segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Soltem suas feras


Foi muito bom trabalhar no clássico ontem, porque tive que fazer matéria do jogo e prestar atenção a cada detalhe de São Paulo 0 X 0 Corinthians.

Achei um jogo muito interessante e legal de assistir. Muita gente não poupou críticas à qualidade técnica dos times, erros de passe... mas eu, particularmente, vi uma partida muito disputada, com um Corinthians forte na marcação e jogando com autoridade. Fiquei muito feliz em ver esse time jogar assim. Pena que Finazzi e o Lulinha (que precisa voltar a treinar entre a molecada, porque tá muito verde ainda) não sabem fazer gol. E o Acosta também não fez nada. Mas tô gostando muito da zaga, do sistema de marcação e do Dentinho, além de um técnico que realmente se preocupa em montar um time.

Já o São Paulo vem jogando muito mal (em relação ao time do ano passado, não em relação ao Corinthians), mas acho que dando tempo ao tempo o time vai se acertar. O Muricy é muito bom nisso, e daqui a pouco encontrará a melhor formação. Quatro jogos ruins pelo Paulistão é pouca coisa. Falta saber se o time vai ter fôlego para chegar à final da Libertadores. Aliás, é engraçado: desde 2004, a expectativa é essa. Em 2004 e 2007 ficou no mata-mata; ganhou a final em 2005 e perdeu em 2006. O time não sabe o que é Copa do Brasil há um tempão. Isso, para os padrões brasileiros, é realmente impressionante.

Sobre os erros do juiz: quanta choradeira! Mas eu também vi pênalti no Dagoberto e o gol do Adriano. Do pênalti, acho que o Dagoberto cavou, colocando a perna na frente, mas o Chicão é estabanado e caiu na dele, chutando a perna. Foi um pênalti sem querer, que também é pênalti. E também acho que foi mais absurdo ainda dar falta do Dagoberto no Chicão. Va lá achar que não foi pênalti (o Arnaldo Ribeiro, por exemplo, também achou que não foi), mas ver falta do Dagoberto já beira o bizarro.

E o gol... ah, o gol! Como eu lembro triste daquele gol que o juiz anulou do Tevez com o Palmeiras em 2006, depois da bandeirinha dizer pra ele que o outro bandeira, que tava uns 200 metros longe do lance, viu falta do argentino no ilustre zagueiro quem do Palmeiras. Foi um golaço anulado de forma patética e indesculpável com os corinthianos, justamente em um Dérbi que terminou empatado.

O gol do Adriano pode não ter sido tão bonito quanto aquele, mas para mim foi um golaço também. Ele subiu uns 3 metros pra cabecear a bola, foi impressionante! Mesmo que o William subisse nas costas do Chicão ele não chegaria onde o Adriano chegou. O cara tem uma impulsão incrível.

O Sálvio Spinola viu falta, assim como vários outros personagens ligados ao futebol. Eu não vi falta nenhuma, mas até entendo que ele tenha achado que aquele braço que subiu encostado no ombro do William tenha feito carga no zagueiro, mas não acho que fez. Na verdade, só entendo a posição do árbitro porque não foi ele quem fez essa regra bizarra que só aplicam no Brasil. Tem contato no futebol, e a tal da International Board deveria esclarecer o que pode e o que não pode fazer. Do jeito que está agora, aqui no Brasil, tudo vira falta (menos o pênalti no Dagoberto, né juizão?).

Outra regra imbecil que deveria ser abolida é aquela que o goleiro se adianta no pênalti e o juiz manda voltar. É ridícula também e ela só deve ter sido traduzida para o português do Brasil, já que ninguém aplica esse negócio no resto do mundo.

O Sálvio influenciou sim no resultado e prejudicou o São Paulo nestes dois lances capitais. Mas o pior mesmo foi a festa de cartões não-distribuídos para gente entrando com trava de chuteira e outras coisas. Foi vergonhosa a arbitragem.

Como disse, achei o jogo bom. Bom para o Corinthians, principalmente, e bom de assistir. Péssima arbitragem.

E péssimo também foi a choradeira em demasia do Tricolor. O Muricy e os jogadores reclamarem do jeito que reclamaram, eu entendo, acontece mesmo. Os caras viram que foram prejudicados e saíram putos com isso. Só acho que o Ricky (ou Richarlyson, se preferir) deveria parar de chamar os outros de cara-de-pau e jogar um pouco de bola, o que ele não fez ontem, e parar de bater também. O cara é bom, foi massacrado no ano passado por causa de sua vida pessoal, passou por um entrevero lamentável com um juiz (de Direito, esse) digno do judiciário brasileiro (isso não é um elogio) e deu a volta por cima. Agora etá na seleção, que pense mais e bata menos.

E o Marco Aurélio Cunha me irrita profundamente com aquela empáfia e o jeito pomposo de falar as coisas. É ridícula a postura dele, me lembra o Citadini dos velhos tempos. A diferença é que o Citadini era falastrão com um jeito meio povão, sotaque e tal, e o Marco Aurélio é um falastrão pomposo. Estão no mesmo nível. Só querem ficar chamando a atenção. E ele assumiu uma postura de "somos o São Paulo estruturado, não somos amadores, os juízes têm que estar à nossa altura", etc... Nem comparo a estrutura do São Paulo com a dos outros times brasileiros que é covardia. Mas o clube do Morumbi não está acima do bem e do mal. Nem dos erros de arbitragem, que é horrenda aqui e no resto do mundo.

Crédito da foto: José Patrício (AgEstado)

sábado, 26 de janeiro de 2008

Vale a pena assistir


Amanhã, às 6h30 do nosso horário (de Brasília), a zebra Novak Djokovic (esq) vai enfrentar a mais zebra ainda Jo-Wilfried Tsonga (dir) na final do Aberto de Austrália de tênis.

Nunca fui muito fã do esporte, mas cheguei a jogar quando era moleque, por algum tempo, e de uns tempos para cá venho assistido mais freqüentemente. Por motivos diferentes, assisti às duas semifinais do Aberto da Austrália, e ambas foram históricas. Como eu quase nunca vejo jogos de tênis, acho que dei sorte.

O francês Tsonga tem 22 anos, é o 38o. colocado no ranking da ATP e simplesmente trucidou Rafael Nadal na semifinal. O espanhol, segundo colocado na ATP, parecia não ter armas para bater o Muhammad Ali do tênis. Não tinha mesmo, e fez questão de reconhecer isso no final do jogo, que acabou 3 sets a 0, parciais de 6/3, 6/3 e 6/2. Eu gosto muito do estilo do espanhol, sangue latino e tal, mas fiquei extasiado com o Tsonga. O cara tava um monstro na quadra, e não era nem cabeça -de-chave no torneio. Aliás, se for campeão daqui a pouco, será o primeiro campeão sem ser cabeça-de-chave desde Gustavo Kuerten no Roland Garros de 1997.

Já o sérvio Djokovic, de 20 anos, não é tão zebra assim, convenhamos. Ele só está atrás de Rafael Nadal e Roger Federer no ranking da ATP. Mas foi justamente sua vitória sobre o suíço Federer, número um do mundo, que foi uma zebra. Assim como Tsonga, bateu seu adversário por 3 sets a 0 (parciais de 7/5, 6/3 e 7/6 --fazendo 7/5 no tie-break do set) e assustou todo mundo pelo controle que teve do jogo. Não ganhou tão fácil quanto Tsonga, mas era Federer, que não era eliminado de um Grand Slam na semifinal desde que perdeu para Nadal no Roland Garros de... 2005! Ou seja, quase três anos jogando todas as finais dos quatro torneios mais importantes do tênis (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open), uma delas (a última, US Open de 2007) vencida contra o próprio Djokovic. Por essas e outras, o suíço não encarou tão bem sua derrota quanto Nadal, disse que foi prejudicado por uma virose e que não está "nem aí" para quem será campeão.

