terça-feira, 6 de outubro de 2009
Dois meses e três dias...
Continuarei com ele assim por algum tempo. Os poucos que o acessam, portanto, que curtem os posts antigos. Peço desculpas.
Agora, pelo menos, o blog está com um layout novo para facilitar a leitura. O irônico é que não há nada de novo para ler...
No Twitter, ainda estou sempre atualizando pelo @tuvuca. Siga por lá.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Libertadores + desmanche = pressão
Não vou aqui repetir o que muitos cronistas, comentaristas e pessoas em geral alertam sobre o que o Corinthians pode se tornar após ter perdido três titulares (Cristian, André Santos e Douglas) e três reservas (Saci, Lulinha e Otacílio Neto). Irei me concentrar no que representa a disputa da Libertadores no ano do centenário corintiano.
Só uma coisa é pior do que o desempenho do Corinthians nesse torneio, que já foi vencido por São Paulo (três vezes), Santos, Grêmio e Cruzeiro (duas), e Flamengo, Vasco e Internacional (uma). O fato de clube, torcida e time não suportarem as quedas na competição.
A falta de conquistas na Libertadores é um trauma para qualquer corintiano, principalmente pelo estranho e inusitado fato que a equipe já foi campeã mundial sem nunca ter nem chegado a uma decisão em seu próprio continente -coisas da Fifa.
A torcida já se revoltou diversas vezes contra o time por conta de derrotas na Libertadores -os casos mais lembrados são recentes, em 2000 e 2006, anos em que a equipe quase foi agredida por torcedores depois de ser eliminada. Nessas ocasiões, e também em 2003, o time desabou no torneio seguinte, o Brasileiro.
Dessa maneira, esse desmanche pode ser sim um tiro no pé. Cristian, André Santos e Douglas, apesar dos altos e baixos desse último, eram essenciais no grupo e precisam de substitutos fortes. Edu, ídolo porém veterano, não é suficiente.
Antes das saídas confirmadas, especulava-se que Ronaldo só ficaria no Corinthians em 2010 se o time mantivesse a base, o que já não aconteceu. E se ele sair? Em quem a torcida depositará confiança e, por conseguinte, pressão? Nos bons coadjuvantes Alessandro, Elias e Jorge Henrique? Nos jovens Dentinho, Jucilei e Marcelinho? No Chicão, que é só zagueiro e não resolve na frente? No goleiro Felipe, cuja permanência ainda nem é 100%certa?
Um pouco em todo mundo, muito provavelmente. E é isso que assusta. Um possível fracasso na Libertadores no ano do centenário pode recolocar o Corinthians em uma gigantesca crise, com debandadas, discussões e problemas internos, como aconteceu nas eliminações mais recentes.
Por isso, é bom que Andrés Sanchez e diretoria tomem cuidado e percebam que esse jato imediato de dinheiro pode gerar um imenso problema daqui a um ano. E todo o bom trabalho iniciado em dezembro de 2007, diretamente do fundo do poço, com a contratação de Mano Menezes, pode ir por água abaixo no ano que vem.
Que não se iludam. O centenário é muito mais do que uma grande festa. É sim um ano de imensa responsabilidade. Precisa fazer mais do que o máximo para satisfazer a torcida.
Torcida essa que, por sua vez, precisa aprender a perder a Libertadores e também compreender que o torneio é superdifícil de conquistar. O Palmeiras, por exemplo, perdeu três finais e ganhou só uma. O São Paulo ganhou três e perdeu duas. O Grêmio venceu duas e perdeu outras duas. Não é fácil, realmente.
No sábado, o pior dirigente atualmente no Corinthians, o falastrão e cheio de pose diretor de futebol Mário Gobbi, foi agredido por torcedores. Isso já é resultado da pressão da Libertadores-2010. É melhor tomar cuidado e rezar para que haja um planejamento e uma boa possibilidade para a equipe de buscar o mais inédito dos títulos.
Se isso não acontecer, o centenário, teoricamente um ano de festa, pode se tornar um ano dos mais tristes na história corintiana, como têm sido as temporadas de derrota na Libertadores.
domingo, 19 de julho de 2009
Tudo muito engraçado
Ronaldo, em entrevista ao Faustão, ainda bem acima do peso e logo após estrear pelo Corinthians, brincou ao lembrar o início da carreira: "No Cruzeiro eu passava fome, era magro porque não tinha o que comer."
