segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O doping é a palavra da vez

Logicamente que eu estou muito atrasado sobre o assunto, mas não foi possível postar nestes últimos dias, que foram uma correria danada. E o que eu vou dizer também não é novo, todas as feras por aí já disseram.

Mais chocante do que a denúncia de Renato Russo à repórter Erika Akai, de que alguns pilotos se drogam antes de algumas corridas da Stock, em brilhante matéria do Estadão (a pauta foi perfeita), foi a postura de Paulo Scaglione, presidente da CBA, de que não lê a revista Playboy.

Explico: Cacá Bueno deu uma entrevista à Playboy no ano passado falando (de acordo com reprodução do Grande Prêmio) "se houvesse exame antidoping na Stock Car, muito piloto deixaria de correr". É uma acusação tão séria quanto a de Russo. O Cacá até dá uma amenizada depois, dizendo que nunca viu nada e nem tem como provar. Mas deixa claro sua desconfiança.

Perguntado sobre o assunto pelo Lance!, Scaglione respondeu que não lê a Playboy. Caro mandatário, ninguém está interessado em seus interesses literários, e sim na coerência de suas decisões. Russo foi levado ao STJD por suas declarações, Bueno não. Gosto, às vezes, da sinceridade do Cacá. Mas porque ele pode falar e o Renato não? Só para lembrar que o Russo tem 40 anos e corre há uma eternidade no automobilismo nacional.

Tem que levar ambos a sério e investigar. É assim que se resolve as coisas. Não mandando calar a boca. Aliás, nesse país, ultimamente, estão mandando todo mundo calar a boca sobre tudo. Tudo é tendencioso. Ou você é petista ou anti-Lula. "Crente" ou anti-evangélico.

Parece que não existe mais isenção em nada. É um complexo de inferioridade do brasileiro, de que nada presta no país.

Algumas coisas prestam. E outras precisam ser analisadas. Igual ao médico da CBF que foi demitido por levantar a hipótese de que o Ronaldo poderia ter sido tratado com anabolizantes por médicos holandeses. Afinal, opinião de cano é ralo. Mesmo de um profissional supostamente muito bem conceituado, já que foi contratado pela CBF. Quando ele falou o que achava, seu conceito caiu "repentinamente".

Voltando ao assunto, o lance do doping precisava ser investigado, mas provavelmente não será. Espero que pelo menos o exame antidoping na Stock saia do papel. Em nome da segurança. Segurança essa que, por inúmeros fatores, não conseguiu evitar esse acidente.


Para que as mortes possam ser evitadas em um esporte tão perigoso como automobilismo, é melhor que tentemos evoluir em todas as questões relacionadas à segurança, não apenas aquelas que nos interessam.

Tempos de escassez...

...de posts. As coisas andam sobrecarregadas demais, ainda bem.

Mas estarei sempre por aqui, comentando as coisas. Só a freqüência será um pouco menor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Os 25 anos de Thriller

Segue notícia da Folha Online, com Associated Press, sobre o lançamento da nova versão do clássico "Thriller", que hoje festeja 25 anos.


"Thriller" completa 25 anos com lançamento de nova versão

da Folha Online


da Associated Press, em Nova York



O álbum "Thriller", do cantor Michael Jackson, 49, completa 25 anos de lançamento nos Estados Unidos nesta terça-feira. Como "presente", uma nova versão, chamada "Thriller 25", está disponível a partir de hoje no mercado americano.

Duplo, o trabalho é composto por um CD com as músicas originais remasterizadas e novas colaborações, como de Akon, Will.i.am, Fergie e Kanye West, além da balada "For All Time", que foi suprimida do primeiro ""Thriller".

O segundo disco é um DVD com versões digitais de clipes como "Beat It", "Billie Jean" e "Thriller", além da performance de Jackson na Motown 25.

Ontem, Jackson lançou um vídeo agradecendo aos fãs o sucesso do álbum "aniversariante". "É difícil acreditar que há 25 anos Quincy Jones e eu embarcamos em um álbum chamado 'Thriller'", afirma no material divulgado pela Sony-BMG.

"Ser capaz de dizer que 'Thriller' ainda mantém o recorde de o álbum mais vendido de todos os tempos é maravilhoso. Eu tenho de agradecer a vocês, meus fãs, pelo mundo por esta conquista", afirmou Jackson, que vendeu mais de 750 milhões de cópias pelo mundo todo.

Não foi divulgado quando Jackson gravou o vídeo ou onde ocorreu a filmagem.


Se não for muito caro, comprarei. Já quase comprei o "Thriller" diversas vezes, mas sempre deixei de lado por algum motivo.

Acho que esse disco revolucionou a música pop. Aliás, ele é dos tempos em que a música pop produzia artistas de qualidade como Michael Jackson e Madonna, entre outros. Hoje em dia, é de se lamentar o que se escuta nas rádios.

Jackson foi o maior cantor pop de todos os tempos, na minha opinião (apesar de eu questionar essa informação de "750 milhões de cópias vendidas" --esse tipo de cifra é sempre inchada). O cara cantava bem, fazia música boas (com a providencial ajuda de Quincy Jones), dançava bem e era um grande performer. Montava um show como ninguém. Pena que eu era muito moleque para ir no show dele em São Paulo, em 1993. Nunca mais verei.

Para mim, ele enlouqueceu com a fama. Virou megalomaníaco. Tentou fazer "músicas de mudar o mundo" como We Are the World e Heal the World, mas acabou tendo a reputação manchada com as várias acusações que sofreu relacionadas a pedofilia, que colocaram uma interrogação sobre a verdadeira face de Michael Jackson.

Nada disso importa quando analisamos "Thriller". Foi seu auge como artista, em uma época na qual ainda era negro. Beat It, Billie Jean, a faixa-título e outras pérolas estão lá.

Jackson também praticamente criou a indústria do videoclipe e impulsionou a MTV com o lançamento do clipe de Thriller. Para mim, aquela dança com os monstros foi imortalizada como um dos mais legais espetáculos audiovisuais que a música produziu. Esqueça boys bands, Britney Spears e tudo que foi copiado de Jackson. Aquilo foi original de verdade. O resto é resto.

Espero que MJ volte à sanidade um dia e produza grandes discos, mesmo com sua cara bizarra de hoje em dia. Infelizmente, não acho que isso irá acontecer. É realmente uma pena.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Leslie, 82


Hoje é aniversário de Leslie Nielsen. Sim, o senhor de cabelos brancos com cara de sério e que fez um punhado de filmes besteirol.

Nascido em 11 de fevereiro de 1926 em Regina, no estado de Saskatchewan, esse canadense participou em diversos filmes "sérios" até deslanchar como humorista no clássico "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!" (Airplane!, 1980), onde eternizou o Dr. Rumack, que buscava resolver os problemas da aeronave com aparência serena, mas das formas mais malucas possíveis.

Recentemente, ganhei o DVD original deste filme, em inglês, e já assisti a ele duas vezes. Foi dirigido pelo trio Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker. A atuação de Nielsen, aliada ao desempenho genial de outros atores veteranos, como Lloyd Bridges, Peter Graves e Robet Stack, se tornou uma das películas mais cultuadas da década de 1980.


Até o jogador de basquete Kareem-Abdul Jabbar aparece como co-piloto do avião (ele ainda jogava nos L.A. Lakers na época, uma das piadas com seu personagem no filme, Roger Murdock). "Airplane!" foi um pioneiro do estilo besteirol e contém diversas piadas politicamente incorretas, digna de orgulhar Borat, em uma época na qual os EUA eram comandados pelo democrata Jimmy Carter.



Depois disso, Leslie tentou o sucesso com a série "Police Squad", que acabou durando pouco, em parceria com os criadores Jim Abrahams e os irmãos Zucker. No entanto, o longa-metragem baseado em "Police Squad" consagrou o ator canadense como um dos maiores comediantes do cinema nos anos 1980. O nome do filme? "Corra que a Polícia Vem Aí" (The Naked Gun, 1988), lançado seis anos depois do fim da série.

A comédia tinha ainda um ótimo elenco de coadjuvantes (como OJ Simpson, antes de seus problemas conjugais e judiciais, e Priscilla Presley, viúva do Elvis) e uma atuação inspiradíssima de Leslie como o tenente Frank Drebin. Duas seqüencias, também engraçadas, foram lançadas em 1991 e 1994. Apenas a última, 33 e 1/3, foi dirigida por Peter Segal e não David Zucker. De qualquer maneira, o trio Abrahms/Zucker/Zucker participou escrevendo o roteiro da trilogia.