Isso sem contar que esta será a primeira final de um Grand Slam desde a edição de 2005 do próprio Aberto da Austrália que não terá nem Federer e nem Nadal na decisão. Na ocasião, o russo Marat Safin derrotou o 'anfitrião' Lleyton Hewitt na final.

Por isso, vale a pena assistir ao jogo que começa dentro de seis horas. O tênis não é conhecido por conter muitas surpresas, mas o Aberto da Austrália está repleto delas. E também de recordes quebrados. Djokovic e Tsonga são boas surpresas, que podem vir a ser grandes campeões de outros torneios.

Boa sorte aos dois.

Crédito das fotos (incluindo montagem): Agência France Presse

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Só passando para dar os parabéns...

...para a minha cidade, que completa 454 anos. Apesar dos problemas, ela é fascinante demais. Uma das maiores do mundo. A cidade dos contrastes.

Por mais que ela tenha seus mil problemas, respirando por aparelhos, meu amor por ela não diminui nunca. Como diria o Tom Zé em São São Paulo Meu Amor, "mesmo com todos os defeitos, te carrego no meu peito".



Valeu, São Paulo, por toda a cultura, experiência e alegria que você me deu durante esses 23 anos e meio.

Agora, vou ver se eu vou no show do Jorge Ben lá no Museu do Ipiranga. No ano passado, vi o Mutantes lá e virei fanzaço da banda.

PS: Foto batida por alguém desconhecido no topo de um prédio da Paulista, em meu aniversário de 21 anos.

Mais Barbixas...

No post abaixo, sobre o Bush, coloquei um link para um vídeo-sátira do trio humorístico Barbixas focado em nosso personagem-vilão.

Como eu disse, esses caras são engraçados e inteligentes, assim como outros novos (e bons) grupos de humor da capital paulista. Pouco antes de eu ir para o Canadá, eles iriam gravar uma esquete e me chamaram para ser figurante. Eu, que já havia sido figurante uma vez em um outro vídeo, prontamente aceitei.

Fui pra lá sabendo que seria um advogado. Eles gravaram o vídeo, no qual eu não apareci, e ficou muito engraçado. Era uma propaganda para o curso de Direito das Faculdades Cantareira.

Depois que eu voltei, lembrei do vídeo e fui procurar no You Tube. Mostrei para o meu pai e ele já tinha assistido. Fiquei sabendo então que o vídeo ficou entre os mais vistos no You Tube, saindo até mesmo na IstoÉ (ou na Época? acho que foi IstoÉ mesmo). Também apareceu no Kibe Loco.

De qualquer forma, o tal vídeo está aqui. É sobre um julgamento de um político, que de julgamento acaba virando um leilão, no qual os advogados disputam quem dá menos para livrar a cara do sujeito. É impagável.

Em tempos nos quais o nosso judiciário comete esse tipo de crime, o vídeo é mais do que atual.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Assim lá como cá...

Recebo por e-mail, de uma pessoa muito especial, uma notícia sobre um tal estudo feito por jornalistas norte-americanos (ou estadunidense, que é o termo certo, mas que é muito feio) aponta 935 afirmações falsas (também conhecidas como mentiras) divulgadas pela Casa Branca no que diz respeito à Guerra do Iraque.

Como eu respondi no e-mail, essa é a pauta garantida: todo mundo lembra do monte de mentira que foi contada, só falta alguém fazer uma pesquisa e um estudo sobre isso e publicar. Daí a notícia sai na agência Efe e no mundo inteiro. Por isso mesmo, parabéns para os caras que tiveram essa idéia.

Segue o texto:

Guerra do Iraque foi baseada em afirmações falsas, afirma estudo

Texto feito por jornalistas afirma que no total foram 935 afirmações falsas nos dois anos após o 11 de setembro

Efe

WASHINGTON - O presidente George W. Bush e seu gabinete emitiram centenas de afirmações falsas sobre a ameaça do Iraque para a segurança dos Estados Unidos após os atentados de 11 de Setembro. Esta é a conclusão de um estudo divulgado nesta terça-feira, 22, pelo Centro para a Integridade Pública.

Essas declarações "foram parte de uma campanha orquestrada que galvanizou a opinião pública e levou o país a uma guerra com justificativas decididamente falsas", indicou o relatório.

Antes da intervenção militar para derrubar o Governo do presidente Saddam Hussein em março de 2003, o Governo Bush afirmou que o líder iraquiano estava envolvido com o terrorismo e desenvolvia armas de destruição em massa.

As armas de destruição em massa nunca foram encontradas e as investigações posteriores indicaram que não existia essa cumplicidade de Saddam Hussein com o terrorismo.

"Agora não existe nenhuma dúvida de que o Iraque não tinha armas de destruição em massa ou contatos importantes com a Al-Qaeda", manifestaram Charles Lewis e Mark Reading Smith, membros do fundo em um prólogo do estudo.

"Em resumo, a administração Bush levou o país a uma guerra fundamentada em informação errônea que se propagou metodicamente e que culminou com a ação militar contra o Iraque em 19 de março de 2003", afirmaram.

A Casa Branca não comentou as conclusões do estudo, preparado em colaboração com o Fundo para a Independência no Jornalismo.

O texto afirma que no total houve 935 afirmações falsas de Bush e de membros de seu gabinete nos dois anos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Segundo o estudo, além do governante americano, fizeram declarações falsas seu vice-presidente, Dick Cheney, a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice (atual secretária de Estado), o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, e o ex-secretário de Estado Colin Powell.

Bush foi o autor de 259 dessas declarações, 231 sobre as supostas armas de destruição em massa e 28 sobre os denunciados vínculos do Iraque com a Al-Qaeda, disse o estudo.

Acrescentou que o efeito acumulado dessas afirmações foi enorme e que os meios de comunicação seguiram a corrente do governo.

"Alguns jornalistas, e até algumas organizações de imprensa, reconheceram que durante os meses anteriores à guerra adotaram uma atitude condescendente e sem críticas" em relação ao Governo, assinalou o estudo.


Mesmo que esse estudo seja contestável, com relação ao número de mentiras, ele não é nem fundamental para lembrarmos que a Guerra do Iraque foi uma coisa que os EUA fizeram o mundo aceitar; alguém se lembra da hostilidade norte-americana contra os franceses, que, na cadeira do Conselho de Segurança da ONU, vetaram o apoio da organização no conflito? Os pobres gauleses foram ridicularizados pelo governo e pela brown press ianque. Coisas que eu lembro: "nós salvamos os seus asses na Normandia!", foi uma das pérolas.

E muita gente falou que estava certo, que o Saddam tinha que ser deposto mesmo, que o cara era um ditador sanguinário e tudo mais. E quem paga o pato? Os iraquianos, claro. Afinal, são apenas soldadinhos no grande tabuleiro de War que George W. Bush joga sozinho. Sem contar os soldados dos EUA, muitos deles moleques sem cabeça que torturam prisioneiros (e daqui a alguns anos viram atiradores em shoppings e coisas do tipo), e outros moleques sem esperanças que não tem nada em seu país. Eles também são apenas soldadinhos. Aliás, lembrei de um ótimo vídeo-sátira que os Barbixas, trio humorístico aqui de São Paulo (no qual um dos caras, o Andy, é um grande amigo) fizeram sobre o nosso maior mentiroso de tempos recentes. Vale a pena conferir, é engraçado e inteligente.

Bush é um vilão da humanidade, podem ter certeza. Mas só está lá porque foi reeleito. Tudo bem que a eleição dele em 2000 foi no mínimo estranha (pra não dizer roubada), mas em 2004 o cara ganhou mesmo, sem choradeira. Também, contra um John Kerry anti-carismático e bananão...

