terça-feira, 24 de março de 2009

Tuvuca e a Maratona da Besta

No final de semana passado, tive o privilégio de assistir a dois shows do Iron Maiden em dois dias: no sábado, na Praça da Apoteose (Rio), e no domingo, em Interlagos.

Tudo começou quando tentei entrevistar a banda, mas não obtive sucesso. Minha chance de emplacar uma matéria pré-show? Falar com Sam Dunn, diretor de "Flight 666", o documentário sobre a banda cuja pré-estreia mundial ocorreu no Rio, também no sábado.

Sabia que Dunn não hesitaria em me retribuir a entrevista. Afinal, aqueles que conhecem este blog ou este personagem, com certeza recordarão que o cineasta canadense me entrevistou para um filme sobre o Rush, ainda em produção, em Toronto, em outubro de 2007. A história está neste post aqui e neste outro.

Se vou aparecer no filme do Rush eu não sei, mas valeu pelo contato, como percebi na facilidade com que agendei um bate-papo com Dunn e seu parceiro Scot McFadyen (não, não é Scott McFayden).

Voltemos à história: primeiro, entrevistei os dois para essa matéria aqui da FOL. Depois, fiquei morrendo de vontade de ir para o Rio -ainda mais depois de ser instigado pelo próprio Dunn-, e falei com o Eric Claros, camarada meu dos tempos de colégio, ex-batera do Mad Dragzter e atual batera do Children of the Beast (banda cover do Maiden).

Eric me disse que ia ao Rio com mais três amigos e me convidou. Com a possibilidade de ver o documentário em primeira mão, além do show, é claro, eu resolvi topar a maratona. Saímos de SP às 7h de sábado, chegamos no Rio e fomos direto ao Cine Odeon, onde seria a pré-estreia. Saí de lá, comi um Bobs nojento, fui a uma lanhouse e bati essa matéria aqui. Depois, corri para o show.

Após a apresentação, mais um Bobs nojento e estrada direto a SP, onde chegamos quase 24h depois de sair. Dormi, acordei, e rumei a Interlagos. Abismado com a imensa fila e desorganização, saí de lá com essa impressão relatada aqui.

Quanto aos shows, o que dizer? Até o ano passado, eu havia visto o Iron Maiden duas vezes, como contei aqui: um show morno com um set fraco em 2004, com o Bruce, e um show empolgante apenas para um moleque de 14 anos, como era eu, em 1998, com o Blaze.

Em 2008 e 2009, vi o Maiden três vezes com set lists magistrais -que incluíam "Rime of the Ancient Mariner", minha favorita da banda-, produção de palco que remeteu a 1984 (e que funcionou melhor no Rio) e seis caras que deram o sangue para provar aos brasileiros que toda a devoção ao grupo em terras nacionais é justa.

Agradeço aos quatro brothers de viagem -Eric, Diogo, Rodox e Pedrão-, que me ajudaram na hora de tirar fotos da banda na première do documentário (entre outras coisas), aos que me acompanharam no caos de Interlagos e à minha Pequena, que agora sabe de verdade o que é um show de Rock -com direito a lama, como acontecia nos velhos tempos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

The Shining

Manchete de agora do Grande Prêmio:

Barrichello diz: "Eu sou iluminado. Sempre fui"

Então o que seria Michael Schumacher? Ayrton Senna? Nelson Piquet? Juan Manuel Fangio?

Muita calma, caro Barrica. Que bom que o carro da Brawn é um "bem-nascido", mas ainda tem muito chão pela frente.

E esse negócio de ser "iluminado" é um pouco demais.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Palpites e chutes

Todos os anos, colunistas, blogueiros e escribas em geral dão seus palpites para a temporada. Agora que tenho um blog, quero dar os meus também, sem a mínima responsabilidade de errar - o que fatalmente acontecerá.

Tudo bem que já estamos em março, mas vou dar os chutaços mesmo assim. E sempre apostando em zebra, porque dizer que o Valentino Rossi vai ganhar a MotoGP não tem graça nenhuma.

O legal é chutar em uma zebra e acertar, e depois ficar tripudiando os outros com insuportáveis "não disse que isso iria acontecer?".

Vamos a elas. Primeiro, na F-1:

Campeão: Sebastian Vettel (Red Bull)
É um chutaço, mas o moleque é rápido demais. Ele deve fazer todo mundo comer poeira no futuro - difícil começar já em 2009. Mas quem iria prever a forma com a qual Michael Schumacher começou em 1994, mesmo sabendo que a Red Bull-Renault ainda não é nenhuma Benetton-Ford daqueles tempos?

Vice: Felipe Massa (Ferrari)
Não chegará tão longe quanto em 2008, mas fará um campeonato consistente, e após dois vices, será campeão em 2010.

Decepção: Lewis Hamilton e McLaren
Vão quebrar bastante a cabeça e demorar para se acertarem.

Agora, no chato futebol:

Sport vai chegar na semifinal ou até mesmo na decisão da Libertadores. Será o segundo melhor brasileiro no torneio. Eu já chutava isso antes do início da fase de grupos, em que o Sport começou arrebentando com duas vitórias no "grupo da morte". Como não escrevi, vocês têm o direito de achar que é mentira, mas juro que é verdade!
Também é verdade que, se o Sport tivesse perdido seus dois primeiros jogos, não manteria minha previsão...
O campeão? Cruzeiro.

Flamengo e Corinthians farão a festa das torcidas mais populares do país e decidirão a Copa do Brasil. Quem ganha? Eu quero que seja o Corinthians, claro! Ainda mais depois do vexame de 2008...
O Timão será campeão, mantendo a escrita do Grêmio (93/94) e do próprio Corinthians (01/02): vices em um ano, champions no campeonato seguinte.

No Paulista, já foram realizados muitos jogos, o que facilita os prognósticos, então digo que Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Portuguesa classificam. A final terá São Paulo x Portuguesa, com a Lusinha ganhando seu primeiro título paulista "só seu", digamos assim.

Na Europa, teremos o Chelsea, agora "bigphilless", finalmente sendo campeão de forma surpreendente, depois de uma temporada turbulenta.

No Brasileiro, não dá pra saber nada ainda. Só que o Ronaldo vai jogar umas 15 partidas e marcar uns dez gols. E que o Palmeiras vai ser campeão.

Na Sul-Americana, Inter bicampeão.

Pronto, esses foram meus chutes, sem nenhum fundamento científico e influenciado às vezes pela minha torcida.

Se eu lembrar no final do ano, vou olhar para ver o que eu acertei.

Barrichello + F-1: 17 temporadas juntos

Me tornei um apaixonado por F-1 em 1991. Dois anos depois, Rubens Barrichello estreava como a mais nova promessa do Brasil na categoria. Eu tinha só oito anos.

E aqui estou, já há dois anos e meio trabalhando com isso, vendo ele ser confirmado, no alto de seus 36 anos, por mais uma temporada na categoria - a de número 17. Tudo aquilo que os outros blogs e a mídia previam aconteceu: a nova Honda vai se chamar Brawn GP e terá Jenson Button e Rubens Barrichello.

A grande ironia é que possivelmente um dos protagonistas do pior momento de Barrichello na F-1 - quando ele teve que entregar a vitória no GP da Áustria-2002 a Michael Schumacher - foi justamente quem bancou o "quase-ex" Rubinho (hoje praticamente só chamam ele de Barrichello) na F-1 e evitou sua aposentadoria.

Notável a atitude de Ross Brawn, e compreensível, como disse Bruno Senna, talvez o maior prejudicado com a permanência de Barrichello.

Gostava muito de Rubinho em suas primeiras temporadas, mas ele tomou atitudes ruins ao longo da carreira e não soube lidar com os problemas que apareceram na sua frente. Foi, por vezes, arrogante, reclamão e, principalmente, chorão. Mas também foi rápido e construiu uma carreira histórica, já consagrada comoa mais longa da história da F-1.

Vai ser interessante assistir a Barrichello ajudando Brawn a reconstruir a ex-Honda. Quem sabe ele não se aposenta daqui a um tempo e assuma um cargo na equipe? Mas por enquanto, só quer correr e disse o tempo inteiro que a única coisa que desejava era sentar em um F-1 e pisar fundo.