Perrella tomou as dores. Em nota oficial, disse tudo isso:
"A estúpida declaração do jogador Ronaldo Nazário no programa Domingão do Faustão, ao afirmar que era magro porque passava fome quando jogou pelo Cruzeiro nos causou enorme estranheza. Primeiramente, o Cruzeiro Esporte Clube quer esclarecer que magro, desnutrido e sem base educacional era o garoto que chegou para treinar no clube no início da década de 90.
Na Toca da Raposa Ronaldo recebeu acompanhamento de nutricionistas, preparadores físicos e também de professores para dar-lhe educação formal. Tal transformação foi tão extraordinária que o atleta, com apenas 17 anos, foi convocado para a Copa do Mundo de 1994.
Infelizmente, com o passar do tempo um dos maiores jogadores do planeta passou a ocupar mais espaço nas manchetes por causa de suas atitudes fora das quatro linhas do que dentro dos gramados. Com uma vida conturbada e polêmica, recheada de escândalos e controvérsias, Ronaldo parece ter perdido o equilíbrio que se espera dos grandes ídolos."
Ou seja, sobrou até para a vida pessoal do atacante, em um caso no qual o tom de brincadeira era explícito.
Mas tudo passa. Perrella, que nunca se desculpou por essas palavras dirigidas ao ex-ídolo cruzeirense, entregou hoje uma placa a Ronaldo por seus feitos pelo clube mineiro. Posou lá, todo bonitão, com o jogador mais badalado do Brasil.
É claro que a homenagem do Cruzeiro é bonita e justa, diferentemente da postura e atitude de seu presidente.
E tem mais: se você tentar seguir o link da nota oficial publicada pelo presidente do Cruzeiro em março, no site oficial do clube, endereço este registrado na matéria feita na época pela Folha Online (que acho até que foi escrita por mim), você simplesmente não consegue abrir a nota -é direcionado para a home do site oficial.
Afinal, é mais fácil (tentar) apagar o passado do que (tentar) corrigi-lo.
Crédito da foto: VipComm/Divulgação
Tuvutwitter
Bom, "encontrei" uma solução para essa intermitência. Vou usar o Twitter para as atualizações curtas, como zilhões de pessoas já fazem, e este blog fica apenas para os textos mais profundos -como já acontecia.
Como sou genial!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
E o Rei se vai

Claro que esse post deveria ter entrado ontem, no auge da comoção, mas infelizmente a internet não permitiu. Eu já até havia reformulado todo o layout do blog que, atendendo a pedidos, ficará desse jeito a partir de agora para facilitar a leitura.

quinta-feira, 25 de junho de 2009
O acordo

quinta-feira, 18 de junho de 2009
O racha

A Fota (Associação das Equipes da F-1) acabou de anunciar que vai iniciar as preparações para organizar seu próprio campeonato e deixar Fórmula 1, FIA, Max Mosley e Bernie Ecclestone para trás.
Não vou ficar lamentando toda essa lenga-lenga, a inabilidade em atingir um acordo, a onda de comunicados oficiais e as chatices dos dirigentes. É isso tudo que eu acho. Uma chatice.
Claro que o teto orçamentário é o maior pretexto, mas na verdade as equipes querem mesmo é ganhar mais grana e mandar no campeonato. E Mosley é um cara meio de ferro, nada derruba ele, então há de se imaginar que a FIA vai reagir à altura a esse anúncio da Fota. Tem muita coisa para acontecer ainda.
Muitos acham que é apenas uma ameaça da Fota, e que tudo vai ser solucionado como se nada tivesse acontecido. Também tenho essa impressão, com uma ressalva -se a FIA cumprir o prometido e anunciar oito equipes no lugar das oito que saíram, aí acho que a vaca vai pro brejo mesmo. Afinal, como vão poder excluir essas novas escuderias depois de as terem aceitado?
Creio que, no fim das contas, a FIA vai dizer que Ferrari, Red Bull e Toro Rosso não podem sair, que eles têm contratos a cumprir e blablabla. Bernie Ecclestone dará sua dose de contribuição nas intimidações, ameaçando processos, e a coisa toda continuará indefinida.
Mas se Mosley aceitar a cisão e anunciar as novas equipes, o automobilismo verá sua relevância no esporte diminuir imensamente, o que é lamentável.