Depois, Leslie filmou "Drácula, Morto mas Feliz" com Mel Brooks, "Repossuída", "Duro de Espiar" e "Mr. Magoo", entre muitos outros. Ainda voltaria à parceria com David Zucker nos capítulos 3 e 4 da série "Todo Mundo em Pânico".

O sucesso deu uma minguada, mas esse respeitável senhor de 82 anos continua a fazer comédias. Sempre quer fazer os outros sorrirem. Mesmo em roteiros pobres, ele consegue isso, com sua cara de sonso e sempre desconfiando das pessoas. Até o dublador dele aqui no Brasil é engraçadíssimo.

Parabéns, Mr. Nielsen.

Um pouquinho de F-1

Para iniciar mais uma semana de atividade deste Blog do Tuvuca, comentarei um pouco sobre F-1, que deveria estar mais presente neste espaço, mas não havia muito o que falar até então.

Para começar, testes de início do ano.

A Ferrari e a Toyota treinaram na última semana em Bahrein. Os japoneses figuraram, enquanto Massa só superou Raikkonen hoje. O finlandês foi o mais rápido nos outros cinco dias. Na quarta passada, Kimi teve seu melhor desempenho: 1min30s455, tempo que ninguém superou no circuito de Sakhir.

Apesar dos testes não dizerem muita coisa, apontam que Massa foi constantemente mais lento do que Kimi em Sakhir. O título mundial no ano passado, mais do que surpreendente (e contra um carro melhor), parece ter motivado muito o finlandês. Felipe não será carta fora do baralho, mas seu início de temporada vai ser importantíssimo para ele demonstrar que pode andar no ritmo de seu companheiro. Não conseguiu na segunda metade da temporada 2007, quando Kimi se adaptou e deslanchou no campeonato.

Mas a briga entre os dois promete ser boa. São mais experientes do que a dupla Hamilton e Kovalainen, da McLaren, e isso pode ser fundamental. Lewis é rápido, como já provou. Agora precisa mostrar que consegue liderar a equipe sem Fernando Alonso, e terá que lidar com a pressão de obter grandes resultados, coisa que não acontecia no ano passado. Kovalainen precisará de um tempo para se adaptar, e continua uma incógnita, mesmo tendo demonstrado ser bom piloto após um início desastroso em 2007. Heikki pode vir a ser um campeão ou um eterno segundo piloto (como foi David Coulthard, por exemplo). O tempo irá dizer.

E Alonso... Fernandito, a criança preciosa... Tem que juntar os cacos na Renault para ver onde pode chegar. Imagino ele mais ou menos como Schumacher na Ferrari em 1996. Naquele ano, o alemão estreou em uma equipe italiana que buscava se reerguer após tantos insucessos (as 16 temporadas anteriores, para ser exato). No começo do ano, o carro não tinha nem o bico "tubarão", criado pelo John Barnard na Benetton e copiado por todo mundo nos anos subseqüentes. O primeiro carro "tubarão" da Ferrari veio ainda em 1996, mas parecia mais um caixote. Mesmo assim, Schumacher brilhava quando conseguia (como no GP da Espanha, onde chouveu horrores). Acho que Alonso vai brilhar quando o carro ou as condições metereológicas permitirem.

Por último, deixo Nelsinho. Espero que a imprensa brasileira tenha calma com ele. Não deve conseguir grandes corridas neste começo do ano. Nem superar Fernando Alonso. Ele não é Lewis Hamilton, e a Renault também não é a McLaren. Briatore vai fazer de tudo para dar o melhor ao espanhol. Piquet tem que lidar bem com isso, aprender com o bicampeão e comer pelas beiradas. Acredito que ele tenha essa consciência. Falta a nossa mídia esquecer o "estigma Rubens Barrichello" (onde um segundo piloto não tem mérito nenhum) e atuar com isenção com Nelsinho.

E o resto é resto. Torço pela Williams, que melhorou muito no ano passado após a desastrosa temporada de 2006 e fez grandes testes na pré-temporada (diferentemente do futebol, a F-1 realmente tem uma pré-temporada). Nico Rosberg, filho do Keke, vem se destacando cada vez mais, agora falta saber o que o novato Kazuki Nakajima, filho do Satoru, conseguirá. Espero que muito.

Já a BMW precisa dar uma alavancada em 2008, lutar por vitórias e chegar mais perto de Ferrari e McLaren. Mas acho que os caras vão acabar ficando atrás do Alonso e a dupla Nick Heidfeld (o imprevisível)/Robert Kubica (a promessa) deve brigar mesmo com os moleques da Williams.

Aliás, o troféu de "ultrapassados" do ano vai para a Red Bull, que manteve os enferrujados Mark Webber e David Coulthard enquanto que sua "filial" Toro Rosso trouxe Sebastian Vettel (que já tinha substituído o horrendo Scott Speed no ano passado) e o francês Sébastien Bourdais (tetracampeão da Champ Car em cinco temporadas que disputou). Esses caras vão fazer a velharada Coulthar/Webber comer poeira.

E o troféu de "ninguém sentirá sua falta" vai para Ralf Schumacher, o irmão que não deu certo.

Legal será no fim do ano, quando provavelmente 90% dessas previsões se mostrarão erradas. Afinal, este é o papel do jornalista esportivo: fazer previsões utilizando a lógica. Ao esporte, cabe mostrar que lógica só serve para vender jornais (ou blogs).

Racismo

A F-1 também teve de enfrentar seu primeiro caso de racismo, quando alguns torcedores espanhóis se pintaram de preto, colocaram umas perucas rídiculas e uma camiseta escrito "Hamilton's Family", no circuito de Montmeló, durante os treinos da F-1 em Barcelona.

Não se pode deixar esse tipo de gente adentrar autódromos. Deixaram, que não deixem mais.

E, se acontecer de novo na Espanha (onde é mais propício acontecer, não porque o país é mais racista do que os outros --coisa que a imprensa inglesa chegou a divulgar--, mas porque é lá que estão os fãs de Fernando Alonso, que odeiam Hamilton), que cancelem os GPs de Barcelona e Valência.

Aliás, os fãs espanhóis odeiam Hamilton ("carinho" retribuído pela torcida inglesa com relação a Fernando) também porque as mídias espanhola e britânica esqueceram, em 2007, de que eles devem noticiar a F-1, e não defender seus compatriotas para ver quem está mais errado.

No Canadá, conheci um espanhol, o Sergio, que tinha certeza que Fernando Alonso teria sido campeão se a McLaren tivesse permitido. O inglês John, que conheci em Montréal, disse que Lewis só havia perdido o título porque a Ferrari havia ganhado com "combustível ilegal". Esqueceram de falar que uma cagada semelhante da Elf em 1995 quase tirou a vitória de Schumacher (de Benetton) e o segundo lugar de Hill (na Williams) no GP do Brasil, mas o caso foi analisado e prevaleceu a razão (de que nenhuma das equipes tinha culpa da besteira da Elf).

É muita cara-de-pau. Não de Sergio e John, mas da imprensa de seus países, que colocou esse monte de minhoca distorcida na cabeça dos outros.

E cara-de-pau maior é a imprensa britânica (mais precisamente o The Independent) dizer que o país está décadas à frente da Espanha nas questões raciais. O Daily Telegraph seguiu linha semelhante, insinuando que as autoridades espanholas não educam seus torcedores porque consideram esse tipo de manifestação racista "aceitável".

Se for assim, o que foi o caso Jean Charles de Menezes? Um lapso? Os brasileiros que vivem lá, por exemplo, não são olhados, muitas vezes, como inferiores? É o que eu escuto, às vezes, de quem vive por lá.

Acontece em todo mundo, tablóides britânicos. Vocês não são melhores (e nem piores) do que a Espanha neste aspecto.

Que voltem a noticiar neste ano. Assim espero.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Saudoso Peverett, Grande Foghat

Fui apresentado ao Foghat em 1998, mais ou menos, por um amigo mais velho que conhecia várias bandas americanas de hard rock dos anos 1970 e me mostrou essa. Primeira música que eu ouvi? O hit "Slow Ride", claro.