Prova de que os norte-americanos, à época, acreditavam nele e na imprensa pró-Bush (FOX News) dos EUA. E dizem que o povo lá de cima é burro.

O que nós podemos dizer? Tudo quanto é tipo de mentiroso está exercendo algum cargo político importante nesse país. E para mim não tem esse negócio de direita-esquerda-pra cima-pra baixo não. A lista de mentirosos vai desde o PT (com aquela inundação de denúncias que apareceram) até o governador paulista do PSDB (que disse que não abandonaria a prefeitura em 2006 para disputar a presidência; em vez disso, abandonou a prefeitura para disputar o governo do estado), passando pela lista de maria-vai-com-as-outras que impera no Brasil.

Rush no Brasil?

Ainda é uma interrogação. Notícias circularam na net, muito em virtude do bem-informado blog Rush is a Band, que cravou que a banda viria à América Latina na nova perna da Snakes and Arrows Tour. Eu ouvi esse papo ainda na Rushcon, em Toronto, e todo mundo vem comentando sobre isso aqui no Brasil. Falou-se até de um show no estádio Castelão, em Fortaleza.

Sexta passada eles divulgaram as datas da turnê, incluindo apenas EUA e Canadá, com exceção da primeira noite, que será em Porto Rico. Como se pode olhar abaixo (copiado do excelente Test for Echo, melhor site brasileiro sobre o Rush), é difícil encaixar uma passagem pela América Latina. Se acontecer, deverá ser no segundo semestre mesmo. A maior folga entre um show e outro é entre 15 e 25 de junho, intervalo de apresentações em Boston e Indianápolis.

ABRIL 2008

11: San Juan, PR - Coliseo de Puerto Rico
13: Ft Lauderdale, FL - Bank Atlantic Center
15: Orlando, FL - Amway Center
17: Jacksonville, FL - Jacksonville Veterans Memorial Arena
19: New Orleans, LA - Arena
20: Houston, TX - Woodlands Pavilion
23: Austin, TX - Frank Erwin Center
25: Dallas, TX - The Music Center at Fair Park
26: Oklahoma City, OK - Ford Center
29: Albuquerque, NM - Journal Pavilion

MAIO 2008

1: Phoenix, AZ - Cricket Pavilion
3: Reno, NV - Reno Events Center
4: Concord, CA - Sleep Train Pavilion
6: Los Angeles, CA - Nokia Theatre
10: Las Vegas, NV - Mandalay Bay Events Center
11: Irvine, CA - Verizon Wireless Amphitheatre
20: Moline, IL - iWireless Center
22: St Paul, MN - MTS Center
24: Winnipeg, MB - Brandt Center
25: Regina, SK - Rexall Place
27: Edmonton AB - Cricket Pavilion
29: Vancouver, BC - GM Place
31: Seattle, WA - The Gorge Amphitheatre

JUNHO 2008

1: Portland, OR - Clark County Amphitheatre
3: Boise, ID - Idaho Center
5: Denver, CO - Red Rocks
7: Kansas City, MO - Starlight Theatre
9: Chicago, IL - United Center
10: Detroit, MI - Joe Louis Arena
12: Montreal, QC - Bell Center
14: Philadelphia, PA - Wachovia Center
15: Boston, MA - Tweeter Center
25: Indianapolis, IN - Verizon Amphitheatre
27: Milwaukee, WI - Summerfest
28: St Louis, MO - Verizon Wireless Amphitheatre
30: Cincinnati, OH - Riverbend Music Center

JULHO 2008

2: Pittsburgh, PA - Post Gazette Amphitheatre
4: Atlantic City, NJ - Marc Etess Arena
5: Saratoga, NY - SPAC
7: Uncasville, CT - Mohegan Sun
9: Toronto, ON - The Molson Amphitheatre
11: Manchester, MA - Verizon Arena
12: Holmdel, NJ - PNC Bank Arts Center
14: Wantagh, NY - Jones Beach
17: Hershey, PA - Hershey Stadium
19: Washington, DC - Nissan Pavilion
20: Charlotte, NC - Amphitheatre
22: Atlanta, GA - Verizon Wireless Amphitheatre at Encore Park


Eu me surpreenderei se a banda realmente vier no segundo semestre. Mas acho que pode rolar. A impressão que nós deixamos foi a melhor possível, com a coisa do Rush in Rio, maior público da história da banda em São Paulo... eles nos devem esse retorno. E eu vou estar lá, dessa vez na primeira fileira.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Que beleza!

Estou aqui assistindo à reprise do programa Linha de Passe, da Espn Brasil. Achei muito legal que o Trajano e o Calazans se solidarizaram com o Milton Leite, ex-funcionário da Espn e que hoje está na concorrente Sportv. Na última sexta-feira, o jornalista que participava da bancada do Arena Sportv,discutiu no ar com um atacado Vanderlei Luxemburgo.

Eu estava vendo ao vivo esse programa, e o que aconteceu foi o seguinte: o Milton estava metendo o pau na contratação do Léo Lima pelo Palmeiras. Ele discordou de grande parte da bancada sportvense e disse que o jogador não tinha motivos para ser contratado pelo Palestra, agora dirigido pelo Luxemburgo. Em certo momento, falou "isso leva a gente a desconfiar que existem coisas por trás nesse tipo de negociação".

Vanderlei Luxemburgo ligou para o Arena e entrou educadamente no ar, explicando suas razões e sobre o porquê de ter trazido o jogador ao Palmeiras. Até aí, tudo bem. O problema foi depois, quando começou a agir que nem uma criança, dizendo ao Milton Leite "você me persegue!". Me fez lembrar os tempos de Colégio Objetivo, quando os professores ouviam constantemente essa frase de nós, pobres e perseguidos alunos.

Depois, falou em processo. Não vai ganhar, Luxemburgo. O Milton Leite nem mesmo te ligou diretamente àquela "desconfiança" anteriormente citada. É somente uma desconfiança. Podem ter interesses do Palmeiras, da Traffic, de outras pessoas... ele só deu a opinião dele. Não acusou sem ter como provar, como adoram fazer muitos pseudo-jornalistas por aí.

Sempre gostei do Milton. Ele é incisivo e fala o que pensa, na minha opinião. Acho que ele exagera, às vezes, como aconteceu nesse caso do Léo Lima, que pode até dar certo no Palmeiras. Luxemburgo poderia ter saído por cima depois de sua explicação, que até me convenceu. Mas o showzinho dele é que vai ficar para a história.

Acho que ele está muito acostumado com "jornalistas" que só sabem puxar o saco do entrevistado. Nunca soube aceitar críticas mais pesadas.

Sinto falta do Milton Leite na Espn Brasil.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Cara de um, focinho do outro...

Divulgaram ontem um retrato-falado do suposto seqüestrador da menina inglesa em Portugal, em maio do ano passado.

Não é uma piada de mal gosto. Mas não é o retrato-falado do George Harrison? Uma versão bizarra e mais dentuça, logicamente.


Bom, vi a cara desse maluco na home da Folha Online e lembrei do Harrison. Sempre admirei demais o guitarrista do Beatles. Para mim, era o contraponto da dupla Lennon/McCartney. As canções eram demais, um pouco mais centradas nas guitarras, naturalmente, e cheias de sentimento.

O cara escreveu clássicos no Beatles, como Something e While my Guitar Gently Weeps, e também na carreira-solo, como My Sweet Lord, que é a mais famosa. Minha favorita é Here Comes the Sun, que ganhou versão em português do Lulu Santos. Não sou muito fã do Lulu Santos, mas gosto dos caras que têm a ousadia de pegar um clássico internacional e fazer uma versão em português.

Além de um eterno ativista, Harrison também era um grande fã de automobilismo, como muitos sabem. Tem uma caixa dos Beatles, com uns 10 DVDs, no qual ele aparece dando entrevista na sua casa, com um quadro do Senna ao fundo. Ele era fanzaço do Ayrton e das corridas em geral.

