o público se enrolando em uma bandeira brasileira. No grande sucesso "Crazy Train", o cantor deixa os fãs cantarem o refrão, talvez em busca de poupar um pouco a sua voz.
As últimas canções foram "No More Tears", "Here for You" (do último disco), "I Don't Want to Change the World", "Mama, I'm Coming Home" e "Paranoid" (do Black Sabbath), considerada por alguns como uma das primeiras canções heavy metal da história.
A passagem de Ozzy Osbourne por São Paulo se encerrou com uma promessa de retorno, não tão longo quanto os 13 anos entre o Monsters of Rock de 1995 e esta miniturnê, iniciada com um show no Rio de Janeiro e encerrada com a apresentação na capital paulista.quarta-feira, 7 de maio de 2008
Inacreditável
Hoje, o time podia perder por até dois gols. Fez de tudo para ser derrotado por 2 a 0. Acabou tomando mais um. 3 a 0 para o América, em pleno Maracanã. Foi a coisa mais bizarra que eu vi. Conseguiram perder a vaga. Impressionante.
Nem o meu Coringão, especialista em eliminações na Libertadores, chegou perto de um vexame desses.
E ficou a festa do título carioca, festa de despedida para o Joel Santana, festa pela vinda do Caio Júnior. De presente, essa sacolada chicana.
Não consigo pensar em outra coisa a não ser "salto alto". Os caras tinham certeza de que iriam classificar.
E o Caio Jr., que, dirigindo o Goiás, conseguiu perder para o Coringão por 4 a 0 depois de ter vencido em Goiânia por 3 a 1, não mudará de ares coisa nenhuma com essa ida pelo Flamengo.
Se ele achou que com o Goiás, onde também perdeu o estadual para o Itumbiara, era difícil, quero ver como ele vai lidar com o Flamengo. Tenho simpatia pelo Mengão, espero que dê certo. Quase digo que era o meu time na Libertadores.
Mas, depois dessa eliminação, já até me arrependo.
Notícias que não vimos nesse ano (Parte 2)
Título da Ponte reacende "trauma do interior" no Palmeiras
O título paulista da Ponte Preta conquistado neste domingo, após vencer o Palmeiras por x a x no Parque Antarctica, trouxe de volta ao clube alviverde o trauma de perder um torneio para uma equipe do interior do estado de São Paulo.
Em 1978, o Guarani, também de Campinas, despachou o Palmeiras nas duas finais do Campeonato Brasileiro, vencendo ambas por 1 a 0. Na primeira partida, no Morumbi o goleiro do time paulistano Emerson Leão foi expulso após agredir o atacante Careca, do Guarani. Além da exclusão do goleiro, hoje técnico do Santos, foi marcado pênalti para a equipe de Campinas, convertido por Zenon.
No segundo jogo, no estádio Brinco de Ouro, nova vitória do Guarani, dessa vez com gol de Careca, um dos destaques do time campineiro, rival histórico da Ponte Preta.O outro revés palmeirense para clubes do interior em finais foi em 1986, quando Kita e Tato ajudaram a Internacional de Limeira a superar o Palmeiras na decisão do Campeonato Paulista.
Apesar de os dois jogos serem realizados no estádio do Morumbi, em São Paulo, a Inter levou o campeonato com um empate e uma vitória nas decisões. Na primeira partida, os dois clubes empataram em 0 a 0. No jogo decisivo, a Inter venceu por 2 a 1, com gols de Kita e Tato. Amarildo descontou para o Palmeiras.
Foi o único título estadual da equipe de Limeira, então dirigida por Pepe, ex-jogador do Santos. O Palmeiras, por sua vez, tinha como treinador José Luiz Carbone, hoje coordenador técnico da Ponte Preta.
O comum entre as decisões de 1978 e 1986 é que ambas foram disputadas na época em que o Palmeiras ficou 17 anos sem conquistar um título, entre 1976 e 1993.O título estadual de 1976 do Palmeiras, inclusive, havia sido ganho contra outra equipe do interior: o XV de Piracicaba.
Notícias que não vimos nesse ano (Parte 1)
Mas sobre isso todos já leram.
Nos resta imaginar o que teria acontecido se o time de Campinas, após tanto tempo batendo na trave, conquistasse o título. Para amenizar isso, vou publicar no blog duas notas que já estavam prontas na FOL caso o time de Sérgio Guedes revertesse a situação e ganhasse o campeonato. Jornalista tem de estar sempre pronto para essas zebras.
Agora, podemos imaginar um pouco mais sobre essa situação fantasiosa. Vai em duas partes aqui no blog.
Ponte Preta repete Inter de Limeira e leva Paulista fora de casa
A surpreendente vitória da Ponte Preta sobre o Palmeiras neste domingo, pela decisão do Campeonato Paulista-2008, marcou também a segunda vez em que um time do interior veio a São Paulo para celebrar seu primeiro título do Estadual.