Dedico esse post, na verdade, ao vocalista e guitarrista do Foghat, "Lonesome" Dave Peverett, que morreu há exatamente oito anos, vítima de câncer, com 57 anos. Algum tempo antes, ele tinha remontado a banda com sua formação clássica e, mesmo doente, continuou a tocar pelos palcos da América do Norte até quando a doença permitiu. Aparentemente, seu último show com a banda foi em 16 de outubro de 1999, em Las Vegas, quatro meses antes de morrer. Já estava bem magro e com aparência de doente, mas não abandonou o rock 'n' roll.

Apesar do som norte-americano, o Foghat é, na verdade, britânico. Surgiu das raízes de uma banda inglesa chamada Savoy Brown, que mesclava blues e rock 'n' roll, da qual saíram Peverett, o baixista Tony Stevens e o baterista Roger Earl, fundadores do Foghat. Chamaram mais um guitarrista (que mandava muito bem na slide guitar), Rod Price, e se mandaram para os EUA.

O cover de "I Just Want to Make Love to You" foi o primeiro hit dos caras, fazendo parte do disco de estréia, auto-intitulado, de 1972. Os próximos discos, Foghat (Rock and Roll) (1973), Energized (1974) e Rock and Roll Outlaws (1974) pavimentaram o sucesso para vôos maiores em 1975, com o classicaço Fool for the City.

Desse disco, veio o maior hit do Foghat, "Slow Ride", e mais outras grandes músicas, como a faixa-título e o cover de "My Babe". Nessa época, Tony Stevens já havia deixado o grupo e o produtor Nick Jameson tocou baixo em Fool for the City; no disco seguinte, Night Shift (1976), a vaga já estava preenchida por Craig McGregor, que ficaria por um tempão na banda.

O segundo disco clássico da banda foi Foghat Live (1977), um daqueles ao vivo cheios de energia, pesados e inspirados que a década de 1970 produziu (Kiss Alive!, de 1975, é um destes exemplos). Com apenas seis músicas, o disco reforçou o Foghat como uma das maiores bandas norte-americanas na época (mesmo sendo britânica). Ao que parece, também ficaram conhecidos no Brasil; hoje em dia, no entanto, são poucas pessoas que conhecem os caras. Com a dedicação da Kiss FM em São Paulo, já ouvi Foghat mais de uma vez na rádio. E Slow Ride vem recebendo o reconhecimento que merece. Nos EUA, por exemplo, ela já tocou até em um episódio de Seinfeld! E está na trilha sonora de diversos filmes, como o grande Jovens, Loucos e Rebeldes, feito no início dos anos 1990 sobre os jovens da década de 1970. Um dia posto sobre esse filme, um dos meus favoritos.

Mas enfim, depois disso o grupo ainda lançou alguns discos bons (como Stone Blue, de 1978), passou pelas fatídicas mudanças de formação e caiu na mesmice dos anos 1980, quando todas essas grandes bandas de hard rock se perderam. Ficou meio oito ou oitenta: ou você seguia o caminho pesado do heavy metal (iniciado por Judas Priest, UFO e Scorpions) ou seguia o caminho "seguro" dos anos 1980, eletronizando e colocando teclados em tudo (o UFO, já citado como um dos pioneiros do heavy metal, foi nessa direção e acabou quebrando a cara).

O Foghat resolveu seguir como uma banda de blues rock, menos pesada e um pouco mais pop. Com o tempo, desapareceu, voltando na década de 1990 com sua formação original. E o homenageado "Lonesome" era uma das melhores coisas da banda com seu vocal alto e afinadíssimo, cujo timbre assemelhava-se ao de Mark Farner, do Grand Funk Railroad (aquele que canta "Feelin' Alright" e "The Loco-Motion", e não "We`re an American Band", vocalizada pelo baterista Don Brewer).

Eles também mostraram nos EUA que a música pesada era um ótimo caminho para as bandas iniciantes. Ao lado do Aerosmith, que também estava em seu início, pavimentaram o caminho para o Van Halen, por exemplo.

Aliás, esse hard blues rock pesadão nunca mais foi o mesmo quando chegou o ano de 1980. Alguns caras, como o Lenny Kravitz, tentaram resgatar isso, até com qualidade e sucesso. Mas a originalidade, criatividade e talento da turma de "Lonesome" Dave Peverett ainda merece destaque e reconhecimento maiores.

Eu já era um grande fã da banda quando Peverett morreu, em 2000. Já tinha até cd dos caras. Fiquei realmente triste, foi um dos primeiros caras do rock 'n' roll que morreram e me deixaram chateado. Naquela época, ouvia muito as bandas setentistas, até mais do que agora.

Mas o engraçado é que, por algum motivo, estou voltando a ouvir.

Como nos velhos tempos

Assistir ao jogo Juventus versus Portuguesa na Rua Javari é realmente um negócio diferente. Sempre quis ir lá na Mooca ver um jogo, mas enrolava e acabava não indo. Desta vez, não poderia ter escolhido melhor ocasião para visitar a arena juventina.

Lógico que "arena" é uma maneira carinhosa de chamar o acanhado estádio da zona leste de São Paulo. Aliás, hoje tudo quanto é estádio é considerado "arena". Até Barueri tem uma.

Mas enfim, decidi em cima da hora, chamei um amigo e fui pra lá, às 16h de uma quarta-feira, dia 30 de janeiro. Queria entrar na torcida da Lusa, mas estava lotada; acabei ficando no lado do Juventus mesmo. Entramos com mais de 30 minutos do primeiro tempo, com o placar de 2 a 0 para o time da casa.

"Perdemos o melhor", pensamos. Que nada. A Lusa fez um gol com o Christian (aquele mesmo, ex-Inter, Corinthians, Grêmio, Palmeiras...) e a etapa inicial acabou 2 X 1. No segundo tempo, Allan Delon fez mais um para Juventus e Christian descontou de novo para a Lusa. Final: 3 X2.


O jogo não foi lá essas coisas, mas a experiência acabou sendo muito legal. Vale realmente a pena ir para a Rua Javari ver uma partida de futebol. Parece que estamos nos anos 1950: estádios pequenos, mas lotados (com 3 mil pessoas), torcidas pacíficas assistindo ao jogo, cada uma na sua, e uma proximidade do campo inimaginável nos dias de hoje.

Legal que dava pra ver até a gota de suor na cara do incansável Vampeta, hoje no Juventus. Do lado da Lusa, Zé Maria e Christian traziam ares de nostalgia.

Aliás, fiquei impressionado com o estádio lotado, sem brincadeira. Do lado da Portuguesa, a Leões da Fabulosa até invadia o espaço juventino. A torcida do Juventus é a mais engraçada, formada por mooquenses orgulhosos (e sobretudo jovens). A maioria torce para outro time da capital, mas vai lá gritar pelo time do bairro.

E é isso que o Juventus é: um time do bairro. São poucos esses clubes hoje em dia. O clube Juventus é muito tradicional na Mooca, que também é um dos bairros mais tradicionais de SP. O grito "Mooca é Mooca, o resto é bosta", na verdade, demonstra um apego do paulistano mooquense com sua comunidade local, que tem corinthianos, palmeirenses, são-paulinos e santistas gritando pelo seu bairro.

É diferente. E no Brasil de hoje, onde ninguém se identifica com nada, onde as pessoas vivem cada vez mais isoladas, é um oásis de fraternidade e calor humano.

Parabéns pela molecada que fez a festa para o time grená, e parabéns à torcida da Lusa por apoiar sua equipe de forma tão contundente durante toda a partida.

Ah, e à noite assisti pela TV o jogo do meu time, o Corinthians, contra o Sertãozim, em Ribeirão Preto. Quando o juiz apitou o fim daquele 0 a 0 sofrível, tive a certeza de que fiz a escolha certa ao me aventurar na Mooca em uma quarta-feira à tarde.

Crédito das fotos: dos jogadores do Juventus, é do Futebol Interior. Do ingresso, é minha mesmo. Depois vou pegar umas fotos do celular do meu amigo, tiradas por ele, e posto aqui.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O novo set-list do Iron Maiden

Bom, ainda estamos na Quarta-feira de Cinzas, o Corinthians acabou de empatar em 1 a 1 com o Barueri, o Palmeiras tomou uma piaba do Guaratinguetá (3 a 0), e eu volto a escrever após alguns dias.