Ele, que morreu há seis anos, que descanse em paz.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Depois de tantos dias e seis partes, chegamos ao final dessa jornada Rushenta em Toronto. Um dia após o show, no domingo (23/09) a Rushcon seria encerrada com algumas atividades bem interessantes.

A primeira delas seria, para mim, a mais esperada. Uma turnê pela SRO Anthem Records, nada mais nada menos do que a gravadora dos caras. Na mesma rua do Days Inn Hotel (onde acontecia a convenção), a Carlton Street, rumei com o grupo de pessoas de meia-idade em sua maioria para conhecer o local.

Antes disso, já havia lido que um fã tinha tentado aparecer lá na Anthem (cuja fachada -na foto ao lado - não possui nada de especial, nem mesmo o nome da empresa) e pedido para entrar e ver os discos de ouro do Rush. Não conseguiu, mas sugeria que, para quem quisesse tentar, que ligasse para a gravadora, se apresentasse e pedisse para fazer um tour por lá.

Percebi que não seria fácil, e a principal razão para eu ter pagado a taxa inteira da Rushcon (que custava CAD$ 65 e incluía todas as 'atrações') era justamente essa tour pela SRO Anthem. E ela não decepcionou. Tirei muitas fotos daquela quantidade imensa de discos, cds, cassetes, vídeos e dvds de ouro e platina.


Duas coisas me chamaram mais a atenção. Primeiro, umas fotos presas em um mural com fotos da banda em seus primórdios, anúncios de shows do Rush em 1973 e 74, algumas delas até da época que a banda tinha um quarto integrante (o segundo guitarrista Mitch Bossi, salvo engano).
A segunda é a pintura original da capa do disco Power Windows, de 1985, feita pelo eterno designer das capas do grupo, Hugh Syme, e que pertence a Neil Peart. Tirei uma foto com a pintura e também da assinatura de Syme, no canto posterior direito da figura.

OBS: Ontem eu estava lendo uma biografia do Kiss, chamada Por Trás da Máscara, e descobri que o Hugh Syme fez o design da capa do Revenge, disco de 1992 que trouxe o quarteto mais capitalista do Rock 'n' Roll de volta às suas origens. Gosto muito desse álbum, e também de sua capa.

Voltando ao hotel com o resto do grupo, fiquei lá e conferi um pedaço do leilão beneficente que começou a rolar. A galera gastou muita grana (lembro de um simples poster autografado do Neil Peart sair por uns CAD$ 300). Logicamente que eu não participei, pois não tinha cacife para isso. Além do mais, se fosse para gastar aquela quantidade de dinheiro com a banda, que fosse para comprar um livro que contém todos os tourbooks da banda até 2004, e que estava à venda na convenção em uma estante da Anthem. Não trouxe por causa do preço e também por causa do peso na mala. De qualquer maneira, foi divertido ver aquela galera se digladiar para levar os itens.

A última atração da Rushcon era no domingo à noite, em que a galera se reuniria no pub que o Alex Lifeson é sócio, chamado The Orbit Room. Confesso que o lugar é simples, com uma decoração mais ou menos. Mas tinha uma bandinha tocando um som diferente (nada a ver com o som do Rush, mas bem legal) e uma galera bem eclética. Não estava lotado, mas com uma galera até.

Lá, conheci melhor o pessoal da Rushcon, conversei também com quem eu já havia sido apresentado e fiz um grande amigo, o Regan, que me deu uma grande força enquanto eu estive em Toronto. Além disso, também me deu um cd do Max Webster (banda canadense 'irmã' do Rush, que abriu shows deles na época do Moving Pictures - e cujo guitarrista, Pye Dubois, é co-autor de Tom Sawyer) que tem a música Battle Scar, gravada com a participação dos três integrantes do Rush.

No Orbit Room, conheci um amigo do Regan, o japonês Seiji Harada, que dois meses depois me forneceria gentilmente suas fotos do show para que eu mandasse para a Rock Brigade publicar ao lado do meu review (considerando que as minhas imagens não eram nem um pouco aproveitáveis, por causa da já mencionada lonjura entre eu e o palco).

Mesmo que eles não entendam nada desse texto em português (o Seiji não entendia nem inglês direito), um grande abraço aos dois.


Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

domingo, 6 de janeiro de 2008

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

O review já está publicado em alguns posts abaixo. Agora, falarei um pouco sobre como foi assistir ao trio canadense em sua hometown, do ponto de vista pessoal.

Estava eu no Days Inn Hotel, na Carlton Street, para pegar o ônibus com o pessoal e rumar ao Air Canada Centre. Era um ônibus escolar, cuja foto está logo abaixo. Uma mendiga (sim, existem muitos mendigos em Toronto - e a vasta maioria deles são brancos, o que me chamou a atenção, já que a população negra e latina na cidade é muito grande) fez graça comigo: "cool, a schoolbus!", porque eu estava me impressionando com um simples ônibus escolar. Aqui, os veículos escolares não são caracterizados assim, expliquei bufando.



No caminho, sentei do lado de um homem de uns 45 anos, norte-americano de um estado que eu não lembro, mas que era daqueles que tinha visto o Rush pela primeira vez na época do A Farewell to Kings (1977). Ele ainda soltou: "eu não sei quantos shows eu assisti, mas acho que esse deve ser o 40 e poucos; porém, esse é o primeiro deles que eu vou ver em Toronto, na casa da banda". O sentimento era parecido com o meu; a diferença é que seria apenas meu segundo show.

Chegando ao local, coloquei uma bandeira brasileira (que era do Lloyd, meu homestay canadense) enrolada nas costas. Nunca fui desse tipo de 'patriota', de querer comemorar o fato de ser brasileiro. Muitos faziam isso na escola onde estudei em Toronto: iam todo dia com a camisa do Brasil, tocavam samba alto, falavam português o tempo inteiro... demonstrando um orgulho e patriotismo forçado. A minha saudade de casa eu guardei para mim, já que não estava no Canadá para divulgar meu país.

De qualquer maneira, como eu disse, quis enrolar a bandeira nas costas. Como o Rush (e o Rock 'n' Roll em geral) é importante demais para mim, esse foi o jeito que eu encontrei de demonstrar que o Brasil estava também representado naquele evento. Era apenas um símbolo para mim. Afinal, o Brasil é um dos países mais Rock 'n' Roll do mundo.

Quando desci do ônibus, o Sam Dunn - aquele do documentário sobre os fãs de metal e que já tinha me entrevistado para o documentário sobre os fãs do Rush - estava fazendo umas imagens para esse mesmo filme, que deve sair em 2009. Naquele momento, um cara que estava na Rushcon ficou fascinado com o fato de eu ter vindo do Brasil e me deu um cd com o áudio do show da banda em Tampa Bay, em junho de 2007. Quando eu estava agradecendo a boa e incógnita alma, Sam pediu para o câmera dar um close na bandeira - e em mim. Confesso que bateu uma vergonha. Mas me comuniquei com a câmera, já que não havia muito o que fazer.

Rumei para a fila, que era grande, porém organizada. Entrei com uma máquina fotográfica escondida (o que foi extremamente desnecessário, já que a revista foi zero), dei umas voltas para ver o merchan da banda e as barracas de hot-dog. Nossa senhora, quanta besteira que vendia naquele ginásio. Pipocas e refrigerantes gigantes compunham o cenário do público.

Quando cheguei no meu lugar, já comecei a me arrepender de não ter comprado o ingresso mais caro, na pista. Era longe demais do palco, mas pelo menos eu conseguia ver o telão. Não foi o que aconteceu três semanas depois, quando fui assistir ao Van Halen no mesmo local. Mas essa história fica mais para frente. Por ora, fica a imagem da distância entre Tuvuca e seus ídolos Lee, Lifeson e Peart.