Teríamos o campeonato das montadoras, que provavelmente receberá bem mais destaque por contar com a Ferrari e as equipes e pilotos melhores e mais famosos. Já a F-1 terá como trunfo as pistas, a estrutura, e a tradicional e hoje pequena Williams, que desfilará nos traçados ao lado de algumas aventureiras -incluindo aí a Force India, por mais que ela participe da categoria atualmente.
Mas uma coisa nesse comunicado da Fota me chamou a atenção com um olhar positivo: "Esta nova série terá um sistema de administração transparente, apenas um tipo de regra, encorajará os iniciantes e trará vantagens para os fãs, como ingressos mais baratos, em todo o mundo" - segundo tradução da AFP.
Se essa promessa da redução dos preços dos ingressos for cumprida, seria fantástico para os fãs da categoria, além de ser uma atitude simpática.
Outra intenção da Fota é voltar a correr em circuitos tradicionais ignorados por Ecclestone, como Montréal, por exemplo, algo que também beneficiaria os aficionados pelo esporte, que são muitos nesses locais. Espero que Interlagos consiga uma boquinha nesse campeonato se ele virar.
Mas o ideal mesmo é que essa guerra política diminua e que todo mundo coma logo essa pizza, coisa que eles estão, no fundo, louquinhos para fazer.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Reunited

terça-feira, 9 de junho de 2009
O homem não sabe voar
Ainda mais em casos como o do AF 447 da Air France, que caiu na semana passada próximo a Fernando de Noronha, ou do voo 1907 da Gol, que se acidentou na mata da região centro-oeste do Brasil em 2006. Ambos ocorreram com o avião em plena altitude de cruzeiro, simplesmente despencando dez, nove quilômetros, rumo ao inevitável encontro com o desconhecido.
É verdade que a falta de referências visuais, que estão aparecendo só gora, ajudou a amenizar o choque por conta da queda do Airbus da Air France. Neste aspecto, muito pior foi o acidente com o voo 3054 da TAM, em 2007, que atingiu o brasileiro, particularmente o paulistano, no coração.

E meu texto, na verdade, é apenas para me colocar como uma dessas pessoas. Aquelas que se assustam de verdade com um acidente desse porte, e sonham frequentemente com isso. Quando o avião da TAM apareceu na tela da TV, meu pesadelo virou realidade, apesar de, na hora, a cobertura incessante dos Jogos do Pan-Americano do Rio me distrair.
Antes daquele início de noite de 17 de julho de 2007, sonhei diversas vezes com a imagem de um avião caindo na 23 de Maio ou na av. Bandeirantes. Não quero posar de Nostradamus nem nada, e digo que esse pesadelo era totalmente justificável e, acredito, não tinha nenhum teor premonitório. Até onde eu sei, pelo menos.
Cresci respirando aviação - na foto, sou eu, com uns quatro anos, segurando um pôster que tinha pendurado no meu quarto. Minha mãe trabalhou a vida inteira na Vasp e meu pai seguiu caminho parecido na área de logística. Quando criança, tinha o sonho de ser piloto e trabalhar no que é, para mim, a máquina mais sensacional já criada pelo homem. O foguete, que leva o homem para o espaço, é privilégio de quase ninguém, então perde.
Com o tempo, percebi que não tinha muito jeito para entrar no ITA, virar engenheiro, piloto, sei lá mais o quê. É coisa demais para aprender, preferi seguir na Comunicação, área menos técnica e "intelectual", digamos.
E também fui crescendo com esses acidentes cada vez mais sérios no Brasil, primeiro em 1996 e depois agora - desde o acidente da Gol até esse da Air France -, que expõem uma sequência de fatos lastimáveis, incluindo falhas, erros e tristes coincidências, que atingem o setor áereo do Brasil.
Em menos de quatro anos, batemos todo tipo de recorde negativo no que diz respeito a acidentes aéreos no país. É realmente triste ver que essa máquina tão sensacional da qual falei às vezes firma nossos pés no chão e mostram que nunca saberemos voar. O controle sempre será dos computadores e instrumentos da aeronave, sujeitos a falhas contra as quais não se pode fazer nada.
Hoje, sonhei de novo com um acidente de avião. Eles andam tão recorrentes na minha memória que eu nem me deixo mais enganar por eles. Na maioria das vezes, apenas acompanho o que está acontecendo, sempre compreendendo, de alguma forma, que aquilo não corresponde à realidade. Bem diferente daquela imagem de TV com o TAM em chamas ao lado de um aeroporto que significou tanto para mim durante a infância.