Prometi que falaria sobre o jogo Lusa X Juventus e cumprirei a promessa, mas ainda não nesse post.

Primeiro, vou falar sobre o set-list do Iron Maiden no primeiro show da turnê 'Somewhere Back in Time World Tour', que aportará no Brasil em março. A apresentação rolou em Mumbai, na Índia.

Segue ele:

Intro - Churchill's Speech
1. Aces High
2. 2 Minutes to Midnight
3. Revelations
4. The Trooper
5. Wasted Years
6. The Number of the Beast
7. Run to the Hills
8. Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Heaven Can Wait
11. Can I Play with Madness
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden
Bis
14. Moonchild
15. The Clairvoyant *
16. Hallowed be thy Name

*- Vi uma foto do set-list e estava escrito "Clairvoyant (or Evil...)". Suponho que eles alternarão Clairvoyant e The Evil that Men Do durante as apresentações, o que eu acho ótimo.

Vamos à análise dos fatos.

A turnê 'Somewhere Back in Time World Tour' seria uma espécie de homenagem aos discos Powerslave (1984), Somewhere in Time (1986) e Seventh Son of a Seventh Son (1988). Desses discos, serão tocadas:

Powerslave - Aces High, 2 Minutes to Midnight, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner.

Somewhere in Time - Wasted Years e Heaven Can Wait.

Seventh Son - Moonchild, The Clairvoyant (ou The Evil that Men Do) e Can I Play With Madness.

Fora dessa época, temos Iron Maiden (do Iron Maiden - 1980); The Number of the Beast, Run to the Hills e Hallowed be thy Name (do The Number of the Beast - 1982); The Trooper e Revelations (do Piece of Mind - 1983) e Fear of the Dark (do disco homônimo, de 1992).

São 9 da época "prometida" (1984-88), com a adição de sete clássicos (acho que Revelations é a única não tão clássica; apesar da música ser maravilhosa, acho que poderia ser preterida em lugar de mais uma do Somewhere in Time, que só vai ter duas músicas no set).

Na minha opinião, o set é muito coerente com a proposta da banda. Na verdade, o show será, aparentemente, fulminante. A única música que eu acrescentaria seria Caught Somewhere in Time, mas porque eu adoro essa faixa, que não é tocada em shows desde 1986.

Como já contei no blog, perdi o show do Rock in Rio em 2001, mas vi o Maiden no Pacaembu em 2004, cujo set me decepcionou. Agora, não posso reclamar: é praticamente um set-list dos sonhos.

Surpresas: a primeira é a maravilhosa Moonchild, que abre o Seventh Son. Depois, e principalmente, The Rime of the Ancient Mariner. Ousada, a banda, em tocar uma faixa de 13 minutos que para mim sempre foi uma das melhores da carreira dos caras em virtude de sua variação rítmica e dos diferentes "climas" que ela apresenta. É uma das melhores composições da história de Steve Harris e é também, para mim, muito superior às outras músicas longas do Iron.

Um último comentário: legal a idéia de variar Clairvoyant e The Evil durante os shows, como já comentei acima. Eu torço por The Evil, que ficou de fora em 2004 (mas rolou no Rock in Rio, o que me deixou frustrado). Mas Clairvoyant é bem legal também. Talvez pudessem tomar essa atitude de várias músicas com outras faixas, coisa que o Maiden não costuma fazer.

Mas talvez seria demais. Já estou mais do que contente com o que vai vir.

ET: A Kiss FM está divulgando na rádio uma promoção para cantar com o Iron Maiden no palco em São Paulo. Assim, volta a tradição da banda em permitir que os fãs subam e cantem o ÔOOO de Heaven Can Wait com Dickinson, Gers, Harris, Murray, Smith e McBrain. Isso também rolou no show de 1998, quando a finada 89 FM fez a promoção, e um cara que eu conhecia ganhou e cantou lá no palco com os caras.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ainda sobre o clássico e arbitragem...

O São Paulo, aparentemente, está acima do bem e do mal e dos erros da arbitragem. Os caras conseguiram barrar o Sálvio Spinola dos futuros jogos do time, notícia velha, da segunda-feira. Mas só hoje achei tempo para postar.

Se é certo ou errado, sinceramente não sei. Só sei que abre um precedente perigosíssimo. A partir de agora, ao menos no Campeonato Paulista, qualquer time que se sentir prejudicado por um juiz pode conseguir que o cara não apite mais seus jogos durante um certo tempo. Vai faltar juiz.

Mas é lógico que só deram essa canja porque era o São Paulo. Creio que também dariam se fosse o Corinthians, Palmeiras, Santos. Eu queria ver mesmo se fosse o Rio Claro, ou o Rio Preto, ou o Rio Grande da Serra.

Arbitragem, aliás, anda bastante na mídia. Ontem, o juiz Otávio Correa da Silva mandou voltar um pênalti no jogo Santos x Barueri em uma situação, no mínimo, polêmica.

O jogo estava 1 a 0 para o Barueri quando Rodrigo Tabata sofreu pênalti. Quando ele corria para chutar, quase chegando na bola, o árbitro anulou o lance. Lógico que o jogador acabou chutando pro gol, já estava no movimento. E o goleiro pulou, mas não conseguiu pegar. Foi gol, mas não valeu.

Não valeu porque o árbitro notou (aparentemente com a ajuda do bandeira) que o goleiro do Barueri, Renê, estava atrás da linha do gol no momento da batida, o que a regra não permite, pois ele está fora do campo. Mas a mesma regra diz que o infrator, nesse caso o goleiro, nunca pode ser beneficiado. Teoricamente, o gol deveria ser validado, de acordo com essa interpretação. O árbitro não poderia ter apitado antes do lance ser concluído, neste caso com o gol.

Mas o goleiro acabou sendo beneficiado, já que Tabata teve que bater de novo e errou. Fez certo o juiz? Sei lá, essa regra me parece cada dia mais maluca. Qual deve prevalecer? Aquela que diz que o infrator não pode ser beneficiado ou aquela que diz que o pênalti não deve ser batido com o goleiro fora do campo? Nada é claro, como já disse no post do clássico de domingo.

O futebol é bem legal, mas certas regras acabam irritando, tirando a graça em certos momentos e fazendo a gente perder nosso tempo, falando sobre elas.

Ah, e o Santos perdeu de novo. O time está lamentável mesmo. Desse jeito, não passa nem da primeira fase da Libertadores. Espero que o Leão acerte a mão com o pouco que tem.

Adriano

Parabéns pelo gol de cabeça contra o Rio Claro. Ainda bem que esse deixaram valer.

Clássico paulistano

Legal mesmo foi conferir Juventus 3 x 2 Portuguesa na Rua Javari, nesta quarta. Quando tiver mais tempo, contarei a história deste clássico genuinamente paulistano, de lotar estádio (mesmo que seja com 3.200 pessoas apenas).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Soltem suas feras


Foi muito bom trabalhar no clássico ontem, porque tive que fazer matéria do jogo e prestar atenção a cada detalhe de São Paulo 0 X 0 Corinthians.

Achei um jogo muito interessante e legal de assistir. Muita gente não poupou críticas à qualidade técnica dos times, erros de passe... mas eu, particularmente, vi uma partida muito disputada, com um Corinthians forte na marcação e jogando com autoridade. Fiquei muito feliz em ver esse time jogar assim. Pena que Finazzi e o Lulinha (que precisa voltar a treinar entre a molecada, porque tá muito verde ainda) não sabem fazer gol. E o Acosta também não fez nada. Mas tô gostando muito da zaga, do sistema de marcação e do Dentinho, além de um técnico que realmente se preocupa em montar um time.

Já o São Paulo vem jogando muito mal (em relação ao time do ano passado, não em relação ao Corinthians), mas acho que dando tempo ao tempo o time vai se acertar. O Muricy é muito bom nisso, e daqui a pouco encontrará a melhor formação. Quatro jogos ruins pelo Paulistão é pouca coisa. Falta saber se o time vai ter fôlego para chegar à final da Libertadores. Aliás, é engraçado: desde 2004, a expectativa é essa. Em 2004 e 2007 ficou no mata-mata; ganhou a final em 2005 e perdeu em 2006. O time não sabe o que é Copa do Brasil há um tempão. Isso, para os padrões brasileiros, é realmente impressionante.