Que bom que ele vai conseguir. A F-1 cresceu junto com ele desde 1993 e, em um ano marcado por tantas mudanças no regulamento, terá o velho capacete vermelho, branco e azul garantido presença no grid - mesmo que seja nas últimas filas.

Mea culpa

Não tem jeito. É uma pena, pois não consigo manter o blog atualizado, por diversas razões.

Sei que isso afasta os poucos visitantes deste espaço cibernético, mas é realmente complicado.

De qualquer maneira, não vou parar de escrever. Sempre que eu tiver tempo e inspiração, como hoje e agora, farei isso.

Aliás, hoje é um dia muito especial. Há dois anos, confirmei o que queria da minha vida, e tive sorte em ser aceito de volta.

Parabéns!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Thanks God for the concerts

Cortesia (copy-paste) do Whiplash:

06/03 Deep Purple São Paulo - SP
07/03 Deep Purple São Paulo - SP
12/03 Iron Maiden Manaus - AM
14/03 Iron Maiden Rio de Janeiro - RJ
15/03 Iron Maiden São Paulo - SP
18/03 Iron Maiden Belo Horizonte - MG
20/03 Iron Maiden Brasília - DF
31/03 Iron Maiden Recife - PE
07/04 Kiss São Paulo - SP
08/04 Kiss Rio de Janeiro - RJ
12/04 Motorhead Goiânia - GO
15/04 Motorhead Belo Horizonte - MG
17/04 Motorhead Recife - PE
18/04 Motorhead São Paulo - SP
10/05 Heaven & Hell Belo Horizonte - MG
13/05 Heaven & Hell Brasilia - DF
15/05 Heaven & Hell São Paulo - SP
16/05 Heaven & Hell São Paulo - SP
17/05 Heaven & Hell Rio de Janeiro - RJ

Isso sem contar bandas de menor porte, como Overkill, Morbid Angel, Riders on the Storm (o resto do The Doors), Arch Enemy, Opeth, Edguy e John Lawton (ex-vocal do Uriah Heep).

Em dois meses, teremos possivelmente as duas bandas que mais possuem fanáticos (não simples fãs, e sim aqueles que fazem do grupo a sua vida) no Brasil: Kiss e Iron Maiden.

Além disso, rola o Black Sabbath + Dio (que veio para cá uma única vez, em 92), o trio popular de Lemmy Kilminster e o Purple, que toca mais aqui no Brasil do que banda nacional.

Crisis who?

Acho que o fã de Rock 'n' Roll deve agradecer aos céus, ou aos promotores dos shows (antes de xingá-los por causa dos preços dos ingressos).

Nunca vi algo tão abundante no que diz respeito a show de bandas grandes no Brasil, noves fora o Rock in Rio.

E o que é mais marcante: o Nordeste e o Norte do país receberão o Iron Maiden pela primeira vez. A turnê do Motorhead também passará por Recife, assim como Goiânia.

É muita coisa para ver, só nos resta guardar o dinheiro e torcer para que não ocorra nenhum imprevisto.

Eu vou tentar ir em todos. Certeza absoluta, mesmo, fica para Iron Maiden (já comprado), Kiss e Heaven and Hell. Esses não dá para perder.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

2009

Bom dia, 2009!

Um ano que começa com nova ortografia, crise econômica, Israel x Palestina, Ronaldo no Corinthians, São Paulo hexa, automobilismo sofrendo, Lewis Hamilton campeão, Metallica e AC/DC de volta em turnês matadoras, Iron Maiden e Sabbath com Dio (ainda não confirmado) retornando ao Brasil, Obama quase presidente (só assume dia 20), Eduardo Paes iniciando sua gestão como prefeito do Rio, para tristeza de todos que sonhavam com uma mudança (e com Gabeira assumindo o Executivo carioca).

Bom, é verdade que tudo isso começou ainda em 2008. O que mais me doeu em terras nacionais foi, sem dúvida, a derrota de Gabeira, a única luz no túnel da decepção que é a nossa política. Ele poderia ter sido um péssimo prefeito. Poderia ter me decepcionado, como fez o atual presidente e seu partido.

Mas pelo menos é uma tentativa, e uma prova da ousadia dos cariocas, que demonstraram aos paulistas como agitar uma estrutura política. Pior foi aqui, onde vimos um embate Kassab x Marta x Alckmin, com Maluf nos divertindo com sua figura de "fanfarrão coadjuvante". Gente que já teve sua chance, e, pelo menos a mim, decepcionou. O pefelista triunfou contando com o pragmatismo bandeirante. Deixa do jeito que tá.

Os cariocas pós-trauma eleitoral, no entanto, ganharam ainda mais minha simpatia com a viagem que fiz ao Rio no final do ano passado. Pude conhecer outras facetas da cidade, andar de ônibus (175 - Central - aquele mesmo do Gabriel, o Pensador, se não me falhe a memória) do Recreio até a Central do Brasil, conferir o grande templo do futebol chamado Maracanã e, é claro, pegar um sol, sempre abundante.

Cada vez mais tenho certeza de que os paulistas que desprezam os cariocas são aqueles que não conhecem nem o Rio nem a relacão do carioca com sua cidade natal - ou são os paulistas babacas mesmo. Afinal, aqui tem um monte.

Outra esperança é o tal do Hussein, também conhecido como Barack Obama. Não sou tão otimista quanto algumas pessoas, que veem nele o salvador do mundo. Mas é uma esperança, assim como chegou a ser o Gabeira. Daremos um crédito.

E voltando a 2008, foi um ano de perdas e conquistas, vidas partindo e nascendo. Para mim, mais uma temporada de aprendizado. Com Rob Halford, Pelé, Bruno Senna, Whitesnake, Ozzy, Zito, Zagallo, Pepe...

É, não deu pra reclamar. Vamos ver o que nos aguarda este ano. Com dez dias de atraso, proponho um brinde para os nossos risos e choros, euforia e decepções, conquistas e perdas: tudo o que nos espera em 2009.

Afinal, o bom de estar vivo é viver e sentir as emoções.

ET: aprovo o Acordo Ortográfico. Mas como que acabaram com o "pára"?. Hoje, na FOL, "Palmeiras apresenta Marquinhos, que já para por 20 dias". Parece erro. Do outro jeito era bem mais claro, e mais didático, por assim dizer. Que cagada que fizeram!

E tchau, trema! Agora, a cidade onde minha mãe nasceu, tão idolatrada por Paulo Bonfá e Marcos Bianchi, se chama "Birigui" e não mais "Birigüi". Facilitou pra escrever no laptop, pelo menos.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Antecipando

Brother Ricardo Zanirato, parceiro dos tempos de Terra (e de ótimos "happy hour"), postou na quarta-feira em seu novo blog, o Olocobitcho's (devidamente linkado à direita), que o Corinthians fechou patrocínio com o Bradesco para 2009, e que o Palmeiras vai estampar a marca da Samsung.

Bom, tá aqui a notícia. Esperemos para ver se vai se confirmar. Se rolar, ele cantou a bola na quarta-feira, e me mandou na hora em que postou. Registrado.

E boa sorte com o blog, que já tá bombando! Diferentemente de alguns de seus amigos, que só postam de vez em nunca e sem periodicidade alguma, o Ricardo tá mandando bem no blog.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sobre a covardia, parte 2

Nilton César de Jesus, 26, faleceu na quinta-feira, vítima da covardia cometida pelo sargento da Polícia Militar do Distrito Federal José Luiz Carvalho Barreto, que deu uma coronhada no rapaz, sem motivo (já que não houve resistência alguma), a arma disparou e acertou sua cabeça.

Já falei tudo o que eu acho no meu primeiro post sobre o assunto, há alguns dias. Hoje, pretendo repercutir algumas coisas.

Basicamente, o que disse o promotor da Justiça Paulo Gomes, do Distrito Federal, que afirmou que o disparo foi "acidental", "como mostram as imagens".

"A principio, pelas imagens que já nos chegaram que foi até difundido pela mídia, ficou demonstrado que ele não quis causar um homicídio doloso. Houve um acidente no momento em que ele efetuou uma coronhada desnecessária naquele cidadão", disse Gomes ao "DFTV", da Globo.