Talvez o leitor deste texto pense que estou indo contra a tese de que o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo. Deixo claro que não quero negar as estatísticas e nem deixarei de curtir uma viagem de avião. Este é apenas um relato sobre esse medo de acidentes aéreos que, tragicamente, andam frequentes no Brasil.
E deixo aqui minhas palavras de sentimento para as famílias e amigos que perderam um ente querido em uma dessas tragédias.

Fotos:
Destroço do Airbus voo AF 447 - 07/06/09-AP
Airbus do voo 3054 em chamas - 17/07/07-Apu Gomes/Folha Imagem
Jovem Tuvuca com o pôster do avião da Vasp - minha mãe, ou pai, entre 1988 e 1989
Avião da FAB pousa em Fernando de Noronha após trabalhos de busca - 06/06/09-Bruno Domingos/Reuters
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Emerson, 20 anos da primeira em Indianápolis

Jornalistas, por exemplo, têm o privilégio de cobrir eventos, normalmente de graça, que outras pessoas se matam (e desembolsam muita grana) para conhecer. Como um show do Iron Maiden, ou a pré-estreia de um documentário sobre a banda no Rio. Ou viajar ao mesmo Rio para cobrir uma corrida da Stock Car. São coisas pequenas para quem está na profissão há bastante tempo, mas grandes para mim, com apenas dois anos de formado.
Às vezes, nós jornalistas também entramos em lugares restrito a um determinado órgão - como no meu primeiro dia de trabalho na Secretaria da Segurança Pública, quando conheci o IML-Centro (aquele do lado do HC, na Teodoro Sampaio) por dentro. Uma experiência de vida, e de morte, que levarei para sempre comigo.
Depois, trabalhando diretamente com a Polícia Científica, tive acesso aos laboratórios de Balística e Toxicologia do IC - o segundo é o lugar onde analisam se a droga apreendida é droga mesmo. Lugares que, provavelmente, não voltarei a visitar e que são conhecidos por poucos.
Essa longa introdução serve para exemplificar um pouco o que senti ao conseguir, depois de muito correr atrás, uma entrevista com Emerson Fittipaldi sobre sua primeira vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, que completou 20 anos na última quinta-feira.
Emerson foi um dos personagens que me fez querer conhecer o passado do automobilismo e tudo sobre a história do esporte. O bicampeão também atraiu os olhos de uma criança que vibrava com as vitórias de Senna na F-1 para uma categoria totalmente diferente, onde era só um "passarinho cagar na pista" (supostamente uma definição do Piquet) para que a bandeira amarela estragasse qualquer vantagem do líder da corrida.
Acompanhei muito a Indy naquela época, com pilotos como Emerson, Nigel Mansell, Mario e Michael Andretti, Bobby Rahal, Rick Mears, Al Unser pai e Al Unser Jr. Além de outros menos fantásticos, mas folclóricos, como Paul Tracy. E, de certa forma, tudo se resumia a Emerson, o mais bem-sucedido entre todos (único bicampeão da F-1), que era um vovô-ídolo para um moleque fã de automobilismo acostumado com a sobriedade da F-1. Sem contar que ele também foi um ídolo dos meus pais e de toda a geração deles na década de 1970.
Em uma longa entrevista, de forma simpática e atenciosa, Emerson me contou todos os detalhes sobre a vitória confirmada a duas voltas do final, quando um acidente com Al Unser Jr. tirou este da corrida e deu a vitória ao brasileiro. Que, por causa do nervosismo de seu chefe de equipe, Pat Patrick, sofreu com o peso e a queda de rendimento do seu carro após o último pit, o que quase custou sua corrida.

A efeméride não vale apenas por conta das marcas de Emerson - o primeiro brasileiro campeão da F-1 também foi o primeiro sul-americano a vencer as 500 Milhas. Aquela prova, particularmente o seu final, foi sensacional e emocionante. É só ver o vídeo.
Além de falar sobre a vitória, Emerson conta um pouco sobre os problemas com a imprensa na época da Copersucar, compara as 500 Milhas com o GP Brasil de F-1, fala que vai trazer a A1 GP para cá no ano que vem e comenta sobre o sonho de infância que tinha de ganhar em Indianápolis - que era mais representativo do que a F-1 para ele quando criança, segundo o próprio.
E até falei com um não menos simpático Al Unser Jr., que isenta ambos de culpa no acidente e se diz amigo de Emerson até hoje - elogia o "gentleman" brasileiro até não poder mais.