Sobre os erros do juiz: quanta choradeira! Mas eu também vi pênalti no Dagoberto e o gol do Adriano. Do pênalti, acho que o Dagoberto cavou, colocando a perna na frente, mas o Chicão é estabanado e caiu na dele, chutando a perna. Foi um pênalti sem querer, que também é pênalti. E também acho que foi mais absurdo ainda dar falta do Dagoberto no Chicão. Va lá achar que não foi pênalti (o Arnaldo Ribeiro, por exemplo, também achou que não foi), mas ver falta do Dagoberto já beira o bizarro.

E o gol... ah, o gol! Como eu lembro triste daquele gol que o juiz anulou do Tevez com o Palmeiras em 2006, depois da bandeirinha dizer pra ele que o outro bandeira, que tava uns 200 metros longe do lance, viu falta do argentino no ilustre zagueiro quem do Palmeiras. Foi um golaço anulado de forma patética e indesculpável com os corinthianos, justamente em um Dérbi que terminou empatado.

O gol do Adriano pode não ter sido tão bonito quanto aquele, mas para mim foi um golaço também. Ele subiu uns 3 metros pra cabecear a bola, foi impressionante! Mesmo que o William subisse nas costas do Chicão ele não chegaria onde o Adriano chegou. O cara tem uma impulsão incrível.

O Sálvio Spinola viu falta, assim como vários outros personagens ligados ao futebol. Eu não vi falta nenhuma, mas até entendo que ele tenha achado que aquele braço que subiu encostado no ombro do William tenha feito carga no zagueiro, mas não acho que fez. Na verdade, só entendo a posição do árbitro porque não foi ele quem fez essa regra bizarra que só aplicam no Brasil. Tem contato no futebol, e a tal da International Board deveria esclarecer o que pode e o que não pode fazer. Do jeito que está agora, aqui no Brasil, tudo vira falta (menos o pênalti no Dagoberto, né juizão?).

Outra regra imbecil que deveria ser abolida é aquela que o goleiro se adianta no pênalti e o juiz manda voltar. É ridícula também e ela só deve ter sido traduzida para o português do Brasil, já que ninguém aplica esse negócio no resto do mundo.

O Sálvio influenciou sim no resultado e prejudicou o São Paulo nestes dois lances capitais. Mas o pior mesmo foi a festa de cartões não-distribuídos para gente entrando com trava de chuteira e outras coisas. Foi vergonhosa a arbitragem.

Como disse, achei o jogo bom. Bom para o Corinthians, principalmente, e bom de assistir. Péssima arbitragem.

E péssimo também foi a choradeira em demasia do Tricolor. O Muricy e os jogadores reclamarem do jeito que reclamaram, eu entendo, acontece mesmo. Os caras viram que foram prejudicados e saíram putos com isso. Só acho que o Ricky (ou Richarlyson, se preferir) deveria parar de chamar os outros de cara-de-pau e jogar um pouco de bola, o que ele não fez ontem, e parar de bater também. O cara é bom, foi massacrado no ano passado por causa de sua vida pessoal, passou por um entrevero lamentável com um juiz (de Direito, esse) digno do judiciário brasileiro (isso não é um elogio) e deu a volta por cima. Agora etá na seleção, que pense mais e bata menos.

E o Marco Aurélio Cunha me irrita profundamente com aquela empáfia e o jeito pomposo de falar as coisas. É ridícula a postura dele, me lembra o Citadini dos velhos tempos. A diferença é que o Citadini era falastrão com um jeito meio povão, sotaque e tal, e o Marco Aurélio é um falastrão pomposo. Estão no mesmo nível. Só querem ficar chamando a atenção. E ele assumiu uma postura de "somos o São Paulo estruturado, não somos amadores, os juízes têm que estar à nossa altura", etc... Nem comparo a estrutura do São Paulo com a dos outros times brasileiros que é covardia. Mas o clube do Morumbi não está acima do bem e do mal. Nem dos erros de arbitragem, que é horrenda aqui e no resto do mundo.

Crédito da foto: José Patrício (AgEstado)

sábado, 26 de janeiro de 2008

Vale a pena assistir


Amanhã, às 6h30 do nosso horário (de Brasília), a zebra Novak Djokovic (esq) vai enfrentar a mais zebra ainda Jo-Wilfried Tsonga (dir) na final do Aberto de Austrália de tênis.

Nunca fui muito fã do esporte, mas cheguei a jogar quando era moleque, por algum tempo, e de uns tempos para cá venho assistido mais freqüentemente. Por motivos diferentes, assisti às duas semifinais do Aberto da Austrália, e ambas foram históricas. Como eu quase nunca vejo jogos de tênis, acho que dei sorte.

O francês Tsonga tem 22 anos, é o 38o. colocado no ranking da ATP e simplesmente trucidou Rafael Nadal na semifinal. O espanhol, segundo colocado na ATP, parecia não ter armas para bater o Muhammad Ali do tênis. Não tinha mesmo, e fez questão de reconhecer isso no final do jogo, que acabou 3 sets a 0, parciais de 6/3, 6/3 e 6/2. Eu gosto muito do estilo do espanhol, sangue latino e tal, mas fiquei extasiado com o Tsonga. O cara tava um monstro na quadra, e não era nem cabeça -de-chave no torneio. Aliás, se for campeão daqui a pouco, será o primeiro campeão sem ser cabeça-de-chave desde Gustavo Kuerten no Roland Garros de 1997.

Já o sérvio Djokovic, de 20 anos, não é tão zebra assim, convenhamos. Ele só está atrás de Rafael Nadal e Roger Federer no ranking da ATP. Mas foi justamente sua vitória sobre o suíço Federer, número um do mundo, que foi uma zebra. Assim como Tsonga, bateu seu adversário por 3 sets a 0 (parciais de 7/5, 6/3 e 7/6 --fazendo 7/5 no tie-break do set) e assustou todo mundo pelo controle que teve do jogo. Não ganhou tão fácil quanto Tsonga, mas era Federer, que não era eliminado de um Grand Slam na semifinal desde que perdeu para Nadal no Roland Garros de... 2005! Ou seja, quase três anos jogando todas as finais dos quatro torneios mais importantes do tênis (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open), uma delas (a última, US Open de 2007) vencida contra o próprio Djokovic. Por essas e outras, o suíço não encarou tão bem sua derrota quanto Nadal, disse que foi prejudicado por uma virose e que não está "nem aí" para quem será campeão.

Isso sem contar que esta será a primeira final de um Grand Slam desde a edição de 2005 do próprio Aberto da Austrália que não terá nem Federer e nem Nadal na decisão. Na ocasião, o russo Marat Safin derrotou o 'anfitrião' Lleyton Hewitt na final.

Por isso, vale a pena assistir ao jogo que começa dentro de seis horas. O tênis não é conhecido por conter muitas surpresas, mas o Aberto da Austrália está repleto delas. E também de recordes quebrados. Djokovic e Tsonga são boas surpresas, que podem vir a ser grandes campeões de outros torneios.

Boa sorte aos dois.

Crédito das fotos (incluindo montagem): Agência France Presse

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Só passando para dar os parabéns...

...para a minha cidade, que completa 454 anos. Apesar dos problemas, ela é fascinante demais. Uma das maiores do mundo. A cidade dos contrastes.

Por mais que ela tenha seus mil problemas, respirando por aparelhos, meu amor por ela não diminui nunca. Como diria o Tom Zé em São São Paulo Meu Amor, "mesmo com todos os defeitos, te carrego no meu peito".



Valeu, São Paulo, por toda a cultura, experiência e alegria que você me deu durante esses 23 anos e meio.

Agora, vou ver se eu vou no show do Jorge Ben lá no Museu do Ipiranga. No ano passado, vi o Mutantes lá e virei fanzaço da banda.

PS: Foto batida por alguém desconhecido no topo de um prédio da Paulista, em meu aniversário de 21 anos.

Mais Barbixas...

No post abaixo, sobre o Bush, coloquei um link para um vídeo-sátira do trio humorístico Barbixas focado em nosso personagem-vilão.

Como eu disse, esses caras são engraçados e inteligentes, assim como outros novos (e bons) grupos de humor da capital paulista. Pouco antes de eu ir para o Canadá, eles iriam gravar uma esquete e me chamaram para ser figurante. Eu, que já havia sido figurante uma vez em um outro vídeo, prontamente aceitei.