Discordo, como já falei. O sargento, como membro da PM, sabe muito bem como uma arma pode disparar se você usá-la para dar uma coronhada. Uma arma não é um cassetete. Deu a coronhada, a arma disparou, matou o cidadão. A única diferença para o que escrevi antes é que agora ele precisa ser indiciado por homicídio doloso, e não mais por tentativa de homicídio.

E, na quinta-feira, o médico Carlos Silvério, chefe do Departamento de Neurocirurgia do hospital onde Nilton esteve internado, indicou que a própria pancada causada pela coronhada pode ter sido a causa da morte. E aí, como fica o discurso do promotor? Ou da PM? "Acidente"?

Prefiro homicídio doloso consumado por covardia. Que tal?

Esperemos o laudo do IML (que vai apontar se foi o tiro ou a pancada que matou a vítima) e uma condenação justa ao assassino, o que é raro acontecer no Brasil.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sobre a covardia


Essa imagem é emblemática demais para passar despercebida por este blog. Chocante. De causar indignação. Ainda mais quando lemos duas notícias de hoje sobre o assunto:



Também hoje, nosso querido José Roberto Arruda, do PFL (ou DEM, se preferir - é apenas uma sigla insignificante), governador do DF, "lamentou profundamente" o caso e ressaltou que ele "não pode mudar o fato de Brasília ser receptora de grandes eventos". Ainda citou SP e Rio como locais onde problemas semelhantes aconteceram.

Afinal, é disso que se trata. Copa-2014. O torcedor que busque sua sobrevivência, porque a culpa não é do governo. O negócio é ter um estádio para 20.000 pessoas em uma cidade-satélite com apenas um hospital, sem equipamentos adequados (segundo relatos de quem esteve lá) para receber Nilton César de Jesus, de 26 anos - este é o nome de mais uma vítima da violência no país.

O "acidente", que envolveu um sargento que tinha "ficha exemplar" na PM, conforme noticiaram alguns periódicos, não teve nada de acidente. Foi, sim, uma tentativa de homicídio. Uma covardia sem tamanha. Acho que o que vimos foi sim um infeliz "déja-vu" dos mais tristes e sangrentos anos da história brasileira. Talvez o sargento José Luiz Carvalho Barreto quisesse comemorar os 40 anos do AI-5, que serão completados no próximo dia 13.

Não quero causar sensacionalismo com o caso, para isso bastam as imagens, mas o que me chocou durante toda a história foi que o torcedor tomou um tiro na cabeça sem NENHUMA justificativa. Nas imagens flagradas pela TV Record, Nilton apenas corre durante a confusão, corre, e depois aparenta fugir do sargento, que lhe aponta a arma. Ele pára, ergue os braços, e sofre uma coronhada - agressão recorrente em filmes sobre mafiosos.

E aí que está o x da questão. Nilton, em nenhum momento, oferece resistência ao policial. O pecado dele é estar ali, aparentemente. O sargento chega, desfere a coronhada covardemente, mas, para seu "azar", a arma dispara. E pode ter causado uma morte, como acontece com armas de fogo.

Trabalhei um ano na Secretaria da Segurança Pública de SP, como estagiário, e fiz questão de aprender muito sobre as polícias. Sei, por exemplo, e isso é bem básico, que um policial NUNCA pode agredir alguém desarmado e que não ofereça resistência à prisão. Muito menos com uma coronhada. Fora dos filmes de chefões, na vida real, isso é coisa de bandido.

E por isso classifico o caso como tentativa de homicídio. O policial, primeiro, não tinha porque agredir o cidadão. Segundo, se agride com a arma, sabe da possibilidade de ela disparar. E atingir alguém. Que foi o próprio agredido. "Lesão corporal grave" é o caralho, me desculpem o termo. Se fosse um torcedor brigando com outro, e as câmeras flagrassem, assino embaixo que o cara seria acusado de tentativa de homicídio.

Last but not least, se alguém argumentar "ah, mas ninguém sabe o que o torcedor fez antes de aparecer na imagem", eu digo: não importa. Como eu disse: com o "suspeito" desarmado e sem oferecer resistência, o policial deveria ter apenas algemado o Nilton e levá-lo para a cadeia, para responder pelo que foi acusado.

Veremos o desenrolar do caso, que deve durar uns dez anos e pode até libertar o sargento - que já está livre para aguardar seu julgamento, como pede nossa Justiça. Pena que a vida de Nilton César de Jesus corre sério risco.

Como eu já disse anteriormente, o futebol é apenas um detalhe nesse brasil. Mas as coisas que o envolvem refletem perfeitamente o porquê de isso aqui ser a zona que é.

E hoje só se fala sobre Ronaldo. Ele é o assunto. Desculpe, Fenômeno, mas deixo você e o meu Corinthians para um outro dia.

Pitacos de fim de Brasileirão

- Para começar, o primeiro Nacional sem o meu Corinthians. Analisei tudo de longe, sem se me preocupar com a paixão, porque ela estava fazendo um (merecido) estágio na Segunda Divisão, e agora à primeira retorna (também de forma merecida);

- É, agora não dá mais. Como um time que ficou 11 pontos atrás dos líderes e chegou a ficar de fora da zona da Libertadores consegue conquistar o título? Primeiramente, mantendo uma invencibilidade de 18 jogos. Segundo, contando com a fragilidade dos adversários, seja ela técnica (Grêmio), emocional (Cruzeiro) e/ou organizacional (Palmeiras e Flamengo, respectivamente). Em um meio tão provocador quanto o futebol, o São Paulo é insuportável para todos os outros torcedores, principalmente os rivais paulistas. Por quê? Porque dá tudo certo lá. E o clube se vangloria disso, de forma irritante. Mas reclamar do quê? O futebol é e sempre foi assim. Sorte e mérito deles;

- Mais um campeonato que acaba com 38 rodadas e 20 equipes de chororô contra a arbitragem. Da série "Para esquecer" do Brasileirão. Todo mundo reclama, mas o clube não procura aprender e orientar seus jogadores sobre a arbitragem. Como, então, cobrar da Comissão de Árbitros sem nem entender as regras do futebol direito?

- Porque os juízes, por sua vez, também demonstraram pouca familiaridade com as regras, sempre aplicando diferentes critérios e "estilos". Não estaria na hora de se ousar uma profissionalização para tentar a melhorar a classe? Afinal, é uma profissão, amadora apenas na hora de se pagar o trabalhador. A cobrança é imensa, mas como acabar com essa zona que é a arbitragem sem regularizá-la?

- Aliás, Brasil, o país dos chorões. O lugar onde sempre alguém é prejudicado por outro alguém que é mais esperto. Como posso fazer o bem, se o outro vai me passar a perna? Pensamento típico e triste na nação;

- Ainda ligado ao assunto arbitragem, bizarro pero importante o discurso de Carlos Eugênio Simon há pouco, na premiação da CBF sobre os melhores do campeonato. Bizarro porque ele enfrentou algumas vaias deselegantes, provavelmente daqueles cartolas chorões, com uma fala inflamada, pregando a favor do árbitro, o "álibi de todos os erros". Mas importante porque defendeu publicamente o Wagner Tardelli, colocado covardemente sob suspeita em um atitude misteriosa e mau-explicada de FPF e CBF. CBF essa que acabou cumprimentada de forma prevísivel e contraditória pelo próprio Simon, em seu discurso no estilo governador Covas x professores de SP, com direito a apupos e rostos constrangidos;

- Aliás, aparentemente o sr. Marco Polo Del Nero "não compreendeu" o peso de sua atitude, disse que a acusação sobre Wagner Tardelli pode ter sido um trote, que alguém se enganou, e blablabla. Covarde, caro Del Nero. Acuse, prove. Tinha o tal envelope, mostre-o. Explique. Como sua secretária conseguiu a informação de que o Tardelli receberia dinheiro, ingresso da Madonna, pedaço da grama do Morumbi ou o que quer que seja, para ajudar o São Paulo? Se foi dentro da FPF, vocês apuraram alguma coisa? Ou simplesmente falaram "olha, tem essa história aqui e vocês da CBF e do MP que investiguem, não sei de mais nada". Caso tenha sido apurado, estou certo de que será esclarecido. Se o cenário estiver mais para o "não sei direito como aconteceu" e "agora está tudo bem, já acabou", como parece, abandone já o seu cargo. Não se pode permitir tamanha leviandade de um presidente de uma federação estadual;