Só senti algo semelhante quando entrevistei o Rob Halford, no ano passado. Então, acho que vale a pena ler tudo!
terça-feira, 2 de junho de 2009
Brawn GP (2)
Não tem como acreditar que o Button vai perder o título, tamanha sua superioridade. E os GPs da Espanha e de Mônaco serviram para trazer a monotonia de volta à F-1.
Fora o saco que são as brigas políticas, tetos orçamentários, indefinições, punições estranhas...
Pior que a FIA só a Fifa, que não consegue explicar com clareza o que ela quer como regra no futebol, e nem faz o mínimo esforço para isso.
E pior que as duas, só mesmo o STJD e suas "filiais" nos estados.
sábado, 9 de maio de 2009
Brawn GP
Nesse ano, vi uma F-1 da década de 1970, quando quem acertava a mão no carro e tinha o projetista/estrategista/chefe mais fera - o Ross Brawn de sua época - era quem ganhava as corridas.
Aliás, também está sendo boa essa volta às origens da categoria. Essa busca por equipes pequenas - a FIA quer um grid de 26 carros em 2010 - é uma salvação de um esporte que estava cada vez mais elitista e menos humano. Além dos cortes orçamentários, é claro.
Óbvio também que o cara que mais briga atualmente por isso - Max Mosley - é o grande culpado, ao lado de Bernie Ecclestone, pela categoria ter se tornado essa coisa arrogante dos tempos recentes. O Pandini, para mim, é quem mais falou com brilhantismo sobre o assunto.
(Aqui, na época da saída da Honda F-1, Pandini diz: "Hoje, o sr. Mosley posa como defensor das equipes independentes na F1. Hipócrita, para dizer o mínimo. Dez anos atrás, Mosley, Ecclestone et caterva decretaram que a F1 deveria ter no máximo 12 equipes. Imaginavam que as 11 existentes na época, mais a vaga restante, passariam a ter valor incalculável: em suas cabecinhas, todos os grandes fabricantes de automóveis dariam qualquer coisa para ingressar na F1. Quebraram a cara. A categoria nunca mais atingiu o tal número de 12 equipes - facilmente preenchido, e até superado, em anos anteriores.")
Mas está bom demais assistir à F-1. E eu, que apontei o Vettel como campeão de 2009 - principalmente por acreditar no talento dele em um ano com tantas mudanças técnicas, mas reconhecendo que era um grande chutão -, acho que vou acertar a aposta dessa vez.
Tá certo que eu apostei no Massa como vice-campeão, mas não dá para acertar todas...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Um peso, duas medidas
Também não quero que este blog seja um “mais do mesmo”. Como eu o atualizo pouco, busco fazer com que cada texto aponte algo que ainda não tenha sido dito, na medida do possível.
Por isso, há alguns dias ensaio este post, lembrando a gravíssima acusação de que Robinho teria cometido abuso sexual contra uma menina na Inglaterra. O destaque, na Veja, foi esse (a matéria pode ser lida aqui):

Uma matéria longa, citando os “casos perdidos” do futebol como Adriano, Ronaldo, Robinho, Ronaldinho... colocando todos em uma mesma barca. A descrição sobre o caso apresenta assim o jogador:
“Depois que tira o uniforme, ele continua a se comportar como um adolescente sem freios. Essa face imatura de Robinho começou a ser revelada na última terça-feira, por uma acusação gravíssima: uma jovem inglesa de 18 anos diz ter sido agredida sexualmente por ele em uma boate de Leeds, cidade vizinha a Manchester, onde o jogador mora com a mulher e o filho. (..) Robinho decidiu se calar porque, de fato, trocou carícias íntimas com a moça durante uma noitada.”
Depois, a revista descreve sua apuração sobre o caso, conta tudo o que aconteceu, que o jogador bebeu dez garrafas de champanhe ao lado de alguns amigos e se atracou, de forma consensual, com a menina - que depois falou sobre dinheiro com ele, segundo a revista. A “Veja” também relata que a suposta vítima foi atrás de Robinho no fim da balada, e deixa claro que a acusação da moça não parece condizer com os relatos de testemunhas - ou seja, indicava ser uma grande mentira inventada para ganhar dinheiro.