Fui um dos primeiros a entrar, então é lógico que quando eu sentei no meu devido lugar marcado, o ACC ainda estava vazio. Faltando meia hora, lotou tudo. Fiquei surpreso, porque achei que sobraria lugar. Mas o público de aproximadamente 30 mil pessoas era praticamente sold-out. Tentei pregar a bandeira na grade em frente à arquibancada. Não me deixaram, como já imaginei que aconteceria. "You can't do this kind of stuff here", disse a moça para mim, em um misto de educação e surpresa pela minha atitude.

Quanto a esse negócio de lugar marcado, confesso que não tenho opinião formada sobre tal assunto. Nossa cultura é muito diferente. Um dia, pensarei melhor e tentarei chegar a alguma conclusão. Vi da arquibancada aquela pista com o pessoal todo em pé, mas parado, organizadinho, respeitando o lugar do próximo. É realmente muito estranho.

O show começou com Limelight, todo mundo levantou, cumprimentou a banda e sentou calmamente para ver os caras. Foi muito engraçado. Mas a galera gritou bastante quando Geddy disse que Toronto era como um "big club" para o Rush. "That`s our hometown", ele completou. A foto abaixo, que mostra um pouquinho do público, foi tirada durante a execução de Dreamline.


Quanto às musicas em si, deixo o review supramencionado e suprapublicado para quem quiser maiores detalhes. Só digo que eu me policiei para não ler o set-list antes do show e não estragar as surpresas. Lembrava que eles estavam ensaiando Entre Nous para a tour, mas fiquei emocionado quando eles tocaram essa pérola do Permanent Waves, que começou a ser executada ao vivo justamente na turnê do Snakes And Arrows. Antes disso, apenas na gravação do PW, em 1979.

As que mais me surpreenderam foram Circumstances, A Passage to Bangkoc (adoro esse som) e Witch Hunt. Em The Spirit of Radio, admito que fiquei muito emocionado. Gosto de acreditar na liberdade da música, como diz a letra. Para mim, The Spirit of Radio (e não "The Spirit of the Radio", como alguns profanizam) é a melhor faixa que os caras já compuseram. Mescla a virtualidade com o pop, o rock com o reggae, o complicado com o pegajoso. A energia que sua letra passa é magistral, na melhor das canções que falam sobre música. Um ótimo e esquecido tema, na minha opinião.

No intervalo, fui dar uma volta e encontrei um outro brasileiro, de Natal, que estava em Toronto estudando e trabalhando. Conversei com o cara, que não era muito fã da banda mas estava adorando o show. Era realmente impossível não se impressionar com eles. Eu virei fanático pelos três justamente depois do show de SP, em 2002.

Depois desse concerto, o fanatismo só aumentou. E só tende a aumentar. Se os caras vierem mesmo neste ano para cá, estarei nas primeiras fileiras. Podem apostar.

Assim, fica o registro desta histórica data de 22 de setembro de 2007. Na minha memória, um dos maiores shows de todos os tempos.

Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

Esqueçamos 2007...

...e um Feliz 2008, com alguns dias de atraso.

Pessoalmente, o ano de 2007 foi um dos mais chocantes da minha vida. Muitos sustos. Mas a vida segue, o ano muda e a cabeça continua erguida.

Um ano novo fera para todo mundo.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Mais 4 dias...

para a folga de Ano Novo. A partir da semana que vem, o resto da picotada história do Rush em Toronto.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Após dormir morrendo de ansiedade para ver o Rush de verdade pela segunda vez, acordei no sábado e corri para o hotel onde o encontro aconteceria (e onde a maioria dos fãs dos Estados Unidos e outros lugares do Canadá estavam hospedados). Era um hotel da rede Days Inn e ficava na Carlton Street, mesma rua da sede da gravadora do Rush (Anthem SRO) e do ginásio Maple Leaf Gardens (no qual o trio gravou o vídeo Grace Under Pressure Live).

Cheguei lá, ainda não tinha começado nada. Fiquei olhando um pouco o merch da banda, comprei o tourbook da Snakes and Arrows Tour (e quase levei um livraço com todos os tourbooks da banda até a turnê de 30 anos, que custava uns 150 dólares canadenses). Também levei a linda camiseta vermelha da tour e ganhei um monte de tranqueira que sobrou como souvenir das Rushcons anteriores, desde uma camiseta até um apoiador de sabonete com referências à banda.

Paguei minha entrada para a Rushcon e procurei o Sam Dunn, que estava entrevistando um pessoal do Japão. Depois, me chamou para a gente conversar. Eu, que acabei de produzir ao lado de três colegas um documentário sobre o Tom Zé (que em breve estará no YouTube), como trabalho de conclusão de jornalismo, gostei de passar de entrevistador para entrevistado. Entrevistador em português para entrevistado em inglês.

O Sam fez algumas perguntas genéricas ("há quanto tempo você gosta da banda?", "por que eles são tão especiais", etc) e outras mais legais, tentando entender a relação de paixão entre um trio de músicos canadenses, de certa forma frios e discretos, e os brasileiros, que de frieza não têm nada. Expressei a minha opinião, de que nós admiramos os caras justamente pela dedicação, determinação e sensibilidade em cada trabalho que lançam. Trabalhos esses que não podem sair de ano em ano; as coisas podem demorar (como Vapor Trails, que levou mais de um ano para ficar pronto, mas saiu ótimo e contemporâneo, do jeito que manda o perfeccionismo da banda).

Bom, já disse que assisti ao outro documentário do Sam Dunn (Metal: A Headbanger`s Journey), e acredito que esse sobre os fãs do Rush, que deve ficar pronto em 2009, vai ser maravilhoso. O cara é canadense também, cresceu ouvindo Rock 'n' Roll e heavy metal e entende do assunto. Ao mesmo tempo, mantém um certo distanciamento da 'tietagem' que existe no meio, o que sem dúvida ajuda em muito o trabalho de um bom jornalista.


Depois da entrevista, fui até o saguão onde estavam expostas algumas peças legais que seriam leiloadas no dia seguinte e tirei algumas fotos. Depois, começou a rolar competição do jogo Guitar Hero, onde todo mundo tinha que se matar para não errar nenhuma nota de YYZ. Apesar de ficar de fora (os únicos games que eu gosto são do finado SuperNes), me diverti assistindo aquele povo levando o jogo a sério, como se Lee, Lifeson e Peart estivessem presentes para ver a performance de cada um. Lembro que o cara que ganhou o concurso do 'Air Drums', na noite anterior, também jogou o Guitar Hero.


Depois disso, a organização montou o The Game of Snakes and Arrows, onde três participantes tinham que acertar perguntas sobre a banda. Cada resposta certa ajudava a desvendar uma imagem ao fundo da tela onde as questões eram lidas. No final, essa imagem era um pé-de-coelho e estava relacionada ao tourbook do Presto. Dos três concorrentes, sei que o vencedor ganhou um ingresso foda para o show que aconteceria em algumas horas, em uma cadeira central na terceira fileira, salvo engano.

O público lá era o mesmo do show do Limelight na sexta-feira, mas rolava um pessoal ainda mais velho que não teve pique de ver a banda cover. Todo mundo estava ansioso para chegar no Air Canada Centre; Lee, Lifeson e Peart entrariam no palco às 19h. Rolava um busão (daqueles escolares, amarelos) até o ACC, sem custo para aqueles que participavam da Rushcon.

Fiquei numa lanhouse um tempinho, comi num Subway, comprei uma caneta para anotar o set-list e algumas observações que me ajudariam a escrever o review e rumei para o ônibus com o resto do pessoal.

O resto, que inclui o show em si, eu conto amanhã.

Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Vamos em frente com o monte de história sobre os shows do Rush em Toronto, no último mês de setembro.

Após descobrir a existência da Rushcon, que reuniria fãs da banda de todos os lugares da América do Norte, um ou outro europeu, japonês ou brasileiro (eu, no caso), rumei para lá. Na programação, a primeira atração seria um show da banda Limelight na sexta-feira (21 de setembro), no Opera House (um pub/muquifo ao lado sudeste de Toronto).

Cheguei lá quando já tinha começado, e uma moça da organização veio me perguntar de onde eu era. Quando contei sobre minha procedência, ela disse "acho que o Sam irá querer falar com você". Sam era Sam Dunn, diretor do documentário Metal: A Headbanger`s Journey, que até saiu no Brasil pela Europa Filmes, há algum tempo.

O Sam, com uma cara típica de metaleiro canadense em seus early 3o's, foi extremamente simpático e contou que tinha vindo para o Brasil por causa desse documentário sobre os headbangers (que eu assisti já e é muito divertido, além de informativo; a capa está aqui ao lado). Ele explicou que seu novo projeto era um documentário sobre os fãs do Rush, que provavelmente estará pronto em 2009. Perguntou se poderia me entrevistar, no dia seguinte, e eu disse "claro!".

Fui então, ver a banda, que ainda não tinha começado. Estava rolando um concurso de Air Drums, com um monte de marmanjão fingindo tocar YYZ no palco. Esses tais concursos de Air Guitars e Air Drums nunca foram muito populares por aqui (ainda bem), mas faz parte da cultura metaleira da América do Norte. Fui tomar uma cerveja canadense, forte e de gosto razoável, para esperar o Limelight subir ao palco.

Como um forasteiro, fiquei checando a galera. A grande maioria do pessoal tinha entre 35 e 45 anos, fãs há bastante tempo. Alguns tinham entre 20 e 30, mas eram mais escassos. O que se via mesmo era muitos "casais-Rush", daqueles que deixam a família inteira fanática pela banda. Fiquei lá de zoio até o show começar.

O Limelight entrou e mostrou uma formação bem sólida. Os caras eram de Nova York, e o vocalista, que parecia mais o Ripper Owens, ex-Judas, trajava uma camisa do NY Rangers, time de hóquei e grande rival do Toronto Maple Leafs, heróis locais mas que nunca ganham a NHL. O Air Canada Centre, ginásio do Maple Leafs, seria palco do show do Rush no dia seguinte.

Voltando ao Limelight, os caras fizeram um ótimo show, com destaque maior para o baixista/tecladista, que agitava bastante e tocava bem pesado. O legal foi que eles desenterraram algumas pérolas dos primeiros discos, como Beneath, Between and Behind, In the End e até mesmo Under the Shadow, que faz parte da longa The Necromancer. Outra grande idéia foi tocar o Moving Pictures inteiro e evitar as músicas que estão no set-list atual do Rush.

Uma constatação: nunca vi uma banda tributo do Rush só com três integrantes, e isso não foi exceção com o Limelight, que conta com quatro membros. Acho que isso mostra como os caras são únicos em seus instrumentos, sem esquecer da parafernália de samplers e pedais utilizados. Outra constatação foi: o melhor de assistir a uma banda cover lá de cima é de que o inglês é a língua nativa dos caras. É uma vantagem que não se pode ignorar sobre as bandas brasileiras, que sofrem também com as palavras complicadas das letras de Neil Peart. Mas alguns se dedicam bastante e essa característica acaba ficando quase que imperceptível.

De resto, tudo igual sempre: um monte de música fera, galera gritando empolgada, intervalo, mais um monte de música fera, uns três bis e depois pegar o bonde e o metrô para ir para casa. Conversei com poucas pessoas lá, mas deixei o contato marcado com o Sam Dunn para dar a entrevista no sábado, algumas horas antes do show, no hotel onde rolaria a Rushcon.

Para finalizar o post, duas fotos: a primeira é do palco, com a banda e algumas das cerca de 60 pessoas que foram ver o Limelight.



A segunda é uma imagem que eu peguei no site da banda, em que eu apareço com uma camiseta preta, o peito e a barriga pra frente e uma cerveja na mão, vendo os caras se apresentarem. O crédito da foto é de uma tal de Kristy Williams.

Agora sim, até amanhà e um Feliz Natal para toda sua família.


Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Voltando agora à normalidade, começarei a contar um pouco da jornada para ver o Rush em Toronto. Primeiro, cheguei na maior cidade canadense cerca de 10 dias antes da apresentação, que seria no dia 22 de setembro de 2007, um sábado. A quarta-feira (19) estava reservada para o primeiro show.

Neste dia, eu estava morrendo de vontade de comprar um ingresso e assistir também àquela apresentação. Me segurei porque não podia ficar gastando tanta grana, mas resolvi visitar a CN Tower, uma das mais altas estruturas do mundo e talvez o principal cartão-postal da metrópole canadense.

A caminho, resolvi parar em um pub, tomar uma cerveja e comer um lanche. Eram mais ou menos 18h, e os caras entrariam no palco em duas horas. Já bem perto da CN Tower, parei no boteco e pedi um sanduíche. Na mesa do lado, vi que tinham três caras com camisetas da banda e falando sobre o que estavam prestes à assistir. Um deles me perguntou se eu tinha um isqueiro, respondi que não mas soltei "e vocês, estão indo ver o Rush?".

Após o "sim", me devolveram a questão e eu expliquei que só veria Lee, Lifeson e Peart no sábado. Ficaram fascinados quando eu contei que era brasileiro e tinha ido em um show da turnê do Vapor Trails em 2002. Não aquele do Rush in Rio, mas o de São Paulo, que choveu horrores e se tornou o maior público da banda em toda sua história como headliners (cerca de 60 mil pessoas vieram ao Morumbi).

Mostrei algumas revistas que eu tinha comprado da banda (uma Kerrang! de 1984, da época do lançamento do Grace Under Pressure). Os caras acharam o máximo todo aquele fanatismo e tentavam entender o porquê de um brasileiro se identificar tanto com o trio. Expliquei que bom gosto e admiração pelos que buscam sempre a perfeição existem no mundo inteiro.

Também houve aquela indagação típica dos canadenses (como eu constataria depois), do tipo "nossa, mas por que vocês fazem tanto barulho? Cantam até YYZ, que é instrumental!". Eles perguntavam até com uma certa inveja e se justificavam: "nós canadenses somos mais discretos, não vibramos tanto como vocês". Recordei-os de que, em 2002, estávamos vendo o Rush pela primeira vez, depois de tanto tempo esperando. A empolgação era realmente única, o que fica bem claro no DVD do Rush in Rio. Mas, no final das contas, brasileiro gosta mesmo é de fazer festa. E ser parte do show. Seja no esporte ou no Rock `n` Roll, o que importa é cantar e gritar o mais alto possível.

Eram dois caras mais velhos, na faixa dos 40 anos, e o filho de um deles, de 13, que assistiria ao seu primeiro show do grupo e estava ansioso. Lembro que eles me disseram que tinham visto o Rush pela primeira vez na época do Signals (1982) e iriam ao seu vigésimo e tanto show, pois já tinham perdido a conta. Me despedi de todo mundo e fui lá para a CN Tower, morrendo de vontade de rumar ao Air Canada Centre e gastar mais uns 90 dólares.

Acabei indo mesmo para a CN Tower, pertinho do ACC, tirei umas fotos lá de cima (uma delas postada aqui, que mostra o local do show a uma altura de 346 metros). Saindo de lá, passei no ACC e vi um folheto divulgando a Rushcon 7, encontro de fãs que começaria na sexta-feira com um show de uma banda cover do Rush em um muquifo lá de Toronto.

E foi lá que a jornada continuou.




Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

Após o descanso de 10 dias...