- Se fosse um jornalista e não provasse, certamente seria processado. Atitude que, espero, seja tomada pelo São Paulo, após o inquérito(?) do STJD sobre o caso;

- Com vocês, o tribunal que vai moralizar o futebol brasileiro: o STJD! Estrelando Paulo Schmitt. Socou o adversário? Tá pensando o quê, 3 meses de suspensão! Tá bom vai, um mês. Beleza, cumpra dois jogos que fica elas por elas. E foi assim o ano inteiro, sem coerência, prudência, eficiência e, principalmente, Justiça. Sempre gritando alto e agindo pouco, ajudando alguns e prejudicando todos;

- Voltando a falar sobre leviandade e jornalismo, é engraçado constatar que aqueles torcedores que acham que devemos "falar as verdades na televisão, denunciando as 'roubalheiras'" são os mesmos que dispensam um aspecto chamado "prova" para que tais "denúncias" sejam feitas. Sem provas, ou mesmo indícios, não temos história, ué;

- Sobre futebol? Falei no começo, esqueceu? É que não tenho muito a falar sobre aspectos técnicos, táticos e cháticos do futebol. Isso deixo para os outros feras que entendem bem mais sobre o assunto. E não faltam textos na internet sobre isso;

- Meu negócio mesmo é cornetar as chatices do esporte mais importante do Brasil. Com a esperança de que um dia ele se desenvolva, pelos menos nesses assuntos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Movimentado

Hoje, 24 de novembro de 2008, é o aniversário de um amigo meu, o mais antigo de todos, que completa 25 anos e a quem cumprimento pelo blog.

Também é o dia que eu quebro o silêncio que perdurou durante todo o mês onze, talvez o mais movimentado da minha vida no aspecto profissional.

Isso porque, desde outubro, estive dedicado a algum projeto para a FOL: primeiro, o especial sobre os 20 anos do primeiro título de Ayrton Senna na F-1; depois, a cobertura incessante da semana final da temporada 2008 da F-1, com coletivas de Felipe Massa e matérias pós-campeonato que emenderam com o especial do Senna; por último, o que considero minha melhor reportagem até hoje: a entrevista com Rob Halford - além da cobertura do primeiro show do Judas em SP.

Foi um mês corrido, sempre com algo importante na cabeça e prejudicado por uma certa inconstância do meu estado de saúde, com problemas que agora poderão ser curados.

Foi importante e reconfortante o contato mais próximo com a F-1, além da atiçante responsabilidade de tocar um especial sobre o maior ídolo esportivo do Brasil e meu principal ídolo de infância - e por quem tenho minhas ressalvas hoje, ajudado pela visão crítica que evolui com a idade.

Mas o desafio de comandar uma entrevista exclusiva, por telefone, com um dos mais importantes símbolos do metal, a quem ouço há dez anos e que co-escreveu a maioria das músicas de minha segunda banda favorita (Rush na frente), foi algo indescrítivel.

Sabia que valia a pena tentar porque era alguém que tinha o que falar. E que possui, acima de tudo, relevância jornalística. Fui atrás ainda no início de setembro, e valeu a pena.

Ainda colocarei aqui, na íntegra, a entrevista feita com o Halford, apenas para que fique o registro, e que isso não se perca na edição obrigatória para um veículo online.

Por enquanto, fica o registro do meu sumiço, mas com a certeza de que estou de volta postando, sempre que o tempo e/ou a inspiração aparecem.

E teremos tempo para debater tudo o que aconteceu. Já que não consigo postar no "heat of the moment", fiquemos com uma análise mais fria e pensada dos acontecimentos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Piquet, Tuvuca e o Youtube

Começo este post lembrando de como foi iniciada minha paixão pela F-1. Gostava muito de carros quando tinha uns cinco anos (hoje não ligo muito), e tenho em minha memória alguns flashes da temporada de 1990, de Ayrton Senna com um maço andante da Marlboro competindo contra um carro vermelho, o qual identificaria anos mais tarde como a Ferrari, pilotada pelo então tricampeão Alain Prost.

1991 foi um ano muito mais claro para mim, já conhecia as equipes, os pilotos, as pistas, o sistema de pontuação, o frisson causado por Senna no Brasil. Frisson que também migrou para a criança de sete anos, que só queria saber de corridas e velocidade. A vitória de Senna em Interlagos e o tricampeonato (relatado pela minha mãe na manhã seguinte, já que era o GP do Japão, de madrugada) são memórias ainda frescas em minha mente.

Esse ano, também, foi o último de Nelson Piquet na F-1. Me lembro dele na Benetton, com o Moreno e depois com o Schumacher, e admirava muito esse carioca debochado, que era totalmente o oposto do meu ídolo Senna. Apesar de saber de todas as brigas entre os dois, eu achava que o Piquet estava certo, afinal todos falavam que ele era mau-caráter e que só falava mal de todo mundo. Como eu era criança, e do contra (característica que, admito, ainda carrego um pouco), imaginava que o Piquet deveria estar certo, o que não diminuía minha torcida pelo Ayrton.

1992 foi um ano decepcionante, sem Piquet, e com Senna fazendo pouca coisa durante a temporada. Neste ano, porém, ganhei de meu falecido avô paterno um relançamento de duas revistas "Motor 3" do início de 1987, uma com um completíssimo resumo da temporada de 1986 e a outra com a apresentação de 1987. Guardo ambas até hoje, destruídas após 16 anos de folheagem incessante. São elas as minhas primeiras fontes automobilísticas.

Lá, descobri um pouco melhor quem foi Nelson Piquet na F-1, em uma fase em que lutava pelo título. Também descobri como foi a fase de Senna na Lotus, Prost na McLaren, Mansell na primeira passagem na Williams, além de descobrir os ex-campeões Keke Rosberg e Alan Jones. Enfim, onde comecei a saber mais sobre o passado da categoria que eu tanto devorava.

Os vídeos

Alguns anos depois, já superada a alegria pelo desempenho do ídolo em certas corridas em 1993 e o grande trauma de sua morte no ano seguinte, consegui descolar em locadoras as fitas de vídeo com o resumo das temporadas do tricampeonato do Ayrton (88, 90 e 91), além de, ironicamente, o VHS da própria temporada de 86. Vi imagens em movimento que só conhecia de ter "lido as figuras", lembrando uma celébre frase da obra-prima "Cidade de Deus".

Conhecendo um pouco essas temporadas, finalmente tive a chance de ver grandes ultrapassagens e corridas de Nelson Piquet, o "tricampeão desconhecido", sempre com a ótima narração de Reginaldo Leme. Foi quando busquei "vôos maiores": por que não encontrar os resumos das temporadas (os famosos "FIA Review") em que Piquet conquistou o título?

Infelizmente, nunca concretizei esse sonho. Tempos atrás, foram lançados os DVDs dos títulos do Ayrton, os quais já sei de cor. Como consolo, pude desfrutar também do bicampeonato do Emerson, felizmente resgatado pela Abril e a Quatro Rodas e também lançados em DVD (desta vez narrados pelo "Grandes Momentos do Esporte" Luis Alberto Volpe, hoje na ESPN Brasil).

Senna e Emerson tiveram o reconhecimento merecido pelos seus títulos. Por que o Nelson, primeiro tricampeão do Brasil na F-1 e "ovelha negra" dos brasileiros por conta das suas brigas com o Ayrton, não merece o mesmo destaque? Por que ninguém lança essas temporadas no Brasil? São perguntas que nunca foram respondidas.

Só acho que, com isso, o reconhecimento por Piquet diminui, sustentando apenas por aqueles que recordam de suas grandes corridas ou pelos que admiram muito sua personalidade e sinceridade, mesmo sem conhecer, em vídeo, os feitos do tricampeão.

Mas como aprender a história se ninguém resgata o registro histórico de um dos principais esportistas brasileiros de todos os tempos?

O Youtube

O Youtube, no entanto, pôs fim ao meu anseio. Queria fazer isso há algum tempo, mas só pude concretizar esse sonho no último mês, quando percebi que todas as corridas de 1981 já estavam em nosso glorioso e quase anárquico canal de televisão mundial.