Após praticamente isentar de culpa o jogador, a revista faz o seu juízo de valor. “Com o mundo aos seus pés, Robinho pôs em risco sua reputação na busca por alguns segundos de satisfação com uma desconhecida no banheiro de um inferninho inglês. Agora, corre para recuperar sua imagem.”
Que moral tem a “Veja”, ou qualquer um, de condenar os “segundos de satisfação com uma desconhecida”? Moral nenhuma. É moralista, isso sim. É apenas a vida pessoal dele. Noticiar é justo, já que o caso foi levado para a polícia e teve repercussão mundial, mas o que incomoda é essa mania de publicar uma "cartilha de boas maneiras" que deveria ser seguida por Robinho, pelo Brasil e pelo mundo inteiro.
Ao noticiar sua absolvição em sua edição do dia 15 de abril - Robinho nem acusado criminalmente foi, no fim das contas - publicou exatamente este texto, em "Datas", na seção "Panorama", com as devidas negritagens:
"Encerrada a investigação da polícia inglesa sobre o atacante Robinho por suposto abuso sexual. Ele foi inocentado das acusações e não será sequer indiciado. Robinho tornou-se alvo da polícia devido a denúncias feitas por uma jovem de 18 anos que ele conheceu durante uma noitada em um inferninho de Leeds, na Inglaterra, em janeiro. Com o assunto esclarecido, ele poderá voltar a se concentrar apenas no futebol."
Aproximadamente 19.000 caracteres foram utilizados na primeira matéria sobre o tema. Na segunda, exatos 412.
Cadê a entrevista com os psicólogos, os exemplos de casos parecidos (pessoas que acusam famosos de abusos em casos que não se confirmam), os desdobramentos, a tentativa de falar com o jogador sobre o caso? Não merecia nem uma pequena chamada na capa?
Faltou destaque, isso sim. Quando da acusação, capa. Quando da absolvição, notinha curta.
Robinho não tornou-se alvo da polícia. Foi alvo da "Veja" - e dos tabloides sensacionalistas britânicos que buscaram deixar o fim do caso "Robinho Rape Arrest" (conforme noticiou o "The Sun") bem escondidinho em suas páginas.
Hoje, no dia 4 de maio, ninguém mais lembra disso. Aposto que muitos ainda acham que Robinho está sendo investigado - e isso acontece, principalmente, por culpa dessa parte da imprensa.
E o estrago feito na imagem do jogador. Ah, esse é só um mero detalhe... afinal, ele é rico, esbanja dinheiro, tem carrões e desfruta de "segundos de satisfação", não é mesmo?
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Lá e cá
Também devo um comentário sobre a maior novidade esportiva de 2009: o "aposentamento temporário" de um honesto, cansado e injustiçado Adriano.
Mas, como sempre, falta tempo e disposição para colocar as ideias em ordem. Então, prefiro um post mais curto, sobre um assunto que me assombrou um pouco ontem e hoje.
Lá na Europa, os brasileiros Felipe Melo (Fiorentina), Matuzalém (Lazio) e Carlos Eduardo (Hoffenheim) se envolveram em confusões/brigas no último fim de semana em seus respectivos campeonatos nacionais. Foram julgados na terça-feira, e suspensos por cinco (Felipe Melo e Carlos Eduardo) e três partidas (Matuzalém).
No mesmo fim de semana, Cristian fez um gol marcante que selou a mais bela vitória corintiana desde os tempos de Carlitos Tevez, creio. Talvez desde aquele 7 a 1 no Santos, em 2005. Foi bonito ver o time jogar bem e ganhar do atual tricampeão brasileiro e de quem foi freguês nos anos recentes, apesar de estar agora há dois anos sem perder desse "algoz".
Por fim, Cristian resolveu mostrar os dois dedos médios para (aparentemente) a torcida do São Paulo. Um gesto ofensivo e irresponsável, sem dúvida. Para mim, merece uma punição. Se o juiz tivesse visto, imagino que ele teria sido expulso, o que o deixaria de fora do jogo de volta da semifinal. Portanto, e pela gravidade do que aconteceu, acho que um jogo de gancho estaria de bom tamanho.

Mas o nosso futebol tem dessas coisas. O TJD-SP descartou desde o início a punição de Cristian ainda nesta semana. Imagino que eles tenham muito a fazer, e esse tipo de assunto não é prioridade. Cristian, aparentemente, será chamado para depor sobre o gesto na sexta-feira. Daí então o TJD resolve se ele será julgado. Quando? Sabe Deus. A única certeza é de que não será nesta semana.