...estamos de volta. Junto com esse belo cenário do interior paulista, em um amanhecer às margens da represa do Tietê, onde ele é bem mais limpo e apresentável.

E agora, de volta à maratona Rush.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

Logo na minha segunda semana em Toronto, lá estava eu para ver a banda que eu acho mais talentosa, criativa e coesa (resumindo: minha favorita) banda do Rock 'n' Roll: o Rush.

Quando já tinha decidido estudar um tempo em Toronto, mas antes de fechar a viagem, descobri que Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart tocariam em sua cidade-natal nos dias 19 e 22 de setembro para a turnê de divulgação de seu novo disco, Snakes and Arrows. Pensei: vou nessa.

Seria meu segundo show do Rush. O primeiro foi em São Paulo, na turnê do Vapor Trails em 22 de setembro de 2002. Aliás, foi no estádio do Morumbi, naquela noite chuvosa, que minha admiração pelo trio torontoniano virou paixão.

Um dia explico porque o Rush é a minha banda preferida. Mas voltando à história, comprei o ingresso pela internet para o show do dia 22 e tentei convencer alguma revista brasileira a publicar um texto meu sobre o evento. A Rock Brigade aceitou (está na edição de novembro, ao lado do meu review sobre a reunião do Van Halen com David Lee Roth, cuja história eu conto mais para frente).

No dia 19, estava perto do Air Canada Centre, onde seria a apresentação, e passei pela frente do local. Lá, descobri que na sexta-feira, um dia antes do show que eu iria, o fã-clube da banda estava divulgando o Rushcon 7, uma reunião de aficionados do Rush que começava no sábado e terminava no domingo.

Contarei em detalhes como foi esse fim-de-semana rushento de festas, leilões, entrevista para documentário e muito Rock 'n' Roll, nos próximos dias. Por enquanto, fiquem com o review que eu escrevi sobre o show e umas fotos tiradas pelo japonês Seiji Harada (que eu conheci na Rushcon e me cedeu gentilmente as figuras, que também foram para a revista). Eu estava em um lugar péssimo, por isso as minhas fotos não foram muito aproveitáveis.


Rush – Air Canada Centre, Toronto – 22/09/07

Por Marcelo Freire

Depois de assistir à turnê do Rush no Brasil, em 2002, que rendeu o histórico DVD “Rush in Rio”, presenciar o trio canadense em sua cidade natal para a promoção do disco “Snakes and Arrows” é uma experiência certamente diferente. O Air Canada Centre, palco de jogos de hóquei e da NBA, estava praticamente lotado para ver o segundo show do Rush em Toronto nessa turnê (a primeira apresentação foi na quarta-feira, 19), com um set-list que prometia muitas surpresas.


Um vídeo descontraído, contando com brincadeiras entre os integrantes da banda, esquentou o ambiente até que as primeiras notas da clássica Limelight fossem ouvidas no ginásio. O trio mostrava a coesão de sempre logo na música de abertura, enquanto que o público canadense, como já era esperado, assistiam a Lee, Lifeson e Peart com tranqüilidade, sem os gritos e a histeria dos shows em terras brasileiras. Mesmo assim, os mais de 30 mil pagantes não tiravam os olhos dos três instrumentistas em nenhum momento.

As duas músicas seguintes confirmavam a promessa da banda em executar canções que estavam fora do set-list das turnês há bastante tempo. Digital Man e Entre Nous, ambas do início da década de 1980, surpreenderam todos os presentes, principalmente aqueles que acompanham as apresentações do Rush desde essa época.

Geddy Lee saúda seus contêrraneos antes da pérola Mission, outra que estava ‘sumida’ dos shows. Após o clássico Freewill, Lee, Lifeson e Peart iniciam a execução de músicas mais recentes, como A Secret Touch, de “Vapor Trails”(2002) e duas do novo disco, a instrumental The Main Monkey Business e The Larger Bowl, cujo vídeo exibido no telão fez diversas referências aos combates e às guerras em diversas partes do mundo.

Circumstances, de 1978, foi talvez a maior de todas as surpresas, pois é da época mais progressiva do Rush, durante o disco “Hemispheres”. E é curioso ver como Geddy Lee se comporta durante a execução da canção, que tem notas altas demais para o vocalista nos dias de hoje. Mesmo assim, ele não arrega, sabendo de suas limitações nas notas mais altas e se poupando nas melodias mais tranqüilas. Between the Wheels e Dreamline encerram a primeira parte do show, antes dos tradicionais 20 minutos de descanso para Lee, Lifeson e Peart.

No aspecto instrumental, é praticamente desnecessário mencionar a habilidade de cada um. A precisão de Neil, a versatilidade de Geddy e a criatividade de Alex, aliadas à capacidade e ao conhecimento técnico de cada um, é sempre um show à parte. Alguns overdubs de teclado e voz são necessários, mas o resto fica a cargo pelos três no palco. Quanto à interação com a platéia, Alex é o que mais se movimenta, já que Geddy fica com o espaço mais limitado como vocalista, baixista e tecladista, sem deixar de se comunicar com a platéia, no entanto. Mesmo demonstrando 100% de concentração durante todo o tempo, Neil Peart também está mais descontraído, principalmente em relação à epoca de “Vapor Trails”, quando ainda se recuperava de uma grande tragédia pessoal após a morte da esposa e da filha em um espaço de apenas 10 meses, no final da década de 1990.



Em meio a explosões, o Rush volta ao palco para a segunda metade do show detonando Far Cry, canção que abre “Snakes and Arrows” e que é muito bem recebida pela platéia, contendo todos os requisitos para se tornar um clássico da banda em sua fase mais recente, principalmente por causa de seu refrão contagiante. Workin’ Them Angels, Armor and Sword, Spindrift e The Way the Wind Blows vêm em seguida, dando uma certa esfriada no público. Mesmo assim, todas funcionam melhor ao vivo do que em estúdio, como normalmente acontece com as canções do Rush.

A clássica Subdivisions, cujo videoclipe gravado em 1982 exibe diversas imagens de Toronto, volta a levantar o público, registrado pelo próprio Geddy Lee, que pega uma câmera e filma a platéia ao final da música. Depois de Natural Science, a música mais longa do set-list, vem outro ‘resgate’, dessa vez de “Moving Pictures”(1981): Witch Hunt, muito bem ensaiada e deixando parte do público emocionado com uma das mais belas letras já escritas por Neil Peart. As imagens no telão, produzidas pela banda, também se relacionam com a canção.

“Snakes and Arrows” volta a ter espaco no set, desta vez com a instrumental Malignant Narcissism, composta durante uma jam entre Lee e Peart e marcada por uma excelente e repetitiva frase de baixo. Logo em seguida, Neil toma a frente e inicia seu concerto particular. Não se contenta apenas em demonstrar a habilidade que o transformou em um dos maiores bateristas de todos os tempos, mas também inova seu solo a cada turnê, trazendo novos elementos e reinventando passagens já conhecidas em outros discos ao vivo da banda. Como aconteceu nas duas últimas turnês, Neil encerra sua apresentação improvisando ao som de um tema jazz, como baterista de uma ‘big band’ dos anos 50.

Ao contrário da versao acústica de Resist, tocada nos últimos anos como ‘descanso’ para Peart após o solo de bateria, Alex Lifeson volta ao palco para apresentar seu belo tema de violão, chamado Hope, também presente em “Snakes and Arrows”. Distant Early Warning traz a banda de volta e abre espaco para The Spirit of Radio, sempre levantando a platéia com a mistura de elementos pop/reggae com a complexidade rítmica da canção, um dos maiores hits da história do Rush, ainda mais em sua terra natal.