Analisei, então, o desempenho do jovem Nelson na conquista de seu primeiro título, e agora já estou começando a ver as corridas de 1983, cuja temporada, infelizmente, não encontrei por inteira. O Youtube colocou na rede, por meio de seus usuários e de forma rústica, o legado de Nelson Piquet na F-1.

Não sei se o hoje "pai do Nelsinho" sabe disso, mas acho que agradeceria. Eu agradeço ao Youtube, mas continuo esperando por um DVD com os melhores momentos do nosso primeiro tricampeão na F-1.

Nada mais justo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Fórmula Punição


O mais triste em um campeonato esportivo dá as caras quando o talento e a habilidade são deixados de lado em prol do rigor na "aplicação das regras". Assim, pessoas que não estão participando da competição têm quase que o mesmo poder daqueles que vencem ou perdem partidas -ou corridas.

Já falei da chatice que são as tais "recomendações" da Fifa no futebol, repletas de interpretações dúbias, ambígüas, mal-explicadas e -o que é ainda pior- respeitadas apenas em certos países ou continentes. A discussão sobre o que vale ou não no futebol tomam mesas-redondas de qualidade duvidosa, mais preocupadas em "jogar para a torcida" de clubes grandes, além da parcela mais séria da imprensa esportiva, jogadores, árbitros e dirigentes. É um lenga-lenga sem fim e sem efeito prático.

A F-1, infelizmente, começou (ou voltou) a ser dominada por decisões estranhas de comissários, sempre "preocupados" com a "direção segura" dos pilotos, deixando velocidade e competitividade em segundo plano.

Nesses tempos, o piloto só pode tentar uma ultrapassagem se tiver 100% de certeza que vai concretizá-la. Se tiver o mínimo de dúvida, é melhor não arriscar, porque os comissários estarão olhando prontos para dar-lhe uma punição na pista.

Hoje, ou ontem no Japão, três pilotos foram punidos por seus erros. Na corrida aos pés do Monte Fuji, vencida de forma esplêndida por Fernando Alonso (o melhor piloto da categoria -vamos ver até quando, com a ascensão do Vettel), Felipe Massa, Lewis Hamilton e Sébastien Bourdais, foram prejudicados -sim, prejudicados- por comissários que se julgam donos do espetáculo -como os árbitros no futebol.

Para mim, das três punições, a única aceitável foi a de Massa, que realmente forçou a barra com Hamilton na chicane. Mas, mesmo assim, acho que foi apenas uma disputa de corrida, onde os dois erraram, forçaram demais. Massa acabou espremido pelo inglês, ficou fora do traçado, manteve o pé embaixo e o acertou depois -como acontecia em praticamente todo GP na década de 1980, e quase nunca alguém era punido.

Quanto a Hamilton, me pareceu brincadeira -ou perseguição- a punição ao inglês por fazer um monte de cagada na largada. O que ele fez para prejudicar os outros? Não ficou claro. Ele apenas errou, saiu da pista e prejudicou sua prova. Novamente, um incidente de corrida. Precisava estragar a corrida de Hamilton por causa disso? Não bastava ele mesmo jogar sua prova no lixo?

Já a punição ao Bourdais me cheirou um efeito bola-de-neve. "Bom, se já punimos o Hamilton pelas besteiras na largada e o Massa por bater no Hamilton, precisamos punir o Bourdais por atrapalhar o Massa." É isso -em busca de "coerência", é preciso punir todo mundo que cometa qualquer tipo de erro.

Hoje, Tostão escreveu em sua coluna na Folha que a "coerência é muitas vezes burra, e tem que ser ética e de princípios". Ele estava comentando sobre as escolhas de Dunga para a seleção brasileira, defendendo o poder das pessoas em mudarem de opinião. Para mim, seu raciocínio é perfeito para a F-1 de hoje.

Todos os pilotos cometem erros, e eles ficam mais visíveis quando envolvem aqueles que disputam as primeiras posições e o título. Isso é mais comum agora, quando não temos um Schumacher da vida dominando as corridas, e sim bons pilotos como Hamilton e Massa, que também são instáveis e por vezes barbeiros. Isso deveria ser encarado de forma mais natural e menos rigorosa por FIA e comissários, para que o resultado final não seja alterado toda hora em função de um incidente da corrida.

Enquanto o automobilismo envolver disputas de posição, ultrapassagens e arrojo, acidentes acontecerão, e é preciso aceitar isso.

Vale lembrar que Ayrton Senna foi campeão em 1990 tirando o Alain Prost da corrida, de propósito, em um acidente que poderia ter conseqüências piores para os dois. Um ano antes, o mesmo Senna foi desclassificado de forma estranha após um acidente com o mesmo Prost, no mesmo GP do Japão, em um episódio no qual a Fisa -braço-esportivo da FIA e que cuidava da F-1 na época- e seus comissários foram extremamente criticados por interferir demais nas decisões em Suzuka.

Em 1994, Schumacher foi campeão na Austrália depois de tirar Damon Hill da corrida, em um acidente muito polêmico -e sujo. No mesmo ano, o alemão e a Benetton travaram uma guerra com a FIA, que aplicou punições à equipe e ao piloto por conta de supostas irregularidades no carro de Schumacher e por sua conduta nas pistas. Na corrida final, no entanto, sua antidesportividade passou ilesa.

Três anos depois, o mesmo Schumacher, já na Ferrari, tentou fazer o mesmo com Jacques Villeneuve em Jerez, só que se deu mal e teve que abandonar a corrida. Foi o único prejudicado por sua bobagem e sujeira. Então, a FIA resolveu "dar o exemplo" e puniu o alemão com a perda de todos os seus pontos no campeonato. Assim, Schumacher perdeu o vice. Será que aconteceria o mesmo se ele tivesse conseguido tirar o canadense da corrida e conquistasse o título? Difícil saber.

Difícil saber porque esses comissários de prova são muito imprevisíveis. Quanto menos poder para eles, melhor.

Os campeonatos de 1989, 1990, 1994 e 1997 tiveram desfechos polêmicos porque estavam inseridos em um contexto no qual a FIA tomava atitudes baseadas em um regulamento que parecia valer uma coisa diferente a cada corrida.

Espero que a belíssima e equilibrada temporada de 2008, já manchada por conta de punições estranhas ao longo do ano (a maior delas na Bélgica, contra Hamilton), não se encerre com algum episódio semelhante envolvendo ao desses anos.

O tapetão precisa ser evitado a todo custo no esporte.

Foto: Kazuhiro Nogi, AFP

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Wright, por Waters

Há uma semana, mais ou menos, surgiu a primeira declaração de Roger Waters sobre o ex-parceiro Rick Wright após sua morte por conta de um câncer, no começo do mês. Claro que eu li com muita curiosidade, pois, infelizmente, nada melhor do que uma morte para suavizar as palavras.

Em outros termos, somente este período pós-tragédia envolvendo Wright permite a Waters admitir sua admiração pelo ex-companheiro, com quem teve diversos problemas e polêmicas.

Segue a tradução da declaração de Waters, publicada pelo Whiplash!

"Eu fiquei muito triste em saber da morte prematura de Rick. Eu sabia que ele estava doente, mas o final veio de forma repentina e chocante. Meus sentimentos estão com a família dele, particularmente com (seus filhos) Jamie e Gala e com a mãe deles, Juliet, a quem eu conheci muito bem nos velhos dias, e sempre gostei e admirei muito."

"Quanto ao homem e a seu trabalho, é difícil superar a importância da sua musicalidade no Pink Floyd dos anos 60 e 70. A sua intrigante influência do jazz, modulações e timbres tão familiares em 'Us and Them' e em 'Great Gig in the Sky,' o que deu a essas composições tanto sua extraordinariedade e humanidade e sua majestade, são onipresentes em todo o trabalho colaborativo que nós quatro realizamos naquela época. A percepção de Rick para as progressões harmônicas era nosso fundamento".

"Eu me sinto extremamente grato pela oportunidade que o Live 8 me proporcionou ao me reunir com ele, com David (Gilmour) e com Nick (Mason) por uma última vez. Eu queria que tivesse havido mais vezes."