Fui pra lá sabendo que seria um advogado. Eles gravaram o vídeo, no qual eu não apareci, e ficou muito engraçado. Era uma propaganda para o curso de Direito das Faculdades Cantareira.

Depois que eu voltei, lembrei do vídeo e fui procurar no You Tube. Mostrei para o meu pai e ele já tinha assistido. Fiquei sabendo então que o vídeo ficou entre os mais vistos no You Tube, saindo até mesmo na IstoÉ (ou na Época? acho que foi IstoÉ mesmo). Também apareceu no Kibe Loco.

De qualquer forma, o tal vídeo está aqui. É sobre um julgamento de um político, que de julgamento acaba virando um leilão, no qual os advogados disputam quem dá menos para livrar a cara do sujeito. É impagável.

Em tempos nos quais o nosso judiciário comete esse tipo de crime, o vídeo é mais do que atual.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Assim lá como cá...

Recebo por e-mail, de uma pessoa muito especial, uma notícia sobre um tal estudo feito por jornalistas norte-americanos (ou estadunidense, que é o termo certo, mas que é muito feio) aponta 935 afirmações falsas (também conhecidas como mentiras) divulgadas pela Casa Branca no que diz respeito à Guerra do Iraque.

Como eu respondi no e-mail, essa é a pauta garantida: todo mundo lembra do monte de mentira que foi contada, só falta alguém fazer uma pesquisa e um estudo sobre isso e publicar. Daí a notícia sai na agência Efe e no mundo inteiro. Por isso mesmo, parabéns para os caras que tiveram essa idéia.

Segue o texto:

Guerra do Iraque foi baseada em afirmações falsas, afirma estudo

Texto feito por jornalistas afirma que no total foram 935 afirmações falsas nos dois anos após o 11 de setembro

Efe

WASHINGTON - O presidente George W. Bush e seu gabinete emitiram centenas de afirmações falsas sobre a ameaça do Iraque para a segurança dos Estados Unidos após os atentados de 11 de Setembro. Esta é a conclusão de um estudo divulgado nesta terça-feira, 22, pelo Centro para a Integridade Pública.

Essas declarações "foram parte de uma campanha orquestrada que galvanizou a opinião pública e levou o país a uma guerra com justificativas decididamente falsas", indicou o relatório.

Antes da intervenção militar para derrubar o Governo do presidente Saddam Hussein em março de 2003, o Governo Bush afirmou que o líder iraquiano estava envolvido com o terrorismo e desenvolvia armas de destruição em massa.

As armas de destruição em massa nunca foram encontradas e as investigações posteriores indicaram que não existia essa cumplicidade de Saddam Hussein com o terrorismo.

"Agora não existe nenhuma dúvida de que o Iraque não tinha armas de destruição em massa ou contatos importantes com a Al-Qaeda", manifestaram Charles Lewis e Mark Reading Smith, membros do fundo em um prólogo do estudo.

"Em resumo, a administração Bush levou o país a uma guerra fundamentada em informação errônea que se propagou metodicamente e que culminou com a ação militar contra o Iraque em 19 de março de 2003", afirmaram.

A Casa Branca não comentou as conclusões do estudo, preparado em colaboração com o Fundo para a Independência no Jornalismo.

O texto afirma que no total houve 935 afirmações falsas de Bush e de membros de seu gabinete nos dois anos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Segundo o estudo, além do governante americano, fizeram declarações falsas seu vice-presidente, Dick Cheney, a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice (atual secretária de Estado), o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, e o ex-secretário de Estado Colin Powell.

Bush foi o autor de 259 dessas declarações, 231 sobre as supostas armas de destruição em massa e 28 sobre os denunciados vínculos do Iraque com a Al-Qaeda, disse o estudo.

Acrescentou que o efeito acumulado dessas afirmações foi enorme e que os meios de comunicação seguiram a corrente do governo.

"Alguns jornalistas, e até algumas organizações de imprensa, reconheceram que durante os meses anteriores à guerra adotaram uma atitude condescendente e sem críticas" em relação ao Governo, assinalou o estudo.


Mesmo que esse estudo seja contestável, com relação ao número de mentiras, ele não é nem fundamental para lembrarmos que a Guerra do Iraque foi uma coisa que os EUA fizeram o mundo aceitar; alguém se lembra da hostilidade norte-americana contra os franceses, que, na cadeira do Conselho de Segurança da ONU, vetaram o apoio da organização no conflito? Os pobres gauleses foram ridicularizados pelo governo e pela brown press ianque. Coisas que eu lembro: "nós salvamos os seus asses na Normandia!", foi uma das pérolas.

E muita gente falou que estava certo, que o Saddam tinha que ser deposto mesmo, que o cara era um ditador sanguinário e tudo mais. E quem paga o pato? Os iraquianos, claro. Afinal, são apenas soldadinhos no grande tabuleiro de War que George W. Bush joga sozinho. Sem contar os soldados dos EUA, muitos deles moleques sem cabeça que torturam prisioneiros (e daqui a alguns anos viram atiradores em shoppings e coisas do tipo), e outros moleques sem esperanças que não tem nada em seu país. Eles também são apenas soldadinhos. Aliás, lembrei de um ótimo vídeo-sátira que os Barbixas, trio humorístico aqui de São Paulo (no qual um dos caras, o Andy, é um grande amigo) fizeram sobre o nosso maior mentiroso de tempos recentes. Vale a pena conferir, é engraçado e inteligente.

Bush é um vilão da humanidade, podem ter certeza. Mas só está lá porque foi reeleito. Tudo bem que a eleição dele em 2000 foi no mínimo estranha (pra não dizer roubada), mas em 2004 o cara ganhou mesmo, sem choradeira. Também, contra um John Kerry anti-carismático e bananão...

Prova de que os norte-americanos, à época, acreditavam nele e na imprensa pró-Bush (FOX News) dos EUA. E dizem que o povo lá de cima é burro.

O que nós podemos dizer? Tudo quanto é tipo de mentiroso está exercendo algum cargo político importante nesse país. E para mim não tem esse negócio de direita-esquerda-pra cima-pra baixo não. A lista de mentirosos vai desde o PT (com aquela inundação de denúncias que apareceram) até o governador paulista do PSDB (que disse que não abandonaria a prefeitura em 2006 para disputar a presidência; em vez disso, abandonou a prefeitura para disputar o governo do estado), passando pela lista de maria-vai-com-as-outras que impera no Brasil.

Rush no Brasil?

Ainda é uma interrogação. Notícias circularam na net, muito em virtude do bem-informado blog Rush is a Band, que cravou que a banda viria à América Latina na nova perna da Snakes and Arrows Tour. Eu ouvi esse papo ainda na Rushcon, em Toronto, e todo mundo vem comentando sobre isso aqui no Brasil. Falou-se até de um show no estádio Castelão, em Fortaleza.

Sexta passada eles divulgaram as datas da turnê, incluindo apenas EUA e Canadá, com exceção da primeira noite, que será em Porto Rico. Como se pode olhar abaixo (copiado do excelente Test for Echo, melhor site brasileiro sobre o Rush), é difícil encaixar uma passagem pela América Latina. Se acontecer, deverá ser no segundo semestre mesmo. A maior folga entre um show e outro é entre 15 e 25 de junho, intervalo de apresentações em Boston e Indianápolis.