Aqui, tudo é mais difícil mesmo. Não só no esporte (o julgamento de Castro Neves nos EUA que o diga).
Só para finalizar, é um absurdo um delegado querer abrir um inquérito sobre o caso. Não consigo imaginar um motivo para isso - creio que seja incitação à violência. Talvez ele, de nome Antonio Carlos Barbosa, locado no 23º DP da Capital, não tenha o que fazer. Talvez ele devesse ir trabalhar no TJD-SP.
Ou talvez devesse olhar para o que disseram (e fizeram) certos dirigentes como Andrés Sanchez (principalmente ele), Mario Gobbi, Marco Aurélio Cunha, Marcelo Teixeira, Leco, Juvenal Juvêncio, entre outros. Nosso ilustre delegado poderia analisar se algumas declarações desses sujeitos nos últimos meses não serviram para impulsionar a violência nos estádios em SP. Acho que é uma ótima pauta para ele.
Se não for, há outras opções, como investigações sobre a venda/repasse de ingressos a cambistas e a relação clube/torcida organizada. São assuntos muito mais interessantes e relevantes para quem ama e acompanha futebol.
Pena que esse pobre cara chamado torcedor não tenha o seu interesse defendido.
terça-feira, 24 de março de 2009
Tuvuca e a Maratona da Besta
Esse post é apenas uma introdução para uma história que pretendo contar com maiores detalhes. Tudo começou quando tentei entrevistar a banda, mas não obtive sucesso. Minha chance de emplacar uma matéria pré-show? Falar com Sam Dunn, diretor de "Flight 666", o documentário sobre a banda cuja pré-estreia mundial ocorreu no Rio, também no sábado.
Sabia que Dunn não hesitaria em me retribuir a entrevista. Afinal, aqueles que conhecem este blog ou este personagem, com certeza recordarão que o cineasta canadense me entrevistou para um filme sobre o Rush, ainda em produção, em Toronto, em outubro de 2007. A história está neste post aqui e neste outro.
Se vou aparecer no filme do Rush eu não sei, mas valeu pelo contato, como percebi na facilidade com que agendei um bate-papo com Dunn e seu parceiro Scot McFadyen (não, não é Scott McFayden).
Voltemos à história: primeiro, entrevistei os dois para essa matéria aqui da FOL. Depois, fiquei morrendo de vontade de ir para o Rio -ainda mais depois de ser instigado pelo próprio Dunn-, e falei com o Eric Claros, camarada meu dos tempos de colégio, ex-batera do Mad Dragzter e atual batera do Children of the Beast (banda cover do Maiden).
Eric me disse que ia ao Rio com mais três amigos e me convidou. Com a possibilidade de ver o documentário em primeira mão, além do show, é claro, eu resolvi topar a maratona. Saímos de SP às 7h de sábado, chegamos no Rio e fomos direto ao Cine Odeon, onde seria a pré-estreia. Saí de lá, comi um Bobs nojento, fui a uma lanhouse e bati essa matéria aqui. Depois, corri para o show.
Após a apresentação, mais um Bobs nojento e estrada direto a SP, onde chegamos quase 24h depois de sair. Dormi, acordei, e rumei a Interlagos. Abismado com a imensa fila e desorganização, saí de lá com essa impressão relatada aqui.
Quanto aos shows, o que dizer? Até o ano passado, eu havia visto o Iron Maiden duas vezes, como contei aqui: um show morno com um set fraco em 2004, com o Bruce, e um show empolgante apenas para um moleque de 14 anos, como era eu, em 1998, com o Blaze.
Em 2008 e 2009, vi o Maiden três vezes com set lists magistrais -que incluíam "Rime of the Ancient Mariner", minha favorita da banda-, produção de palco que remeteu a 1984 (e que funcionou melhor no Rio) e seis caras que deram o sangue para provar aos brasileiros que toda a devoção ao grupo em terras nacionais é justa.
Agradeço aos quatro brothers de viagem -Eric, Diogo, Rodox e Pedrão-, que me ajudaram na hora de tirar fotos da banda na première do documentário (entre outras coisas), aos que me acompanharam no caos de Interlagos e à minha Pequena, que agora sabe de verdade o que é um show de Rock -com direito a lama, como acontecia nos velhos tempos.
Quando eu tiver mais tempo, coloco as fotos que bati e conto mais histórias de um final de semana eletrizante, empolgante e "da Besta".