"A percepção de Rick para as progressões harmônicas era nosso fundamento". Muito humilde, ainda mais quando nos referimos a Roger Waters. Ele ainda lamenta que o Pink Floyd não se reuniu mais, além do "one night only" no Live 8, mas isso aconteceu por conta do desinteresse de David Gilmour. E, infelizmente, ag0ra não tem mais jeito.

Ninguém melhor do que um Waters desprovido de ressentimento (e frustrado pela separação eterna do Floyd depois do "The Wall") para falar sobre Richard Wright, com quem fundou a banda ao lado de Syd Barret.

Como eu disse no meu post em homenagem ao tecladista, talvez ele receba, neste curto período pós-morte, o reconhecimento por toda sua obra na banda e no rock 'n' roll.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre "ironias do destino"

Fiz um texto gigante, agora, colocando toda a retrospectiva dos eventos envolvendo Felipe Massa e Lewis Hamilton desde 1 de setembro, dia do GP da Bélgica de F-1.

A idéia era relembrar, passo a passo, todas as reviravoltas no campeonato nesses últimos dias, desde a vitória do inglês em Spa, a cassação da mesma, o GP da Itália, a FIA considerando inválida a apelação da McLaren sobre a punição ao inglês na corrida belga, culminando na lambança ferrarista em Cingapura. Sempre contextualizando e apontando as diferenças na classificação de acordo com cada cenário.

No final, que ainda não estava escrito, eu iria dissertar sobre a ironia que foi Hamilton ampliar em seis pontos sua vantagem para Massa na corrida de Cingapura depois da bobagem da Ferrari no primeiro pit stop do brasileiro. Afinal, Hamilton perdeu justamente seis pontos na briga pelo campeonato por causa de uma canetada dos comissários, que para mim foi injusta. Lembrando que, mantido o resultado original em Spa, Hamilton teria quatro pontos a mais, e Massa contaria com dois a menos.

Essa era a questão: seis pontos ganhos do céu (também conhecido como FIA) na Bélgica, seis pontos amargos e perdidos na prova noturna, por culpa exclusivamente sua - Ferrari, no caso. Uma ironia e tanto.

Assim, chegaria a algumas conclusões: primeiro, a Ferrari tem errado demais, demais nas corridas.

Segundo, as canetadas deveriam ser aplicadas quando o regulamento fosse bem claro em relação a chicanes cortadas e punições, o que não é o caso; parece aquela chatice da "regra interpretativa" imortalizada pela Fifa no futebol.

Terceiro, Hamilton e Massa fazem um belíssimo campeonato, dentro de suas capacidades; a F-1 não precisa de um piloto como Schumacher para ser espetacular (apesar que o Vettel vem aí), basta bons pilotos.

Por último, esse campeonato é o mais legal que eu vejo desde 2003, provavelmente, com a diferença de que não temos um Schumacher com um monte de novas regras contra si. Foram resultados diferentes, com vitórias de Robert Kubica, Fernando Alonso e principalmente Sebastian Vettel. BMW Sauber e Toro Rosso ganham suas primeiras corridas na F-1, enquanto que a Renault volta a triunfar pela primeira vez desde 2006.

Isso tudo estaria muito detalhado se não fosse um maldito comando de nome "Auto-Select" no Windows Vista. Explico: eu iria finalizar o trecho sobre a lambança da Ferrari ontem e precisava colocar que o Massa ficou em décimo-terceiro. Não achava, no laptop, o ordinário o. (como você nota, essa batalha ainda não foi vencida), para não ter de indicar o número por extenso.

Fui buscar com o botão direito, achei um "Encoding" e pensei: "é aqui mesmo!". Ledo engano. Por um motivo ainda não (e provavelmente nunca) compreendido, o texto sumiu, como em uma fábula. Para melhorar minha situação, o Blogger resolveu salvar meu texto naquele exato momento. Saí dele para tentar buscar sua versão "com texto", mas lá estava o post, todo branco, apenas com o título.

Que ganhou um novo significado após toda essa chatice inexplicável que ocorreu e me deixou extremamente irritado, sem o mínimo saco de escrever tudo de novo.

Bom, saiu isso aqui, acho que tá mais do que bom, tendo visto a circunstância. E prometo que salvarei os textos enquanto estiver escrevendo.

Já comecei, inclusive.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Há 30 anos: Uma explosão australiana (1)

Australiana, marromeno. Angus e Malcom Young, além do vocalista Bon Scott, são escoceses que migraram para a Austrália. Mas montaram a banda em Sydney, isso é fato, o que faz deles australianos também.

O caso do AC/DC no "Há 30 anos" é um pouco diferente em relação ao do Judas e do Scorpions, porque vou postar sobre dois discos. Ambos foram lançados em 1978 e fizeram história. Naquela época, a banda vinha de uma escalada de sucessos que culminou com Let There Be Rock (1977), seu melhor disco até então, na visão deste blogueiro.

Consistente e recheado de clássicos (Whole Lotta Rosie, Let There Be Rock, Hell Ain't a Bad Place to Be, Problem Child), o terceiro álbum de estúdio da banda (quarto na Austrália) é daqueles de alavancar carreiras ao estrelato.

Mas falaremos das obras de 1978, Powerage (agora) e If You Want Blood You've Got It (daqui a algum tempo - espero que não seja longo).

AC/DC -Powerage - 25/05/2008



1. "Rock 'n' Roll Damnation" – 3:37
2. "Down Payment Blues" – 6:03
3. "Gimme a Bullet" – 3:21
4. "Riff Raff" – 5:11
5. "Sin City" – 4:45
6. "What's Next to the Moon" – 3:31
7. "Gone Shootin'" – 5:05
8. "Up to My Neck in You" – 4:13
9. "Kicked in the Teeth" – 4:03


Powerage pode não conter tantos hits em relação a Let There Be Rock, mas é tão consistente quanto. Um disco feito inteiramente de boas músicas, sem exceção, e alguns momentos brilhantes.

Começando pela chamativa e famosa capa. A imagem de Angus Young sendo "eletrocutado" é uma das mais marcantes da história da banda e ilustra com perfeição toda a energia exalada pelo AC/DC em seus shows (e pelo guitarrista também).

A abertura com Rock 'n' Roll Damnation é empolgante, denunciando o que vem a seguir nos próximos 40 minutos de música. O AC/DC não tenta nenhuma modificação ousada em seu som, pelo contrário. Volta a fazer em Powerage tudo aquilo que consagrou a banda nos discos anteriores: um blues acelerado com guitarras pesadas, encostando no heavy metal. Uma junção suja de Hard Rock, Heavy Metal, Rock 'n' Roll e Blues.

Down Payment Blues tem uma ótima letra, relatando a simplicidade e o desleixo, dois símbolos do grupo. Logo no início, Bon Scott canta you know I ain't doing much/doing nothing means a lot to me ("sei que não estou fazendo muito/não fazer nada significa muito para mim"), que cai bem para descrever quem sempre reverenciou o simples e ignorou o complexo.

Já a terceira faixa, Gimme a Bullet, assim como What's Next to the Moon (e Cold Hearted Man que só aparece em versões européias de Powerage), é apenas uma ótima música, que compõe o disco e não produz nenhum destaque específico.

Sin City, que também chegou a ser executada ao vivo com Brian Johnson, fala sobre Las Vegas ou qualquer cidade que tenha cassinos, mulheres e bebidas em geral. Um clássico. Vale prestar a atenção na letra, como é habitual quando se refere a Bon Scott.

O final do lado B, com Gone Shootin (conheci essa na trilha sonora do filme do Beavis and Butthead, que eu tenho até hoje), Up to me Neck in You e Kicked in the Teeth é um chute nos dentes, literalmente, cheio de energia. Começando com o groove da primeira, totalmente blues, passando pela simplicidade da segunda e chegando até a zeppeliana música final, que começa com um monólogo do vocalista e vai crescendo de acordo com a letra da canção. Um final perfeito para Powerage.

Riff Raff, por sua vez, ficou por último por ser uma das melhores composições da história da banda, e a grande canção de Powerage, ainda mais depois de virar música-abertura da turnê do álbum. Acabou imortalizada como primeira faixa do clássico If You Want Blood You've Got It, que ainda receberá destaque maior neste blog.