ABRIL 2008

11: San Juan, PR - Coliseo de Puerto Rico
13: Ft Lauderdale, FL - Bank Atlantic Center
15: Orlando, FL - Amway Center
17: Jacksonville, FL - Jacksonville Veterans Memorial Arena
19: New Orleans, LA - Arena
20: Houston, TX - Woodlands Pavilion
23: Austin, TX - Frank Erwin Center
25: Dallas, TX - The Music Center at Fair Park
26: Oklahoma City, OK - Ford Center
29: Albuquerque, NM - Journal Pavilion

MAIO 2008

1: Phoenix, AZ - Cricket Pavilion
3: Reno, NV - Reno Events Center
4: Concord, CA - Sleep Train Pavilion
6: Los Angeles, CA - Nokia Theatre
10: Las Vegas, NV - Mandalay Bay Events Center
11: Irvine, CA - Verizon Wireless Amphitheatre
20: Moline, IL - iWireless Center
22: St Paul, MN - MTS Center
24: Winnipeg, MB - Brandt Center
25: Regina, SK - Rexall Place
27: Edmonton AB - Cricket Pavilion
29: Vancouver, BC - GM Place
31: Seattle, WA - The Gorge Amphitheatre

JUNHO 2008

1: Portland, OR - Clark County Amphitheatre
3: Boise, ID - Idaho Center
5: Denver, CO - Red Rocks
7: Kansas City, MO - Starlight Theatre
9: Chicago, IL - United Center
10: Detroit, MI - Joe Louis Arena
12: Montreal, QC - Bell Center
14: Philadelphia, PA - Wachovia Center
15: Boston, MA - Tweeter Center
25: Indianapolis, IN - Verizon Amphitheatre
27: Milwaukee, WI - Summerfest
28: St Louis, MO - Verizon Wireless Amphitheatre
30: Cincinnati, OH - Riverbend Music Center

JULHO 2008

2: Pittsburgh, PA - Post Gazette Amphitheatre
4: Atlantic City, NJ - Marc Etess Arena
5: Saratoga, NY - SPAC
7: Uncasville, CT - Mohegan Sun
9: Toronto, ON - The Molson Amphitheatre
11: Manchester, MA - Verizon Arena
12: Holmdel, NJ - PNC Bank Arts Center
14: Wantagh, NY - Jones Beach
17: Hershey, PA - Hershey Stadium
19: Washington, DC - Nissan Pavilion
20: Charlotte, NC - Amphitheatre
22: Atlanta, GA - Verizon Wireless Amphitheatre at Encore Park


Eu me surpreenderei se a banda realmente vier no segundo semestre. Mas acho que pode rolar. A impressão que nós deixamos foi a melhor possível, com a coisa do Rush in Rio, maior público da história da banda em São Paulo... eles nos devem esse retorno. E eu vou estar lá, dessa vez na primeira fileira.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Que beleza!

Estou aqui assistindo à reprise do programa Linha de Passe, da Espn Brasil. Achei muito legal que o Trajano e o Calazans se solidarizaram com o Milton Leite, ex-funcionário da Espn e que hoje está na concorrente Sportv. Na última sexta-feira, o jornalista que participava da bancada do Arena Sportv,discutiu no ar com um atacado Vanderlei Luxemburgo.

Eu estava vendo ao vivo esse programa, e o que aconteceu foi o seguinte: o Milton estava metendo o pau na contratação do Léo Lima pelo Palmeiras. Ele discordou de grande parte da bancada sportvense e disse que o jogador não tinha motivos para ser contratado pelo Palestra, agora dirigido pelo Luxemburgo. Em certo momento, falou "isso leva a gente a desconfiar que existem coisas por trás nesse tipo de negociação".

Vanderlei Luxemburgo ligou para o Arena e entrou educadamente no ar, explicando suas razões e sobre o porquê de ter trazido o jogador ao Palmeiras. Até aí, tudo bem. O problema foi depois, quando começou a agir que nem uma criança, dizendo ao Milton Leite "você me persegue!". Me fez lembrar os tempos de Colégio Objetivo, quando os professores ouviam constantemente essa frase de nós, pobres e perseguidos alunos.

Depois, falou em processo. Não vai ganhar, Luxemburgo. O Milton Leite nem mesmo te ligou diretamente àquela "desconfiança" anteriormente citada. É somente uma desconfiança. Podem ter interesses do Palmeiras, da Traffic, de outras pessoas... ele só deu a opinião dele. Não acusou sem ter como provar, como adoram fazer muitos pseudo-jornalistas por aí.

Sempre gostei do Milton. Ele é incisivo e fala o que pensa, na minha opinião. Acho que ele exagera, às vezes, como aconteceu nesse caso do Léo Lima, que pode até dar certo no Palmeiras. Luxemburgo poderia ter saído por cima depois de sua explicação, que até me convenceu. Mas o showzinho dele é que vai ficar para a história.

Acho que ele está muito acostumado com "jornalistas" que só sabem puxar o saco do entrevistado. Nunca soube aceitar críticas mais pesadas.

Sinto falta do Milton Leite na Espn Brasil.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Cara de um, focinho do outro...

Divulgaram ontem um retrato-falado do suposto seqüestrador da menina inglesa em Portugal, em maio do ano passado.

Não é uma piada de mal gosto. Mas não é o retrato-falado do George Harrison? Uma versão bizarra e mais dentuça, logicamente.


Bom, vi a cara desse maluco na home da Folha Online e lembrei do Harrison. Sempre admirei demais o guitarrista do Beatles. Para mim, era o contraponto da dupla Lennon/McCartney. As canções eram demais, um pouco mais centradas nas guitarras, naturalmente, e cheias de sentimento.

O cara escreveu clássicos no Beatles, como Something e While my Guitar Gently Weeps, e também na carreira-solo, como My Sweet Lord, que é a mais famosa. Minha favorita é Here Comes the Sun, que ganhou versão em português do Lulu Santos. Não sou muito fã do Lulu Santos, mas gosto dos caras que têm a ousadia de pegar um clássico internacional e fazer uma versão em português.

Além de um eterno ativista, Harrison também era um grande fã de automobilismo, como muitos sabem. Tem uma caixa dos Beatles, com uns 10 DVDs, no qual ele aparece dando entrevista na sua casa, com um quadro do Senna ao fundo. Ele era fanzaço do Ayrton e das corridas em geral.

Ele, que morreu há seis anos, que descanse em paz.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Depois de tantos dias e seis partes, chegamos ao final dessa jornada Rushenta em Toronto. Um dia após o show, no domingo (23/09) a Rushcon seria encerrada com algumas atividades bem interessantes.

A primeira delas seria, para mim, a mais esperada. Uma turnê pela SRO Anthem Records, nada mais nada menos do que a gravadora dos caras. Na mesma rua do Days Inn Hotel (onde acontecia a convenção), a Carlton Street, rumei com o grupo de pessoas de meia-idade em sua maioria para conhecer o local.

Antes disso, já havia lido que um fã tinha tentado aparecer lá na Anthem (cuja fachada -na foto ao lado - não possui nada de especial, nem mesmo o nome da empresa) e pedido para entrar e ver os discos de ouro do Rush. Não conseguiu, mas sugeria que, para quem quisesse tentar, que ligasse para a gravadora, se apresentasse e pedisse para fazer um tour por lá.

Percebi que não seria fácil, e a principal razão para eu ter pagado a taxa inteira da Rushcon (que custava CAD$ 65 e incluía todas as 'atrações') era justamente essa tour pela SRO Anthem. E ela não decepcionou. Tirei muitas fotos daquela quantidade imensa de discos, cds, cassetes, vídeos e dvds de ouro e platina.


Duas coisas me chamaram mais a atenção. Primeiro, umas fotos presas em um mural com fotos da banda em seus primórdios, anúncios de shows do Rush em 1973 e 74, algumas delas até da época que a banda tinha um quarto integrante (o segundo guitarrista Mitch Bossi, salvo engano).
A segunda é a pintura original da capa do disco Power Windows, de 1985, feita pelo eterno designer das capas do grupo, Hugh Syme, e que pertence a Neil Peart. Tirei uma foto com a pintura e também da assinatura de Syme, no canto posterior direito da figura.

OBS: Ontem eu estava lendo uma biografia do Kiss, chamada Por Trás da Máscara, e descobri que o Hugh Syme fez o design da capa do Revenge, disco de 1992 que trouxe o quarteto mais capitalista do Rock 'n' Roll de volta às suas origens. Gosto muito desse álbum, e também de sua capa.

Voltando ao hotel com o resto do grupo, fiquei lá e conferi um pedaço do leilão beneficente que começou a rolar. A galera gastou muita grana (lembro de um simples poster autografado do Neil Peart sair por uns CAD$ 300). Logicamente que eu não participei, pois não tinha cacife para isso. Além do mais, se fosse para gastar aquela quantidade de dinheiro com a banda, que fosse para comprar um livro que contém todos os tourbooks da banda até 2004, e que estava à venda na convenção em uma estante da Anthem. Não trouxe por causa do preço e também por causa do peso na mala. De qualquer maneira, foi divertido ver aquela galera se digladiar para levar os itens.