O feito do time do técnico Sérgio Guedes repete o da Internacional de Limeira, que bateu o mesmo Palmeiras em 1986, por 2 a 1, gols de Kita e Tato. Amarildo descontou para o Palmeiras. A diferença é que, ao contrário da Ponte, que venceu o Palmeiras no Parque Antarctica, a Inter superou o clube alviverde no estádio do Morumbi.
Foi o único título estadual da equipe de Limeira, então dirigida pelo ex-jogador do Santos Pepe. José Luiz Carbone, hoje coordernador técnico da Ponte Preta, era justamente o treinador do Palmeiras.
Do elenco atual da Ponte, apenas três jogadores (César, Deda e Bilica) já haviam conquistado um título de divisão de elite. César, que não jogou a final, é o único que já tinha ganhado um Paulista.
Memória
Além da Inter de Limeira e da Ponte Preta, nos anos 80 outros dois times venceram o Estadual na cidade do rival. Em 1984, com o Paulista disputado em pontos corridos, o Santos bateu o Corinthians no Morumbi. Em 1988, foi o Corinthians que ganhou a final contra o Guarani, em Campinas.
A equipe litorânea já obtivera o feito em 1973. Na final, vencia a Portuguesa nos pênaltis. Por um erro do árbitro Armando Marques, que encerrou as cobranças antes de o resultado estar definido, o título foi dividido entre os dois clubes.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Elas chegaram lá
Danica Patrick conseguiu sua primeira vitória na F-Indy neste final de semana, em Motegi, no Japão. Foi a primeira mulher a conquistar um triunfo em provas de monoposto em categorias "de elite" do automobilismo.
Espero que elas tragam algo de novo para a velocidade. Existem outros exemplos femininos no esporte, como a brasileira Bia Figueiredo. Elas precisam vingar no automobilismo. Até porque, homem sempre é machista no que diz respeito a carros.
Agora, os homens precisam rever alguns conceitos, porque elas chegaram para equilibrar o jogo, apesar de todas as dificuldades, preconceitos e uma certa desvantagem física.
Danica, que vinha conquistando resultados consistentes já há algum tempo, provou que tudo isso pode ser superado.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Sobre a Isabella
Não está na hora de prestarmos atenção nas coisas realmente importantes, mas que não pareçam tão chocantes? Parar de achar que a investigação é um grande Big Brother, onde todo mundo precisa de saber de qualquer detalhe, por mais irrelevante que ele seja? O trabalho da polícia, que é a única que pode elucidar o caso de verdade (não, a imprensa não tem condições disso) não foi --e está sendo-- prejudicado com a divulgacão de depoimentos e laudos da investigação?
As evidências estão aí, que deixem a polícia e a Justiça cuidarem do resto. Não há nada que ninguém possa fazer. Ninguém é perito para falar com propriedade sobre provas, locais de crime, exames. Falando nisso, o que eu tenho ouvido de bobagem sobre essas coisas, de gente que não faz nem idéia do que está falando... Gente que acredita ser perito por ter assistido a alguns capítulos de "C.S.I". Às vezes, nem isso.
E os vagabundos que acham que fazem alguma coisa na frente de delegacias e prédios da família Nardoni deveriam ajudar quem realmente necessita. Condenar dois suspeitos ainda não julgados não é do direito de nenhum deles.
Mas o que importa mesmo é aparecer na TV, no JN, no Brasil Urgente. Sendo promotor, policial, vagabundo, "especialista" ou jornalista. Tem espaço para todos no circo do caso Isabella. Até para os suspeitos.
E, no fim, não era nada. Era isso.
Pimenta e latrina
A história da semifinal de anteontem será lembrada mesmo como o "clássico do gás de pimenta", mesmo que a polícia já tenha descartado que o gás tóxico espirrado no vestiário do São Paulo seja feito do condimento que me faz mal quando colocam nas comidas. De acordo com os homens da lei, o negócio era genérico, "da 25 de Março", como disseram.
Original ou genérico, o fato é que o gás foi um golpe sujo no futebol, seja quem tenha feito isso. Não acho que o São Paulo forjaria essa situação, prejudicando a preparação de seus atletas durante o intervalo de uma partida que estava em desvantagem só pra aumentar sua picuinha particular com a diretoria do Palmeiras. Também (quase) duvido que o Palmeiras, que queria de qualquer forma demonstrar o quanto o Parque Antarctica era propício para os jogos decisivos, tenha dado um tiro no pé para conseguir uma suposta vantagem no jogo contra o São Paulo.
Posto tudo isso, e ressaltando que a polícia não pode descartar nenhuma hipótese, de que vai haver investigação, tudo será apurado e blablabla, o que se tira do episódio é como as duas diretorias passaram dos limites em sua briga particular.
Primeiro, todo aquele lenga-lenga do meio da semana. Marco Aurélio Cunha de um lado, Toninho Cecílio do outro. Afinal, quem são esses caras mesmo? E o que fizeram no domingo? Não lembro de nenhum gol marcado por algum dos dois.