O nome da música é bem propício por contar com um dos marcantes riffs dos irmãos Young. É um blues bem acelerado, uma mistura de Kiss, Grand Funk Railroad e Led Zeppelin, mal comparando. O refrão, berrado por Scott, é marcante, fácil de cantar e com um interessante jogo de palavras. Já o solo de Angus é inspiradíssimo, com uma cozinha ritmada, quase que como uma big band do rock 'n' roll.

Aliás, se um dia eu fizer um top 10 com as melhores guitarras em canções, tenho certeza de que Riff Raff estará na lista.

Os últimos versos da música definem não apenas o disco, mas a banda inteira. Parece um recado do AC/DC para o mundo.

I never shot nobody, don't even carry a gun
I ain't done nothing wrong, I'm just having fun
Riff Raff
It's good for a laugh
Riff Raff
Go on and laugh yourself in half

Em pleno 1978, com explosão punk e tudo mais, o AC/DC queria lembrar a todo mundo que o rock 'n' roll é, antes de tudo, diversão.

PS: Fica aqui o registro de um ótimo review sobre o disco, produzido pelo site Stilus e escrito por Edwin Faust (em inglês). É uma visão diferente e muito mais aprofundada do que a minha, com uma completa análise das letras e contextualizando o período vivido por Bon Scott na época.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

The Great Wright in the Sky


No último dia 15, foi-se Richard Wright, tecladista e um dos fundadores do Pink Floyd. Wright, sumido da mídia há algum tempo, padeceu de um câncer, em uma batalha curta, de acordo com informações de um porta-voz do músico.

Agora, mais de 40 anos após ter integrado uma das maiores bandas do Rock 'n' Roll de todos os tempos e que produziu uma obra de arte chamada The Dark Side of the Moon (1973), Rick Wright parece receber um pouco da atenção que mereceu durante todo esse tempo. Tanto de ex-membros da banda quanto da imprensa e da crítica em geral, incluindo a mídia especializada.

Digo isso porque sempre senti Wright como um dos músicos mais injustiçados e subestimados do rock, algo que aconteceu também porque este virou diminuto diante da imponência de Roger Waters no início dos anos 70 e da liderança de David Gilmour na década seguinte.

A saga de Wright no Pink Floyd se divide em três períodos: o início da banda, entre 1966 e 1975, da qual participu ativamente como compositor; o “ostracismo”, entre 1976 e 1983, quando chegou a ser demitido por Roger Waters e recontratado como músico de estúdio, além de ficar longe das composições da banda; e a fase coadjuvante, na nova encarnação do Floyd (sem Waters e com Gilmour liderando), que resultou nos álbuns A Momentary Lapse of Reason (1987) e The Division Bell (1994), época em que apenas figurou ao lado de Nick Mason em algo que pode ser chamado de “projeto solo” de David Gilmour.

Essa diminuição da importância do tecladista a partir de 1976 é, na minha opinião, inexplicável. As linhas de teclado de Wright ajudaram a compor a psicodelia comandada pelo ex-vocalista e guitarrista Syd Barret nos primeiros discos da banda. Nessa época, Wright também atuava nos vocais, geralmente fazendo backing.

Em Atom Heart Mother (aka “o disco da vaca, de 1970), Rick compôs, sozinho, o que é para mim a melhor canção daquele álbum: "Summer of ‘68". A música, que alterna momentos psicodélicos (herança do início da banda) com a sutileza de uma verdadeira balada, é até hoje (não sei exatamente o porquê) executada nas rádios brasileiras, mas totalmente esquecida pela banda. Não figura, por exemplo, na excelente coletânea Echoes (2001), e aparentemente nunca foi tocada ao vivo (até onde pesquisei, pelo menos).

No álbum seguinte, Meddle (1971), foi co-autor das duas músicas mais destacadas da obra: "One of these Days" e "Echoes", ambas compostas pelos quatro integrantes em parceria. Na segunda, Wright dividiu as linhas vocais com David Gilmour com maestria, em um belíssimo dueto, que voltaria a se juntar em "Time" e "Breathe" no disco seguinte, o já citado "The Dark Side of the Moon".

Foi nele que o tecladista compôs sua obra-prima, chamada "The Great Gig in the Sky", a qual este blog faz um trocadilho no título do post. Lá, Wright demonstrou toda sua técnica, auxiliada pelo histórico e emocionante solo da cantora Clare Torry, em uma música instrumental co-escrita por Roger Waters. O clássico "Us And Them" também surgiu da hoje inusitada dupla Waters/Wright.

Daí pra frente, ele foi deixado de lado, ou se deixou de lado, e viu Roger Waters assumiu a liderança do grupo. Brigou com o baixista, acusando-o de ditador, e este replicou dizendo que Wright simplesmente "não estava nem aí" para a banda. Estes atritos causaram a saída do tecladista (ou sua demissão) durante as gravações de "The Wall" (1979), onde foi creditado como músico convidado, voltando depois para a turnê da opéra-rock. Wright não participou do álbum-solo-de-Waters-com-o-nome-de-Pink-Floyd "The Final Cut" (1983).

O tecladista voltaria para o projeto Gilmour, que também incluiu o baterista Nick Mason, e co-escreveu cinco músicas em "The Division Bell" ("Cluster One", "What Do You Want From Me", "Marooned", "Wearing the Inside Out" e "Keep Talking"), nenhuma com o brilho de antes.

Richard William Wright, leonino, nascido em 1943, fez tudo isso pelo Pink Floyd, uma das bandas de rock que mais rompeu o universo da música para atingir outras formas artísticas, como cinema ("The Wall", o filme), artes plásticas (as capas dos discos) e teatro (a turnê de "The Wall").

No aspecto pessoal, suas linhas simples e marcantes me fizeram querer tocar teclado quando eu tinha 13 anos. Não consegui aprender praticamente nada, mas não esqueço daquele sentimento de moleque que me fascinava pela inteligência e concisão, algo que foi irradiado por todos os integrantes do Pink Floyd. Para mim, a criatividade de David Gilmour é a exceção. O Pink Floyd ensinou às bandas de rock como fazer do simples genial. E Wright, como já disse, é um símbolo disto tudo.

Além de esgotar as chances de a banda se reunir, já que seu membro menos carrancudo e mais animado se foi, a morte de Rick Wright o imortaliza como um coadjuvante em uma história na qual começou como um dos protagonistas. E sua trajetória declinante, aparentemente, nunca será esclarecida.

Agora, quem sabe, ele não receba o mérito do qual é de seu direito - um músico essencial para o Pink Floyd virar o que virou.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Felipe Massa, o número 1


Nos últimos dias, tem-se falado muito sobre a necessidade (ou não) de a Ferrari "promover" Felipe Massa como piloto número um da equipe para o restante da temporada 2008. Para isso, os brasileiros (e italianos) usam como argumento a boa fase de Felipe no campeonato (a melhor de sua carreira) e sua vice-liderança na classificação, com 64 pontos, a seis do líder Lewis Hamilton e sete à frente de Kimi Raikkonen.

Não sou a favor, e acho que a postura da Ferrari deve ser respeitada, mesmo com a fase de Felipe. Acho que descartar o finlandês, atual campeão mundial, restando seis corridas para o final da temporada, é um risco que os italianos não podem correr.

Kimi está a 13 pontos do inglês, e até me parece que ficará fora da briga pelo campeonato se Massa não tiver mais tanto azar.

O problema é que na F-1 atual o azar tem sido muito presente. Vide, por exemplo, o infortúnio de Felipe na Hungria, com a quebra de motor a três voltas do final, na atuação mais extraordinária de sua carreira. Ou aquela corrida no Canadá, com a lambança do Hamilton atingindo o Raikkonen nos boxes e tirando ambos da prova. Hoje, a Ferrari precisa do finlandês na briga, porque a F-1 voltou a um estágio, talvez temporariamente, onde os carros estão quebrando demais, diferentemente do ano passado.

Por isso, acredito que Massa será o piloto número um da Ferrari, mas precisa provar que merece. Até agora, tem feito isso com maestria, destruindo Kimi nas classificações e se firmando como o desafiante do rookie Hamilton, que também está louco por seu primeiro título, perdido em 2007 de forma dramática. Raikkonen, por sua vez, vai se apagando prova a prova. Não ganha uma corrida desde abril, quando faturou o GP da Espanha.