A última atração da Rushcon era no domingo à noite, em que a galera se reuniria no pub que o Alex Lifeson é sócio, chamado The Orbit Room. Confesso que o lugar é simples, com uma decoração mais ou menos. Mas tinha uma bandinha tocando um som diferente (nada a ver com o som do Rush, mas bem legal) e uma galera bem eclética. Não estava lotado, mas com uma galera até.

Lá, conheci melhor o pessoal da Rushcon, conversei também com quem eu já havia sido apresentado e fiz um grande amigo, o Regan, que me deu uma grande força enquanto eu estive em Toronto. Além disso, também me deu um cd do Max Webster (banda canadense 'irmã' do Rush, que abriu shows deles na época do Moving Pictures - e cujo guitarrista, Pye Dubois, é co-autor de Tom Sawyer) que tem a música Battle Scar, gravada com a participação dos três integrantes do Rush.

No Orbit Room, conheci um amigo do Regan, o japonês Seiji Harada, que dois meses depois me forneceria gentilmente suas fotos do show para que eu mandasse para a Rock Brigade publicar ao lado do meu review (considerando que as minhas imagens não eram nem um pouco aproveitáveis, por causa da já mencionada lonjura entre eu e o palco).

Mesmo que eles não entendam nada desse texto em português (o Seiji não entendia nem inglês direito), um grande abraço aos dois.


Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

domingo, 6 de janeiro de 2008

Tuvucanadá - Rush, Parte 5 (o show)

O review já está publicado em alguns posts abaixo. Agora, falarei um pouco sobre como foi assistir ao trio canadense em sua hometown, do ponto de vista pessoal.

Estava eu no Days Inn Hotel, na Carlton Street, para pegar o ônibus com o pessoal e rumar ao Air Canada Centre. Era um ônibus escolar, cuja foto está logo abaixo. Uma mendiga (sim, existem muitos mendigos em Toronto - e a vasta maioria deles são brancos, o que me chamou a atenção, já que a população negra e latina na cidade é muito grande) fez graça comigo: "cool, a schoolbus!", porque eu estava me impressionando com um simples ônibus escolar. Aqui, os veículos escolares não são caracterizados assim, expliquei bufando.



No caminho, sentei do lado de um homem de uns 45 anos, norte-americano de um estado que eu não lembro, mas que era daqueles que tinha visto o Rush pela primeira vez na época do A Farewell to Kings (1977). Ele ainda soltou: "eu não sei quantos shows eu assisti, mas acho que esse deve ser o 40 e poucos; porém, esse é o primeiro deles que eu vou ver em Toronto, na casa da banda". O sentimento era parecido com o meu; a diferença é que seria apenas meu segundo show.

Chegando ao local, coloquei uma bandeira brasileira (que era do Lloyd, meu homestay canadense) enrolada nas costas. Nunca fui desse tipo de 'patriota', de querer comemorar o fato de ser brasileiro. Muitos faziam isso na escola onde estudei em Toronto: iam todo dia com a camisa do Brasil, tocavam samba alto, falavam português o tempo inteiro... demonstrando um orgulho e patriotismo forçado. A minha saudade de casa eu guardei para mim, já que não estava no Canadá para divulgar meu país.

De qualquer maneira, como eu disse, quis enrolar a bandeira nas costas. Como o Rush (e o Rock 'n' Roll em geral) é importante demais para mim, esse foi o jeito que eu encontrei de demonstrar que o Brasil estava também representado naquele evento. Era apenas um símbolo para mim. Afinal, o Brasil é um dos países mais Rock 'n' Roll do mundo.

Quando desci do ônibus, o Sam Dunn - aquele do documentário sobre os fãs de metal e que já tinha me entrevistado para o documentário sobre os fãs do Rush - estava fazendo umas imagens para esse mesmo filme, que deve sair em 2009. Naquele momento, um cara que estava na Rushcon ficou fascinado com o fato de eu ter vindo do Brasil e me deu um cd com o áudio do show da banda em Tampa Bay, em junho de 2007. Quando eu estava agradecendo a boa e incógnita alma, Sam pediu para o câmera dar um close na bandeira - e em mim. Confesso que bateu uma vergonha. Mas me comuniquei com a câmera, já que não havia muito o que fazer.

Rumei para a fila, que era grande, porém organizada. Entrei com uma máquina fotográfica escondida (o que foi extremamente desnecessário, já que a revista foi zero), dei umas voltas para ver o merchan da banda e as barracas de hot-dog. Nossa senhora, quanta besteira que vendia naquele ginásio. Pipocas e refrigerantes gigantes compunham o cenário do público.

Quando cheguei no meu lugar, já comecei a me arrepender de não ter comprado o ingresso mais caro, na pista. Era longe demais do palco, mas pelo menos eu conseguia ver o telão. Não foi o que aconteceu três semanas depois, quando fui assistir ao Van Halen no mesmo local. Mas essa história fica mais para frente. Por ora, fica a imagem da distância entre Tuvuca e seus ídolos Lee, Lifeson e Peart.



Fui um dos primeiros a entrar, então é lógico que quando eu sentei no meu devido lugar marcado, o ACC ainda estava vazio. Faltando meia hora, lotou tudo. Fiquei surpreso, porque achei que sobraria lugar. Mas o público de aproximadamente 30 mil pessoas era praticamente sold-out. Tentei pregar a bandeira na grade em frente à arquibancada. Não me deixaram, como já imaginei que aconteceria. "You can't do this kind of stuff here", disse a moça para mim, em um misto de educação e surpresa pela minha atitude.

Quanto a esse negócio de lugar marcado, confesso que não tenho opinião formada sobre tal assunto. Nossa cultura é muito diferente. Um dia, pensarei melhor e tentarei chegar a alguma conclusão. Vi da arquibancada aquela pista com o pessoal todo em pé, mas parado, organizadinho, respeitando o lugar do próximo. É realmente muito estranho.

O show começou com Limelight, todo mundo levantou, cumprimentou a banda e sentou calmamente para ver os caras. Foi muito engraçado. Mas a galera gritou bastante quando Geddy disse que Toronto era como um "big club" para o Rush. "That`s our hometown", ele completou. A foto abaixo, que mostra um pouquinho do público, foi tirada durante a execução de Dreamline.


Quanto às musicas em si, deixo o review supramencionado e suprapublicado para quem quiser maiores detalhes. Só digo que eu me policiei para não ler o set-list antes do show e não estragar as surpresas. Lembrava que eles estavam ensaiando Entre Nous para a tour, mas fiquei emocionado quando eles tocaram essa pérola do Permanent Waves, que começou a ser executada ao vivo justamente na turnê do Snakes And Arrows. Antes disso, apenas na gravação do PW, em 1979.

As que mais me surpreenderam foram Circumstances, A Passage to Bangkoc (adoro esse som) e Witch Hunt. Em The Spirit of Radio, admito que fiquei muito emocionado. Gosto de acreditar na liberdade da música, como diz a letra. Para mim, The Spirit of Radio (e não "The Spirit of the Radio", como alguns profanizam) é a melhor faixa que os caras já compuseram. Mescla a virtualidade com o pop, o rock com o reggae, o complicado com o pegajoso. A energia que sua letra passa é magistral, na melhor das canções que falam sobre música. Um ótimo e esquecido tema, na minha opinião.

No intervalo, fui dar uma volta e encontrei um outro brasileiro, de Natal, que estava em Toronto estudando e trabalhando. Conversei com o cara, que não era muito fã da banda mas estava adorando o show. Era realmente impossível não se impressionar com eles. Eu virei fanático pelos três justamente depois do show de SP, em 2002.

Depois desse concerto, o fanatismo só aumentou. E só tende a aumentar. Se os caras vierem mesmo neste ano para cá, estarei nas primeiras fileiras. Podem apostar.

Assim, fica o registro desta histórica data de 22 de setembro de 2007. Na minha memória, um dos maiores shows de todos os tempos.

Veja aqui as outras cinco partes da jornada:

Tuvucanadá - Rush, Parte Final

Tuvucanadá - Rush, Parte 4

Tuvucanadá - Rush, Parte 3

Tuvucanadá - Rush, Parte 2

Tuvucanadá - Rush, Parte 1 (review)

Esqueçamos 2007...

...e um Feliz 2008, com alguns dias de atraso.

Pessoalmente, o ano de 2007 foi um dos mais chocantes da minha vida. Muitos sustos. Mas a vida segue, o ano muda e a cabeça continua erguida.

Um ano novo fera para todo mundo.