Muricy teve uma bela atitude na sexta-feira quando alertou que os dirigentes precisavam tomar cuidado em tratar aquilo como "guerra" e deveriam pensar nas conseqüências de suas declarações. Ainda mais em um ambiente tão cheio de animosidade como é o futebol. Sim, infelizmente é assim, enquanto os estádios estiverem lotados dos mesmos bandidos e covardes que infestam nossa sociedade.
O caso do gás precisa ser analisado com mais frieza pela diretoria do Palmeiras, que se diz atenta com o desfecho da história. Precisa ficar atenta mesmo, para saber como evitar que esse tipo de coisa aconteça novamente. Afinal, a FPF já deu a maior das colheres de chá ao marcar a segunda final contra a Ponte no Palestra, ignorando tudo que aconteceu e a agressão cometida em um palco supostamente cuidado pelo Palmeiras.
E é aí que morre tudo. A diretoria do Palmeiras precisa entender que tem responsabilidade sim no que aconteceu porque era a responsável pela segurança no estádio. Assim, é necessário um pedido formal de desculpas com o inimigo (não apenas rival, ou adversário: inimigo é o termo apropriado). Ao lado desse pedido, aí sim, as informações de que tudo será apurado, etc.
Em vez disso, o clube diz que o São Paulo armou um "factóide" (termo que foi usado pelos cartolas) e Vanderlei Luxemburgo insinua que foi o clube do Morumbi que armou tudo, sempre com o discurso polical de "não podemos descartar hipótese alguma".
As coisas realmente não estão certas. Essa "guerra" que São Paulo e Palmeiras criaram é culpa exclusiva dos clubes. A imprensa, por pior que seja (e às vezes é horrível mesmo), está apenas noticiando as bobagens. Mais ou menos como um esgoto. A fonte, ou melhor, a latrina, são os cartolas.
ET: Por algumas coisas que eu já vi, aposto que, ao fim das investigações, a polícia apenas concluirá por onde o gás foi soltado. E só. O responsável é praticamente impossível determinar.
A não ser que eles tenham em mãos alguma evidência extraordinária que ninguém saiba, vai ficar por isso mesmo. Se apontarem que o gás veio de algum tubo de ventilação cujo acesso seja da torcida, pronto, veio de lá, foi algum torcedor bandido, pronto. Se apontarem que veio de dentro do vestiário, vai ficar a tal "dúvida" de que foi o São Paulo. Mas provar isso? Provar que ninguém entrou lá a não ser integrantes do clube do Morumbi? Provar que o São Paulo teria cometido uma das maiores pilantragens da história, passível de grave punição? Precisariam de muitas provas.
Parece bem difícil. Ainda mais por não se tratar do caso Isabella Nardoni ou de algo realmente relevante para a segurança pública. É apenas e somente um jogo de futebol.
E a história do "clássico da pimenta" será sempre um mistério.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
News of the World

Um bom disco, que contém o quase-medley clássico "We Will Rock You/We Are the Champions". Tem boas músicas, mas para mim não chega nem perto dos antecessores "A Night At the Opera"(1975) e "A Day at the Races" (1976) ou dos sucessores "Jazz" (1978) e "The Game" (1980).
Na minha opinião, esses são os quatro melhores discos da banda, disparado, por serem extremamente consistentes. Daqueles de ouvir da primeira música à última, sem intervalos.
Não é o caso do "News of the World", mais irregular e cujas canções não têm o mesmo brilho das faixas presentes nesses quatro discos.
Hoje, infelizmente, "News of the World" significa isso:

E parece que esse tablóide, talvez o mais deplorável entre todos os semelhantes britânicos, possa ser o responsável por derrubar o presidente da FIA, Max Mosley, por sua orgia nazista e coisa e tal.
Em 3 de junho, os membros da FIA votarão pela permanência ou não de Mosley. Não se sabe o que vai acontecer, mas muitos entendem que, pelo fato de a votação ser secreta, o dirigente vai ter a cara livrada.
Eu não sei se isso vai acontecer. Acho que o sigilo da votação também pode ajudar a alguns membros votarem contra Mosley, por ele não saber a identidade desses votantes. Mas faz sentido que, com a votação secreta, o caso pode ser enterrado sem ninguém levar a culpa por ter absolvido o "comandante".
Respeito, no entanto, ele já não tem. E a pressão sob o dirigente cresce a cada dia. Hoje, a Justiça britânica liberou o "News of the World" a publicar o trecho do vídeo da orgia nazista de volta em seu site. Se você ainda não viu, entre lá e se divirta. Tem até coisa nova, aparentemente.
Acho que, com o tempo, e até para se preservar, nem Mosley agüentará essa pressão.
Ainda mais quando quatro montadoras envolvidas na F-1 (Honda, Toyota, BMW e Mercedes), que injetam uma grana absurda na categoria, também condenam sua brincadeira sadomasoquista.
É sempre bom saber...

Ainda bem que o Raikkonen nem é tão alto assim.
Massa é o Brasil na F-1?
E ainda que fosse melhor que Schumacher, Senna, Clark, Prost e Piquet juntos, Felipe não teria a mínima obrigação de exaltar o próprio país a cada conquista.