Para mim, em duas corridas, no máximo, Felipe atinge essa condição. É só confirmar sua boa forma nos GPs da Bélgica (cujos três últimos foram vencidos por Raikkonen) e Itália, para então desfrutar das regalias de um primeiro piloto.

Daí, quando a briga virar Hamilton/McLaren x Massa/Ferrari, as coisas ficarão bem mais simples para o ferrarista, primeiro brasileiro a lutar, de fato, pelo título da F-1, após 17 anos do tricampeonato de Ayrton Senna.

O melhor

Apenas um comentário final aos pachecos e corneteiros de plantão, sobre quem é o melhor piloto entre Raikkonen, Hamilton e Massa. Para mim, todos eles se mostraram rápidos e bons, mas inconstantes. Por isso, fica até difícil apostar em um deles para o título, já que o trio é basicamente do mesmo nível técnico.

Talvez se a disputa contasse com Fernando Alonso (em uma equipe que lhe desse todas as regalias que o espanhol exige, além de um carro bom) e a revelação Sebastian Vettel (que só precisa de um carro bom para mostrar do que é capaz) as coisas seriam mais difíceis para os três pilotos, porque esses dois parecem acima da média. Principalmente Vettel, que ainda é moleque de tudo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Impressões do fuso trocado

Bom, ainda estou tentando me adaptar ao velho fuso horário e à rotina de acordar de manhã e dormir à noite. Foram duas semanas trabalhando das 20h às 5h e não consegui me reacostumar, em dois dias, com o nosso querido fuso horário de Brasília.

De qualquer maneira, gostaria de postar algumas coisas sobre a gloriosa Olimpíada de Pequim, que viu a China dominar tudo, desde o quadro de medalhas até o conteúdo permitido aos jornalistas na internet da sala de imprensa. Viu também histórias bizarras, como o sumiço da vara da Fabiana Murer, o chute do lutador cubano no juiz do taekwondo e o sueco da luta greco-romana que deixou sua medalha de bronze no chão por conta de sua revolta com a arbitragem.

Teve também um tal de George W. Bush aparecendo em tudo quanto é esporte, dando manchete, com camiseta suada e cheia de pizzas, além de tirar fotos com todos os atletas que apareciam na sua frente. Aquele mesmo que, antes dos Jogos, disse a todo o mundo que a China "deveria respeitar os direitos humanos", recebeu duras críticas do governo chinês e que foi só sorrisos depois que desembarcou em Pequim.

Foi a Olimpíada da consagração de Phelps como o maior campeão olímpico de todos os tempos, do "Lightning Bolt" massacrando recordes mundiais e das mulheres brasileiras colecionando medalhas e arregaçando os homens, em comparação aos Jogos anteriores, com exceção do Cielo e do primeiro ouro do país na natação, claro.

Bom, isso todo mundo viu e já sabe. Foram escritas inúmeras linhas falando de todos esses casos, e não creio que eu tenha muita coisa a acrescentar. A não ser sobre a participação brasileira, que merecerá posts à parte.

Assim, escrevo quatro comentários sobre minhas impressões, ou o que mais me chamou a atenção, na cobertura da gloriosa Olimpíada pequinesa.

- Picaretagem
A história da menina bonita que dublou a menina feia na cerimônia de abertura foi um tiro no pé do Bocog (que organizou os Jogos). É simplesmente incompreensível os caras tomarem essa atitude antipática, desumana, com uma criança. Depois, ainda assumiram a picaretagem na maior cara-de-pau. Foi lamentável e totalmente queima-filme para os chineses, que se demonstraram tão (ou mais) preocupados com a aparência quanto seus amigos ocidentais, notáveis pela criação da "sociedade do espetáculo" (do Guy Débord). Tudo pelo "bem coletivo", certo Pequim?

- Chatice
Tá certo que Olimpíada é o ápice para aqueles que amam esporte. Mas existem esportes que simplesmente não dá para agüentar, pelo menos para nós daqui, ou eu em particular. Enumero abaixo as chatices olímpicas (espero que quem as pratique não me leve a sério):
- Marcha atlética (qualquer uma): ver homens (ou mulheres) fazendo todo aquele movimento constrangedor e andando pequenos percursos de 20 ou 50 km é um teste para a paciência. Não entendo o conceito de uma competição onde é preciso rebolar o mais rápido possível.
- Beisebol: só americano pra gostar mesmo. Eu já li a regra umas 500 vezes, quando acho que entendi eu assisto aos jogos e percebo que não entendo picas. E demora horrores, ainda por cima. O esporte, que fez parte pela última vez dos Jogos (será que volta em Chicago-2016, se os americanos ganharem?), já vai tarde.
- Mountain bike (cross country, não BMX): simplesmente demora demais e é chato de assistir.
- Ginástica rítmica e de trampolim: esporte? Será mesmo? Um monte de gente dançando e pulando na cama elástica?
- Nado Sincronizado: aplicam-se os mesmos comentários acima. Parece mais uma apresentação teatral.
- Hóquei na grama: hóquei de verdade é no gelo. Hóquei na grama é igual a futebol de praia.
- Judô: aí o problema não é o esporte, que eu até gosto de assistir. São os narradores e comentaristas que sempre tentam adivinhar a marcação dos juízes e erram 110% das vezes. É insuportável.
- Hipismo: é tradicional, eu sei. Mas tenho muita pena dos pobres cavalos de nomes estranhos e bizarros, como "Bonito Z". E me deixa puto quando dizem que automobilismo, que gera muito mais esforço físico, não é esporte "porque depende mais da máquina do que do piloto". E o hipismo depende mais do ginete do que do cavalo? Desde quando? Por último, é muito mais legal andar a cavalo do que assistir aos outros andando.
- Lutas: aquelas roupinhas agarradas, com os homens tentando se derrubar em posições unusuais. É constrangedor demais, assim como a marcha atlética.
- Pólo aquático: concordo que é um esporte, e tem seus méritos. Mas é lento e chato de assistir. É mais legal jogar, apesar de eu sempre me afogar nas minhas tentativas.
- Saltos Ornamentais: não tão chato e mais esporte do que o nado sincronizado, mas também não se salva.
- Softbol: ver "beisebol".
- Taekwondo: o problema tá na regra, que estimula a retranca dos competidores. Quase sempre que o cara tenta encaixar um golpe, ele sofre o contra-ataque e a pontuação. O bom é ficar cozinhando até conseguir o golpe perfeito, senão a vaca vai pro brejo. Azar de quem assiste, que vê inúmeros chutes e muita porrada, com o placar final de "2 a 1 para Fulano". O taekwondo dá raiva, porque é uma luta extremamente interessante e que tinha de tudo para contar com combates mais dinâmicos. Parece o vôlei de antigamente, que tinha aquela chatice de "vantagem" para cá e para lá e ninguém pontuava. Ainda bem que, nesse caso, a Federação Internacional de Vôlei percebeu que as mudanças eram necessárias.
- Vela: deixei por último porque é com "v" e também porque eu acho hoje menos chato do que há alguns anos. Comecei a entender todo aquela coisa de várias regatas e bóias, ventos, e tudo mais. Mas é dose, porque não dá pra saber quem está na liderança e a hora em que a prova vai acabar, simplesmente porque os caras estão no mar, quase que navegando cada um para um lado. Mas a tal da "medal race", ou regata final, é bem legal.

- Legais
Fugindo das obviedades, e sem entrar em detalhes, gostei de assistir provas do arco e flecha (ou tiro com arco), ciclismo de pista (bem emocionante), esgrima, pentatlo, triatlo e pingue-pongue.

- Propagandas insopurtáveis
"Extra, extra", vai para o inferno. A "valeu a pena" da Vivo também irritou nossos nervos, já que a alternância exclusiva entre essas duas propagandas, no Sportv, tirou a gente do sério. Depois, sumiu a "valeu a pena" e apareceu a da Citroën, com a versão pirata e repetitiva de "Ken Lee", da Mariah Carey.
Na ESPN, o duro era agüentar aquela velha chata gritando "Caloooooooorrrrrrr" na propaganda da Sol.
Na Globo, o Leonardo cantando a música do Apracur. Nem preciso falar mais nada.

E esses são os pitacos da "maior de todas as Olimpíadas" (ooohhhhhh!).