Outro vídeo muito engraçado, desta vez com os personagens do desenho South Park tocando o início de Tom Sawyer, aparece no telão. Após ‘falharem’ na primeira tentativa, as ‘crianças’ do desenho abrem nova contagem e desta vez é a banda que executa a música, sempre com maestria. Alguns deixam o Air Canada Centre e perdem o bis, que começa, surpreendentemente, com One Little Victory e A Passage to Bangkoc. Esta é praticamente uma viagem no tempo, já que a primeira canção abre “Vapor Trails” e a segunda é a mais antiga do show, tendo sido gravada em 1976, adaptada ao estilo da banda nos dias atuais.

A terceira instrumental da noite encerra o espetáculo: YYZ, demonstrando o quanto Lee, Lifeson e Peart, ainda têm para entregar ao rock`n`roll após 33 anos juntos. O grupo ainda deixa sua mensagem ao tocar muitas músicas novas, além das antigas que ‘desapareceram’ dos shows nos últimos 20 anos. Os fãs que lotaram o Air Canada Centre nas duas noites saíram deslumbrados com mais essa passagem do Rush por sua cidade natal. Falta saber se os boatos ouvidos aqui em Toronto, de que o trio planeja uma passagem pela América do Sul no ano que vem, com uma parada obrigatória no Brasil, se confirmem. Os brasileiros não se decepcionarão.


Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Introdução

Para começar a série de posts canadenses, aqui vai uma breve introdução sobre o que eu fui fazer nesse país frio, grande e com uma gigante área praticamente desabitada.

Depois de terminar o freela para a Folha, durante o Pan carioca, e já formado, resolvi encarar um desafio novo. Dinheiro guardado, planejei a viagem. Fui estudar inglês, por seis semanas, na International Language Schools of Canada (ILSC) de Toronto. Deixei duas semanas para conhecer o estado de Québec, ao norte de Ontario, também conhecido como French Canada.

Desembarquei em Toronto, após sair de São Paulo e trocar de vôo em Miami, no dia 12 de setembro (sim, saí daqui no dia 11, a data mais segura do ano para viajar de avião). Conheci uma brasileira cujo amigo canadense que também fala português e trabalhou para a Veja aqui no Brasil (ufa!) me deu carona até minha homestay, onde ficaria pelas seis semanas em Toronto.

Chegando lá, conheci a pessoa que me daria comida e quarto durante esse tempo. Lloyd, um senhor de 70 anos formado em filosofia, artes cênicas, ex-diretor e ainda ator de teatro, me recebeu com extrema simpatia. Pareceu até brasileiro. No meu quarto, ele estendeu uma bandeira do país para que eu me sentisse em casa. Nunca me liguei em patriotismos nem nada, mas aquela bandeira do Brasil na parede me trouxe um inesperado conforto.

De um senhor de 70 anos, Lloyd não tinha nada. Vivido (foi professor em Nova York nos turbulentos anos 1960), ele tinha história demais para contar, sobre atores, diretores, podres de Hollywood e até sociologia. Resmungava bastante, o que acabou sendo um ponto semelhante entre ele e eu.

Ao Lloyd dedico este post introdutório.



quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O país do previsível

Choveu. E minha gripe piorou. Só aqui mesmo para pegar gripe durante o calor dos últimos dias. Mas ainda bem que choveu, porque eu não estava mais conseguindo nem dormir.

É engraçado como eu não fiquei gripado em dois meses no Canadá, pegando temperaturas de até -2 graus Celsius. Aqui, em menos de um mês, lá vem eu resfriado de novo. Que saco.

Mas o Brasil é o país do imprevisível. Aqui, tudo acontece de forma inesperada. Como essas viradas no tempo na capital paulista, tão comuns em qualquer época do ano. De repente, vem aquele calor de fritar novamente. Potencializado pela nossa 'Selva de Pedra'.

Como já disse, não peguei nenhum resfriado nos dois meses canadenses. Aquele país é bem mais previsível. A meteorologia sempre acerta. Mesmo assim, setembro de 2007 foi um dos setembros mais quentes em não sei quantos anos. Outubro também não fez o frio esperado. E o dólar canadense teve sua maior alta em cerca de 30 anos nessa mesma época. Ficou mais caro que o dólar americano. Ruim para mim.

Com essa singela introdução, abro a "Jornada Canadense" deste blog. O próximo post será dedicado ao show do Rush em 22/09, no Air Canada Centre, acompanhado do meu review que a Rock Brigade publicou (cortando um pedaço do final) em sua edição de novembro.

Até daqui a pouco.

De volta aos 14


Comprado. Tarefa cumprida. Agora é esperar nada mais nada menos do que três longos meses. Vou tentar arranjar lugar melhor, mas o meu já está garantido.

Depois de tanto tempo, o Iron Maiden ainda me surpreende. Comprei um tíquete do que restou de todos os setores do Parque Antártica: arquibancada. Inteira, porque para estudante também não tem mais. Nesta quarta, se completa uma semana do início da venda de ingressos. E já tá quase tudo esgotado.
Tudo bem, tem um monte na mão dos cambistas, que estão trabalhando lá na frente do estádio palmeirense, livres como sempre. Enquanto a lei continuar 'nenhuma', eles estarão sempre lá.

Mas vamos ao que interessa. Vi o Iron Maiden pela primeira vez em 1998, quando tinha 14 anos. Para comprar ingresso, fui à sede da Umes, na Ana Rosa, atrás de meia entrada. Consegui, e no Anhembi só tinha pista. Melhor assim.

O show foi dia 5/12/98, salvo engano. No dia seguinte, azarados fariam o vestibular da Fuvest. Blaze Bailey, o antigo vocalista, nunca foi lá essas coisas ao vivo. Mas para um moleque de 14 anos, ver a maior banda de metal do mundo já era o bastante. Também lembro que a chuva em SP foi histórica e durou uns três dias. Na apresentação do Helloween, não dava nem pra ver direito a banda no palco.

Pouco tempo depois, Blaze saiu, Bruce Dickinson e o guitarrista Adrian Smith voltaram (deixando a banda com três guitarristas e seis integrantes, o que prejudicou o som deles ao vivo, na minha opinião), e eles escalaram de volta ao topo. Gravaram o bom Brave New World (2000) e vieram ao Rock in Rio no ano seguinte.

Deu raiva. Nessa mesma turnê com o Blaze, em 1998, lembro que o guitarrista Janick Gers recebeu uma lata na cabeça durante o show no Rio de Janeiro. Em protesto, a banda nem voltou para o bis. E eles cancelaram o show em São Paulo, dois anos depois, para tocar de forma exclusiva no Rio de Janeiro. Quanta petulância!

Coisas de moleque. Não fui ao Rock in Rio, o que me arrependo até hoje, por motivos de força maior. Inexperiência e insegurança, diria. Passou. Hoje vejo esse show em DVD. Foi o que me restou.

Em 2004, vi finalmente a banda ao vivo com o Bruce. E me decepcionei, de certa forma. Um show bem mais curto do que o do Rock in Rio, com poucos clássicos e muitas músicas do mediano Dance of Death (de 2003). Mas com certeza valeu a pena. Sempre vale.

Agora, os caras vêm para tocar só música velha, aparentemente, com uma ou outra nova. Set-list baseado nos discos Powerslave (1984), Somewhere in Time (1986) e Seventh Son of a Seventh Son (1988), uma das tríades mais poderosas na história do rock. Esperaremos com ansiedade.

Ao contrário de muitos, fico feliz em ver a molecada empolgada em assistir ao primeiro show do Iron Maiden, esperando horas (e até dias) na fila para pegar lugar na grade. Faz parte do ritual. Que fiquem feliz, nos seus 14 anos. Muitos ainda virão pela frente.

Pena que não podemos dizer isso com tanta certeza no que diz respeito aos shows do Iron Maiden. É melhor aproveitarmos enquanto ainda dá para ver esses caras ao vivo. Sempre vale a pena.